BRASÍLIA - O Conselho Nacional de Justiça (CNJ) vai investigar se há irregularidades no uso de cartões corporativos no Poder Judiciário. A presidente do CNJ, ministra Ellen Gracie, que também preside o Supremo Tribunal Federal (STF), despachou ontem comunicado para que todos os tribunais informem sobre o uso de cartões corporativos. No Poder Judiciário Federal, os saques em dinheiro vivo com cartões corporativos superaram os valores faturados em 2007.
Reproduzindo a conduta de funcionários do Executivo, cerca de 700 servidores da Justiça detentores de cartões sacaram R$ 1,288 milhão em dinheiro vivo para cobrir gastos imediatos, equivalente a 60% do total movimentado. Os saques superaram as compras com cartão em praticamente todos os segmentos do poder.
Na Justiça Federal, que inclui varas federais de diversos estados na primeira instância e os Tribunais Regionais Federais (TRFs), os saques corresponderam a 52% do total gasto. Na Justiça Eleitoral, alcançou 65% e, na Justiça do Trabalho, ficou em 63%.
O Ministério Público Federal (MPF) seguiu o mesmo comportamento: de cada R$ 10 gastos, R$ 6,40 foram retirados em espécie dos cofres públicos e posteriormente aplicados em compras. A ordem da ministra seguiu para os tribunais superiores, para os Tribunais de Justiça (TJs) e também para o Conselho Superior da Justiça do Trabalho e para o Conselho da Justiça Federal.
Estes conselhos deverão repassar informações sobre os Tribunais Regionais do Trabalho e dos Tribunais Regionais Federais. A intenção da ministra Ellen Gracie é verificar quem possui cartão corporativo, quais são os gastos e, ainda, que medidas de controle os tribunais têm para o uso desses cartões. E disciplinar o uso deles.
Segundo a assessoria do CNJ, a presidente do conselho não estipulou prazo para que as informações sejam repassadas ao órgão. Se houver indício de mau uso, o CNJ poderá abrir investigação para apurar o caso. "Este é o primeiro passo para o CNJ decidir sobre o assunto. O conselho precisa saber exatamente o que há sobre isso. Com base nestas informações, os conselheiros poderão decidir de que maneira regulamentar o assunto ou, se for o caso, determinar a suspensão do uso dos cartões corporativos no Judiciário", disse o secretário-geral do CNJ, juiz Sérgio Tejada.
"A determinação da ministra é que o CNJ reúna todas as informações necessárias para embasar decisões sobre o assunto". Nos últimos meses, vários dirigentes do Judiciário adotaram soluções drásticas para lidar com o risco de má utilização dos cartões: renunciaram às vantagens operacionais que esse instrumento representa e decidiram proibir o uso dos cartões.
Foi o que fez, por exemplo, o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio Melo. O Conselho da Justiça Federal (CJF) recorreu a remédio idêntico. Temendo o surgimento de casos de desvios e exageros no uso dos cartões, suspendeu o seu uso, em novembro do ano passado, nas repartições sob sua alçada.
A decisão alcançou a Justiça Federal de primeira instância em todo o País e os tribunais regionais. O Tribunal Superior do Trabalho (TST) interrompeu sua utilização neste ano. O presidente do tribunal, ministro Rider Nogueira de Brito, decidiu examinar os benefícios e riscos do uso instrumento. O movimento de recuo acabou emagrecendo os gastos com cartões no Judiciário Federal. As despesas totais caíram dos R$ 3,6 milhões, registrados em 2006, para R$ 2,1 milhões.
Fonte: Tribuna da Imprensa
sábado, fevereiro 16, 2008
FHC recomenda fim da "roubalheira"
SÃO PAULO - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso recomendou ontem a centenas de vereadores do PSDB, reunidos em São Paulo, que defendam cinco temas na campanha municipal deste ano: reforma política (com adoção do voto distrital), educação, saúde, segurança e "acabar com a roubalheira". FHC propôs que o seu partido encabece uma campanha nacional pelo que chamou de "uma nova democracia" e pelo "voto decente", que seria a base para outra campanha em favor da adoção do voto distrital no Brasil.
Como sempre acontece nos grandes eventos do PSDB, Fernando Henrique foi a grande estrela, ainda mais potencializada pelas ausências inesperadas do governador de São Paulo, José Serra, e do ex-governador Geraldo Alckmin. Durante os discursos, os vereadores quase não prestavam atenção, clicando sem parar suas câmeras fotográficas para retratar o ex-presidente.
O ex-presidente pregou insistentemente a adoção do voto distrital como ponto fundamental da reforma política e opinou que a mudança do sistema de votação será mais fácil se começar pelo município. Segundo ele, se o voto distrital for introduzido primeiro no município, as suas vantagens ficarão mais perceptíveis para os eleitores.
Ele explicou que, com apenas um candidato de cada partido em cada distrito, os nomes de uma mesma sigla não se enfrentam numa eleição, como acontece no sistema proporcional. "Isso aumentará a unidade dentro dos partidos e recuperará a credibilidade deles", opinou.
O ex-presidente criticou o atual sistema político, lembrando que muitos "foram expulsos do Congresso e hoje ficam se pavoneando e escrevendo artigos, como se nada tivesse acontecido". Para Fernando Henrique, a adoção do voto distrital é o preâmbulo para a instituição do sistema parlamentarista no Brasil.
Ele reafirmou que o PSDB é um partido programaticamente parlamentarista e vai continuar assim: "Nós perdemos o plebiscito pelo parlamentarismo, mas não mudamos de idéia. Conheço outros que mudaram de idéia depois que ganharam a eleição", espicaçou.
Mudança
O ex-presidente disse que não promoveu a reforma política tão logo assumiu a Presidência, em 1995, porque achava, à época, que isso seria uma tarefa do Congresso. Só depois se deu conta de que parlamentares eleitos por um sistema não votariam a sua troca por um outro modelo, que tornaria a sua eleição incerta.
"Mudar não é fácil", disse, parodiando Maquiavel, um de seus pensadores favoritos: "Quem sabe o que é o novo sistema, não quer; quem será beneficiado por ele, não sabe". Fernando Henrique considerou que o voto distrital aproxima o eleitor do candidato: "É a verdadeira referência para estabelecer uma força política e moral que permita ao eleitor cobrar de seu candidato".
Segundo ele, no sistema atual, o eleitor esquece o candidato em quem votou e o parlamentar esquece as razões pelas quais foi votado. O ex-presidente recomendou que os candidatos a vereador estudem os temas que vão defender na campanha: "Temos de estar preparados para o debate político, temos de ter dados, saber o que vamos defender", ensinou. E aconselhou com uma frase de efeito: "Política é pé no chão e o olhar no horizonte". Ao pregar atenção ao tema da segurança, FHC disse que hoje todos têm medo: "Isso não é vida", arrematou.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Como sempre acontece nos grandes eventos do PSDB, Fernando Henrique foi a grande estrela, ainda mais potencializada pelas ausências inesperadas do governador de São Paulo, José Serra, e do ex-governador Geraldo Alckmin. Durante os discursos, os vereadores quase não prestavam atenção, clicando sem parar suas câmeras fotográficas para retratar o ex-presidente.
O ex-presidente pregou insistentemente a adoção do voto distrital como ponto fundamental da reforma política e opinou que a mudança do sistema de votação será mais fácil se começar pelo município. Segundo ele, se o voto distrital for introduzido primeiro no município, as suas vantagens ficarão mais perceptíveis para os eleitores.
Ele explicou que, com apenas um candidato de cada partido em cada distrito, os nomes de uma mesma sigla não se enfrentam numa eleição, como acontece no sistema proporcional. "Isso aumentará a unidade dentro dos partidos e recuperará a credibilidade deles", opinou.
O ex-presidente criticou o atual sistema político, lembrando que muitos "foram expulsos do Congresso e hoje ficam se pavoneando e escrevendo artigos, como se nada tivesse acontecido". Para Fernando Henrique, a adoção do voto distrital é o preâmbulo para a instituição do sistema parlamentarista no Brasil.
Ele reafirmou que o PSDB é um partido programaticamente parlamentarista e vai continuar assim: "Nós perdemos o plebiscito pelo parlamentarismo, mas não mudamos de idéia. Conheço outros que mudaram de idéia depois que ganharam a eleição", espicaçou.
Mudança
O ex-presidente disse que não promoveu a reforma política tão logo assumiu a Presidência, em 1995, porque achava, à época, que isso seria uma tarefa do Congresso. Só depois se deu conta de que parlamentares eleitos por um sistema não votariam a sua troca por um outro modelo, que tornaria a sua eleição incerta.
"Mudar não é fácil", disse, parodiando Maquiavel, um de seus pensadores favoritos: "Quem sabe o que é o novo sistema, não quer; quem será beneficiado por ele, não sabe". Fernando Henrique considerou que o voto distrital aproxima o eleitor do candidato: "É a verdadeira referência para estabelecer uma força política e moral que permita ao eleitor cobrar de seu candidato".
Segundo ele, no sistema atual, o eleitor esquece o candidato em quem votou e o parlamentar esquece as razões pelas quais foi votado. O ex-presidente recomendou que os candidatos a vereador estudem os temas que vão defender na campanha: "Temos de estar preparados para o debate político, temos de ter dados, saber o que vamos defender", ensinou. E aconselhou com uma frase de efeito: "Política é pé no chão e o olhar no horizonte". Ao pregar atenção ao tema da segurança, FHC disse que hoje todos têm medo: "Isso não é vida", arrematou.
Fonte: Tribuna da Imprensa
MPF denuncia quadrilha que desviou R$ 20 milhões
SÃO PAULO - A Justiça Federal em Alagoas abriu processo criminal contra 13 dos envolvidos no esquema de desvio de recursos federais destinados a obras públicas em municípios alagoanos, descoberto pela Operação Carranca no fim do ano passado. É a primeira denúncia apresentada pelo Ministério Público Federal (MPF) no caso que pode ter representado o sumiço de R$ 20 milhões dos cofres da União.
A primeira denúncia envolve o grupo comandado pelo empresário e presidente da Câmara Municipal de Palmeira dos Índios, Denisval Basílio Silva, o Val Basílio, e pelos irmãos Christiano e Paulo Mendonça - também empresários. Os três, associados aos demais denunciados, fraudaram licitações nas cidades de Major Izidoro, Batalha, Água Branca, Viçosa e Palmeira dos Índios entre 2005 a 2007.
O foco da quadrilha, segundo a denúncia, eram obras custeadas com recursos da União. Eles controlavam cinco empreiteiras - quatro delas em nome de laranjas - que eram usadas para fraudar as licitações, simulando competição com propostas de preços feitas em conjunto.
Nas buscas feitas pela Polícia Federal (PF) foram localizados documentos de uma licitação preparados de maneira igual por empresas concorrentes. Nos cronogramas físico-financeiros de duas empresas, havia até um mesmo erro de grafia: a palavra descriminação em vez de discriminação.
Havia também nos computadores das empresas arquivos com as logomarcas das supostas concorrentes e documentos originais de prefeituras, que deveriam estar arquivados nas sedes da administração municipal. Nas planilhas de custo das obras públicas investigadas foram identificadas ainda despesas com o nome "cafezinho" pelo preço variável entre R$ 500 e R$ 7,5 mil.
Os procuradores Rodrigo Tenório, Daniel Ricken, Paulo Olegário de Sousa, Fabiano Formiga, Gino Lôbo e Rômulo Almeida, que assinam a denúncia, concluíram também que as obras eram feitas com material de má qualidade e algumas delas não foram concluídas.
Isso tudo com a conivência de fiscais e funcionários da Caixa Econômica Federal que atestavam a conclusão das obras a fim de garantir o pagamento. Um dos denunciados é servidor da Caixa. Os 13 acusados responderão por crimes de formação de quadrilha, fraude em licitação, fraude na execução de obra e lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva. A pena máxima que eles podem pegar é de 33 anos de prisão.
Nos próximos dias, uma nova denúncia em relação a outros presos na Operação Carranca será apresentada à Justiça. Ao todo, foram presos na operação 20 pessoas - dessas, 6 foram libertadas logo em seguida, pois não tiveram prisão preventiva decretada. Dos demais 14 presos, 3 foram soltos por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Fonte: Tribuna da Imprensa
A primeira denúncia envolve o grupo comandado pelo empresário e presidente da Câmara Municipal de Palmeira dos Índios, Denisval Basílio Silva, o Val Basílio, e pelos irmãos Christiano e Paulo Mendonça - também empresários. Os três, associados aos demais denunciados, fraudaram licitações nas cidades de Major Izidoro, Batalha, Água Branca, Viçosa e Palmeira dos Índios entre 2005 a 2007.
O foco da quadrilha, segundo a denúncia, eram obras custeadas com recursos da União. Eles controlavam cinco empreiteiras - quatro delas em nome de laranjas - que eram usadas para fraudar as licitações, simulando competição com propostas de preços feitas em conjunto.
Nas buscas feitas pela Polícia Federal (PF) foram localizados documentos de uma licitação preparados de maneira igual por empresas concorrentes. Nos cronogramas físico-financeiros de duas empresas, havia até um mesmo erro de grafia: a palavra descriminação em vez de discriminação.
Havia também nos computadores das empresas arquivos com as logomarcas das supostas concorrentes e documentos originais de prefeituras, que deveriam estar arquivados nas sedes da administração municipal. Nas planilhas de custo das obras públicas investigadas foram identificadas ainda despesas com o nome "cafezinho" pelo preço variável entre R$ 500 e R$ 7,5 mil.
Os procuradores Rodrigo Tenório, Daniel Ricken, Paulo Olegário de Sousa, Fabiano Formiga, Gino Lôbo e Rômulo Almeida, que assinam a denúncia, concluíram também que as obras eram feitas com material de má qualidade e algumas delas não foram concluídas.
Isso tudo com a conivência de fiscais e funcionários da Caixa Econômica Federal que atestavam a conclusão das obras a fim de garantir o pagamento. Um dos denunciados é servidor da Caixa. Os 13 acusados responderão por crimes de formação de quadrilha, fraude em licitação, fraude na execução de obra e lavagem de dinheiro, corrupção ativa e passiva. A pena máxima que eles podem pegar é de 33 anos de prisão.
Nos próximos dias, uma nova denúncia em relação a outros presos na Operação Carranca será apresentada à Justiça. Ao todo, foram presos na operação 20 pessoas - dessas, 6 foram libertadas logo em seguida, pois não tiveram prisão preventiva decretada. Dos demais 14 presos, 3 foram soltos por decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ).
Fonte: Tribuna da Imprensa
Geddel: Ciro foi brilhante ao defender transposição
FORTALEZA - O ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, chamou ontem de "brilhante" a defesa do projeto de transposição do São Francisco feita ontem, no Senado, pelo ex-ministro e agora deputado federal Ciro Gomes (PSB-CE). Ele desqualifica a presença na audiência dos atores Osmar Prado, Carlos Vereza e Letícia Sabatella, contrários ao projeto."Que movimento de artistas? Dois artistas que foram lá no Congresso ontem (quinta-feira)? Eu não vi. Três artistas. É um movimento de artistas isso?", comentou.
Geddel garantiu que a transposição é "irreversível". E, apesar do bate-boca entre Ciro, a atriz Letícia Sabatella e d. Luiz Cappio, bispo de Barra (BA), ele classificou a reunião como "produtiva, porque mostrou que o projeto é absolutamente viável, correto e bom para o Nordeste e para o Brasil".
"Não temos, ao contrário do que tentam dizer, nenhum receio de debater. Até porque estamos com a convicção plena de que estamos ao lado da boa causa", afirmou o ministro, tendo a seu lado o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro.
"Agora, sinceramente, essas pessoas não estão discutindo com boa fé", acusou Geddel, se referindo aos que se posicionam contra a obra. De acordo com ele, "há pouca vontade dessas pessoas em se renderem à argumentação absolutamente lógica, como, por exemplo, a que o ministro (sic) Ciro Gomes apresentou com brilhantismo na reunião de ontem (quinta-feira)".
Ontem, em Fortaleza, Geddel e Cid Gomes assinaram convênios de quase R$ 500 milhões destinados ao aumento da oferta de água e ampliação de projetos de irrigação para o desenvolvimento da agricultura no Ceará. Em seu discurso, o ministro fez questão de ressaltar que muitos olharam com desconfiança sua indicação para o ministério.
"Muitos políticos, inclusive aqui do Ceará, acharam que, por ser da Bahia, eu seria contra uma obra que é muito cara para essa região do País", comentou, olhando para o governador cearense, que, na sua vez de falar, devolveu: "Eu fui um dos que desconfiaram, mas quero lhe dizer que me surpreendi".
Durante a audiência realizada quinta-feira no Senado, d. Cappio chamou o projeto de "propaganda enganosa". "O pobre vai colocar a mesa para o rico", disse, se referindo à idéia de que a população vai pagar a conta da água para "agricultura irrigada, criação de camarão e usos industriais".
Ciro reagiu e acusou Cappio de integrar uma espécie de rede de "falsa denunciação", que distorce os objetivos da transposição ao acusar o governo de se mover pelo interesse "subalterno, clandestino, não confessado e safado de atender ao grande negócio e às empreiteiras e coisas que tal".
O tom ríspido adotado por Ciro causou constrangimento no plenário. Admitindo que poderia ter passado do ponto, o ex-ministro voltou à tribuna para responder às críticas da atriz Letícia Sabatella, também contrária ao projeto.
Dirigindo-se à atriz, o ex-ministro voltou, então, a exercitar seu estilo pouco polido. Disse que, como opção de combate pela transposição, resolveu "meter a mão na massa". "E às vezes (a mão) fica suja de cocô", afirmou.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Geddel garantiu que a transposição é "irreversível". E, apesar do bate-boca entre Ciro, a atriz Letícia Sabatella e d. Luiz Cappio, bispo de Barra (BA), ele classificou a reunião como "produtiva, porque mostrou que o projeto é absolutamente viável, correto e bom para o Nordeste e para o Brasil".
"Não temos, ao contrário do que tentam dizer, nenhum receio de debater. Até porque estamos com a convicção plena de que estamos ao lado da boa causa", afirmou o ministro, tendo a seu lado o governador do Ceará, Cid Gomes (PSB), irmão de Ciro.
"Agora, sinceramente, essas pessoas não estão discutindo com boa fé", acusou Geddel, se referindo aos que se posicionam contra a obra. De acordo com ele, "há pouca vontade dessas pessoas em se renderem à argumentação absolutamente lógica, como, por exemplo, a que o ministro (sic) Ciro Gomes apresentou com brilhantismo na reunião de ontem (quinta-feira)".
Ontem, em Fortaleza, Geddel e Cid Gomes assinaram convênios de quase R$ 500 milhões destinados ao aumento da oferta de água e ampliação de projetos de irrigação para o desenvolvimento da agricultura no Ceará. Em seu discurso, o ministro fez questão de ressaltar que muitos olharam com desconfiança sua indicação para o ministério.
"Muitos políticos, inclusive aqui do Ceará, acharam que, por ser da Bahia, eu seria contra uma obra que é muito cara para essa região do País", comentou, olhando para o governador cearense, que, na sua vez de falar, devolveu: "Eu fui um dos que desconfiaram, mas quero lhe dizer que me surpreendi".
Durante a audiência realizada quinta-feira no Senado, d. Cappio chamou o projeto de "propaganda enganosa". "O pobre vai colocar a mesa para o rico", disse, se referindo à idéia de que a população vai pagar a conta da água para "agricultura irrigada, criação de camarão e usos industriais".
Ciro reagiu e acusou Cappio de integrar uma espécie de rede de "falsa denunciação", que distorce os objetivos da transposição ao acusar o governo de se mover pelo interesse "subalterno, clandestino, não confessado e safado de atender ao grande negócio e às empreiteiras e coisas que tal".
O tom ríspido adotado por Ciro causou constrangimento no plenário. Admitindo que poderia ter passado do ponto, o ex-ministro voltou à tribuna para responder às críticas da atriz Letícia Sabatella, também contrária ao projeto.
