quinta-feira, outubro 22, 2020

“É simples assim: um manda e o outro obedece”, diz Pazuello após ser desautorizado publicamente


Foi só “choque das coisas”, diz Bolsonaro, mas sem perder o carinho

Guilherme Mazui
G1

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, afirmou nesta quinta-feira, dia 22, em uma transmissão ao vivo ao lado do presidente Jair Bolsonaro que “é simples assim: um manda e o outro obedece”. Nesta quarta-feira, dia 21, o presidente desautorizou o ministro, ao mandar cancelar o protocolo de intenções de compra de 46 milhões de doses da vacina CoronaVac, anunciado no dia anterior por Pazuello em uma reunião com governadores.

A vacina é desenvolvida pelo Instituto Butantan, de São Paulo, e pela farmacêutica chinesa Sinovac. Bolsonaro é adversário político do governador paulista, João Doria (PSDB) e vem colocando restrições à compra do imunizante da China.

RECUO – Segundo informou o blog de Valdo Cruz, Bolsonaro sabia da negociação para a compra da vacina, mas voltou atrás após sofrer pressão de apoiadores em redes sociais. O episódio provocou mal-estar entre militares, já que Pazuello é um general da ativa do Exército, de acordo com o blog de Andréia Sadi.

“Não compraremos a vacina da China”, escreveu o presidente em uma rede social na manhã desta quarta-feira. À tarde, durante visita a um centro militar da Marinha, em Iperó (SP), afirmou: “O presidente sou eu, não abro mão da minha autoridade.”

Na transmissão desta quinta-feira, Bolsonaro disse a Pazuello, diagnosticado com a Covid-19: “Semana que vem, talvez, com toda certeza, tu volta para o batente aí.” Pazuello, então, respondeu: “Pois é, estão dizendo que não, né? Tamo junto”. Bolsonaro, por sua vez, acrescentou: “Falaram até que a gente tava brigado aqui. Pô, no meio militar é comum acontecer isso aqui, tá certo? É choque das coisas, não teve problema nenhum.”

OBEDIÊNCIA – Pazuello, na sequência, declarou: “Senhores, é simples assim: um manda e o outro obedece. Mas a gente tem um carinho, entendeu? Dá para desenrolar, dá para desenrolar”.

Enquanto Pazuello falava, Bolsonaro ria, colocando a mão sobre o ombro do ministro da Saúde. O presidente, em seguida, disse: “Opa. Tá pintando um clima aqui”. Os dois participaram da transmissão ao vivo sem máscara.

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