terça-feira, dezembro 16, 2008

PF ouve suspeitos de fraude em 30 prefeituras baianas

Ana Cristina Oliveira SUCURSAL ITABUNA
A Polícia Federal começa a ouvir, nesta terça, 16, prefeitos, servidores públicos e empresários, de 30 cidades baianas, suspeitos de envolvimento em supostas operações fraudulentas, em contratos e licitações com verbas federais, que deram um prejuízo de cerca de R$ 28,5 milhões. O delegado Eduardo Assis, responsável pelo inquérito, disse que nesta segunda-feira, 15, foram expedidas as intimações para o primeiro grupo, mas ele não adianta nomes de empresas ou de pessoas e nem identifica quem seriam os nove prefeitos suspeitos, porque o inquérito corre em segredo de Justiça.
Segundo o delegado, no total são cerca de 73 pessoas suspeitas de fraudes, das quais 53 teriam um envolvimento maior, grupo no qual estão nove prefeitos e sete secretários municipais. Ainda conforme o delegado, com os novos indícios e provas reunidas durante a Operação Vassoura-de-Bruxa, deflagrada sexta-feira, esse número deve subir mais. O delegado diz que espera a colaboração de todos, porque se alguns continuarem dificultando o trabalho de investigação da PF, ele vai ter que pedir, novamente, a prisão preventiva de pelo menos quatro pessoas.
A Procuradoria Regional da República da 1ª Região, em Brasília, não adianta informações, porque o Processo nº 200633070094864 corre em segredo de Justiça, segundo a assessoria de imprensa.
SURPRESA – O prefeito de Ilhéus, Newton Lima (PPSB), diz que a operação não causou problemas para o funcionamento da prefeitura, mas afirma que solicitou a devolução das CPUs dos computadores da Secretaria de Saúde e do setor de licitação que tinham processos de algumas empresas investigadas, porque a secretaria trabalha com pregões diários e pode faltar medicamentos nos postos de saúde do município. Newton Lima considerou a "operação intempestiva, porque em outros tempos, quando se sabia de fraudes na Prefeitura de Ilhéus, a PF não agiu".
Para o presidente da Câmara Municipal de Ilhéus, Alisson Mendonça (PT), a operação pegou todos de surpresa, lideranças políticas e a população. Segundo ele, todos esperavam que a PF entrasse pesado para investigar os dois anos e meio da administração do ex-prefeito Valderico Reis, cassado por irregularidades, sobretudo em verbas carimbadas da Saúde e Educação.
Segundo o vereador, se as investigações, que começaram em 2002, se concentrassem nas falcatruas da administração Valderico, não haveria necessidade de invadir a prefeitura; era só pegar a fartura de documentos que está no Tribunal de Contas dos Municípios.
Em Itabuna a prefeitura também funcionou, nesta segunda, sem problemas. O prefeito Fernando Gomes (DEM) diz que nada deve e que controla todos os contratos e as licitações feitas em sua administração, tendo inclusive cópias de todas, para poder prestar contas quando for convocado.
O presidente da Câmara, Édson Dantas (PSB) diz que se sente feliz e acha que a impunidade aos poucos vai sendo banida do País. "Esperava que essa devassa viesse mais cedo", diz Dantas, destacando que a gestão municipal, nos últimos quatro anos, foi calamitosa. Segundo ele, basta os graves problemas da saúde, que acabaram por tirar do município a gestão plena da Saúde. Dantas destaca os desvios de recursos para pagamento dos serviços de média e alta complexidade, comprovados em auditoria feita pela Secretaria Estadual de Saúde.
O vereador cita ainda os desmandos no Hospital de Base, com dezenas de mortes administrativas, por falta de vagas e de medicamentos. Dantas destaca casos como a compra fictícia de medicamentos, que só existia nas muitas notas fiscais pagas às empresas, mas no almoxarifado não havia registro da entrada desses produtos no hospital.
Fonte: A Tarde

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