Dirigindo-se à atriz, o ex-ministro voltou, então, a exercitar seu estilo pouco polido. Disse que, como opção de combate pela transposição, resolveu "meter a mão na massa". "E às vezes (a mão) fica suja de cocô", afirmou.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Horário de Verão acaba à meia-noite de hoje
RIO e SÃO PAULO - No Rio, o fim do horário de verão, à meia-noite de hoje, divide o carioca. Uns gostam, outros dão graças a Deus. Depois de 126 dias de vigência, o horário chega ao fim, para alívio dos que não conseguem se acostumar com a mudança.
Cuidados - Para quem for ao cinema, atenção com o relógio. Nas salas da rede Cinemark, por exemplo, o que vale é o "horário velho" - ou seja, se houver uma sessão marcada para a 0h30, ela será realizada às 23h30, de acordo com o horário atualizado.
Para quem for viajar de avião, ainda mais atenção. A assessoria de imprensa da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) sugere que os clientes liguem para as companhias aéreas para ter mais informações sobre qualquer mudança em relação ao horário de seus vôos marcados para a virada de hoje para amanhã.
Com o dia tendo uma hora a mais, trabalho dobrado para todo mundo que vive na noite. Em São Paulo, Deusdete Neres de Souza, ou simplesmente Souzinha para os clientes do bar Veloso, na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo, já sabe que terá trabalho em dobro neste fim de semana. Se normalmente o barman já faz cerca de 250 caipirinhas e tira algo em torno de 800 copos de chope toda noite, o fim do Horário de Verão vai obrigá-lo a estocar mais limões e açúcar - o ajuste no relógio, que deve ser atrasado em uma hora na virada de hoje para amanhã, fará com que hoje tenha "25 horas".
"Ah, deve bater mais de mil chopes e umas 300 e poucas caipirinhas neste sábado (hoje), né", diz. "A gente tem que trabalhar uma hora a mais sem reclamar, não tem jeito. Mas é uma hora a mais para ganhar dinheiro".
Não será só Souzinha que terá mais trabalho. Nas estações do metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), nos aeroportos, casas noturnas, hotéis, cafés, restaurantes e cinemas da cidade, o expediente terá uma hora a mais - na imensa maioria dos casos, sem acréscimo ao salário. Mas muitos irão comemorar o ajuste.
No motel Astúrias, por exemplo, em Pinheiros, Zona Oeste da capital paulista, o período de cinco horas custa de R$ 199 a R$ 419. Mas quem chegar antes da meia-noite de hoje vai poder ficar seis horas, sem pagar um tostão a mais por isso.
Economia
A edição 2007/2008 do Horário de Verão proporcionou uma redução do consumo de energia nas regiões Sudeste e Centro-Oeste de 4,2% (ou 1.557 megawatts) no horário de pico, das 19h às 22h. O Norte e o Nordeste do País não participaram do esquema, que teve início no dia 14 de outubro do ano passado.
A economia ficou quase no mesmo nível do verão 2006/2007, quando o consumo caiu 2,2 mil megawatts. A diferença marcante, porém, foi nos ganhos em dinheiro, que caíram de R$ 40 milhões na edição anterior para apenas R$ 10 milhões agora.
Segundo o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico, Hermes Chipp, isso aconteceu porque foi preciso usar com mais freqüência as usinas termelétricas - que têm uma operação mais cara - por causa do baixo volume de água nos reservatórios até a penúltima semana de janeiro, devido à estiagem.
Tribuna da Imprensa
Cuidados - Para quem for ao cinema, atenção com o relógio. Nas salas da rede Cinemark, por exemplo, o que vale é o "horário velho" - ou seja, se houver uma sessão marcada para a 0h30, ela será realizada às 23h30, de acordo com o horário atualizado.
Para quem for viajar de avião, ainda mais atenção. A assessoria de imprensa da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero) sugere que os clientes liguem para as companhias aéreas para ter mais informações sobre qualquer mudança em relação ao horário de seus vôos marcados para a virada de hoje para amanhã.
Com o dia tendo uma hora a mais, trabalho dobrado para todo mundo que vive na noite. Em São Paulo, Deusdete Neres de Souza, ou simplesmente Souzinha para os clientes do bar Veloso, na Vila Mariana, Zona Sul de São Paulo, já sabe que terá trabalho em dobro neste fim de semana. Se normalmente o barman já faz cerca de 250 caipirinhas e tira algo em torno de 800 copos de chope toda noite, o fim do Horário de Verão vai obrigá-lo a estocar mais limões e açúcar - o ajuste no relógio, que deve ser atrasado em uma hora na virada de hoje para amanhã, fará com que hoje tenha "25 horas".
"Ah, deve bater mais de mil chopes e umas 300 e poucas caipirinhas neste sábado (hoje), né", diz. "A gente tem que trabalhar uma hora a mais sem reclamar, não tem jeito. Mas é uma hora a mais para ganhar dinheiro".
Não será só Souzinha que terá mais trabalho. Nas estações do metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), nos aeroportos, casas noturnas, hotéis, cafés, restaurantes e cinemas da cidade, o expediente terá uma hora a mais - na imensa maioria dos casos, sem acréscimo ao salário. Mas muitos irão comemorar o ajuste.
No motel Astúrias, por exemplo, em Pinheiros, Zona Oeste da capital paulista, o período de cinco horas custa de R$ 199 a R$ 419. Mas quem chegar antes da meia-noite de hoje vai poder ficar seis horas, sem pagar um tostão a mais por isso.
Economia
A edição 2007/2008 do Horário de Verão proporcionou uma redução do consumo de energia nas regiões Sudeste e Centro-Oeste de 4,2% (ou 1.557 megawatts) no horário de pico, das 19h às 22h. O Norte e o Nordeste do País não participaram do esquema, que teve início no dia 14 de outubro do ano passado.
A economia ficou quase no mesmo nível do verão 2006/2007, quando o consumo caiu 2,2 mil megawatts. A diferença marcante, porém, foi nos ganhos em dinheiro, que caíram de R$ 40 milhões na edição anterior para apenas R$ 10 milhões agora.
Segundo o diretor-geral do Operador Nacional do Sistema Elétrico, Hermes Chipp, isso aconteceu porque foi preciso usar com mais freqüência as usinas termelétricas - que têm uma operação mais cara - por causa do baixo volume de água nos reservatórios até a penúltima semana de janeiro, devido à estiagem.
Tribuna da Imprensa
sexta-feira, fevereiro 15, 2008
Confraternizando com os pingüins
Por: Carlos Chagas
BRASÍLIA - Mal chegado do Extremo Norte do continente sul-americano, onde, na Guiana francesa, encontrou-se com o presidente Sarkosy, manda-se hoje o presidente Lula no sentido oposto. Voa no Aerolula para Punta Arenas, última cidade do Chile, dirigindo-se amanhã, de helicóptero, para a base naval brasileira no Pólo Sul.
A gente se pergunta porque esse périplo digno de Indiana Jones. A resposta não envolve estratégias para tirar a crise dos cartões corporativos da primeira página dos jornais. A viagem ao gelo eterno estava programada há meses.
O que não dá para entender é como o presidente Lula não adiou essa aventura tão fria para permanecer no calor de Brasília, dedicando-se em tempo integral a analisar e a enfrentar o escândalo que assola o País e envolve seu governo. Com todo o respeito, deveria estar-se reunindo com líderes parlamentares, ministros, observadores e estudiosos das relações entre Executivo e Legislativo. Parece não haver percebido o potencial da crise que nos assola e poderá abalar as próprias instituições.
O resultado aí está: mesmo contra a vontade do governo, o Congresso decidiu pela constituição de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, por sinal mista, o que multiplica seu poder de fogo. Dirão os otimistas estar tudo sob controle, derrotadas que foram as oposições na tentativa de indicar o presidente ou o relator da CPI. As duas funções serão preenchidas com fiéis companheiros, do PMDB e do PT, prevalecendo os aliados governistas no comando dos trabalhos.
Ao mesmo tempo, engana-se o presidente se acredita no acordão com seus adversários, proibindo a investigação de gastos de seus familiares com os cartões de crédito corporativos, desde que bloqueadas, também, iguais despesas do ex-presidente Fernando Henrique. Tudo foi combinado na conversa, que costuma não prevalecer nessas situações. Um simples palito de fósforos será capaz de acender o rastilho e chegar ao barril de pólvora. Como disse o hoje não muito citado Roberto Jefferson, até contas de botox foram pagas com cartões de crédito corporativos.
Reúnem-se e se arregimentam tucanos, democratas e dissidentes dos partidos da base oficial, já argüindo o Supremo Tribunal Federal a respeito de poderem exigir, na CPI, a exposição explícita de todos os gastos dos detentores do poder. Não haverá entendimento canhestro e sigiloso em condições de atropelar decisões da mais alta corte nacional de justiça. Apesar disso, o presidente Lula vai confraternizar com os pingüins. Quem sabe lamentará não haver adiado a ida ao Pólo Sul...
Pobreza na política
Definiu o senador Cristóvam Buarque a pobreza política reinante no País como a ausência de partidos entre nós. Para ele, dispomos apenas de siglas, às quais faltam propostas, projetos e até fidelidade. Não há agenda no Congresso, dada a pobreza partidária, fazendo emergir a falta de ética até mesmo nas prioridades políticas. O senador lamentou a ausência de metas efetivas a desenvolver nas atividades parlamentares.
Só se cuida de escândalos. Não que devessem ser esquecidos, muito menos deixar de ser apurados. Mas há quanto tempo os trabalhos do Congresso centralizam-se em CPIs e denúncias? Os assuntos fundamentais da sociedade brasileira deixaram de ser discutidos. Deputados e senadores podem estar trabalhando, mas a Câmara e o Senado, não, pela falta de compromissos com o futuro.
A mesma dúvida de sempre
No PT, permanece a perplexidade. Por mais que os companheiros pensem, debatam e procurem, o nome não aparece. Quem será o candidato para disputar as eleições de 2010, e que, dentro de no máximo um ano, precisará estar na rua tentando polarizar as bases do partido? Dilma Rousseff, Marta Suplicy, Tarso Genro, Jacques Wagner, Patrus Ananias? Nenhum deles, quanto mais outros, conseguiu despontar como o príncipe-herdeiro do presidente Lula.
A causa repousa na evidência do que disse o senador Cristóvam Buarque na nota anterior. Até o PT, que parecia diferente, uma experiência nova de ação partidária, converteu-se num conglomerado de lideranças dispersas cujo amálgama chamado Lula, pela Constituição, deverá afastar-se.Em suma, a política continua sendo feita em termos pessoais.
Quem poderá, hoje, saber qual o projeto nacional do PT para o País, acima e além da opinião isolada de seus integrantes, incluindo-se neles o próprio Lula? Terão os companheiros uma proposta para reduzir a pobreza, ocupar a Amazônia, multiplicar a agricultura e a indústria, aprimorar as instituições democráticas e reafirmar a soberania nacional? Houvesse uma espécie de plano-diretor do PT, permanentemente aprimorado, e o nome de seu candidato fluiria de modo natural.
Como não há, obrigam-se a seguir na esteira do governo Lula, conglomerado de iniciativas sem doutrina nem ideologia, muitas vezes até conflitantes. Tempo ainda existe, claro que não para mais uma daquelas reuniões parecidas com sessões de grêmios estudantis. O diabo é que o tempo passa...
Fonte: Tribuna da Imprensa
BRASÍLIA - Mal chegado do Extremo Norte do continente sul-americano, onde, na Guiana francesa, encontrou-se com o presidente Sarkosy, manda-se hoje o presidente Lula no sentido oposto. Voa no Aerolula para Punta Arenas, última cidade do Chile, dirigindo-se amanhã, de helicóptero, para a base naval brasileira no Pólo Sul.
A gente se pergunta porque esse périplo digno de Indiana Jones. A resposta não envolve estratégias para tirar a crise dos cartões corporativos da primeira página dos jornais. A viagem ao gelo eterno estava programada há meses.
O que não dá para entender é como o presidente Lula não adiou essa aventura tão fria para permanecer no calor de Brasília, dedicando-se em tempo integral a analisar e a enfrentar o escândalo que assola o País e envolve seu governo. Com todo o respeito, deveria estar-se reunindo com líderes parlamentares, ministros, observadores e estudiosos das relações entre Executivo e Legislativo. Parece não haver percebido o potencial da crise que nos assola e poderá abalar as próprias instituições.
O resultado aí está: mesmo contra a vontade do governo, o Congresso decidiu pela constituição de uma Comissão Parlamentar de Inquérito, por sinal mista, o que multiplica seu poder de fogo. Dirão os otimistas estar tudo sob controle, derrotadas que foram as oposições na tentativa de indicar o presidente ou o relator da CPI. As duas funções serão preenchidas com fiéis companheiros, do PMDB e do PT, prevalecendo os aliados governistas no comando dos trabalhos.
Ao mesmo tempo, engana-se o presidente se acredita no acordão com seus adversários, proibindo a investigação de gastos de seus familiares com os cartões de crédito corporativos, desde que bloqueadas, também, iguais despesas do ex-presidente Fernando Henrique. Tudo foi combinado na conversa, que costuma não prevalecer nessas situações. Um simples palito de fósforos será capaz de acender o rastilho e chegar ao barril de pólvora. Como disse o hoje não muito citado Roberto Jefferson, até contas de botox foram pagas com cartões de crédito corporativos.
Reúnem-se e se arregimentam tucanos, democratas e dissidentes dos partidos da base oficial, já argüindo o Supremo Tribunal Federal a respeito de poderem exigir, na CPI, a exposição explícita de todos os gastos dos detentores do poder. Não haverá entendimento canhestro e sigiloso em condições de atropelar decisões da mais alta corte nacional de justiça. Apesar disso, o presidente Lula vai confraternizar com os pingüins. Quem sabe lamentará não haver adiado a ida ao Pólo Sul...
Pobreza na política
Definiu o senador Cristóvam Buarque a pobreza política reinante no País como a ausência de partidos entre nós. Para ele, dispomos apenas de siglas, às quais faltam propostas, projetos e até fidelidade. Não há agenda no Congresso, dada a pobreza partidária, fazendo emergir a falta de ética até mesmo nas prioridades políticas. O senador lamentou a ausência de metas efetivas a desenvolver nas atividades parlamentares.
Só se cuida de escândalos. Não que devessem ser esquecidos, muito menos deixar de ser apurados. Mas há quanto tempo os trabalhos do Congresso centralizam-se em CPIs e denúncias? Os assuntos fundamentais da sociedade brasileira deixaram de ser discutidos. Deputados e senadores podem estar trabalhando, mas a Câmara e o Senado, não, pela falta de compromissos com o futuro.
A mesma dúvida de sempre
No PT, permanece a perplexidade. Por mais que os companheiros pensem, debatam e procurem, o nome não aparece. Quem será o candidato para disputar as eleições de 2010, e que, dentro de no máximo um ano, precisará estar na rua tentando polarizar as bases do partido? Dilma Rousseff, Marta Suplicy, Tarso Genro, Jacques Wagner, Patrus Ananias? Nenhum deles, quanto mais outros, conseguiu despontar como o príncipe-herdeiro do presidente Lula.
A causa repousa na evidência do que disse o senador Cristóvam Buarque na nota anterior. Até o PT, que parecia diferente, uma experiência nova de ação partidária, converteu-se num conglomerado de lideranças dispersas cujo amálgama chamado Lula, pela Constituição, deverá afastar-se.Em suma, a política continua sendo feita em termos pessoais.
Quem poderá, hoje, saber qual o projeto nacional do PT para o País, acima e além da opinião isolada de seus integrantes, incluindo-se neles o próprio Lula? Terão os companheiros uma proposta para reduzir a pobreza, ocupar a Amazônia, multiplicar a agricultura e a indústria, aprimorar as instituições democráticas e reafirmar a soberania nacional? Houvesse uma espécie de plano-diretor do PT, permanentemente aprimorado, e o nome de seu candidato fluiria de modo natural.
Como não há, obrigam-se a seguir na esteira do governo Lula, conglomerado de iniciativas sem doutrina nem ideologia, muitas vezes até conflitantes. Tempo ainda existe, claro que não para mais uma daquelas reuniões parecidas com sessões de grêmios estudantis. O diabo é que o tempo passa...
Fonte: Tribuna da Imprensa
PT trabalha nos bastidores para abortar CPI
BRASÍLIA - Deputados do PT trabalham nos bastidores para enterrar a CPI dos Cartões Corporativos. Na contramão do líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), o grupo faz de tudo para impedir a investigação no Congresso e já se mobiliza para iniciar uma operação especial na próxima semana: pressionar os colegas da base aliada a retirar as assinaturas do requerimento de instalação da CPI mista.
O movimento é coordenado pelo deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que foi sondado para assumir a relatoria da CPI, mas não aceitou. Na prática, petistas que integram o núcleo anti-CPI aproveitam o impasse em que se transformou a abertura da comissão para embaralhar o jogo.
Nessa tarefa, contam com o apoio até da porção do PSDB que tenta poupar das investigações as famílias do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
"Eu não concordei quando o líder do governo orientou a base para assinar o requerimento da CPI, pois isso é dizer que o governo não tem condições de investigar e colocá-lo em situação difícil", afirmou o deputado, numa crítica ao senador Jucá e ao deputado Henrique Fontana (PT-RS), líder do governo na Câmara.
Apesar das evidências, Vaccarezza negou que esteja à frente da manobra para retirar as assinaturas do requerimento de instalação da CPI. "Minhas energias estão voltadas para a comissão especial que vai definir o rito de tramitação das medidas provisórias (MPs)", desconversou o petista, que preside comissão, criada na quarta-feira, com o objetivo de impedir que as MPs tranquem a pauta de votações da Câmara 45 dias após o início de sua tramitação.
Até a iniciativa do líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE) - que à tarde indicou o deputado Luiz Sérgio (RJ) para relator de uma CPI Mista dos Cartões -, irritou o grupo. Integrantes da base governista argumentaram que Rands pôs "o carro adiante dos bois" antes de saber se a comissão conseguirá sobreviver ao bombardeio para derrubá-la.
Reflexo
O racha na bancada do PT reflete a divisão no Planalto. Embora ministros como José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) e Paulo Bernardo (Planejamento) digam que a CPI Mista dos Cartões servirá para tirar o governo da defensiva e mostrar que a administração de Fernando Henrique gastou mais, muitos auxiliares de Lula consideram que a iniciativa foi um erro político.
Diplomático, o líder do PT na Câmara não quis pôr mais lenha na fogueira: disse que quem age para enterrar a CPI é a oposição, e não a base aliada. "Fomos nós que passamos uma tarde toda à procura do requerimento da CPI para assiná-lo", provocou Rands. "A oposição está patinando e parece que só quer um pretexto para fazer a disputa política neste ano de eleições municipais".
Fonte: Tribuna da Imprensa
O movimento é coordenado pelo deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), que foi sondado para assumir a relatoria da CPI, mas não aceitou. Na prática, petistas que integram o núcleo anti-CPI aproveitam o impasse em que se transformou a abertura da comissão para embaralhar o jogo.
Nessa tarefa, contam com o apoio até da porção do PSDB que tenta poupar das investigações as famílias do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
"Eu não concordei quando o líder do governo orientou a base para assinar o requerimento da CPI, pois isso é dizer que o governo não tem condições de investigar e colocá-lo em situação difícil", afirmou o deputado, numa crítica ao senador Jucá e ao deputado Henrique Fontana (PT-RS), líder do governo na Câmara.
Apesar das evidências, Vaccarezza negou que esteja à frente da manobra para retirar as assinaturas do requerimento de instalação da CPI. "Minhas energias estão voltadas para a comissão especial que vai definir o rito de tramitação das medidas provisórias (MPs)", desconversou o petista, que preside comissão, criada na quarta-feira, com o objetivo de impedir que as MPs tranquem a pauta de votações da Câmara 45 dias após o início de sua tramitação.
