Osmar Marrom Martins Redação CORREIO
“Eu vim para fazer o show inteiro, mas a polícia de Nova York só me deixou cantar quatro músicas. E aqui as leis são rígidas”. O desabafo foi de Carlinhos Brown, que não pôde atender ao pedido da multidão que gritava e pedia bis, ontem, no encerramento da segunda edição da Lavagem da Rua 46 (Cleasing of 46th Street) em Nova York.
Brown só foi saber dessa proibição na noite anterior. Segundo a produtora da lavagem, a baiana Silvana Magda, “membros do Departamento de Polícia de Nova York ficaram impressionados quando viram o currículo do artista e de quem se tratava”. Mesmo relato de André Dias, do staff da Globo: “Quando entraram no Orkut e viram que Brown ganhou dois Grammys e leram seu histórico, eles disseram tratar-se de um popstar e que não iam poder garantir a segurança naquelas circunstâncias”.
Como não tinha jeito, Brown não se rendeu. Pediu proteção aos orixás “que Ogum continue sendo o senhor de minha estrada e de meu tambor” e ao som de hits como Maria Caipirinha, Água Mineral, e Assunshe (Obaluaê) ele, acompanhado de sua banda, botou a plateia para correr da esquerda para a direita e vice-versa, bater palma, dançar, gritar. Só faltou dar a volta na rua.
Conduzido por Carlinhos Brown e a cantora Luana Linch, com a participação da atriz e apresentadora Regina Casé, e do ex-jogador da Seleção Brasileira Reinaldo, o cortejo iniciou o desfile às 13h (meio-dia no Brasil) e seguiu atraindo cada vez mais gente pela Rua 46. Seguindo a comitiva, baianas em trajes típicos, com flores e potes carregando água-de-cheiro, e 40 percussionistas mulheres do grupo Batalá. Os convidados usavam uma camisa com o símbolo da lavagem.
E para abrir os caminhos, um revoar de pombas brancas. Os brasileiros, que já conheciam Brown, vibravam. Os gringos (tinha gente da Alemanha, Canadá e de várias partes dos EUA) ficavam extasiados, se manifestando com muitas expressões entre as quais beautiful, Fantatisc e Very crazy.
Depois do show, Carlinhos Brown retornou ao hotel, de onde saiu para almoçar com seu staff e depois se recolheu para a sua apresentação hoje, na festa de 25 anos do Brazilian Day de Nova York, como convidado de Elba Ramalho (também se apresentam Alcione, Vitor e Leo, Marcelo D2 e Arlindo Cruz).
A banda seguiu para Toronto, onde o cacique será a principal atração do Brazilian Day do Canadá, que acontece amanhã. Lá ele fará oshow completo.
Fonte: Correio da Bahia
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