Por: Carlos Chagas
BRASÍLIA – Não é de graça que na Esplanada dos Ministérios ele vem sendo chamado de “Dr. Silvana”. Os mais velhos lembrarão daquele arqui-inimigo da Humanidade e do Capitão Marvel, cientista sempre empenhado em destruir o planeta.
Falamos do ministro do Futuro, Mangabeira Unger. Sua mais recente agressão ao País e ao governo surgiu esta semana, na forma de entrevista onde sustenta que o Bolsa-Família não deve beneficiar as camadas mais pobres, senão aquelas “que são quase classes média”... Às vésperas de um périplo pelo Nordeste, o singular ministro defendeu a importância de se libertar a região do “pobrismo” em troca de privilegiar quem já está empregado, em especial no aperfeiçoamento de mão-de-obra. Só não explicou como irão sobreviver os onze milhões de beneficiados pelo Bolsa-Família. A gente pergunta se Mangabeira trabalha para a administração Lula, que já acusou de ser “a mais corrupta em toda a História do País” ou se atua como artífice do caos, tantos e tamanhos têm sido os seus desencontros com a realidade, com os companheiros e com a lógica. No caso de agora, despertou o silêncio complacente do correto ministro da Integração Social, Patrus Ananias, responsável pelo sucesso do bolsa-família. Como na mesma entrevista tivesse aproveitado para criticar o que chamou de excesso de poder do Ibama nos projetos oficiais, não conteve a juventude de Carlos Minc. O ministro do Meio Ambiente reagiu, explicando didaticamente as atribuições da instituição a ele subordinada.
Convenhamos, fosse outro o presidente da República, menos tolerante do que o Lula, e Mangabeira já teria sido despachado faz muito para sua cadeira de professor na Universidade de Harvard. Aqui, bateu de frente não só com diversos colegas de ministério, mas com a filosofia do governo e seus programas sociais, ambientais, estratégicos, políticos e o que mais seja. Como se gaba de haver sido professor de Barack Obama, pode-se tirar ao menos uma conclusão otimista: o novo presidente dos Estados Unidos não aprendeu nada de suas aulas...
Vão parar por aí?
Claro que foi um bom começo o Copom haver reduzido os juros em um ponto percentual. Mas é preciso prospectar mais a fundo a reação das lideranças sindicais. Deixarão cair as máscaras, caso venham a ficar apenas nos elogios ao Banco Central, interrompendo o que parecia uma reação verdadeira ao desemprego em massa. Porque em termos de dispensa de operários, a situação não mudou: empregos continuam desaparecendo aos milhares, todos os dias. A redução dos juros, que continuam os maiores do mundo, constitui apenas um entre múltiplos fatores para enfrentar a crise econômica.
A obrigação fundamental das lideranças sindicais é impedir as demissões em massa, mobilizando as bases, levando-as para a rua e fazendo valer a sua força. O adversário do trabalhador não é o Banco Central, ou, pelo menos, o Banco Central não é o maior de seus adversários. Parece bancar o avestruz ficar celebrando a queda de 13,75% para 12,75% de braços cruzados diante da prática cruel das empresas, com as demissões.
Torna-se necessário demonstrar que sem o trabalho, o capital perde seu valor. Demonstração cujos limites extremos, indesejáveis, mas possíveis, iriam à greve geral e à ocupação das fábricas. Ou o movimento operário já não chegou lá, até diante de reivindicações menores, três décadas atrás?
Soluções paliativas
Apesar de haverem assumido em plena crise econômica, obrigando-os à contenção de despesas, nas cidades com mais de 500 mil habitantes os prefeitos programam e começam a executar obras viárias. O mesmo vinha fazendo os novos governadores empossados há dois anos, em seus estados.Tudo bem, cumprem-se promessas de campanha e atendem-se necessidades cada vez mais prementes em termos de construção de viadutos, túneis e ampliação de ruas e avenidas. O problema é que adianta muito pouco. Nas cidades mais populosas a demanda surge muito superior aos meios para atendê-la. Mesmo com a crise econômica, o número de automóveis se multiplica e o transporte público mostra-se insuficiente. Além de faltarem recursos necessários a outras carências essenciais, de educação, saúde, saneamento e segurança.Por que essas considerações? Porque a solução, infelizmente, não está nos túneis e viadutos. A médio e longo prazo torna-se necessário dotar as cidades menores de condições capazes de evitar o êxodo para as cidades maiores. Fora daí, será queimar dinheiro.
O preço vai aumentar
Esteja ou não o presidente Lula zangado com o senador José Sarney, hipótese mais remota do que real, a verdade é que o PMDB encontra-se a um passo de dominar o Congresso. Dificilmente Michel Temer deixará de ser eleito na Câmara, assim como o ex-presidente da República já se pode considerar presidente do Senado.O resultado é que apesar de constituir-se numa federação de divergências, o PMDB não rasga dinheiro. Sabe muito bem manter-se no exercício do poder. Dominando o Legislativo, ainda que integrando a base oficial, obrigará o governo a negociar cada projeto ou medida provisória necessária ao bom andamento da administração. Claro que Sarney é excelente aliado e que Temer comprometeu-se até o infinito com o palácio do Planalto, mas o fato é que a equação se inverterá a partir do mês que vem. Será o governo, agora, a procurar o PMDB. Será que o preço vai aumentar?
Fonte: Tribuna da Imprensa
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