Até a iniciativa do líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE) - que à tarde indicou o deputado Luiz Sérgio (RJ) para relator de uma CPI Mista dos Cartões -, irritou o grupo. Integrantes da base governista argumentaram que Rands pôs "o carro adiante dos bois" antes de saber se a comissão conseguirá sobreviver ao bombardeio para derrubá-la.
Reflexo
O racha na bancada do PT reflete a divisão no Planalto. Embora ministros como José Múcio Monteiro (Relações Institucionais) e Paulo Bernardo (Planejamento) digam que a CPI Mista dos Cartões servirá para tirar o governo da defensiva e mostrar que a administração de Fernando Henrique gastou mais, muitos auxiliares de Lula consideram que a iniciativa foi um erro político.
Diplomático, o líder do PT na Câmara não quis pôr mais lenha na fogueira: disse que quem age para enterrar a CPI é a oposição, e não a base aliada. "Fomos nós que passamos uma tarde toda à procura do requerimento da CPI para assiná-lo", provocou Rands. "A oposição está patinando e parece que só quer um pretexto para fazer a disputa política neste ano de eleições municipais".
Fonte: Tribuna da Imprensa
OAB deve recorrer ao Supremo contra o STJ
BRASÍLIA - A crise provocada pela disputa por uma vaga no Superior Tribunal de Justiça (STJ) entre a Corte e a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) vai parar nos tribunais. Precisamente, será resolvida pelo Supremo Tribunal Federal (STF). Ministros do STJ e conselheiros da OAB concordam que não há espaço para negociações. O presidente da OAB, Cezar Britto, afirma que manterá os nomes da lista encaminhada em dezembro e rejeitada pelo STJ na terça-feira. Os ministros dizem que, se a OAB insistir nessa lista, o destino será o mesmo: a rejeição.
A decisão de recorrer ao STF é inflada, inclusive, pelos ministros que ajudaram na rejeição da lista. Eles admitem que a rejeição dos nomes foi política e concordam que houve falhas na votação em que a lista foi recusada. Eles explicam que um dos artigos do regimento determina que os ministros devem promover tantas sessões de votação quantas forem necessárias.
Esse processo só termina, segundo o regimento, quando três dos seis nomes indicados pela OAB obtiverem os 17 votos necessários - a maioria dos 32 votos do colegiado. Nesse cenário, a OAB pedirá ao Supremo que obrigue os ministros do STJ a cumprir o regimento e a Constituição, que manda a Corte escolher, dentre os seis nomes indicados pela OAB, três que serão analisados pelo presidente da República.
A OAB pretende, dessa forma, enquadrar os ministros do STJ, evitar que novas decisões desse tipo se repitam e, enfim, que um dos candidatos escolhidos chegue ao STJ. Outra alternativa estudada pela OAB é encaminhar a lista com seis nomes diretamente para o presidente da República, passando por cima do STJ.
Por esse caminho, o imbróglio entre OAB e STJ seria resolvido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa solução é admitida por alguns ministros, mas advogados dizem que essa possibilidade deixaria espaço para que o STJ rejeitasse próximas indicações feitas pela Ordem.
Diante disso, o Conselho da Ordem deve referendar, na segunda-feira, um recurso ao STF. "A Ordem tem consciência de que fez bem o seu trabalho e tem certeza de que a Constituição Brasileira não será jogada para segundo plano nessa questão", enfatiza Britto.
Repercussão
No STF, a solução para o caso será demorada. Ministros do STJ apostam que uma decisão do Supremo só sairá perto do meio do ano. Até lá, o Superior Tribunal de Justiça trabalhará com 29 ministros - de um total de 33. Um ministro está afastado (Paulo Medina), outro se aposentou ontem (Francisco Peçanha Martins) e um terceiro morreu neste ano (Hélio Quaglia), além de Antônio Pádua Ribeiro, cuja vaga é motivo da cizânia entre a OAB e o STJ.
Em julho, a OAB terá de indicar nomes para outra vaga que será aberta pela aposentadoria do ministro Humberto Gomes de Barros. Se até lá OAB e STJ não tiverem chegado a um acordo, a crise desta semana poderá se repetir.
Fonte: Tribuna da Imprensa
A decisão de recorrer ao STF é inflada, inclusive, pelos ministros que ajudaram na rejeição da lista. Eles admitem que a rejeição dos nomes foi política e concordam que houve falhas na votação em que a lista foi recusada. Eles explicam que um dos artigos do regimento determina que os ministros devem promover tantas sessões de votação quantas forem necessárias.
Esse processo só termina, segundo o regimento, quando três dos seis nomes indicados pela OAB obtiverem os 17 votos necessários - a maioria dos 32 votos do colegiado. Nesse cenário, a OAB pedirá ao Supremo que obrigue os ministros do STJ a cumprir o regimento e a Constituição, que manda a Corte escolher, dentre os seis nomes indicados pela OAB, três que serão analisados pelo presidente da República.
A OAB pretende, dessa forma, enquadrar os ministros do STJ, evitar que novas decisões desse tipo se repitam e, enfim, que um dos candidatos escolhidos chegue ao STJ. Outra alternativa estudada pela OAB é encaminhar a lista com seis nomes diretamente para o presidente da República, passando por cima do STJ.
Por esse caminho, o imbróglio entre OAB e STJ seria resolvido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Essa solução é admitida por alguns ministros, mas advogados dizem que essa possibilidade deixaria espaço para que o STJ rejeitasse próximas indicações feitas pela Ordem.
Diante disso, o Conselho da Ordem deve referendar, na segunda-feira, um recurso ao STF. "A Ordem tem consciência de que fez bem o seu trabalho e tem certeza de que a Constituição Brasileira não será jogada para segundo plano nessa questão", enfatiza Britto.
Repercussão
No STF, a solução para o caso será demorada. Ministros do STJ apostam que uma decisão do Supremo só sairá perto do meio do ano. Até lá, o Superior Tribunal de Justiça trabalhará com 29 ministros - de um total de 33. Um ministro está afastado (Paulo Medina), outro se aposentou ontem (Francisco Peçanha Martins) e um terceiro morreu neste ano (Hélio Quaglia), além de Antônio Pádua Ribeiro, cuja vaga é motivo da cizânia entre a OAB e o STJ.
Em julho, a OAB terá de indicar nomes para outra vaga que será aberta pela aposentadoria do ministro Humberto Gomes de Barros. Se até lá OAB e STJ não tiverem chegado a um acordo, a crise desta semana poderá se repetir.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Com novas descobertas, País fica mais visado
O geólogo Giuseppe Bacoccolli, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ex-funcionário da Petrobras, não descarta a hipótese de ter ocorrido crime de espionagem industrial no caso do furto dos dados relevantes da Petrobras, que está sendo investigado pela Polícia Federal (PF) e pela Agência Brasileira de Inteligência (Abin). "Este tipo de espionagem é bastante comum no setor de petróleo, e agora que as reservas do Brasil começaram a ficar importantes, isso deve se popularizar por aqui também", comentou.
Bacoccolli contou que fora do País é comum encontrar em revistas especializadas ofertas de dados geológicos não oficiais sobre áreas potenciais de petróleo. Esses relatórios custam no mercado entre US$ 100 mil e US$ 1 milhão. "Estes dados podem ter sido obtidos de maneira lícita ou ilícita. Como é que vai se saber?", disse.
Mesmo no Brasil, o professor, que já trabalhou por 24 anos na Petrobras, disse ter ocorrido outros casos semelhantes, mas em pequena escala. "Já houve caso de funcionário ser demitido por ter sido pego copiando dados para outra empresa", relatou.
Para o geólogo, contudo, é pequena a possibilidade de o responsável pelo furto ter sido uma grande companhia de petróleo. "Dificilmente uma grande empresa se arriscaria por isso. Mais fácil ter sido uma dessas empresas especializadas em espionagem", afirmou.
Especificamente sobre os dados relativos à camada pré-sal, o geólogo lembra que todos querem saber "a cara" dos reservatórios encontrados recentemente pela estatal. "A Petrobras até agora deu muito pouco detalhe sobre o tipo de rocha, a porosidade, enfim, pouquíssimos dados sobre este tipo de acumulação de hidrocarboneto abaixo da camada de sal".
Com um relatório contendo maior detalhamento destes dados, explicou, qualquer empresa pode tentar identificar os mesmos sinais em outras regiões. Um executivo de multinacional com larga experiência no mercado brasileiro lembrou que, mesmo que os dados tenham sido roubados para venda a outras empresas, a Petrobras permanece com a concessão sobre as descobertas já feitas e, por isso, não há grande prejuízo.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Bacoccolli contou que fora do País é comum encontrar em revistas especializadas ofertas de dados geológicos não oficiais sobre áreas potenciais de petróleo. Esses relatórios custam no mercado entre US$ 100 mil e US$ 1 milhão. "Estes dados podem ter sido obtidos de maneira lícita ou ilícita. Como é que vai se saber?", disse.
Mesmo no Brasil, o professor, que já trabalhou por 24 anos na Petrobras, disse ter ocorrido outros casos semelhantes, mas em pequena escala. "Já houve caso de funcionário ser demitido por ter sido pego copiando dados para outra empresa", relatou.
Para o geólogo, contudo, é pequena a possibilidade de o responsável pelo furto ter sido uma grande companhia de petróleo. "Dificilmente uma grande empresa se arriscaria por isso. Mais fácil ter sido uma dessas empresas especializadas em espionagem", afirmou.
Especificamente sobre os dados relativos à camada pré-sal, o geólogo lembra que todos querem saber "a cara" dos reservatórios encontrados recentemente pela estatal. "A Petrobras até agora deu muito pouco detalhe sobre o tipo de rocha, a porosidade, enfim, pouquíssimos dados sobre este tipo de acumulação de hidrocarboneto abaixo da camada de sal".
Com um relatório contendo maior detalhamento destes dados, explicou, qualquer empresa pode tentar identificar os mesmos sinais em outras regiões. Um executivo de multinacional com larga experiência no mercado brasileiro lembrou que, mesmo que os dados tenham sido roubados para venda a outras empresas, a Petrobras permanece com a concessão sobre as descobertas já feitas e, por isso, não há grande prejuízo.
Fonte: Tribuna da Imprensa
PF e Abin investigam roubo na Petrobras
RIO e BRASÍLIA - A Polícia Federal (PF) e a Agência Brasileira de Inteligência (Abin) investigam o furto de quatro computadores portáteis e dois discos rígidos com informações sigilosas da Petrobras, que estavam sob a guarda da prestadora de serviços Halliburton, segunda maior empresa do setor, com sede nos Estados Unidos e que já foi presidida pelo atual vice-presidente americano Dick Cheney.
O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) quer que o general Jorge Félix, do Gabinete de Segurança Institucional, compareça ao Congresso Nacional para falar do furto de informações sigilosas da Petrobras. Fortes convocará no início da semana que vem uma reunião da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência, que é presidida por ele, e apresentará aos colegas um requerimento para que o general seja convidado. Se o convite a Félix for aprovado, a reunião dele com os parlamentares será reservada.
Os equipamentos com informações sigilosas estavam em um contêiner, que foi violado durante o transporte entre Santos (SP) e Macaé (região Norte-Fluminense). A delegada Carla Dolinski, responsável pelo caso, disse que a Petrobras alegou interesse nacional e, por isso, pediu à PF que investigue o caso.
A carga saiu de Santos no dia 18 de janeiro e chegou a Macaé 12 dias depois. No dia 31 de janeiro, funcionários da Halliburton perceberam que o lacre do contêiner havia sido violado. Segundo as investigações, os bandidos chegaram a trocar o cadeado para evitar suspeitas. Os computadores furtados pertenciam à multinacional, que presta serviços para a Petrobras na área de avaliação de reservatórios de petróleo. A Petrobras informou que tem cópia de todos os dados roubados.
A delegada Carla Dolinski ouvirá testemunhas na semana que vem. As investigações, por enquanto, seguem duas linhas principais: roubo de carga ou furto de material com o objetivo de ter informações estratégicas da Petrobras. A polícia ainda não sabe se os ladrões levaram outros equipamentos além dos computadores, o que reforçaria a primeira hipótese. "Furto de contêineres é um crime muito comum", comentou.
Espionagem industrial
No entanto, a hipótese de espionagem industrial não está descartada, mesmo porque a Petrobras já se manifestou sobre a importância dos dados furtados. Em agosto do ano passado, a estatal contratou um consórcio formado pela Halliburton e pela britânica Expro para testes em reservatórios de alta pressão e alta temperatura, condições semelhantes às encontradas nas reservas gigantes descobertas abaixo da camada de sal na Bacia de Santos, como o projeto Tupi.
O contrato, de US$ 270 milhões, garante à Halliburton acesso a detalhes do subsolo do País, que ganhou as atenções do mundo do petróleo após a confirmação das reservas de Tupi, que podem ter até 8 bilhões de barris de petróleo e abriu as portas de uma enorme província petrolífera com até 100 bilhões de barris. "É a notícia exploratória mais excitante do ano", afirmou, no ano passado, a consultoria americana PFC Energy. Especialistas explicam, porém, que em contratos desse tipo há cláusulas de confidencialidade, nas quais os contratados se comprometem a não divulgar as informações.
A delegada da PF disse que não recebeu ainda resposta às diligências feitas junto à Petrobras e que, por isso, não tem detalhes sobre o conteúdo dos dados roubados. "Só nos disseram que havia informações estratégicas a respeito de suas operações", contou. Em nota distribuída na tarde de ontem, a estatal disse apenas que os equipamentos furtados continham "informações importantes para a companhia", reforçando que há cópias integrais de todos os dados perdidos.
Procurada pela reportagem, a Halliburton não quis comentar o assunto. A companhia, que já foi comandada pelo atual vice-presidente norte-americano, Dick Cheney, e é uma das maiores beneficiadas com contratos de reconstrução do Iraque, já esteve envolvida em uma intensa disputa com a Petrobras a respeito do contrato de construção da plataforma P-43. As unidades foram entregues com atraso médio de 18 meses e custos bem superiores aos projetados.
Contra-espionagem
A Abin acionou seu setor de contra-espionagem e vem fazendo levantamento de dados em cooperação com a Petrobras e com a PF. A Agência não tem elementos para avaliar se a Petrobras foi negligente ao confiar o transporte de informações estratégicas a uma multinacional. A estatal, conforme analisa um agente da agência, construiu seu invejável poder graças ao rigor na segurança com que guarda informações estratégicas. O campo de Tupi, por exemplo, era conhecido e estudado pela empresa há mais de um ano e a informação nunca havia vazado.
Fonte: Tribuna da Imprensa
O senador Heráclito Fortes (DEM-PI) quer que o general Jorge Félix, do Gabinete de Segurança Institucional, compareça ao Congresso Nacional para falar do furto de informações sigilosas da Petrobras. Fortes convocará no início da semana que vem uma reunião da Comissão Mista de Controle das Atividades de Inteligência, que é presidida por ele, e apresentará aos colegas um requerimento para que o general seja convidado. Se o convite a Félix for aprovado, a reunião dele com os parlamentares será reservada.
Os equipamentos com informações sigilosas estavam em um contêiner, que foi violado durante o transporte entre Santos (SP) e Macaé (região Norte-Fluminense). A delegada Carla Dolinski, responsável pelo caso, disse que a Petrobras alegou interesse nacional e, por isso, pediu à PF que investigue o caso.
A carga saiu de Santos no dia 18 de janeiro e chegou a Macaé 12 dias depois. No dia 31 de janeiro, funcionários da Halliburton perceberam que o lacre do contêiner havia sido violado. Segundo as investigações, os bandidos chegaram a trocar o cadeado para evitar suspeitas. Os computadores furtados pertenciam à multinacional, que presta serviços para a Petrobras na área de avaliação de reservatórios de petróleo. A Petrobras informou que tem cópia de todos os dados roubados.
A delegada Carla Dolinski ouvirá testemunhas na semana que vem. As investigações, por enquanto, seguem duas linhas principais: roubo de carga ou furto de material com o objetivo de ter informações estratégicas da Petrobras. A polícia ainda não sabe se os ladrões levaram outros equipamentos além dos computadores, o que reforçaria a primeira hipótese. "Furto de contêineres é um crime muito comum", comentou.
Espionagem industrial
No entanto, a hipótese de espionagem industrial não está descartada, mesmo porque a Petrobras já se manifestou sobre a importância dos dados furtados. Em agosto do ano passado, a estatal contratou um consórcio formado pela Halliburton e pela britânica Expro para testes em reservatórios de alta pressão e alta temperatura, condições semelhantes às encontradas nas reservas gigantes descobertas abaixo da camada de sal na Bacia de Santos, como o projeto Tupi.
O contrato, de US$ 270 milhões, garante à Halliburton acesso a detalhes do subsolo do País, que ganhou as atenções do mundo do petróleo após a confirmação das reservas de Tupi, que podem ter até 8 bilhões de barris de petróleo e abriu as portas de uma enorme província petrolífera com até 100 bilhões de barris. "É a notícia exploratória mais excitante do ano", afirmou, no ano passado, a consultoria americana PFC Energy. Especialistas explicam, porém, que em contratos desse tipo há cláusulas de confidencialidade, nas quais os contratados se comprometem a não divulgar as informações.
A delegada da PF disse que não recebeu ainda resposta às diligências feitas junto à Petrobras e que, por isso, não tem detalhes sobre o conteúdo dos dados roubados. "Só nos disseram que havia informações estratégicas a respeito de suas operações", contou. Em nota distribuída na tarde de ontem, a estatal disse apenas que os equipamentos furtados continham "informações importantes para a companhia", reforçando que há cópias integrais de todos os dados perdidos.
Procurada pela reportagem, a Halliburton não quis comentar o assunto. A companhia, que já foi comandada pelo atual vice-presidente norte-americano, Dick Cheney, e é uma das maiores beneficiadas com contratos de reconstrução do Iraque, já esteve envolvida em uma intensa disputa com a Petrobras a respeito do contrato de construção da plataforma P-43. As unidades foram entregues com atraso médio de 18 meses e custos bem superiores aos projetados.
Contra-espionagem
A Abin acionou seu setor de contra-espionagem e vem fazendo levantamento de dados em cooperação com a Petrobras e com a PF. A Agência não tem elementos para avaliar se a Petrobras foi negligente ao confiar o transporte de informações estratégicas a uma multinacional. A estatal, conforme analisa um agente da agência, construiu seu invejável poder graças ao rigor na segurança com que guarda informações estratégicas. O campo de Tupi, por exemplo, era conhecido e estudado pela empresa há mais de um ano e a informação nunca havia vazado.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Bate-boca e nervos à flor da pele
Não foi apenas a dom Luiz Flávio Cappio que o ex-ministro Ciro Gomes teve de responder ontem durante a sessão especial do Senado para a discussão da transposição do Rio São Francisco. Ciro também teve um diálogo duro com a atriz Letícia Sabatella. Ela participou do debate em companhia dos atores Osmar Prado e Carlos Vereza, integrantes do Movimento Humanos Direitos e que também fizeram críticas.
Letícia elogiou a iniciativa do Parlamento em discutir o tema, mas destacou que considerava o debate tardio. "Espero que não tenha sido teatro", frisou. Dirigindo-se à atriz, Ciro disse que escolheu como opção de combate sobre o tema, ao seu jeito, "meter a mão na massa e às vezes (a mão) fica suja de cocô". E prosseguiu: "Mas só a mão, minha alma, não; meu compromisso, não".
Enquanto Ciro discursava, Letícia o interrompeu várias vezes, ainda que estivesse sem microfone para ser ouvida por todos. Em sua fala, porém, ela destacou que a água é um direito humano necessário à vida. A atriz disse que não se pode reduzir a água à condição de mercadoria. "Ainda nem conhecemos toda a riqueza da diversidade de nosso País e já trocamos o que conhecemos por pseudodesenvolvimento, que será a riqueza de poucos", advertiu. Emocionado, Osmar Prado chorou ao falar da tribuna e elogiou a "coragem" de dom Cappio - que por duas vezes fez greve de fome - "por doar sua vida em benefício do brasileiro".
