Donaldson gomes, do A TARDE
A tranquilidade tem um preço. E para muita gente este preço está bem acima das condições orçamentárias. Para uma família de classe média com quatro membros – pai e mãe adultos e trabalhando, mais duas crianças – as principais coberturas de seguro disponíveis custariam R$ 1.015 por mês. Por ano, R$ 12.015. Valores bem acima da realidade de muita gente. A realidade do Nordeste brasileiro é que 86,2% das pessoas vivem com menos de R$ 930 por mês. Nestes casos, o seguro acaba sendo um luxo que elas não podem se dar.
Além das variedades tradicionais, hoje é possível proteger de notebook a animais, passando pelos riscos modernos – que em linhas gerais indenizam contra a violência. Mas se as variedades disponíveis aumentaram, a renda das famílias aparece como um dos principais limites à expansão deste mercado. Para dificultar um pouco mais o trabalho de quem está no negócio, a cultura do seguro é apontada como coisa rara pelos profissionais.
Este não foi o caso do representante comercial Cristiano Santana. Aos 26 anos, decidiu fazer um seguro de vida. “Sempre pensei em como seria ruim passar por algum problema e deixar meus filhos desamparados”, explica. Além da tradicional proteção ao veículo, a casa onde mora também tem seguro contra incêndios. “Seguro é uma coisa que ninguém faz pensando em usar, mas é bom ter”, explica ele.
Quando se fala em limites ou dificuldades para este mercado, ninguém está dizendo que ele não cresce. Poderia crescer mais, mas nem a crise que tem assombrado vários setores da economia consegue fazer o tempo deles ficar ruim.
No mercado de autos da Bahia, a cobertura é de 8,8%, comparando dados do Departamento Estadual de Trânsito da Bahia (Detran) com os da Superintendência de Seguros Privados (Susep). A estimativa no mercado é de que estes números sejam ainda maiores, uma vez que as apólices feitas seriam contadas nos estados-sede das seguradoras.
No mercado nacional, o somatório total de prêmios nos cinco primeiros meses deste ano foi de R$ 29 bilhões. Em relação aos primeiros meses do ano passado, quando o total de prêmios foi de R$ 26,7%, segundo dados da Susep, houve um crescimento de 8,6%. De acordo com o gerente-técnico da Seguradora Aliança da Bahia, o mercado tem conseguido superar as limitações da falta de renda e de cultura do povo brasileiro nos investimentos em seguros. “A Bahia é um Estado pobre e as pessoas acabam tendo outras prioridades”, ressalta.
A necessidade do investimento em um seguro para a residência surgiu para o comerciante Erito Neto depois que a casa de uma tia pegou fogo durante uma viagem. “Ela não perdeu tudo porque a casa estava no seguro”. Depois disso, ele avaliou que também estava sujeito a um risco parecido e optou pela proteção.
“Viajo muito e sou esquecido”, explica, em relação ao risco de sair de casa e deixar aparelhos eletrônicos ligados. Por um ano, pagou 3 vezes de R$ 48. “O custo benefício é fantástico. Viajo tranquilo”, explica. E exemplifica: quando voltava de Jequié, o para-brisa do veículo trincou após ser atingido por uma pedra. “Não fosse o seguro, teria que pagar uns R$ 400”, disse. A apólice oferece a troca do vidro por R$ 80.
Fonte: A Tarde
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