terça-feira, março 18, 2008

Só pensando naquilo

Por: Carlos Chagas
BRASÍLIA - Na semana que passou o presidente Lula acusou as oposições de "só pensarem naquilo", referência à clássica piada envolvendo o Joãozinho e sua professora. Correndo o risco de alguma semelhança com o pimpolho, vale começar em qualquer dos variados aspectos da sucessão presidencial de 2010 para chegar à mesma conclusão de sempre.
Dilma Rousseff, Patrus Ananias, Tarso Genro e Marta Suplicy integram a lista dos pré-candidatos do PT à derrota. Claro, se as pesquisas continuarem revelando que todos, somados, não chegam a 5% das preferências do eleitorado. Tudo pode mudar, vale a ressalva, mas permanecendo as coisas como vão, nem o todo-poderoso presidente Lula seria capaz de transferir seu prestígio a um deles. Sequer a Antônio Palocci, que parece o mais novo pretendente a ingressar nesse, com todo o respeito, Exército Brancaleone dos tempos atuais.
Prestígio político e votos dificilmente se transferem, diz uma das mais contundentes verdades eleitorais. Suponha-se, só para argumentar, que José Serra venha a ser o candidato do PSDB, Aécio Neves, do PMDB, se ousar a troca de partido, Ciro Gomes, pelo PSB e outros nanicos, além de Heloísa Helena, pelo PSol. Dois passarão para o segundo turno, quem sabe Serra e Aécio, ou Serra e Ciro.
O PT precisará definir-se. Para salvar os dedos, entregará os anéis e os cartões corporativos, mas jamais apoiaria José Serra. Haveria que negociar com Aécio ou Ciro, mas numa posição subalterna, sequer aquela hoje sustentada pelo PMDB. O mais provável, assim, será assistir aos companheiros retornando à oposição. Mas jamais com a desenvoltura dos tempos passados. Sem tesão, apenas por falta de alternativa, de olho em 2014, quando a tentativa seria ressuscitar o Lula, à época quase setentão mas certamente ainda imbatível nas urnas.
Por conta dessas ilações, feitas diariamente, com amargura, pelos líderes e dirigentes petistas, torna-se imprescindível antecipar aquilo que na realidade desejam. Porque para continuar no poder, no qual se deu tão bem, o PT só dispõe, mesmo, da opção golpista de alterar as regras do jogo e promover mudança na Constituição, estabelecendo a possibilidade de o presidente Lula concorrer ao terceiro mandato.
Nada mais fácil do que começar às avessas, ou seja, extinguindo a reeleição e aumentando os mandatos presidenciais de quatro para cinco ou seis anos. Nessa hora, o apagador seria passado no quadro negro. Zeraria tudo, isto é, todo brasileiro teria o direito de candidatar-se. Inclusive ele.
Para essa aventura, o PT contaria com respeitável respaldo parlamentar, começando pelo PMDB. Porque, além de ninguém garantir que Aécio Neves deixará o ninho tucano, melhor para os peemedebistas parece permanecer como estão do que ficar ao sol e ao sereno num governo chefiado por José Serra. Mesmo os pequenos partidos empenhados na candidatura Ciro Gomes pensariam duas vezes na hora de votar a emenda constitucional. Ou não participam dos restos do banquete?
Nem tentaram
Surpresas sempre acontecem, mas, pelas previsões e pelos costumes, esta será uma semana pálida, no Congresso. Dos 513 deputados, é provável que de 100 a 150 nem apareçam em Brasília. Entre os 81 senadores, faltarão uns 30 ou mais. Houve tempo em que a Semana Santa começava na quarta-feira. Os colégios religiosos dispensavam seus alunos naquele dia, as repartições públicas iniciavam o ponto facultativo depois do meio-dia, o comércio começava a fechar suas portas e os teatros davam folga às companhias.
Os tempos mudaram, dia santificado, quer dizer, sem trabalho, ficou mesmo a Sexta-Feira Santa. Ora, as sextas-feiras já constituem dia em que, no Congresso, falta quorum. Nada se vota, nenhuma comissão se reúne, encontram-se mais parlamentares no aeroporto do que nos plenários.
Sendo assim, a pergunta surge espontânea: por que os presidentes da Câmara e do Senado não cortam o ponto dos faltosos, ao mesmo tempo marcando sessões deliberativas hoje, amanhã e depois, colocando em pauta projetos de grande interesse nacional e obrigando a realização de reuniões e audiências públicas nas comissões, inclusive as CPIS?
Garibaldi Alves e Arlindo Chinaglia devem explicações, ou melhor, passarão a dever na noite de quinta-feira, quando os presságios acima referidos se confirmarão. Ou não?
Fonte: tribuna da Imprensa

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