Um dos momentos de maior estridência política no debate de ontem, no Senado, sobre a transposição do Rio São Francisco, foi quando o bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, afirmou que a disponibilidade hídrica por habitante/ano é maior na região metropolitana de Fortaleza (CE) que na de São Paulo. Da tribuna, encarando o bispo, o senador e ex-governador do Ceará Tasso Jereissati (PSDB) cobrou um debate "intelectualmente honesto".
Dom Cappio argumenta que há "água em abundância" no Nordeste e que o problema está nos governos, que não fazem a sua "distribuição democrática". Segundo ele, a região metropolitana de São Paulo, com seus 18,5 milhões de habitantes, tem disponibilidade hídrica de 201 metros cúbicos por habitante/ano. Já a região metropolitana de Fortaleza, com seus 3 milhões de habitantes, tem disponibilidade de 242 metros cúbicos por habitante/ano. Só o açude do Castanhão, no interior do Ceará, afirmou o bispo, seria três vezes maior que a Baía de Guanabara.
Os argumentos utilizados pelo religioso foram irritando o ex-ministro e deputado Ciro Gomes (PSB-CE), que quando teve voz procurou rebater as informações de dom Cappio. "Vossa Excelência afirmou que o habitante de Fortaleza tem mais água que o de São Paulo. Eu governei o Estado do Ceará e Fortaleza, por causa da seca, remanesceu, nas minhas mãos, sem água. E não é força de argumento. Acabou a água para 3 milhões de habitantes", afirmou.
Há que se reconhecer, disse Tasso, que falta água na região. "Se a chamada transposição é a verdadeira ou melhor solução já é outra discussão. Mas o argumento de que sobra água no Nordeste e que Fortaleza tem mais água que São Paulo é um argumento verdadeiramente absurdo e, para todos nós, cearenses, ofensivo", discursou o senador tucano. Foi neste momento que ele encerrou a fala exigindo um debate "intelectualmente honesto".
Dom Cappio fez uma intervenção e ressaltou que referia-se à disponibilidade hídrica. Não adiantou. Tasso seguiu cobrando um desmentido, que não veio.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Letícia elogiou a iniciativa do Parlamento em discutir o tema, mas destacou que considerava o debate tardio. "Espero que não tenha sido teatro", frisou. Dirigindo-se à atriz, Ciro disse que escolheu como opção de combate sobre o tema, ao seu jeito, "meter a mão na massa e às vezes (a mão) fica suja de cocô". E prosseguiu: "Mas só a mão, minha alma, não; meu compromisso, não".
Enquanto Ciro discursava, Letícia o interrompeu várias vezes, ainda que estivesse sem microfone para ser ouvida por todos. Em sua fala, porém, ela destacou que a água é um direito humano necessário à vida. A atriz disse que não se pode reduzir a água à condição de mercadoria. "Ainda nem conhecemos toda a riqueza da diversidade de nosso País e já trocamos o que conhecemos por pseudodesenvolvimento, que será a riqueza de poucos", advertiu. Emocionado, Osmar Prado chorou ao falar da tribuna e elogiou a "coragem" de dom Cappio - que por duas vezes fez greve de fome - "por doar sua vida em benefício do brasileiro".
Um dos momentos de maior estridência política no debate de ontem, no Senado, sobre a transposição do Rio São Francisco, foi quando o bispo de Barra (BA), dom Luiz Flávio Cappio, afirmou que a disponibilidade hídrica por habitante/ano é maior na região metropolitana de Fortaleza (CE) que na de São Paulo. Da tribuna, encarando o bispo, o senador e ex-governador do Ceará Tasso Jereissati (PSDB) cobrou um debate "intelectualmente honesto".
Dom Cappio argumenta que há "água em abundância" no Nordeste e que o problema está nos governos, que não fazem a sua "distribuição democrática". Segundo ele, a região metropolitana de São Paulo, com seus 18,5 milhões de habitantes, tem disponibilidade hídrica de 201 metros cúbicos por habitante/ano. Já a região metropolitana de Fortaleza, com seus 3 milhões de habitantes, tem disponibilidade de 242 metros cúbicos por habitante/ano. Só o açude do Castanhão, no interior do Ceará, afirmou o bispo, seria três vezes maior que a Baía de Guanabara.
Os argumentos utilizados pelo religioso foram irritando o ex-ministro e deputado Ciro Gomes (PSB-CE), que quando teve voz procurou rebater as informações de dom Cappio. "Vossa Excelência afirmou que o habitante de Fortaleza tem mais água que o de São Paulo. Eu governei o Estado do Ceará e Fortaleza, por causa da seca, remanesceu, nas minhas mãos, sem água. E não é força de argumento. Acabou a água para 3 milhões de habitantes", afirmou.
Há que se reconhecer, disse Tasso, que falta água na região. "Se a chamada transposição é a verdadeira ou melhor solução já é outra discussão. Mas o argumento de que sobra água no Nordeste e que Fortaleza tem mais água que São Paulo é um argumento verdadeiramente absurdo e, para todos nós, cearenses, ofensivo", discursou o senador tucano. Foi neste momento que ele encerrou a fala exigindo um debate "intelectualmente honesto".
Dom Cappio fez uma intervenção e ressaltou que referia-se à disponibilidade hídrica. Não adiantou. Tasso seguiu cobrando um desmentido, que não veio.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Ciro e Tasso x d. Cappio e Sabatella no Senado
BRASÍLIA - O que era para ser um debate no plenário do Senado sobre a transposição do Rio São Francisco, com a presença de ministros, parlamentares, cientistas, representantes da Igreja Católica e os atores Osmar Prado, Carlos Vereza e Letícia Sabatella, virou uma guerra verbal entre o ex-ministro e hoje deputado Ciro Gomes (PSB-CE) e dom Luiz Flávio Cappio, bispo de Barra (BA).
O bispo chamou o projeto de "propaganda enganosa" e de ser mais um exemplo em que "o pobre vai colocar a mesa para o rico", referindo-se à idéia de que a população pobre vai pagar a conta da água do São Francisco que será posta a serviço da "agricultura irrigada, criação de camarão e usos industriais". Ciro reagiu e acusou o bispo de se comportar como se tivesse o "monopólio da boa-fé".
Para Ciro Gomes, o bispo integra uma espécie de rede de "falsa denunciação", que distorce os objetivos do projeto de transposição do São Francisco. A falsa denunciação acusa o governo, segundo Ciro, de se mover pelo interesse "subalterno, clandestino, não confessado e safado de atender ao grande negócio e às empreiteiras e coisas que tal".
Irritado com a atitude de dom Cappio, que por duas vezes já fez greve de fome em protesto contra a tentativa de transposição do São Francisco, Ciro disse que não admite que o religioso se considere "intérprete superior do valor moral e ponha, por exemplo, o modesto militante de 30 anos na vida pública" como alguém que está se movimentando em uma oposição antagônica por interesses subalternos. "Eu não sou movido por interesses subalternos. Eu estou aqui, equivocadamente ou não, movido pelo mais superior interesse público", discursou o ex-ministro.
Exaltado, cobrou atitude de dom Cappio. "Eu não falo por Deus. Eu falo pelo mundanismo dos pecadores, como sou um deles. Olhe para mim, dom Cappio".
Dom Cappio, que falou antes de Ciro, não se dirigiu diretamente ao ex-ministro uma única vez. Mas não poupou críticas ao governo e ao projeto. Destacando que falava em nome do "povo do rio São Francisco", "nações indígenas, quilombolas, brasileiros e brasileiras que se preocupam com a vida", o religioso chamou o projeto de transposição do Rio São Francisco de "propaganda enganosa" e disse que a proposta viola os direitos das populações tradicionais como os 34 povos indígenas, as 156 comunidades quilombolas e o sem-número de populações ribeirinhas da região. "Um projeto dessa magnitude exige diálogo com a sociedade e o governo nunca dialogou com a sociedade", atacou.
Para ele, o governo tem por hábito classificar de "egoístas, mentirosos, desinformados e opositores políticos" os que discordam da proposta. Nenhum posicionamento contrário, disse ele, é respeitado.
Em mais de cinco horas de discussão sobre o tema - a pedido do senador Eduardo Suplicy (SP) quatro comissões do Senado se reuniram pela manhã com autoridades, pesquisadores, religiosos e ambientalistas -, dom Cappio sugeriu que sejam elaborados projetos alternativos para resolver o problema no Nordeste. Eles teriam de ser, segundo ele, propostas "economicamente mais abrangentes, ecologicamente mais sustentáveis, socialmente mais justas e eticamente mais corretas". Por fim, como religioso, terminou o discurso falando em "a sagrada vocação da água".
Fonte: Tribuna da Imprensa
O bispo chamou o projeto de "propaganda enganosa" e de ser mais um exemplo em que "o pobre vai colocar a mesa para o rico", referindo-se à idéia de que a população pobre vai pagar a conta da água do São Francisco que será posta a serviço da "agricultura irrigada, criação de camarão e usos industriais". Ciro reagiu e acusou o bispo de se comportar como se tivesse o "monopólio da boa-fé".
Para Ciro Gomes, o bispo integra uma espécie de rede de "falsa denunciação", que distorce os objetivos do projeto de transposição do São Francisco. A falsa denunciação acusa o governo, segundo Ciro, de se mover pelo interesse "subalterno, clandestino, não confessado e safado de atender ao grande negócio e às empreiteiras e coisas que tal".
Irritado com a atitude de dom Cappio, que por duas vezes já fez greve de fome em protesto contra a tentativa de transposição do São Francisco, Ciro disse que não admite que o religioso se considere "intérprete superior do valor moral e ponha, por exemplo, o modesto militante de 30 anos na vida pública" como alguém que está se movimentando em uma oposição antagônica por interesses subalternos. "Eu não sou movido por interesses subalternos. Eu estou aqui, equivocadamente ou não, movido pelo mais superior interesse público", discursou o ex-ministro.
Exaltado, cobrou atitude de dom Cappio. "Eu não falo por Deus. Eu falo pelo mundanismo dos pecadores, como sou um deles. Olhe para mim, dom Cappio".
Dom Cappio, que falou antes de Ciro, não se dirigiu diretamente ao ex-ministro uma única vez. Mas não poupou críticas ao governo e ao projeto. Destacando que falava em nome do "povo do rio São Francisco", "nações indígenas, quilombolas, brasileiros e brasileiras que se preocupam com a vida", o religioso chamou o projeto de transposição do Rio São Francisco de "propaganda enganosa" e disse que a proposta viola os direitos das populações tradicionais como os 34 povos indígenas, as 156 comunidades quilombolas e o sem-número de populações ribeirinhas da região. "Um projeto dessa magnitude exige diálogo com a sociedade e o governo nunca dialogou com a sociedade", atacou.
Para ele, o governo tem por hábito classificar de "egoístas, mentirosos, desinformados e opositores políticos" os que discordam da proposta. Nenhum posicionamento contrário, disse ele, é respeitado.
Em mais de cinco horas de discussão sobre o tema - a pedido do senador Eduardo Suplicy (SP) quatro comissões do Senado se reuniram pela manhã com autoridades, pesquisadores, religiosos e ambientalistas -, dom Cappio sugeriu que sejam elaborados projetos alternativos para resolver o problema no Nordeste. Eles teriam de ser, segundo ele, propostas "economicamente mais abrangentes, ecologicamente mais sustentáveis, socialmente mais justas e eticamente mais corretas". Por fim, como religioso, terminou o discurso falando em "a sagrada vocação da água".
Fonte: Tribuna da Imprensa
quinta-feira, fevereiro 14, 2008
Repúdio contra prisão de juiz
Um ato de repúdio à ação promovida por policiais civis contra o Juiz Federal Roberto Dantes Shuman de Paula reuniu, no auditório da Justiça Federal, ontem à tarde, representantes da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) e da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB).
Segundo o depoimento de Shuman, no último dia 4, segunda-feira de carnaval, ele saltou de um táxi na Lapa, Centro do Rio, quando um carro da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) buzinou para ele sair da rua. Shuman teria ido para a calçada e pedido desculpas aos policiais. Neste momento os policiais teriam começado a insulta-lo. O Juiz teria questionado a atitude dos policiais, que o algemaram e o levaram para a delegacia.
Segundo os policiais, Shuman foi detido por desacato, crime que não permite a prisão em flagrante de juízes. O Juiz Roberto Shuman disse que este não era um ato em defesa da magistratura, mas da cidadania brasileira.
- As minhas marcas no pulso já desapareceram, mas as marcas que ficaram só me fortaleceram - disse. - Nunca deixem nada passar. Se queremos que as coisas sejam diferentes, não podemos ficar inertes.
O Ministério Público Federal (MPF) investigará denúncia pelos crimes de abuso de autoridade, violência arbitrária e desacato contra os três policiais envolvidos, que já estão afastados de suas atividades. Se culpados, eles podem ser expulsos da corporação.
O presidente da Ajufe, Walter Nunes da Silva Junior, criticou o trabalho dos policiais no Rio e garantiu que a ação não ficará impune.
- Infelizmente, essas arbitrariedades fazem parte do cotidiano da polícia no Rio - lamentou.
Fonte: JB Online
Segundo o depoimento de Shuman, no último dia 4, segunda-feira de carnaval, ele saltou de um táxi na Lapa, Centro do Rio, quando um carro da Coordenadoria de Operações e Recursos Especiais (Core) buzinou para ele sair da rua. Shuman teria ido para a calçada e pedido desculpas aos policiais. Neste momento os policiais teriam começado a insulta-lo. O Juiz teria questionado a atitude dos policiais, que o algemaram e o levaram para a delegacia.
Segundo os policiais, Shuman foi detido por desacato, crime que não permite a prisão em flagrante de juízes. O Juiz Roberto Shuman disse que este não era um ato em defesa da magistratura, mas da cidadania brasileira.
- As minhas marcas no pulso já desapareceram, mas as marcas que ficaram só me fortaleceram - disse. - Nunca deixem nada passar. Se queremos que as coisas sejam diferentes, não podemos ficar inertes.
O Ministério Público Federal (MPF) investigará denúncia pelos crimes de abuso de autoridade, violência arbitrária e desacato contra os três policiais envolvidos, que já estão afastados de suas atividades. Se culpados, eles podem ser expulsos da corporação.
O presidente da Ajufe, Walter Nunes da Silva Junior, criticou o trabalho dos policiais no Rio e garantiu que a ação não ficará impune.
- Infelizmente, essas arbitrariedades fazem parte do cotidiano da polícia no Rio - lamentou.
Fonte: JB Online
Após lesão, Ronaldo pode ficar até um ano parado, diz jornal

JB Online
RIO - Com um início de temporada incerto, onde diversas lesões o tiraram de campo, o brasileiro Ronaldo entrou em campo no início do segundo tempo, em partida contra o Livorno, para tentar superar as dificuldades e fazer as pazes com o gol. Infelizmente, aos 15 minutos, pouco depois de entrar no gramado do estádio San Siro no lugar de Gilardino, ao subir para tentar um cabeceio na área, o brasileiro caiu em campo com fortes dores no joelho esquerdo.
- É igual à outra vez, é igual à outra vez – gritava, chorando, referindo-se à outras lesões.
Ronaldo teve confirmada a lesão pouco depois de entrar em campo. De acordo com o diretor do departamento médico do Milan, Jean-Pierre Messerman, o brasileiro será operado nesta quinta-feira, em Paris. A operação será comandada pela mesma equipe do médico Saillant, que o operou em 2000, quando ele sofreu problema similar no joelho direito.
De acordo com informações do jornal italiano "La Gazzetta Dello Sport", Ronaldo poderá ficar entre nove meses e um ano sem jogar.
Carreira marcada por lesões
Desde que chegou à Itália, em 1998, Ronaldo se viu estampando as principais manchetes de jornais por sua atuação nos gramados, mas também pelas diversas lesões que sofreu.
Em novembro de 1999, mais de um ano depois de ter sofrido uma convulsão na Copa do Mundo de 98, Ronaldo sofreu a primeira grave lesão da carreira. Num jogo do Inter com o Lecce, o brasileiro sofreu uma contusão no tendão do joelho da perna direita. Foi operado e os médicos disseram, então, que poderia retornar cerca de cinco meses depois.
Em abril de 2000, durante partida com a Lázio, Ronaldo tentava driblar o português Fernando Couto, mas torceu o joelho direito, abandonando os gramados e retornando somente 12 meses depois.
O Fenômeno passou, então, por um longo tempo parado, mas retornou em 2002, quando ajudou o Brasil a tornar-se pentacampeão, sob o comando de Luiz Felipe Scolari. Ronaldo não teve mais lesões graves, mas vários problemas físicos. Por isso passou mais tempo entre os reservas do que nos gramados.
Em novembro de 2007, Ronaldo lesionou-se no aquecimento antes do jogo com o Benfica e acabou fora de algumas partidas. Nos últimos dias já se queixava de dores no joelho esquerdo, o mesmo que esta quarta obrigou o jogador a parar cerca de um ano. Resta saber se ainda retorna.
RIO - Com um início de temporada incerto, onde diversas lesões o tiraram de campo, o brasileiro Ronaldo entrou em campo no início do segundo tempo, em partida contra o Livorno, para tentar superar as dificuldades e fazer as pazes com o gol. Infelizmente, aos 15 minutos, pouco depois de entrar no gramado do estádio San Siro no lugar de Gilardino, ao subir para tentar um cabeceio na área, o brasileiro caiu em campo com fortes dores no joelho esquerdo.
- É igual à outra vez, é igual à outra vez – gritava, chorando, referindo-se à outras lesões.
Ronaldo teve confirmada a lesão pouco depois de entrar em campo. De acordo com o diretor do departamento médico do Milan, Jean-Pierre Messerman, o brasileiro será operado nesta quinta-feira, em Paris. A operação será comandada pela mesma equipe do médico Saillant, que o operou em 2000, quando ele sofreu problema similar no joelho direito.
De acordo com informações do jornal italiano "La Gazzetta Dello Sport", Ronaldo poderá ficar entre nove meses e um ano sem jogar.
Carreira marcada por lesões
Desde que chegou à Itália, em 1998, Ronaldo se viu estampando as principais manchetes de jornais por sua atuação nos gramados, mas também pelas diversas lesões que sofreu.
Em novembro de 1999, mais de um ano depois de ter sofrido uma convulsão na Copa do Mundo de 98, Ronaldo sofreu a primeira grave lesão da carreira. Num jogo do Inter com o Lecce, o brasileiro sofreu uma contusão no tendão do joelho da perna direita. Foi operado e os médicos disseram, então, que poderia retornar cerca de cinco meses depois.
Em abril de 2000, durante partida com a Lázio, Ronaldo tentava driblar o português Fernando Couto, mas torceu o joelho direito, abandonando os gramados e retornando somente 12 meses depois.
O Fenômeno passou, então, por um longo tempo parado, mas retornou em 2002, quando ajudou o Brasil a tornar-se pentacampeão, sob o comando de Luiz Felipe Scolari. Ronaldo não teve mais lesões graves, mas vários problemas físicos. Por isso passou mais tempo entre os reservas do que nos gramados.
Em novembro de 2007, Ronaldo lesionou-se no aquecimento antes do jogo com o Benfica e acabou fora de algumas partidas. Nos últimos dias já se queixava de dores no joelho esquerdo, o mesmo que esta quarta obrigou o jogador a parar cerca de um ano. Resta saber se ainda retorna.
Fonte: JB Online
Brasil/PF prende 31 acusados de fraudar a Previdência
Quadrilha paraense pode ter fraudado 17 mil benefícios do INSS concedidos desde 2003
BELÉM - A Polícia Federal prendeu ontem, em Belém, 31 pessoas acusadas de fraudar a Previdência Social. Investigações feitas ao longo dos últimos 18 meses mostram que a quadrilha pode ter fraudado 17 mil benefícios do INSS, concedidos desde 2003. O prejuízo para os cofres da Previdência Social pode chegar a R$10 milhões. As fraudes eram cometidas no Pará e no Maranhão. Entre os fraudadores presos na Operação Flagelo, que contou com a participação de procuradores do Ministério Público Federal e de fiscais da própria Previdência, estão sete servidores administrativos e dois médicos peritos. As outras 22 pessoas presas atuavam como intermediárias, dos quais dois são falsos médicos.
