Fernando Exman BRASÍLIA
Apesar da pressão para que corte despesas devido ao rombo de R$ 40 bilhões por ano em suas contas causado pela extinção da Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira (CPMF), o governo retomou ontem as negociações sobre o reajuste da remuneração dos militares. O recomeço foi marcado por reunião entre os ministros da Defesa, Nelson Jobim, e do Planejamento, Paulo Bernardo. Ambos não concederam entrevistas ao fim do encontro.
O aumento dos soldos, aposentadorias e pensões e o reaparelhamento das Forças Armadas são as principais demandas dos militares. Os ministros decidiram que manterão o diálogo sobre o tema, mas só tomarão uma decisão em relação aos dois pleitos quando a revisão do Orçamento deste ano for concluída. O governo espera ter como definir o reajuste dos militares a partir da segunda quinzena do mês que vem. Com o fim da CPMF, governo terá de cortar cerca de R$ 20 bilhões de gastos.
Atualmente, a folha de pagamento das Forças Armadas soma R$ 33 bilhões por ano, incluindo aposentados, pensionistas e civis que integram Exército, Marinha e Aeronáutica. Estão em atividade 342.409 militares. Os aposentados e pensionistas somam 682.992 e 563.150, respectivamente. Aposentados e ativos têm a mesma remuneração.
O maior salário líquido das Forças Armadas é de R$ 8 mil, enquanto o menor é de R$ 207. Quando Jobim tomou posse, o ex-ministro Waldir Pires havia chegado a um acordo com os militares para reajustar os soldos de 27,62% a 37,04%. Os adicionais maiores seriam para os ofícios de início de carreira. Se essa proposta saísse do papel, o impacto no Orçamento deste ano seria de R$ 5,9 bilhões. No ano que vem, o custo totalizaria R$ 8,3 bilhões.
Quando assumiu, Jobim não se comprometeu a manter tal negociação. No fim de outubro, em audiência pública na Câmara, no entanto, reconheceu a necessidade de aumentar a remuneração dos subordinados.
Diferentemente do que ocorreu no caso dos militares, o governo suspendeu as negociações de reajustes salariais mantidas com os servidores públicos civis no fim do ano passado. Para pressionar o Executivo a retomar as conversações e cumprir acordos firmados, os funcionários públicos ameaçam realizar greves.
Fonte: JB Online
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