Cartilha é entregue por dom Geraldo aos candidatos à prefeitura de Salvador
Osvaldo Lyra
Os cinco candidatos a prefeito de Salvador acataram ontem a sugestão do arcebispo-primaz do Brasil, dom Geraldo Majella Agnelo, de ler a cartilha da Igreja Católica durante a campanha eleitoral. Dom Geraldo apresentou um documento denominado Para ser protagonista da vida em sociedade, em que aponta os critérios – católicos – para a prática político-eleitoral. São sete parâmetros para julgar a situação social, política e econômica. Entre eles, estão a prioridade da pessoa diante do Estado; o valor da família; o bem comum; a solidariedade; além da liberdade de educação e liberdade religiosa.
A intenção da Igreja é contribuir com o processo eleitoral, para que o resultado da eleição municipal de 5 de outubro contribua para o avanço da sociedade em direção a justiça e igualdade, defendeu dom Geraldo: “Queremos que todos, políticos e cidadãos, sejam motivados à reflexão”. Ele entregou a cartilha aos cinco candidatos a prefeito, aos candidatos a vereador e informou que a cartilha será enviada para as 115 paróquias que integram as 23 cidades do perímetro de atuação da arquidiocese de Salvador.
O encontro do arcebispo com lideranças políticas foi no auditório da Cúria Metropolitana, no Garcia. A juíza Cynthia Maria Pina Resende, corregedora do Tribunal Regional Eleitoral, também estava presente. Para o candidato do Democratas, ACM Neto, a iniciativa da Igreja é importante “devido à necessidade de aumentar a sintonia entre a religião e a política”. “Até porque, a política não é feita apenas para políticos, mas, sim, para o cidadão e para a sociedade”.
O tucano Antonio Imbassahy ressaltou, após o lançamento, que as bases apresentadas pelo catolicismo eram “a solução para a promoção da educação, do conhecimento e da vida”.
Apesar de serem evangélicos, os candidatos Walter Pinheiro (PT) e João Henrique (PMDB) também aceitaram o desafio de ler a cartilha da Igreja Católica. “É possível ler essa cartilha sim. Isso porque os valores pregados por ela devem nortear a vida de qualquer homem público. Deve servir, inclusive, de exemplo para que seus princípios não sejam perdidos de vista. Princípios da ética e da solidariedade”.
Para o candidato do PT, Walter Pinheiro, não se trata de uma cartilha religiosa, já que apresenta uma série de contribuições para a política e para a construção de valores. “São pilares para motivar na sociedade a reflexão sobre a prática governamental, que atendam aos anseios da coletividade”.
O candidato Hilton Coelho, do Psol, chegou ao evento um minuto antes do encerramento. Mesmo assim, ele recebeu das mãos de dom Geraldo uma cartilha elaborada pela Igreja.
Fonte: Correio da Bahia
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