Um dos detidos é o chefe da Agência da Previdência Social da localidade de Mosqueiro, a 65km da capital, que estava atuando em Belém. Segundo a Polícia Federal, foram expedidos 37 mandados de busca e apreensão e 31 de prisão. Todos foram executados e cumpridos. A força-tarefa concluiu as investigações iniciadas pelo INSS em outubro de 2006. O Ministério da Previdência informou que a quadrilha reunia pessoas interessadas em conseguir benefícios fraudulentos, como auxílio-doença, aposentadoria por tempo de contribuição, por idade ou invalidez, pensão por morte ao idoso e portador de deficiência.
Isso era feito por meio de documentos falsos e da ajuda de servidores e médicos peritos integrantes do grupo. Após confeccionarem a documentação falsa necessária para pedir o benefício, os interessados entravam com requerimento em uma das agências da Previdência Social onde trabalhava um integrante da quadrilha. Lá, o servidor habilitava e concedia o benefício, ou o médico perito atestava a existência de doença ou invalidez. É a terceira operação da PF contra fraudes da Previdência só este ano. As anteriores foram em Santa Catarina e Minas Gerais. (AG)
Fonte: Correio da Bahia
BELÉM - A Polícia Federal prendeu ontem, em Belém, 31 pessoas acusadas de fraudar a Previdência Social. Investigações feitas ao longo dos últimos 18 meses mostram que a quadrilha pode ter fraudado 17 mil benefícios do INSS, concedidos desde 2003. O prejuízo para os cofres da Previdência Social pode chegar a R$10 milhões. As fraudes eram cometidas no Pará e no Maranhão. Entre os fraudadores presos na Operação Flagelo, que contou com a participação de procuradores do Ministério Público Federal e de fiscais da própria Previdência, estão sete servidores administrativos e dois médicos peritos. As outras 22 pessoas presas atuavam como intermediárias, dos quais dois são falsos médicos.
Um dos detidos é o chefe da Agência da Previdência Social da localidade de Mosqueiro, a 65km da capital, que estava atuando em Belém. Segundo a Polícia Federal, foram expedidos 37 mandados de busca e apreensão e 31 de prisão. Todos foram executados e cumpridos. A força-tarefa concluiu as investigações iniciadas pelo INSS em outubro de 2006. O Ministério da Previdência informou que a quadrilha reunia pessoas interessadas em conseguir benefícios fraudulentos, como auxílio-doença, aposentadoria por tempo de contribuição, por idade ou invalidez, pensão por morte ao idoso e portador de deficiência.
Isso era feito por meio de documentos falsos e da ajuda de servidores e médicos peritos integrantes do grupo. Após confeccionarem a documentação falsa necessária para pedir o benefício, os interessados entravam com requerimento em uma das agências da Previdência Social onde trabalhava um integrante da quadrilha. Lá, o servidor habilitava e concedia o benefício, ou o médico perito atestava a existência de doença ou invalidez. É a terceira operação da PF contra fraudes da Previdência só este ano. As anteriores foram em Santa Catarina e Minas Gerais. (AG)
Fonte: Correio da Bahia
A pizza no forno
Por: Carlos chagas
BRASÍLIA - Caso faltassem provas de que o governo pretende reduzir a CPI dos Cartões Corporativos a uma simples brisa, evitando a tempestade, aí está a decisão imposta pelo Palácio do Planalto às lideranças oficiais: presidente e relator devem ser integrantes da base parlamentar governista. Tanto faz se um virá do PMDB e outro do PT, desde que sejam confiáveis e se mostrem dispostos a blindar os gastos do presidente Lula e de seus familiares com cartões corporativos.
A oposição estrilou, mas nem tanto quanto deveria, tendo em vista o acordo para estender ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso as mesmas garantias dadas ao sucessor.
Existem, porém, alguns obstáculos à transformação da CPI dos Cartões Corporativos numa imensa pizza de marmelada. Primeiro que o acordão não foi nem poderia ser celebrado por escrito. Ficou no gogó, coisa temerária em política. Depois, que o Supremo Tribunal Federal poderá decidir, em poucos dias, pela liberação absoluta de todos os gastos e despesas.
Um terceiro argumento é definitivo: mesmo detendo a maioria dos integrantes da CPI, dificilmente o governo evitará que muitos dos "fiéis companheiros" atuem conforme exige a opinião pública, ou melhor, a opinião publicada, que vem fazendo do escândalo dos cartões corporativos a peça de resistência em sua busca por maiores tiragens e melhor audiência. Ninguém investe impunemente contra a natureza das coisas, e ela indica, hoje, o rumo das denúncias integrais.
O deputado ou senador que se omitir, esquivar-se ou tentar amaciar os trabalhos será identificado junto ao eleitorado, não parecendo tão longe assim a data em que se candidatarão no mínimo à reeleição.
Em suma, apesar de o dono do campo e da bola parecer também o empregador do juiz e o árbitro das regras do jogo, é possível que a CPI desvende boa parte dos horrores praticados à sombra dos cartões corporativos. Sessões de botox pagas com recursos públicos poderão ser identificadas, menos pelo dinheiro despendido, mais pelo absurdo intrínseco, igual ou maior do que a aquisição de material de construção, jogos de camisas de futebol de salão, perfumes e cosméticos de toda ordem e sucedâneos.
A pergunta que se faz refere-se às conseqüências de uma devassa ampla nos meandros da transformação da coisa pública em "cosa nostra". Nada que abale o mandato do atual presidente da República ou leve seu antecessor ao banco dos réus, mas, com certeza, revelações capazes de abalar a credibilidade dos detentores do poder, atuais ou recentes. Traduzindo: as eleições presidenciais de 2010 poderão trazer desagradáveis surpresas para companheiros e para tucanos.
Confraternização com pingüins
Mal chegado do extremo norte do País, o presidente Lula seguirá no trajeto oposto, devendo a partir de amanhã viajar para Punta Arenas, no Chile, e no dia seguinte, de helicóptero, visitar a base naval brasileira no Pólo Sul. A gente se pergunta o porquê desse périplo digno de Indiana Jones e a resposta não envolve estratégias para tirar o escândalo dos cartões corporativos da primeira página dos jornais.
A viagem estava programada há meses. O que não dá para entender é como o presidente Lula não adiou aventura tão supérflua para dedicar-se à análise e ao enfrentamento da crise que assola o País. Deveria, com todo o respeito, estar-se reunindo com líderes, auxiliares, observadores e experts em relações do Legislativo com o Executivo, visando reduzir os efeitos da lambança feita com os cartões corporativos.
Audiência explosiva
Hoje, no Senado, haverá audiência pública para debater as obras já iniciadas do desvio das águas do Rio São Francisco. Estão convidados o bispo Dom Capio, aquele da greve de fome, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, o deputado Ciro Gomes, o senador Eduardo Suplicy e outros.
Vai sair faísca, a menos que o prelado reflua e admita não reagir mais ao projeto em curso. Como as indicações são de que aumentará o diapasão de suas críticas, atribui-se ao ministro Geddel uma sugestão para os trabalhos que devem durar muitas horas: mandar servir suculentos sanduíches para os participantes e rezar para que os fotógrafos não poupem flagrantes do reverendíssimo mastigando presuntos e queijos de grife.
A permanente impunidade
Volta o senador Pedro Simon a bater na tecla que tem caracterizado sua atividade parlamentar: a impunidade. Para ele, se houvesse cartões de crédito corporativos nos tempos em que governou o Rio Grande do Sul ou foi ministro da Agricultura, sairia preso de seu gabinete o auxiliar capaz da ousadia de propor-lhe tamanho descalabro.
Suas previsões são de que, mesmo com todos os excessos apurados pela CPI, ninguém será punido por participar do escândalo. Tornaram-se tão maleáveis as instituições que regem o País a ponto de, em Porto Alegre, ele ter recebido dezenas de indagações a respeito de porque jamais utilizou cartões corporativos. Está passando por bobo...
Fonte: Tribuna da Imprensa
BRASÍLIA - Caso faltassem provas de que o governo pretende reduzir a CPI dos Cartões Corporativos a uma simples brisa, evitando a tempestade, aí está a decisão imposta pelo Palácio do Planalto às lideranças oficiais: presidente e relator devem ser integrantes da base parlamentar governista. Tanto faz se um virá do PMDB e outro do PT, desde que sejam confiáveis e se mostrem dispostos a blindar os gastos do presidente Lula e de seus familiares com cartões corporativos.
A oposição estrilou, mas nem tanto quanto deveria, tendo em vista o acordo para estender ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso as mesmas garantias dadas ao sucessor.
Existem, porém, alguns obstáculos à transformação da CPI dos Cartões Corporativos numa imensa pizza de marmelada. Primeiro que o acordão não foi nem poderia ser celebrado por escrito. Ficou no gogó, coisa temerária em política. Depois, que o Supremo Tribunal Federal poderá decidir, em poucos dias, pela liberação absoluta de todos os gastos e despesas.
Um terceiro argumento é definitivo: mesmo detendo a maioria dos integrantes da CPI, dificilmente o governo evitará que muitos dos "fiéis companheiros" atuem conforme exige a opinião pública, ou melhor, a opinião publicada, que vem fazendo do escândalo dos cartões corporativos a peça de resistência em sua busca por maiores tiragens e melhor audiência. Ninguém investe impunemente contra a natureza das coisas, e ela indica, hoje, o rumo das denúncias integrais.
O deputado ou senador que se omitir, esquivar-se ou tentar amaciar os trabalhos será identificado junto ao eleitorado, não parecendo tão longe assim a data em que se candidatarão no mínimo à reeleição.
Em suma, apesar de o dono do campo e da bola parecer também o empregador do juiz e o árbitro das regras do jogo, é possível que a CPI desvende boa parte dos horrores praticados à sombra dos cartões corporativos. Sessões de botox pagas com recursos públicos poderão ser identificadas, menos pelo dinheiro despendido, mais pelo absurdo intrínseco, igual ou maior do que a aquisição de material de construção, jogos de camisas de futebol de salão, perfumes e cosméticos de toda ordem e sucedâneos.
A pergunta que se faz refere-se às conseqüências de uma devassa ampla nos meandros da transformação da coisa pública em "cosa nostra". Nada que abale o mandato do atual presidente da República ou leve seu antecessor ao banco dos réus, mas, com certeza, revelações capazes de abalar a credibilidade dos detentores do poder, atuais ou recentes. Traduzindo: as eleições presidenciais de 2010 poderão trazer desagradáveis surpresas para companheiros e para tucanos.
Confraternização com pingüins
Mal chegado do extremo norte do País, o presidente Lula seguirá no trajeto oposto, devendo a partir de amanhã viajar para Punta Arenas, no Chile, e no dia seguinte, de helicóptero, visitar a base naval brasileira no Pólo Sul. A gente se pergunta o porquê desse périplo digno de Indiana Jones e a resposta não envolve estratégias para tirar o escândalo dos cartões corporativos da primeira página dos jornais.
A viagem estava programada há meses. O que não dá para entender é como o presidente Lula não adiou aventura tão supérflua para dedicar-se à análise e ao enfrentamento da crise que assola o País. Deveria, com todo o respeito, estar-se reunindo com líderes, auxiliares, observadores e experts em relações do Legislativo com o Executivo, visando reduzir os efeitos da lambança feita com os cartões corporativos.
Audiência explosiva
Hoje, no Senado, haverá audiência pública para debater as obras já iniciadas do desvio das águas do Rio São Francisco. Estão convidados o bispo Dom Capio, aquele da greve de fome, o ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima, o deputado Ciro Gomes, o senador Eduardo Suplicy e outros.
Vai sair faísca, a menos que o prelado reflua e admita não reagir mais ao projeto em curso. Como as indicações são de que aumentará o diapasão de suas críticas, atribui-se ao ministro Geddel uma sugestão para os trabalhos que devem durar muitas horas: mandar servir suculentos sanduíches para os participantes e rezar para que os fotógrafos não poupem flagrantes do reverendíssimo mastigando presuntos e queijos de grife.
A permanente impunidade
Volta o senador Pedro Simon a bater na tecla que tem caracterizado sua atividade parlamentar: a impunidade. Para ele, se houvesse cartões de crédito corporativos nos tempos em que governou o Rio Grande do Sul ou foi ministro da Agricultura, sairia preso de seu gabinete o auxiliar capaz da ousadia de propor-lhe tamanho descalabro.
Suas previsões são de que, mesmo com todos os excessos apurados pela CPI, ninguém será punido por participar do escândalo. Tornaram-se tão maleáveis as instituições que regem o País a ponto de, em Porto Alegre, ele ter recebido dezenas de indagações a respeito de porque jamais utilizou cartões corporativos. Está passando por bobo...
Fonte: Tribuna da Imprensa
Para Dirceu, depoimentos negam seu envolvimento
SÃO PAULO - O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu afirmou ontem que os depoimentos prestados até agora no processo que investiga o mensalão negam seu envolvimento no caso. Segundo o deputado cassado, que responde às acusações de corrupção ativa e formação de quadrilha, os interrogatórios ajudam a demonstrar a motivação política por trás de seu afastamento do cargo de ministro e da cassação de seu mandato de deputado.
"A sucessão de depoimentos à Justiça, vários por semana, dos réus do chamado 'mensalão' prova, dia a dia, que não cometi nenhum ato ilícito", afirmou Dirceu, em nota publicada em seu blog na internet (Zedirceu). "Os depoimentos reafirmam a convicção que tenho e sempre transmiti: é político o processo em que me envolveram, com o propósito de me afastarem do cargo de ministro-chefe da Casa Civil e de me cassarem o mandato de deputado federal pelo que eu representava no governo do PT e do presidente Lula."
Ao comentar o depoimento prestado terça-feira à Justiça pelo também deputado cassado Roberto Jefferson, Dirceu apontou que o presidente do PTB recusou-se a acusá-lo diretamente.
No interrogatório, Jefferson evitou comentar o envolvimento de Dirceu e de outros membros do governo no caso, sob o argumento de que falava como réu e não como testemunha. Em um ponto do depoimento, disse que Dirceu "era o ministro político do governo" e que "todos os acordos tinham a chancela dele".
"Roberto Jefferson afirmou no depoimento, ontem (terça), que eu era o ministro político do governo, que tratava comigo da aliança PTB-governo e que os acordos tinham a minha chancela. Também não fez referências associando-me ao chamado 'mensalão'", afirmou Dirceu, no blog.
A mesma atitude, segundo o ex-ministro, marcou o depoimento de outros réus, entre eles o publicitário Marcos Valério. "Valério confirmou que nunca teve reuniões comigo para tratar dessa história de 'mensalão'", prosseguiu. Ao encerrar a nota, Dirceu voltou dizer que confia na Justiça e que aguarda "com serenidade" o julgamento do processo.
Fonte: Tribuna da Imprensa
"A sucessão de depoimentos à Justiça, vários por semana, dos réus do chamado 'mensalão' prova, dia a dia, que não cometi nenhum ato ilícito", afirmou Dirceu, em nota publicada em seu blog na internet (Zedirceu). "Os depoimentos reafirmam a convicção que tenho e sempre transmiti: é político o processo em que me envolveram, com o propósito de me afastarem do cargo de ministro-chefe da Casa Civil e de me cassarem o mandato de deputado federal pelo que eu representava no governo do PT e do presidente Lula."
Ao comentar o depoimento prestado terça-feira à Justiça pelo também deputado cassado Roberto Jefferson, Dirceu apontou que o presidente do PTB recusou-se a acusá-lo diretamente.
No interrogatório, Jefferson evitou comentar o envolvimento de Dirceu e de outros membros do governo no caso, sob o argumento de que falava como réu e não como testemunha. Em um ponto do depoimento, disse que Dirceu "era o ministro político do governo" e que "todos os acordos tinham a chancela dele".
"Roberto Jefferson afirmou no depoimento, ontem (terça), que eu era o ministro político do governo, que tratava comigo da aliança PTB-governo e que os acordos tinham a minha chancela. Também não fez referências associando-me ao chamado 'mensalão'", afirmou Dirceu, no blog.
A mesma atitude, segundo o ex-ministro, marcou o depoimento de outros réus, entre eles o publicitário Marcos Valério. "Valério confirmou que nunca teve reuniões comigo para tratar dessa história de 'mensalão'", prosseguiu. Ao encerrar a nota, Dirceu voltou dizer que confia na Justiça e que aguarda "com serenidade" o julgamento do processo.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Oposição quer acesso a gastos secretos
Arthur Virgílio protocola mandado de segurança para ter acesso a cartões corporativos da Presidência
BRASÍLIA - O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), entrou ontem no Supremo Tribunal Federal (STF) com um mandado de segurança pedindo acesso aos dados sigilosos dos cartões corporativos do gabinete pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Virgílio, a Constituição estabelece que cabe ao Congresso Nacional exercer a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União.
O senador classificou a medida de "extrema, dura, mas que visa a corrigir um ato de omissão do governo federal. Eu quero que ele me permita cumprir o meu dever de parlamentar e fiscalizar, inclusive, as contas do gabinete da Presidência da República", afirmou.
Virgílio disse que o fato de o Executivo negar o acesso aos dados, sob o pretexto de resguardar a segurança nacional, contraria os princípios da publicidade e da moralidade pública. Segundo o senador, esses gastos não são estratégicos, mas pessoais.
"O governo insiste que gastos pessoais do gabinete da Presidência da República são de segurança nacional. Isso não é verdade. Não há nenhuma parte da legislação brasileira que ampare esse ponto de vista", afirma.
Arthur Virgílio informou que encaminhou à Secretaria Geral da Presidência da República 37 requerimentos com pedidos de informação sobre os gastos de todos os ministérios. Ele também solicitou a divulgação dos seus próprios gastos com cartões corporativos no período em que foi secretário-geral da Presidência, no governo de Fernando Henrique Cardoso. Se os pedidos forem negados, o senador disse que irá recorrer novamente ao STF.
O líder do PSDB informou que todos os gastos referentes ao governo FHC já estão à disposição do governo federal. O pedido de informações protocolado no STF, segundo Arthur Virgílio, tem um objetivo político. "Mostrar que não há acordinho, nem acordo, nem acordão. Nós queremos tudo". (Com Agência Brasil)
Fonte: Tribuna da Imprensa
BRASÍLIA - O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), entrou ontem no Supremo Tribunal Federal (STF) com um mandado de segurança pedindo acesso aos dados sigilosos dos cartões corporativos do gabinete pessoal do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo Virgílio, a Constituição estabelece que cabe ao Congresso Nacional exercer a fiscalização contábil, financeira, orçamentária, operacional e patrimonial da União.
O senador classificou a medida de "extrema, dura, mas que visa a corrigir um ato de omissão do governo federal. Eu quero que ele me permita cumprir o meu dever de parlamentar e fiscalizar, inclusive, as contas do gabinete da Presidência da República", afirmou.
Virgílio disse que o fato de o Executivo negar o acesso aos dados, sob o pretexto de resguardar a segurança nacional, contraria os princípios da publicidade e da moralidade pública. Segundo o senador, esses gastos não são estratégicos, mas pessoais.
"O governo insiste que gastos pessoais do gabinete da Presidência da República são de segurança nacional. Isso não é verdade. Não há nenhuma parte da legislação brasileira que ampare esse ponto de vista", afirma.
Arthur Virgílio informou que encaminhou à Secretaria Geral da Presidência da República 37 requerimentos com pedidos de informação sobre os gastos de todos os ministérios. Ele também solicitou a divulgação dos seus próprios gastos com cartões corporativos no período em que foi secretário-geral da Presidência, no governo de Fernando Henrique Cardoso. Se os pedidos forem negados, o senador disse que irá recorrer novamente ao STF.
