Regina Bochicchio, do A Tarde
A bancada do PMDB na Assembléia Legislativa (AL) pretende marcar audiência com o governador Jaques Wagner (PT), logo após as eleições de domingo, “para voltar à normalidade do relacionamento”, disse o líder do partido na Casa, deputado Leur Lomanto Junior.
Para Leur, embora a briga entre PT e PMDB pela sucessão em Salvador, “tenha chegado a momentos de exaltação”, quando o governador Jaques Wagner verbalizou contra o prefeito João Henrique, ele reconhece que as críticas têm acontecido dos dois lados.
“Ressentimentos há, de ambas as partes. Mas temos que diferenciar: uma coisa é a sucessão, outra é coisa é o PMDB com o governo do Estado”, disse o líder peemedebista. E acrescentou: “João não poderia ficar calado recebendo uma bombada dessa”. Ele se refere às críticas petistas sobre a má administração do prefeito e suas alianças nesse segundo turno, com o democrata ACM Neto.
A TARDE tentou mas não conseguiu contato com o líder do governo da AL, Waldenor Pereira (PT) para comentar as declarações dos peemedebistas.
Minoria - Na Casa, o PMDB, com 9 parlamentares, é o principal partido aliado do PT, que tem 10 deputados. Mas a base governista soma, junto com PMDB, 37 deputados. Numa suposta ruptura do PMDB, a base governista seria minoria: 28 deputados.
Outro ponto importante é que o PMDB ganhou 113 prefeituras nas eleições, muitas com o apoio de parlamentares estaduais e que podem fazer a diferença de apoio no pleito de 2010. Embora a oposição declarada da AL (DEM e PTN) some 12 deputados, o PR (6), PP (5) e PRTB (2), da chamada “ala independente“, juntos totalizam 13 votos. Ainda que o PR, que já esteve fechado com o governo, não se declare oposição, das últimas vezes em que houve votação, ficou ao lado do DEM, semelhante, aliás, o que ocorre com o PP.
Ambos os partidos estiveram prestes a integrar a base do governo, mas as negociações nunca foram efetivadas. Com o apoio do PR, do senador César Borges, ao deputado ACM Neto, no primeiro turno, e, agora, a João Henrique, a hipótese do casamento entre o partido e o governo ficou mais distante. E isso deverá reverberar no Poder Legislativo no final desse semestre.
A tensão entre PT e PMDB na AL começou ainda no primeiro turno em razão das candidaturas do interior. Em alguns municípios, como Itapetinga, onde os dois partidos, aliados do governo, disputavam a majoritária, as desavenças foram constantes.
Fonte: A Tarde
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