Eles fizeram a maldade e saíram de férias. O presidente da República, além do aumento de impostos anunciado dia 2, deixou avisado que vêm outras por aí, com os cortes no Orçamento da União. Mas isso fica para depois do período de relax. Descanso para Lula e o ministro da Fazenda, Guido Mantega, noites sem dormir para quem fica. Os servidores públicos já sabem que não vão mais ter o aumento prometido, até porque promessa, na era Lula, é só brincadeirinha de Pinóquio. Parlamentares torcem as mãos no desespero do ano eleitoral em que emendas paroquiais boas de voto podem ir para o espaço, apesar da promessa, de novo, de que serão preservadas. As de bancada, que geralmente importam aos Estados, contudo, nem juras de permanência receberam. Serão ceifadas. E isso apesar do aparente esforço dos mandatários estaduais, em dezembro, para manter a Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira, mandada para as calendas pelos senadores.
Haverá menos dinheiro para publicidade, custeio e até investimento, mais uma vez, apesar da garantia de que os últimos serão mantidos. Os remendos criticados pelo vice-presidente José Alencar foram tão mal tecidos que escancararam o quão roto é o cobertor governamental. Tão desgastado que, de novo, o caso tende a parar na interpretação dos ministros do Supremo Tribunal Federal, a quem os Democratas recorreram na tentativa de barrar o aumento do Imposto sobre Operações Financeiras e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido.
O descanso dos bravos guerreiros, comandante à frente, abre espaço para os coadjuvantes relegados a meros intendentes até agora. O ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro, soube dos reajustes de impostos no mesmo momento de todos os brasileiros. Os líderes partidários também. Agora, tentam recuperar-se do descaso com trabalho. Querem ver se é possível pelo menos saber antes o que será cortado e a extensão da tesourada. Não saberão. Fazenda e Planejamento vão decidir, o presidente baterá o martelo, e aos políticos sobrará a missão de tentar salvar um pouco a pele na hora da queima total.
Eudes Moraes, que se assina cidadão brasileiro, enviou carta ao presidente Lula, com cópia para os jornais, recomendando que o Planalto corte despesas e diminua os custos do governo, "ao invés de aumentar impostos". Lembra ainda: "Há um sistema de drenagem de recursos públicos denominados 'cargos em comissão'. Acabe com eles".
Taí, é o caminho das pedras. Tão óbvio, tão permanente, tão relegado por estes e outros governantes que dá raiva. Não é o que se fará. Ninguém gosta de cortar na própria carne se pode dilacerar a do outro. Curta as férias, presidente.
Fonte: JB Online
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