O líder do PSDB informou que todos os gastos referentes ao governo FHC já estão à disposição do governo federal. O pedido de informações protocolado no STF, segundo Arthur Virgílio, tem um objetivo político. "Mostrar que não há acordinho, nem acordo, nem acordão. Nós queremos tudo". (Com Agência Brasil)
Fonte: Tribuna da Imprensa
Mensalão: Bispo Rodrigues diz que não vendeu apoio
Ex-deputado admite que recebeu dinheiro e reclama dos "sacrifícios" da vida parlamentar
Denunciado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o mensalão, o ex-deputado Bispo Rodrigues usou ontem seu depoimento na ação, a que responde com outros 39 réus, para negar a existência do esquema e se queixar dos "sacrifícios" da vida parlamentar.
Ele afirmou nunca ter ouvido falar da compra de votações na Câmara, confirmada na véspera pelo ex-deputado Roberto Jefferson, mas admitiu ter recebido do PT dinheiro para saldar dívidas da campanha de 2002. O ex-parlamentar negou, contudo, haver relação entre o recebimento e o apoio do PL, a que pertencia, ao governo federal nas votações das reformas tributária e previdenciária. Segundo ele, PT e PL já votavam juntos no governo anterior.
"Meritíssimo, é uma questão até de matemática e também de astúcia política", disse Rodrigues ao juiz Erik Navarro Wolkart, substituto da 7ª Vara Federal Criminal. "Se os partidos vêm há oito anos fazendo uma oposição acirrada, ferrenha, contra um modelo econômico, partidário, político, que eram o PSDB e o PFL, se viemos oito anos votando sempre, isso pode ser visto pelo Ministério Público e pela Justiça... Todas as votações que o PT votou, votamos igual.
Era obrigatório nosso partido ter um parlamentar todo dia para falar mal do governo Fernando Henrique. Uma vez que a gente foi para o governo, iríamos vender votação? Por que não vendemos para outro? Nunca ouvi falar nisso."
Rodrigues confirmou, contudo, ter recebido uma quantia em dinheiro, que o juiz afirmou ser R$ 150 mil, do motorista Célio Siqueira, que trabalhava para o deputado Wanderval Santos (PL-SP). O funcionário, afirmou, fez-lhe um favor ao ir à agência bancária fazer a retirada, repassada via Banco Rural pelo PT, em dezembro de 2003, por determinação do então tesoureiro petista, Delúbio Soares, ou do então presidente nacional do PL, Valdemar Costa Netto - o ex-deputado disse não se lembrar qual dos dois autorizou o saque.
As dívidas tinham sido feitas na campanha do segundo turno da eleição de 2002 no Rio, cuja seção regional do PL Rodrigues presidia à época. Ele disse ter recebido de Costa Netto a determinação de apoiar Lula e "depois acertar" as despesas.
"Nunca imaginei que o dinheiro que vinha do PT era de origem nebulosa", afirmou. "O PT era acima de qualquer suspeita, era quase um guardião da ética." O ex-deputado, contudo, negou ter recebido outros R$ 250 mil detectados nas investigações e declarou que "nunca ouviu falar", antes do escândalo, do empresário Marcos Valério de Souza, apontado como principal fonte do mensalão. Com Delúbio, afirmou, mantinha relacionamento "estritamente partidário". O magistrado, porém, afirmou ver dois fluxos de recursos: um para pagar dívidas de campanha e outro para pagar por votações.
Para reforçar seus argumentos, Rodrigues reclamou da vida de político. "Porque ser parlamentar é muito ruim, meritíssimo, é muito ruim", disse. "O senhor sacrifica tudo o que o senhor tem. Entra ali (no Congresso) de manhã, sai à noite, e não vê o dia passar. Sábado à noite, às vezes tem que ir para um casamento abraçar 100 pessoas que nunca viu na sua vida. E às vezes está em casa, um eleitor seu morreu e você tem que botar um terno e ir lá no enterro. E larga a sua família, sua esposa quer ir ao cinema, e você tem que atender o pedido político. Então, ser parlamentar não é simples, embora a imprensa ache que é um paraíso. Não é isso.
É um sacrifício pessoal. Para você chegar ali e vender o seu voto, isso, para mim, é um absurdo. Nunca vi isso." No interesse da sua defesa, Rodrigues respondeu apenas às perguntas do juiz, não às do Ministério Público nem dos advogados dos demais réus, como permite a lei. À saída, não quis dar entrevistas. "Deixei a vida pública", declarou, em tom compungido.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Denunciado por corrupção passiva e lavagem de dinheiro no processo do Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o mensalão, o ex-deputado Bispo Rodrigues usou ontem seu depoimento na ação, a que responde com outros 39 réus, para negar a existência do esquema e se queixar dos "sacrifícios" da vida parlamentar.
Ele afirmou nunca ter ouvido falar da compra de votações na Câmara, confirmada na véspera pelo ex-deputado Roberto Jefferson, mas admitiu ter recebido do PT dinheiro para saldar dívidas da campanha de 2002. O ex-parlamentar negou, contudo, haver relação entre o recebimento e o apoio do PL, a que pertencia, ao governo federal nas votações das reformas tributária e previdenciária. Segundo ele, PT e PL já votavam juntos no governo anterior.
"Meritíssimo, é uma questão até de matemática e também de astúcia política", disse Rodrigues ao juiz Erik Navarro Wolkart, substituto da 7ª Vara Federal Criminal. "Se os partidos vêm há oito anos fazendo uma oposição acirrada, ferrenha, contra um modelo econômico, partidário, político, que eram o PSDB e o PFL, se viemos oito anos votando sempre, isso pode ser visto pelo Ministério Público e pela Justiça... Todas as votações que o PT votou, votamos igual.
Era obrigatório nosso partido ter um parlamentar todo dia para falar mal do governo Fernando Henrique. Uma vez que a gente foi para o governo, iríamos vender votação? Por que não vendemos para outro? Nunca ouvi falar nisso."
Rodrigues confirmou, contudo, ter recebido uma quantia em dinheiro, que o juiz afirmou ser R$ 150 mil, do motorista Célio Siqueira, que trabalhava para o deputado Wanderval Santos (PL-SP). O funcionário, afirmou, fez-lhe um favor ao ir à agência bancária fazer a retirada, repassada via Banco Rural pelo PT, em dezembro de 2003, por determinação do então tesoureiro petista, Delúbio Soares, ou do então presidente nacional do PL, Valdemar Costa Netto - o ex-deputado disse não se lembrar qual dos dois autorizou o saque.
As dívidas tinham sido feitas na campanha do segundo turno da eleição de 2002 no Rio, cuja seção regional do PL Rodrigues presidia à época. Ele disse ter recebido de Costa Netto a determinação de apoiar Lula e "depois acertar" as despesas.
"Nunca imaginei que o dinheiro que vinha do PT era de origem nebulosa", afirmou. "O PT era acima de qualquer suspeita, era quase um guardião da ética." O ex-deputado, contudo, negou ter recebido outros R$ 250 mil detectados nas investigações e declarou que "nunca ouviu falar", antes do escândalo, do empresário Marcos Valério de Souza, apontado como principal fonte do mensalão. Com Delúbio, afirmou, mantinha relacionamento "estritamente partidário". O magistrado, porém, afirmou ver dois fluxos de recursos: um para pagar dívidas de campanha e outro para pagar por votações.
Para reforçar seus argumentos, Rodrigues reclamou da vida de político. "Porque ser parlamentar é muito ruim, meritíssimo, é muito ruim", disse. "O senhor sacrifica tudo o que o senhor tem. Entra ali (no Congresso) de manhã, sai à noite, e não vê o dia passar. Sábado à noite, às vezes tem que ir para um casamento abraçar 100 pessoas que nunca viu na sua vida. E às vezes está em casa, um eleitor seu morreu e você tem que botar um terno e ir lá no enterro. E larga a sua família, sua esposa quer ir ao cinema, e você tem que atender o pedido político. Então, ser parlamentar não é simples, embora a imprensa ache que é um paraíso. Não é isso.
É um sacrifício pessoal. Para você chegar ali e vender o seu voto, isso, para mim, é um absurdo. Nunca vi isso." No interesse da sua defesa, Rodrigues respondeu apenas às perguntas do juiz, não às do Ministério Público nem dos advogados dos demais réus, como permite a lei. À saída, não quis dar entrevistas. "Deixei a vida pública", declarou, em tom compungido.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Juízes unidos... por juiz
Magistratura faz ato de desagravo após prisão de magistrado
Juiz Roberto de Paula: "se esta ilegalidade foi praticada contra mim, imagina o que mais está acontecendo por aí".
Marcelo Copelli
Cerca de cem juízes federais compareceram, ontem, no auditório do Forum da Justiça federal, no Centro do Rio, a um ato público de desagravo ao juiz federal Roberto Dantes Schuman de Paula, supostamente vítima de arbitrariedades promovidas por policiais civis da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais) durante a segunda-feira de Carnaval.
No evento organizado pela Vice-presiência da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) da 2ª Região, no qual foi exaltada a defesa pela cidadania e a independência do Poder Judiciário, o presidente da associação, juiz Walter Nunes da Silva Junior, afirmou que a ação policial atingiu não somente o cidadão Roberto Schuman, mas também a magistratura e a sociedade brasileira.
Em carta divulgada à imprensa esta semana, Schuman comentou sobre o incidente ocorrido na Lapa, no Centro, envolvendo os policiais civis. "Confesso que sai do camburão algemado me sentindo como um trapo, um lixo, em relação à minha cidadania e minha condição funcional, contudo, após esses dias saio um cidadão e um magistrado ainda mais forte, e isso eu devo a todos vocês", afirmou, em referência ao apoio de amigos e entidades de classe.
Na última terça-feira, o Ministério Público Federal (MPF) ofereceu denúncia à Justiça Federal contra os policiais civis da Core envolvidos no caso, Cristiano Carvalho Veiga da Mouta, Marcelo Costa de Jesus e Bernadilson Ferreira de Castro. Todos já foram afastados do policiamento ostensivo, ficando restritos aos serviços internos.
A realidade
Fervoroso, o presidente da Ajufe afirmou que as acusações de desrespeito por parte de policias, infelizmente, não é incomum. "Faz parte do cotidiano da polícia. É lamentável que neste exato momento que fazemos este ato, cidadãos estejam sendo vítimas de arbitrariedades iguais ou até piores do que essa", disse. Ovacionado, Nunes acrescentou que o ato era não somente contra as agressões das prerrogativas da magistratura brasileira, mas também contra as profundas agressões que são praticadas contra a população brasileira, principalmente as classes mais baixas.
Preso e algemado
Segundo denúncia, Schuman foi preso e levado algemado à delegacia após ter contestado o tratamento grosseiro que recebeu ao ser abordado por policiais civis quando descia de um táxi, na Lapa, no Centro do Rio, durante o Carnaval. Segundo a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), juízes não podem ser presos sem ordem escrita do Tribunal do qual fazem parte, a não ser em caso de flagrante e, ainda assim, quando se trate de crime inafiançável.
Em nota divulgada semana passada, a Ajufe tratou o caso como sendo não somente uma afronta à lei, mas também uma extrapolação de funções. "Tais arbitrariedades são manifestações de quem se considera acima dos poderes constituídos, sendo inadmissível que sejam praticadas por agentes integrantes da chamada elite da Polícia Civil do Rio de Janeiro", definiu o texto.
Direitos
Sem discurso pronto, Schuman disse que um desabafo que fez na Internet provocou manifestações de apoio em todo o Brasil, além de ter recebido mensagens da Europa e dos Estados Unidos. "Se esta ilegalidade foi praticada contra mim, o que mais está acontecendo por aí?", questionou.
Apesar de ressaltar que não iria falar sobre os problemas sociais do Rio, até porque todos já eram profundos conhecedores de causa, o juiz reafirmou que a luta pelo cumprimento dos direitos deve ser mantida por todos, sem exceção. "O recado que eu tenho a dar é o seguinte: nunca deixem, na medida do possível e da sua própria segurança, nada passar. Não vale a pena. Se a gente quer um Brasil diferente, seja em que posição esteja, seja na simples condição de cidadão que já é muita coisa, nunca fiquemos inertes, sempre façamos algo. Vai surtir fruto, vai surtir efeito", afirmou.
Schuman garantiu, ainda, que o fato não irá cair no esquecimento. "As marcas que ficaram nos meus pulsos, elas desapareceram. Agora, as marcas que ficarm do espisódio, certamente me fortaleceram", disse.
Segundo o juiz federal, entretanto, o fato ocorrido não pode generalizar todas as corporações policiais. "Foi um ponto específico que se restringiu a três agentes específicos e com certeza não refletem (..) a maioria dos integrantes da Polícia que está aí justamente para nos proteger", finalizou.
Estiveram presentes no ato representantes da seccional do Rio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT), da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) e da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp).
Procurada, a Assessoria de Imprensa da Polícia Civil afirmou não ter ainda dados oficiais sobre a versão dos policias envolvidos.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Juiz Roberto de Paula: "se esta ilegalidade foi praticada contra mim, imagina o que mais está acontecendo por aí".
Marcelo Copelli
Cerca de cem juízes federais compareceram, ontem, no auditório do Forum da Justiça federal, no Centro do Rio, a um ato público de desagravo ao juiz federal Roberto Dantes Schuman de Paula, supostamente vítima de arbitrariedades promovidas por policiais civis da Core (Coordenadoria de Recursos Especiais) durante a segunda-feira de Carnaval.
No evento organizado pela Vice-presiência da Associação dos Juízes Federais do Brasil (Ajufe) da 2ª Região, no qual foi exaltada a defesa pela cidadania e a independência do Poder Judiciário, o presidente da associação, juiz Walter Nunes da Silva Junior, afirmou que a ação policial atingiu não somente o cidadão Roberto Schuman, mas também a magistratura e a sociedade brasileira.
Em carta divulgada à imprensa esta semana, Schuman comentou sobre o incidente ocorrido na Lapa, no Centro, envolvendo os policiais civis. "Confesso que sai do camburão algemado me sentindo como um trapo, um lixo, em relação à minha cidadania e minha condição funcional, contudo, após esses dias saio um cidadão e um magistrado ainda mais forte, e isso eu devo a todos vocês", afirmou, em referência ao apoio de amigos e entidades de classe.
Na última terça-feira, o Ministério Público Federal (MPF) ofereceu denúncia à Justiça Federal contra os policiais civis da Core envolvidos no caso, Cristiano Carvalho Veiga da Mouta, Marcelo Costa de Jesus e Bernadilson Ferreira de Castro. Todos já foram afastados do policiamento ostensivo, ficando restritos aos serviços internos.
A realidade
Fervoroso, o presidente da Ajufe afirmou que as acusações de desrespeito por parte de policias, infelizmente, não é incomum. "Faz parte do cotidiano da polícia. É lamentável que neste exato momento que fazemos este ato, cidadãos estejam sendo vítimas de arbitrariedades iguais ou até piores do que essa", disse. Ovacionado, Nunes acrescentou que o ato era não somente contra as agressões das prerrogativas da magistratura brasileira, mas também contra as profundas agressões que são praticadas contra a população brasileira, principalmente as classes mais baixas.
Preso e algemado
Segundo denúncia, Schuman foi preso e levado algemado à delegacia após ter contestado o tratamento grosseiro que recebeu ao ser abordado por policiais civis quando descia de um táxi, na Lapa, no Centro do Rio, durante o Carnaval. Segundo a Lei Orgânica da Magistratura Nacional (Loman), juízes não podem ser presos sem ordem escrita do Tribunal do qual fazem parte, a não ser em caso de flagrante e, ainda assim, quando se trate de crime inafiançável.
Em nota divulgada semana passada, a Ajufe tratou o caso como sendo não somente uma afronta à lei, mas também uma extrapolação de funções. "Tais arbitrariedades são manifestações de quem se considera acima dos poderes constituídos, sendo inadmissível que sejam praticadas por agentes integrantes da chamada elite da Polícia Civil do Rio de Janeiro", definiu o texto.
Direitos
Sem discurso pronto, Schuman disse que um desabafo que fez na Internet provocou manifestações de apoio em todo o Brasil, além de ter recebido mensagens da Europa e dos Estados Unidos. "Se esta ilegalidade foi praticada contra mim, o que mais está acontecendo por aí?", questionou.
Apesar de ressaltar que não iria falar sobre os problemas sociais do Rio, até porque todos já eram profundos conhecedores de causa, o juiz reafirmou que a luta pelo cumprimento dos direitos deve ser mantida por todos, sem exceção. "O recado que eu tenho a dar é o seguinte: nunca deixem, na medida do possível e da sua própria segurança, nada passar. Não vale a pena. Se a gente quer um Brasil diferente, seja em que posição esteja, seja na simples condição de cidadão que já é muita coisa, nunca fiquemos inertes, sempre façamos algo. Vai surtir fruto, vai surtir efeito", afirmou.
Schuman garantiu, ainda, que o fato não irá cair no esquecimento. "As marcas que ficaram nos meus pulsos, elas desapareceram. Agora, as marcas que ficarm do espisódio, certamente me fortaleceram", disse.
Segundo o juiz federal, entretanto, o fato ocorrido não pode generalizar todas as corporações policiais. "Foi um ponto específico que se restringiu a três agentes específicos e com certeza não refletem (..) a maioria dos integrantes da Polícia que está aí justamente para nos proteger", finalizou.
Estiveram presentes no ato representantes da seccional do Rio da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-RJ), da Associação Nacional dos Procuradores da República (ANPR), da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho (ANPT), da Associação Nacional dos Magistrados da Justiça do Trabalho (Anamatra) e da Associação Nacional dos Membros do Ministério Público (Conamp).
Procurada, a Assessoria de Imprensa da Polícia Civil afirmou não ter ainda dados oficiais sobre a versão dos policias envolvidos.
Fonte: Tribuna da Imprensa
Brasil vendeu carne não rastreada à UE
BRASÍLIA - Às vésperas da retomada das negociações para a reabertura do mercado europeu à carne brasileira, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, afirmou ontem, no Senado, que alguns frigoríficos venderam carne de animais não rastreados para a União Européia (UE). A incapacidade do governo de garantir a rastreabilidade do gado foi o que levou as autoridades européias a suspender as compras de carne de Brasil no último dia 1º.
"Hoje eu tenho certeza disto: eles (frigoríficos) exportaram para a União Européia carne rastreada e não rastreada", afirmou Stephanes, durante audiência na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado. Ao deixar a reunião, o ministro evitou estender-se no assunto. "Eu prefiro não ter fogo amigo", disse. Segundo o ministro, a suspensão das exportações provoca prejuízo diário de R$ 5 milhões ao Brasil.
Como forma de atender às exigências do bloco europeu, o sistema de rastreabilidade do rebanho nacional começou a ser implementado em 2002, quando era ministro da Agricultura o atual presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Marcus Vinícius de Moraes. Apesar de Stephanes ter evitado dar mais detalhes sobre o problema, representantes da iniciativa privada avaliaram que o estrago está feito. "O ministro deu um tiro no próprio pé", resumiu uma fonte.
Já a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), uma das líderes dos ruralistas no Senado, lembrou que os certificados de exportação são emitidos pelo ministério. "A declaração é gravíssima", disse.
Crítica
Durante a audiência, Stephanes também criticou indiretamente seus antecessores, que, segundo ele, não fiscalizaram as empresas certificadoras, que são responsáveis pela rastreabilidade dos animais. Ele disse que a situação delas era "um escândalo". Segundo o ministro, uma fiscalização feita pelo ministério recentemente "eliminou" 20 empresas de uma lista de 71 reconhecidas pelo governo federal para a execução do trabalho
O ministro disse ainda que os frigoríficos precisam assumir um papel de liderança no processo de rastreabilidade. "Os frigoríficos são um elo muito importante da cadeia produtiva, porque são eles os exportadores. Se os frigoríficos não liderarem o processo de rastreabilidade, ela não acontece. É preciso fidelizar clientes, ou seja, fornecedores, e pagar um adicional", afirmou.
