Um dos principais obstáculos para o sucesso dessas cúpulas realizadas entre países da América e Caribe é a distância que separa os interesses dos 34 líderes que participam do encontro. Essa é a avaliação de especialistas. Na opinião deles, apesar de servir como canal de diálogo e diplomacia, a cúpula desta semana não desperta praticamente nenhuma expectativa de grandes avanços nos temas que serão discutidos. Embora toda reunião de cúpula possa significar alguma pequena coisa, os interesses são muito diferentes, e não se deve esperar resultados excepcionais. As recentes divergências dentro do continente também são apontadas como um empecilho para que os países da região consigam elaborar uma “agenda positiva” comum de cooperação. Além das diferenças ideológicas que opõem Venezuela e Estados Unidos, que têm em Hugo Chávez o seu maior desafeto na América Latina, outros países do continente manifestaram críticas a vizinhos nos últimos meses. As relações entre Brasil e Paraguai, por exemplo, foram estremecidas nas últimas semanas com as trocas de acusações sobre a origem do foco de febre aftosa no Mato Grosso do Sul. O governo paraguaio, assim como Argentina e Uruguai, também já havia manifestado restrições quanto aos atuais rumos do Mercosul. Os três sócios do Brasil no bloco também têm demonstrado pouco entusiasmo com a Comunidade Sul-Americana de Nações, criada a partir de uma proposta brasileira. Botafogo Gonçalves concorda que há um excesso de reuniões internacionais como a Cúpula das Américas, mas rejeita a tese de que essa é uma característica mais marcante na América Latina. “No mundo inteiro, isso é um problema. Há muita discussão se isso é controlável”, diz o embaixador. “É um problema quase inevitável que tem que ir progredindo à medida que você consiga ver com mais clareza o custo-benefício desses mecanismos.” “Naturalmente tem o seu aspecto ruim do ponto de vista de despesas”, acrescenta. “Mas, por outro lado, há uma certa vantagem em que os líderes se vejam com freqüência em um mundo cada vez mais globalizado.” Já o economista Gilberto Dupas avalia que uma reunião de cúpula de sucesso normalmente tem o seu texto final aprovado antes mesmo de começar, com uma definição antecipada da pauta, das prioridades e dos acordos que serão assinados no encontro. “O que se faz é a formalização das aprovações e os anúncios”, afirma. “Normalmente, uma cúpula que vai dar certo você sabe por antecipação a agenda positiva dela”, comenta Dupas. “Existem também as cúpulas que são só para bater papo. Essas tanto podem agravar tensões como podem eventualmente criar uma ou outra aproximação pessoal que leve a um desmonte de um desentendimento”, conclui o economista.
Vizinhos têm receio da liderança de Lula
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva enfrenta receio de seus colegas sul-americanos quanto à busca do Brasil pela liderança regional, segundo reportagem publicada ontem pelo jornal argentino La Nacion, por ocasião da cúpula presidencial em Salvador. O encontro vai reunir 29 presidentes latino-americanos. “Alguns analistas avaliam que o país anfitrião vai mostrar sua liderança regional nesta cúpula quádrupla – a do Mercosul, da Unasul, a primeira da América Latina e do Caribe e a do Grupo do Rio – mas outros analistas advertem que nem todos os líderes estão contentes com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, inclusive a Argentina”, diz o jornal. “Há mal estar da Argentina, Equador, Bolívia e Paraguai com o Brasil”, diz o jornal, que diz que estes países “questionam a orientação que (o Brasil) quer impor na economia”. Segundo o La Nacion, as diferenças começaram durante as negociações da Rodada Doha de comércio global em julho, em Genebra, quando o Brasil, que negociava em nome dos países em desenvolvimento, aceitou a proposta dos países ricos apesar da oposição argentina. “O Brasil usa os países em desenvolvimento para se posicionar como jogador global e depois faz com eles o mesmo que os países desenvolvidos”, disseram analistas do governo de Cristina Kirchner ao jornal. Segundo esses analistas, a Índia e a África do Sul também teriam ficado descontentes com a mudança de posição brasileira em Doha. Já o Equador, segundo o jornal, está envolvido em duas disputas com o Brasil, um por conta da expulsão da Odebrecht por conta de uma represa e outra por um empréstimo do BNDES para a construção dessa empresa. “Os países reunidos no bloco Alternativa Bolivariana para a América (Alba), liderados pela Venezuela de Hugo Chávez, se solidarizaram com o Equador neste caso. Diferentemente da petro-diplomacia de Chávez, Lula não saiu pela região apoiando candidatos presidenciais nem assegurando o abastecimento energético.” O La Nacion afirma que Bolívia e Paraguai também mantêm tensas negociações com o Brasil, a Bolívia por conta do preço do gás vendido ao vizinho, e o Paraguai por conta do preço da eletricidade gerada por Itaipu. Em editorial sobre as cúpulas paralelas em Salvador, o La Nacion afirma que no encontro, os presidentes Lula e Chávez vão continuar disputando dissimuladamente a liderança regional, mas que, provavelmente, será difícil que os líderes regionais cheguem a um acordo sobre uma política comum e como colocá-la em prática.
Na Bahia, Raúl Castro diz querer discutir embargo com Obama
Em sua primeira viagem oficial ao Brasil, o presidente de Cuba, Raúl Castro, afirmou que pretende discutir o fim do embargo econômico ao país com o presidente eleito dos Estados Unidos, Barack Obama, se ele estiver aberto a esta conversa. ”Se o senhor Obama quer discutir, discutimos. Se não quer discutir, não se discute”, declarou Castro a jornalistas ao chegar ontem ao balneário Costa do Sauípe, na Bahia. Castro vai participar no local da Cúpula da América Latina e do Caribe, que reunirá entre terça e quarta-feira presidentes e chefes de Estado de 33 países da região. Cuba está submetida ao embargo dos EUA há cerca de 50 anos, desde a revolução que levou o comunismo ao país caribenho. “É cada vez mais difícil manter Cuba isolada. A cúpula poderia aprovar uma resolução contra o bloqueio”, afirmou. Durante o encontro, Cuba será incluída no Grupo do Rio, um dos mecanismos diplomáticos da América Latina. “Nós somos pequenos, mas demonstramos que não é possível nos dominar facilmente”, acrescentou. Raúl passou o governar Cuba depois dos problemas de saúde que impossibilitaram que seu irmão Fidel Castro continuasse a comandar o país, em meados de 2006. Castro afirmou que a reunião de Sauípe é um primeiro passo para a integração da América Latina e do Caribe, que vai exigir “um longo caminho”. Pela primeira vez, uma cúpula de presidentes latinos e caribenhos não terá a presença de um representante dos EUA ou da União Européia, o que é visto pela chancelaria brasileira com sinal de maturidade desses países.
Fonte: Tribuna da Bahia
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