Por: Vasconcelo Quadros
A relação de empresários envolvidos e que terão de devolver dinheiro ao governo é encabeçada pelos dois principais chefes da máfia das ambulâncias, os donos da Planam, Darci e Luiz Antônio Vedoin, pai e filho, que organizaram o esquema. O levantamento da AGU demonstra que os desvios alcançaram cerca de R$ 40 milhões. Além do valor original, os envolvidos terão de pagar uma pesada multa - que equivale ao dobro do que foi desviado - e ainda poderão sofrer outros encargos, como correção monetária. Reunindo o que escorreu pelo ralo da Sanguessuga e de outros desvios perpetrados por quadrilhas, o montante original alcança mais de R$ 70 milhões. Pelas contas da AGU, com correção, o valor a ser ressarcido poderia alcançar uma cifra de R$ 210 milhões.
A força tarefa organizada pela AGU é a mais nova ação do Estado para fechar o cerco dos órgãos de controle federal aos esquemas de corrupção infiltrados na máquina pública. Ao lado da Polícia Federal, TCU e Controladoria Geral da União (CGU), o órgão vai dar o suporte jurídico para atacar o elo mais fraco do governo, que é a ineficácia na recuperação das grandes somas financeiras desviadas através da corrupção.
- Mais importante que a atividade de repressão, é fazermos a prevenção. A AGU vai trabalhar em favor da sociedade buscando o que foi desviado dos cofres públicos - diz o procurador Geral da União, Fernando Luiz Albuquerque.
Ele diz que a experiência da força tarefa que resultou nas 410 ações, levaram o órgão a decidir que a partir do ano que vem, haverá um grupo permanente atuando no combate da corrupção. Pelo menos 40 advogados da União serão escalados para integrar a equipe. Segundo Albuquerque, além de ter sido a primeira ação coordenada, o mutirão jurídico da CGU fecha o ciclo dos órgãos públicos envolvidos no combate à corrupção.
A estratégia da AGU é centrar o foco de suas ações na rapidez com que devem ser encaminhados à Justiça Federal, a partir de agora, os pedidos de bloqueio de bens dos envolvidos. O objetivo é criar uma sinergia com órgãos como o TCU para encaminhar os recursos à medida em que surgirem os primeiros indícios consistentes de desvios em obras ou negócios que envolvam recursos do governo federal. Os processos demoram, em média, sete anos para ser julgados, mas se a justiça garantir a indisponibilidade dos bens, o governo não corre o risco de perder o que foi desviado. Normalmente quando os casos chegam ao fim, o patrimônio dos suspeitos já desapareceu.
Fonte: Jornal do Brasil (RJ)
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