Negociações
Hoje, em Bruxelas, o secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz, do Ministério da Agricultura, inicia as negociações para tentar reabrir o mercado da União Européia (UE) para a carne bovina brasileira. As vendas estão suspensas porque o Brasil apresentou em janeiro uma lista de 2.681 fazendas que, segundo o governo brasileiro, estavam aptas a exportar para o bloco, contrariando a orientação dos europeus de que a relação tivesse apenas 300 propriedades.
Kroetz deverá apresentar uma segunda lista, em substituição à primeira, que foi rejeitada pela UE. Segundo Stephanes, a nova lista indicará o nome de cerca de 600 propriedades e que a idéia é negociar posteriormente a ampliação do número de propriedades credenciadas. Uma fonte do governo disse que poderá haver corte ou adição de fazendas à lista até o momento da reunião de Kroetz com os europeus.
Isso porque os dados enviados pelos seis estados habilitados a vender carne para o bloco estão sendo checados novamente em Brasília, mas a expectativa é que a lista final não ultrapasse a marca de 700 fazendas.
No total, os Estados enviaram ao ministério listas com um total de 1.058 propriedades. Na audiência de ontem, os parlamentares pediram a Stephanes que não enviasse a lista e adotasse uma postura mais dura diante da União Européia.
"Não queremos que o Brasil se curve às exigências da UE. O Brasil tem de deixar claro que não concorda com a segregação. Se a questão não é técnica, e sim comercial, precisamos fazer retaliações", afirmou o deputado Homero Pereira (PR-MT). Stephanes, porém, disse que é necessário manter a janela aberta às negociações. "Não temos condições de retirar a lista neste momento", afirmou.
Fonte: Tribuna da Imprensa
"Hoje eu tenho certeza disto: eles (frigoríficos) exportaram para a União Européia carne rastreada e não rastreada", afirmou Stephanes, durante audiência na Comissão de Agricultura e Reforma Agrária do Senado. Ao deixar a reunião, o ministro evitou estender-se no assunto. "Eu prefiro não ter fogo amigo", disse. Segundo o ministro, a suspensão das exportações provoca prejuízo diário de R$ 5 milhões ao Brasil.
Como forma de atender às exigências do bloco europeu, o sistema de rastreabilidade do rebanho nacional começou a ser implementado em 2002, quando era ministro da Agricultura o atual presidente da Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes (Abiec), Marcus Vinícius de Moraes. Apesar de Stephanes ter evitado dar mais detalhes sobre o problema, representantes da iniciativa privada avaliaram que o estrago está feito. "O ministro deu um tiro no próprio pé", resumiu uma fonte.
Já a senadora Kátia Abreu (DEM-TO), uma das líderes dos ruralistas no Senado, lembrou que os certificados de exportação são emitidos pelo ministério. "A declaração é gravíssima", disse.
Crítica
Durante a audiência, Stephanes também criticou indiretamente seus antecessores, que, segundo ele, não fiscalizaram as empresas certificadoras, que são responsáveis pela rastreabilidade dos animais. Ele disse que a situação delas era "um escândalo". Segundo o ministro, uma fiscalização feita pelo ministério recentemente "eliminou" 20 empresas de uma lista de 71 reconhecidas pelo governo federal para a execução do trabalho
O ministro disse ainda que os frigoríficos precisam assumir um papel de liderança no processo de rastreabilidade. "Os frigoríficos são um elo muito importante da cadeia produtiva, porque são eles os exportadores. Se os frigoríficos não liderarem o processo de rastreabilidade, ela não acontece. É preciso fidelizar clientes, ou seja, fornecedores, e pagar um adicional", afirmou.
Negociações
Hoje, em Bruxelas, o secretário de Defesa Agropecuária, Inácio Kroetz, do Ministério da Agricultura, inicia as negociações para tentar reabrir o mercado da União Européia (UE) para a carne bovina brasileira. As vendas estão suspensas porque o Brasil apresentou em janeiro uma lista de 2.681 fazendas que, segundo o governo brasileiro, estavam aptas a exportar para o bloco, contrariando a orientação dos europeus de que a relação tivesse apenas 300 propriedades.
Kroetz deverá apresentar uma segunda lista, em substituição à primeira, que foi rejeitada pela UE. Segundo Stephanes, a nova lista indicará o nome de cerca de 600 propriedades e que a idéia é negociar posteriormente a ampliação do número de propriedades credenciadas. Uma fonte do governo disse que poderá haver corte ou adição de fazendas à lista até o momento da reunião de Kroetz com os europeus.
Isso porque os dados enviados pelos seis estados habilitados a vender carne para o bloco estão sendo checados novamente em Brasília, mas a expectativa é que a lista final não ultrapasse a marca de 700 fazendas.
No total, os Estados enviaram ao ministério listas com um total de 1.058 propriedades. Na audiência de ontem, os parlamentares pediram a Stephanes que não enviasse a lista e adotasse uma postura mais dura diante da União Européia.
"Não queremos que o Brasil se curve às exigências da UE. O Brasil tem de deixar claro que não concorda com a segregação. Se a questão não é técnica, e sim comercial, precisamos fazer retaliações", afirmou o deputado Homero Pereira (PR-MT). Stephanes, porém, disse que é necessário manter a janela aberta às negociações. "Não temos condições de retirar a lista neste momento", afirmou.
Fonte: Tribuna da Imprensa
quarta-feira, fevereiro 13, 2008
Lobão Filho tem mais dificuldade ainda para achar seu novo partido
Márcio Falcão BRASÍLIA
A busca do senador Lobão Filho (MA) por um partido ficou mais complicada. Duas das três legendas que lhe formularam convites de filiação não possuem o aval das bancadas.
Além de enfrentar a resistência de parte do PMDB, o novo senador, que deixará o DEM, deve se preparar para uma briga no PTB. Três dos sete senadores petebistas já avisaram a Executiva Nacional que não aceitam ceder espaço para Lobão Filho. A saída do senador pode ser o PR, com o qual intensificou os contatos.
A justificativa dos petebistas é de que primeiro o senador precisa explicar ao seus pares as acusações de que teria participado de um esquema de sonegação de impostos e falsidade ideológica para depois procurar uma nova legenda. No PTB, o senador Romeu Tuma, que é corregedor do Senado e abriu investigação contra Lobão Filho é o mais resistente. Apesar da falta de consenso, Epitácio Cafeteira insiste em Lobão Filho no partido e acredita que ao seu lado terá mais espaço político no Maranhão.
Fonte: JB Online
A busca do senador Lobão Filho (MA) por um partido ficou mais complicada. Duas das três legendas que lhe formularam convites de filiação não possuem o aval das bancadas.
Além de enfrentar a resistência de parte do PMDB, o novo senador, que deixará o DEM, deve se preparar para uma briga no PTB. Três dos sete senadores petebistas já avisaram a Executiva Nacional que não aceitam ceder espaço para Lobão Filho. A saída do senador pode ser o PR, com o qual intensificou os contatos.
A justificativa dos petebistas é de que primeiro o senador precisa explicar ao seus pares as acusações de que teria participado de um esquema de sonegação de impostos e falsidade ideológica para depois procurar uma nova legenda. No PTB, o senador Romeu Tuma, que é corregedor do Senado e abriu investigação contra Lobão Filho é o mais resistente. Apesar da falta de consenso, Epitácio Cafeteira insiste em Lobão Filho no partido e acredita que ao seu lado terá mais espaço político no Maranhão.
Fonte: JB Online
Eleição pós-ACM tem disputa pulverizada
A morte do senador Antonio Carlos Magalhães mudou completamente o cenário eleitoral na disputa pela prefeitura de Salvador. Ao contrário do que acontecia em pleitos anteriores, quando a campanha se dividia entre carlistas e não-carlistas, este ano pelo menos quatro forças políticas disputam a administração da terceira maior cidade do Brasil. Sucessor do senador, morto em julho de 2007, na política baiana, o deputado federal Antonio Carlos Magalhães Neto é o candidato natural do DEM. Além de ACM Neto, como é mais conhecido o parlamentar, também devem concorrer o prefeito João Henrique Carneiro (PMDB), o ex-prefeito Antonio Imbassahy (PSDB), o radialista Raimundo Varela (PRB) e a vereadora Olívia Santana (PCdoB). Dependendo de negociações partidárias, também postulam o cargo os deputados federais Nelson Pellegrino (PT) e Lídice da Mata (PSB). De todos os prováveis candidatos, a grande novidade é o radialista Raimundo Varela, que nunca disputou uma eleição. Presença diária no rádio e na televisão baiana nos últimos 30 anos, Varela é muito popular principalmente entre os moradores da periferia. Pesquisa Datafolha publicada no dia 9 de dezembro do ano passado revelou que Varela liderava os quatro cenários apresentados pelo instituto. Além de acabar com a polarização, a disputa também será o primeiro grande teste eleitoral do governador Jaques Wagner (PT), após o ex-ministro do Trabalho (primeira administração do presidente Luiz Inácio Lula da Silva) ter interrompido uma hegemonia de 16 anos do carlismo no Estado. A situação de Wagner é complicada: o PT, seu partido, quer lançar um candidato próprio à sucessão, e o PMDB, que o apóia, fechou com o prefeito João Henrique. Além disso, o ministro Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), a principal liderança do PMDB na Bahia, trabalha, nos bastidores, para Wagner “esquecer o candidato do PT” na sucessão municipal. Em 2004, a sigla comandada por ACM, então chamada PFL, elegeu 155 prefeitos, e ocupava, além do Palácio de Ondina (sede da governadoria), três cadeiras no Senado, 12 na Câmara Federal e 14 na Assembléia Legislativa. Atualmente, segundo o presidente da legenda, o ex-governador Paulo Souto, o DEM contabiliza 60 prefeitos, 9 deputados federais, 13 estaduais e um senador. Em contrapartida, o PMDB, que era quase um nanico em 2004, transformou-se no maior partido político do Estado. Segundo levantamento do site oficial da sigla, a base peemedebista teve o número de prefeitos ampliado de 14 para 121 e o de deputados estaduais de dois para nove nos últimos dois anos. No plano federal, apenas Geddel foi eleito, mas depois de alçado à condição de ministro da Integração Nacional, angariou as adesões de mais três parlamentares. Já na Câmara de Vereadores de Salvador, a representação do partido saltou de 2 para 9 integrantes.(Manuela Martinez - Especial para o UOL em Salvador)
MPF vai apurar gastos com cartões na Bahia
O Ministério Público Federal na Bahia (MPF/BA) instaurou ontem inquérito civil público para investigar a legitimidade dos gastos com cartões corporativos por entidades federais sediadas ou com representação no Estado. As instituições têm dez dias para apresentar ao MPF cópia da prestação de contas dos gastos realizados, no ano passado, por seus servidores com a utilização de cartões corporativos na modalidade cash. Responsável pela condução do inquérito, o procurador da República Israel Gonçalves explica que, caso a prestação de contas ainda não tenha sido formalizada, a instituição deve enviar cópia das notas fiscais e recibos com a justificativa para o dispêndio. Enquanto aguarda o envio das informações solicitadas, o procurador vai analisar, com base nas informações do portal Transparência Brasil, a pertinência entre os gastos e as atividades das instituições federais. “Caso haja discrepância, o MPF vai exigir justificativa para o fato”, informa Gonçalves. O inquérito civil público foi instaurado com base nas notícias divulgadas na última semana na imprensa baiana sobre a utilização dos cartões de crédito corporativo por órgãos públicos federais sediados ou com representação no Estado.
PSB decide hoje se deixa ou fica com João Henrique
A reunião que o diretório municipal do PSB fará hoje, às 19 horas, no Hotel da Bahia, será decisiva para a legenda definir se permanece ou não no governo municipal. Incentivado pelos ventos que sopram favoráveis à deputada federal Lídice da Mata nas pesquisas realizadas até aqui, os socialistas tendem a optar pela candidatura própria ao Palácio Thomé de Souza, mas não está descartada a permanência da aliança com o prefeito João Henrique (PMDB). Segundo Paulo Mascarenhas, presidente do diretório municipal e titular da Secretaria de Emprega e Renda da prefeitura de Salvador, “o quadro é de indefinição”. Favorável à permanência na administração municipal, Mascarenhas disse que “o partido vai discutir democraticamente esta situação, onde cada membro colocará a sua posição de forma democrática e fraterna”. Segundo ele, somente os 45 membros do diretório municipal terão direito a votar, embora outros integrantes poderão falar durante a reunião. “Defendo a manutenção da aliança porque entendo que ela é fundamental também para o governo do Estado. Todos nós temos responsabilidade com a governa-bilidade”, disse Mascarenhas, justificando a sua posição sobre a polêmica decisão que deverá ser tomada hoje pelos socialistas. Embora não descarte que “existe uma incógnita em relação ao resultado”, que poderá provocar desagregação no partido, o presidente do diretório municipal dos socialistas disse que vai depender da forma como as coisas serão conduzidas. (Por Evandro Matos)
Governo restaurará mais quatro monumentos
A partir de hoje o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), autarquia da Secretaria de Cultura (Secult), inicia a abertura de concorrência para restauração do Palácio Rio Branco, a igreja e o cemitério do Pilar, o Solar Casa das Sete Mortes e a Igreja Nossa Senhora da Conceição do Boqueirão. De acordo com o diretor geral do instituto, arquiteto Frederico Mendonça, as obras serão iniciadas ainda neste primeiro semestre e contemplam o restauro arquitetônico completo, a conservação e a revitalização de bens móveis e integrados. “A previsão é que o processo licitatório esteja finalizado em março, com a conclusão das obras em doze meses”, enfatiza. Os recursos, que totalizam cerca de R$ 13,5 milhões, foram viabilizados por meio de convênio assinado, em Salvador, pelo governador Jaques Wagner e a ministra do Turismo, Marta Suplicy, em agosto do ano passado. É uma iniciativa do Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (Prodetur/NE 2) com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a contrapartida do governo estadual. Na Bahia, o programa é executado pela Secretaria Estadual de Turismo (Setur) e a Secult, por meio do Ipac, licita e coordena as obras. Uma segunda etapa do Prodetur 2 contemplará ainda a restauração da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Largo do Pelourinho, do Oratório da Cruz do Pascoal e do Hotel Portal da Misericórdia, todos situados no Centro Histórico de Salvador. As restaurações integram a 6ª etapa de revitalização do CHS, iniciada em 1997.
Fonte: Tribuna da Bahia
MPF vai apurar gastos com cartões na Bahia
O Ministério Público Federal na Bahia (MPF/BA) instaurou ontem inquérito civil público para investigar a legitimidade dos gastos com cartões corporativos por entidades federais sediadas ou com representação no Estado. As instituições têm dez dias para apresentar ao MPF cópia da prestação de contas dos gastos realizados, no ano passado, por seus servidores com a utilização de cartões corporativos na modalidade cash. Responsável pela condução do inquérito, o procurador da República Israel Gonçalves explica que, caso a prestação de contas ainda não tenha sido formalizada, a instituição deve enviar cópia das notas fiscais e recibos com a justificativa para o dispêndio. Enquanto aguarda o envio das informações solicitadas, o procurador vai analisar, com base nas informações do portal Transparência Brasil, a pertinência entre os gastos e as atividades das instituições federais. “Caso haja discrepância, o MPF vai exigir justificativa para o fato”, informa Gonçalves. O inquérito civil público foi instaurado com base nas notícias divulgadas na última semana na imprensa baiana sobre a utilização dos cartões de crédito corporativo por órgãos públicos federais sediados ou com representação no Estado.
PSB decide hoje se deixa ou fica com João Henrique
A reunião que o diretório municipal do PSB fará hoje, às 19 horas, no Hotel da Bahia, será decisiva para a legenda definir se permanece ou não no governo municipal. Incentivado pelos ventos que sopram favoráveis à deputada federal Lídice da Mata nas pesquisas realizadas até aqui, os socialistas tendem a optar pela candidatura própria ao Palácio Thomé de Souza, mas não está descartada a permanência da aliança com o prefeito João Henrique (PMDB). Segundo Paulo Mascarenhas, presidente do diretório municipal e titular da Secretaria de Emprega e Renda da prefeitura de Salvador, “o quadro é de indefinição”. Favorável à permanência na administração municipal, Mascarenhas disse que “o partido vai discutir democraticamente esta situação, onde cada membro colocará a sua posição de forma democrática e fraterna”. Segundo ele, somente os 45 membros do diretório municipal terão direito a votar, embora outros integrantes poderão falar durante a reunião. “Defendo a manutenção da aliança porque entendo que ela é fundamental também para o governo do Estado. Todos nós temos responsabilidade com a governa-bilidade”, disse Mascarenhas, justificando a sua posição sobre a polêmica decisão que deverá ser tomada hoje pelos socialistas. Embora não descarte que “existe uma incógnita em relação ao resultado”, que poderá provocar desagregação no partido, o presidente do diretório municipal dos socialistas disse que vai depender da forma como as coisas serão conduzidas. (Por Evandro Matos)
Governo restaurará mais quatro monumentos
A partir de hoje o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac), autarquia da Secretaria de Cultura (Secult), inicia a abertura de concorrência para restauração do Palácio Rio Branco, a igreja e o cemitério do Pilar, o Solar Casa das Sete Mortes e a Igreja Nossa Senhora da Conceição do Boqueirão. De acordo com o diretor geral do instituto, arquiteto Frederico Mendonça, as obras serão iniciadas ainda neste primeiro semestre e contemplam o restauro arquitetônico completo, a conservação e a revitalização de bens móveis e integrados. “A previsão é que o processo licitatório esteja finalizado em março, com a conclusão das obras em doze meses”, enfatiza. Os recursos, que totalizam cerca de R$ 13,5 milhões, foram viabilizados por meio de convênio assinado, em Salvador, pelo governador Jaques Wagner e a ministra do Turismo, Marta Suplicy, em agosto do ano passado. É uma iniciativa do Programa de Desenvolvimento do Turismo no Nordeste (Prodetur/NE 2) com financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e a contrapartida do governo estadual. Na Bahia, o programa é executado pela Secretaria Estadual de Turismo (Setur) e a Secult, por meio do Ipac, licita e coordena as obras. Uma segunda etapa do Prodetur 2 contemplará ainda a restauração da Igreja Nossa Senhora do Rosário dos Pretos, no Largo do Pelourinho, do Oratório da Cruz do Pascoal e do Hotel Portal da Misericórdia, todos situados no Centro Histórico de Salvador. As restaurações integram a 6ª etapa de revitalização do CHS, iniciada em 1997.
Fonte: Tribuna da Bahia
Traficantes ditam a lei na cidade
Por Karina Baracho
Na madrugada de ontem, duas casas foram incendiadas na localidade conhecida como Baixa da Égua., no bairro do Engenho Velho da Federação. De acordo com testemunhas o crime aconteceu em represália por um grupo de traficantes ter invadido a chamada Rua do Forno, também no mesmo bairro, com o intuito de disputarem o ponto de tráfico de drogas do local. O s akvos eram “‘Eduardinho’, ‘Negão’ e ‘Gol’ ”, disse uma testemunha. Ela se referia a Eduardo Venâncio dos Santos, o ‘Eduardinho’, Edson de Jesus, conhecido como ‘Negão’ e Josemar de Jesus Conceição, o ‘Gol’, traficanets da área. A polícia identificou o grupo agressor como sendo: ‘George’, Kleber da Nóbrega, o ‘Kekeu’, José Henrique da Conceição, conhecido como ‘Henrique’, ‘Bombeirinho’, ‘kiko’, ‘Jan’, José Carlos Bellon, o ‘Pôto’, ‘Jaquison’ – irmão de Pôto e Edilson. Todos remanescentes da quadrilha do traficante Eberson Souza Santos, conhecido como ‘Pitty’, morto no ano passado em confronto com polícia. Inicialmente eles incendiaram a residência da mãe de ‘Negão’, onde uma criança de seis anos teve queimaduras de segundo e terceiro graus e foi levada para o Hospital Geral do Estado (HGE). ‘Negão’, que segundo populares estava dormindo na casa, conseguiu fugir, mas a mãe dele teve os dois braços queimados. Em seguida o grupo jogou uma garrafa contendo material inflamável na residência do avô de ‘Negão’. Segundo a polícia, ‘Gol’ e ‘Negão’ são primos e ‘Eduardinho’ cunhado de ‘Negão’. Eles fazem parte do grupo do traficante conhecido como ‘Perna’, detido no Presídio Salvador. Agentes acrescentaram ainda que ‘Kekeu’ e ‘Henrique’ saíram do Complexo penitenciário do Estado com o indulto do Dia dos Pais e não retornaram a unidade prisional, enquanto ‘Eduardinho’ teve o indulto de Natal há mais de um ano e também não voltou. De acordo com a polícia, as duas quadrilhas são rivais e brigam na Baixa da Égualo pelo domínio do tráfico de drogas. Policiais lotados na 41ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), localizada na Federação, já investigam as duas facções. “Estamos no encalço desses grupos. Eles estão tirando o sono dos moradores daquele local pelo domínio de pontos de drogas”, explicou um policial. Disseu ainda, que tanto a gangue da Rua do Forno quanto à da Baixa da Égua são altamente perigosas. “Usam armas de grosso calibre”. O crime aconteceu por volta da 0h30 de ontem e deixou os moradores do local em pânico. Ainda na tarde de ontem, ninguém quis falar sobre o que havia acontecido. Todos temiam algum tipo de represália por parte de uma das facções. “Muita gente viu, mas ninguém diz nada”, explicou uma das vítimas. A criança queimada foi levada para o Hospital Geral do Estado e até o fechamento dessa edição não corria risco de morte. Agentes da 7ª Delegacia de Polícia (Rio Vermelho, estiveram no local na manhã de ontem e assim como a 41ª CIPM, investigam o caso. Desde o mês passado, a Baixa da Égua tem sido palco de muitos homicídios. Todos os crimes, inclusive o de ontem, têm uma característica em comum: "Mais de 20 homens, todos fortemente armados, cercam o local, no intuito de conseguirem chegar até as vítimas e intimidar os moradorese usam até fuzil”, concluiu um policial.
Expulso do bairro e morto
; Na Chapada do Rio Vermelho na Rua Vinte de Janeiro, Éric Rocha Santos, 18, foi executado quando visitava uma tia. Ele e sua família tinham sido expulsos do bairro por bandidos, e estava morando no bairro de Mirantes de Periperi. No último Domingo, no final da tarde, a vítima resolveu ir na casa da tia Alda Souza. Ao entrar na residência, o rapaz foi assassinado. A família teme por suas vidas, e fizeram diversos apelos as autoridades sobre a violência no bairro e a petulância dos traficantes. Os parentes não souberam informar sobre o motivo, mas relataram que do rapaz estava ameaçado no bairro e disseram que ele nunca esteve envolvido com coisas erradas. E não sabiam dizer se o rapaz era usuário de drogas. Apenas a mãe disse que ele fazia ameaças quem tivesse desentendimento com ele, mas nunca possuiu uma arma e nuca fez nada com ninguém. O corpo de um homem ainda não identificado foi encontrado dentro de uma fábrica de sabão abandonada, nas proximidades da rotatória do bairro de Mapele no município de Simões Filho. A vítima aparentava ter idade ente 30 anos, já se encontrava em estado de decomposição e possivelmente foi morta a tiros na última sexta-feira. De acordo com policiais da 8ª D.P (Cia), onde o caso foi instaurado, alguns vigilantes de empresas vizinhas escutaram disparos de arma de fogo na sexta-feira à noite. No bairro da Lapinha, César Augusto Ferreira Cunha com idade entre 20 anos, foi executado a tiros. Conforme informações da polícia ele estava no bar quando um homem chegou atirando. A vítima ainda tentou correr, mas caiu morto perto do matagal. (Por Silvana Blesa)
Fonte: Tribuna da Bahia
Na madrugada de ontem, duas casas foram incendiadas na localidade conhecida como Baixa da Égua., no bairro do Engenho Velho da Federação. De acordo com testemunhas o crime aconteceu em represália por um grupo de traficantes ter invadido a chamada Rua do Forno, também no mesmo bairro, com o intuito de disputarem o ponto de tráfico de drogas do local. O s akvos eram “‘Eduardinho’, ‘Negão’ e ‘Gol’ ”, disse uma testemunha. Ela se referia a Eduardo Venâncio dos Santos, o ‘Eduardinho’, Edson de Jesus, conhecido como ‘Negão’ e Josemar de Jesus Conceição, o ‘Gol’, traficanets da área. A polícia identificou o grupo agressor como sendo: ‘George’, Kleber da Nóbrega, o ‘Kekeu’, José Henrique da Conceição, conhecido como ‘Henrique’, ‘Bombeirinho’, ‘kiko’, ‘Jan’, José Carlos Bellon, o ‘Pôto’, ‘Jaquison’ – irmão de Pôto e Edilson. Todos remanescentes da quadrilha do traficante Eberson Souza Santos, conhecido como ‘Pitty’, morto no ano passado em confronto com polícia. Inicialmente eles incendiaram a residência da mãe de ‘Negão’, onde uma criança de seis anos teve queimaduras de segundo e terceiro graus e foi levada para o Hospital Geral do Estado (HGE). ‘Negão’, que segundo populares estava dormindo na casa, conseguiu fugir, mas a mãe dele teve os dois braços queimados. Em seguida o grupo jogou uma garrafa contendo material inflamável na residência do avô de ‘Negão’. Segundo a polícia, ‘Gol’ e ‘Negão’ são primos e ‘Eduardinho’ cunhado de ‘Negão’. Eles fazem parte do grupo do traficante conhecido como ‘Perna’, detido no Presídio Salvador. Agentes acrescentaram ainda que ‘Kekeu’ e ‘Henrique’ saíram do Complexo penitenciário do Estado com o indulto do Dia dos Pais e não retornaram a unidade prisional, enquanto ‘Eduardinho’ teve o indulto de Natal há mais de um ano e também não voltou. De acordo com a polícia, as duas quadrilhas são rivais e brigam na Baixa da Égualo pelo domínio do tráfico de drogas. Policiais lotados na 41ª Companhia Independente da Polícia Militar (CIPM), localizada na Federação, já investigam as duas facções. “Estamos no encalço desses grupos. Eles estão tirando o sono dos moradores daquele local pelo domínio de pontos de drogas”, explicou um policial. Disseu ainda, que tanto a gangue da Rua do Forno quanto à da Baixa da Égua são altamente perigosas. “Usam armas de grosso calibre”. O crime aconteceu por volta da 0h30 de ontem e deixou os moradores do local em pânico. Ainda na tarde de ontem, ninguém quis falar sobre o que havia acontecido. Todos temiam algum tipo de represália por parte de uma das facções. “Muita gente viu, mas ninguém diz nada”, explicou uma das vítimas. A criança queimada foi levada para o Hospital Geral do Estado e até o fechamento dessa edição não corria risco de morte. Agentes da 7ª Delegacia de Polícia (Rio Vermelho, estiveram no local na manhã de ontem e assim como a 41ª CIPM, investigam o caso. Desde o mês passado, a Baixa da Égua tem sido palco de muitos homicídios. Todos os crimes, inclusive o de ontem, têm uma característica em comum: "Mais de 20 homens, todos fortemente armados, cercam o local, no intuito de conseguirem chegar até as vítimas e intimidar os moradorese usam até fuzil”, concluiu um policial.
Expulso do bairro e morto
; Na Chapada do Rio Vermelho na Rua Vinte de Janeiro, Éric Rocha Santos, 18, foi executado quando visitava uma tia. Ele e sua família tinham sido expulsos do bairro por bandidos, e estava morando no bairro de Mirantes de Periperi. No último Domingo, no final da tarde, a vítima resolveu ir na casa da tia Alda Souza. Ao entrar na residência, o rapaz foi assassinado. A família teme por suas vidas, e fizeram diversos apelos as autoridades sobre a violência no bairro e a petulância dos traficantes. Os parentes não souberam informar sobre o motivo, mas relataram que do rapaz estava ameaçado no bairro e disseram que ele nunca esteve envolvido com coisas erradas. E não sabiam dizer se o rapaz era usuário de drogas. Apenas a mãe disse que ele fazia ameaças quem tivesse desentendimento com ele, mas nunca possuiu uma arma e nuca fez nada com ninguém. O corpo de um homem ainda não identificado foi encontrado dentro de uma fábrica de sabão abandonada, nas proximidades da rotatória do bairro de Mapele no município de Simões Filho. A vítima aparentava ter idade ente 30 anos, já se encontrava em estado de decomposição e possivelmente foi morta a tiros na última sexta-feira. De acordo com policiais da 8ª D.P (Cia), onde o caso foi instaurado, alguns vigilantes de empresas vizinhas escutaram disparos de arma de fogo na sexta-feira à noite. No bairro da Lapinha, César Augusto Ferreira Cunha com idade entre 20 anos, foi executado a tiros. Conforme informações da polícia ele estava no bar quando um homem chegou atirando. A vítima ainda tentou correr, mas caiu morto perto do matagal. (Por Silvana Blesa)
Fonte: Tribuna da Bahia
A corrente da transparência
Por: Carlos Chagas
BRASÍLIA - Nem tudo está perdido. Ontem, no Congresso, começava a reação de muitos senadores e deputados diante do acordo celebrado entre governo e oposição para não serem investigados, na CPI dos cartões corporativos, os gastos familiares do presidente Lula e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Parlamentares de diversas origens, inclusive fiéis servidores da base oficial, mobilizavam-se para descumprir, na prática, o entendimento teórico dos líderes partidários. Afinal, por tão desavergonhado, o acordão não foi escrito, apenas combinado.
Aceita-se por unanimidade que gastos com a segurança pessoal de um presidente da República fiquem blindados da devassa. Se um dos automóveis postos à sua disposição foi para a oficina, se o Aerolula passa por uma revisão, se num longo trajeto rodoviário a comitiva fará uma parada neste ou naquele lugar - centenas de exemplos poderiam ser alinhados em favor da segurança presidencial.
Até mesmo o nome do alfaiate e os horários em que freqüenta o Palácio da Alvorada para conferir as medidas para um terno devem ser objeto de sigilo. Assim como as despesas com cabeleireiro e modista da primeira-dama, que precisa apresentar-se nas recepções e visitas de acordo com o protocolo.
Agora, não dá para considerar matéria de segurança nacional a compra de material de construção ou de um jogo de camisas de futebol de salão por uma filha do presidente. Nem a aquisição de aparelhos esportivos e de roupas de grife para os pimpolhos, além de gastos feitos por eles em churrascarias e bares.
A CPI ainda não foi constituída, mas determinadas estratégias já são acertadas para reverter o abominável acordo em torno dos gastos familiares, onde, se abusos aconteceram, devem ser expostos e ressarcidos. Esperam alguns deputados e senadores que, acionado pelo líder do PSDB, Artur Virgílio, o Supremo Tribunal Federal assegure a amplitude nas investigações.
Sempre haverá, também, a possibilidade de integrantes da CPI formularem questões vetadas pela maioria, mas discutidas livremente e divulgadas pela imprensa. Sem apuração, certas dúvidas até correrão o risco de passarem por verdades, prejudicando mais os investigados do que se tivessem esclarecido a origem dos gastos, muitas vezes compreensíveis.
Em suma, a corrente da transparência ameaça engrossar, atropelando o acordo que nada mais faz do que provar a identidade entre o seis e o meia-dúzia. Ou entre Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso...
No coração e na cadeia
Do lendário general Miguel Costa, revolucionário de 1924, 1930 e 1932, em São Paulo, conta-se que, quando secretário estadual de Segurança, dele se dizia: "Guarda o comunismo no coração, mas os comunistas na cadeia..."
Por que se lembra essa singular característica do comandante que dividiu com Luiz Carlos Prestes o comando da coluna empenhada em percorrer o sertão brasileiro? Porque, com todo o respeito, guardadas as proporções e invertida a equação, o presidente Lula faz o mesmo. Guarda no coração o anseio por melhores condições sociais para os trabalhadores, mas manda sufocar qualquer reivindicação proposta pelas centrais sindicais.
Basta a gente ver o que acontece com a CUT. De aríete responsável até pela ascensão de um operário à presidência da República, de uns tempos para cá sumiu aquele que foi o maior conglomerado sindical da História do Brasil. Pouco se ouve da CUT em matéria de reivindicações e de ampliação das prerrogativas dos assalariados. Mesmo na campanha para a adoção de 40 horas semanais de trabalho a CUT vai a reboque.
As elites preparam nova investida sobre o que sobrou da Consolidação das Leis do Trabalho. Querem aprovar ainda este ano projeto extinguindo as multas por demissões imotivadas e acabando com as férias remuneradas e o décimo-terceiro através de sua divisão de doze parcelas anuais, coisa que os faria desaparecer em pouco tempo, dada a perda progressiva do poder aquisitivo dos salários.
Pois o que faz a CUT? Nada. Aliás, estenda-se a inação para as outras centrais sindicais a esse respeito. Caíram no engodo das elites, aceitando serem os direitos trabalhistas o maior entrave ao desenvolvimento econômico?
Pelas promessas do governo, vem aí um projeto de reforma tributária e, feito urubus, os privilegiados já espalham o abominável raciocínio de que se mais gente pagar impostos, todos pagarão menos... Todos quem, cara-pálida? Se muitos assalariados não pagam Imposto de Renda, por exemplo, e se vão passar a pagar, quem se beneficia senão aquele que pagava mais e vai pagar menos?
Existem montes de causas fundamentais para as centrais sindicais botarem o pescoço de fora e até, se necessário, lutarem para botar o presidente Lula outra vez no rumo que o levou ao Palácio do Planalto, defendendo e ampliando os direitos do trabalhador. Por tudo isso, companheiros, mãos à obra. Ou vão reconhecer que o seu líder maior guarda-os no coração, mas os mantém senão na cadeia, ao menos no silêncio?
Fonte: Tribuna da Imprensa
BRASÍLIA - Nem tudo está perdido. Ontem, no Congresso, começava a reação de muitos senadores e deputados diante do acordo celebrado entre governo e oposição para não serem investigados, na CPI dos cartões corporativos, os gastos familiares do presidente Lula e do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Parlamentares de diversas origens, inclusive fiéis servidores da base oficial, mobilizavam-se para descumprir, na prática, o entendimento teórico dos líderes partidários. Afinal, por tão desavergonhado, o acordão não foi escrito, apenas combinado.
Aceita-se por unanimidade que gastos com a segurança pessoal de um presidente da República fiquem blindados da devassa. Se um dos automóveis postos à sua disposição foi para a oficina, se o Aerolula passa por uma revisão, se num longo trajeto rodoviário a comitiva fará uma parada neste ou naquele lugar - centenas de exemplos poderiam ser alinhados em favor da segurança presidencial.
Até mesmo o nome do alfaiate e os horários em que freqüenta o Palácio da Alvorada para conferir as medidas para um terno devem ser objeto de sigilo. Assim como as despesas com cabeleireiro e modista da primeira-dama, que precisa apresentar-se nas recepções e visitas de acordo com o protocolo.
Agora, não dá para considerar matéria de segurança nacional a compra de material de construção ou de um jogo de camisas de futebol de salão por uma filha do presidente. Nem a aquisição de aparelhos esportivos e de roupas de grife para os pimpolhos, além de gastos feitos por eles em churrascarias e bares.
A CPI ainda não foi constituída, mas determinadas estratégias já são acertadas para reverter o abominável acordo em torno dos gastos familiares, onde, se abusos aconteceram, devem ser expostos e ressarcidos. Esperam alguns deputados e senadores que, acionado pelo líder do PSDB, Artur Virgílio, o Supremo Tribunal Federal assegure a amplitude nas investigações.
Sempre haverá, também, a possibilidade de integrantes da CPI formularem questões vetadas pela maioria, mas discutidas livremente e divulgadas pela imprensa. Sem apuração, certas dúvidas até correrão o risco de passarem por verdades, prejudicando mais os investigados do que se tivessem esclarecido a origem dos gastos, muitas vezes compreensíveis.
Em suma, a corrente da transparência ameaça engrossar, atropelando o acordo que nada mais faz do que provar a identidade entre o seis e o meia-dúzia. Ou entre Luiz Inácio Lula da Silva e Fernando Henrique Cardoso...
No coração e na cadeia
Do lendário general Miguel Costa, revolucionário de 1924, 1930 e 1932, em São Paulo, conta-se que, quando secretário estadual de Segurança, dele se dizia: "Guarda o comunismo no coração, mas os comunistas na cadeia..."
Por que se lembra essa singular característica do comandante que dividiu com Luiz Carlos Prestes o comando da coluna empenhada em percorrer o sertão brasileiro? Porque, com todo o respeito, guardadas as proporções e invertida a equação, o presidente Lula faz o mesmo. Guarda no coração o anseio por melhores condições sociais para os trabalhadores, mas manda sufocar qualquer reivindicação proposta pelas centrais sindicais.
Basta a gente ver o que acontece com a CUT. De aríete responsável até pela ascensão de um operário à presidência da República, de uns tempos para cá sumiu aquele que foi o maior conglomerado sindical da História do Brasil. Pouco se ouve da CUT em matéria de reivindicações e de ampliação das prerrogativas dos assalariados. Mesmo na campanha para a adoção de 40 horas semanais de trabalho a CUT vai a reboque.
As elites preparam nova investida sobre o que sobrou da Consolidação das Leis do Trabalho. Querem aprovar ainda este ano projeto extinguindo as multas por demissões imotivadas e acabando com as férias remuneradas e o décimo-terceiro através de sua divisão de doze parcelas anuais, coisa que os faria desaparecer em pouco tempo, dada a perda progressiva do poder aquisitivo dos salários.
Pois o que faz a CUT? Nada. Aliás, estenda-se a inação para as outras centrais sindicais a esse respeito. Caíram no engodo das elites, aceitando serem os direitos trabalhistas o maior entrave ao desenvolvimento econômico?
Pelas promessas do governo, vem aí um projeto de reforma tributária e, feito urubus, os privilegiados já espalham o abominável raciocínio de que se mais gente pagar impostos, todos pagarão menos... Todos quem, cara-pálida? Se muitos assalariados não pagam Imposto de Renda, por exemplo, e se vão passar a pagar, quem se beneficia senão aquele que pagava mais e vai pagar menos?
Existem montes de causas fundamentais para as centrais sindicais botarem o pescoço de fora e até, se necessário, lutarem para botar o presidente Lula outra vez no rumo que o levou ao Palácio do Planalto, defendendo e ampliando os direitos do trabalhador. Por tudo isso, companheiros, mãos à obra. Ou vão reconhecer que o seu líder maior guarda-os no coração, mas os mantém senão na cadeia, ao menos no silêncio?
Fonte: Tribuna da Imprensa
Cartões corporativos por acordos cooperativos
CONSTATAÇÃO E INTERROGAÇÃO OBRIGATÓRIA: A REEELEIÇÃO DE FHC FOI PAGA COM CARTÃO?
O estardalhaço com os gastos mirabolantes dos cartões corporativos provocou o primeiro resultado: os acordos cooperativos. Em poucas horas, Romero Jucá (experimentadíssimo, PMDB, ex-FHC) e Carlos Sampaio (PSDB, tentando fazer carreira como "profissional" de CPI, se destacou na primeira) liquidaram todas as brechas e obstáculos, produziram tranqüilidade geral.
Acertaram vários pontos.
1 - Haverá CPI, seria uma afronta à opinião pública se não houvesse, depois de tanto barulho.
2 - Duas concessões, de lado a lado. Não será apenas do Senado, ia parecer subserviência ao PMDB, que controla a "casa".
3 - Será mista, assim o governo ficará com o relator e o presidente.
4 - O PSDB não se incomoda nem se sente diminuído. Como o resultado já foi resolvido antecipadamente, para o PSDB não será "humilhação" ficar sem nada, na vala comum.
5 - Sérgio Guerra, que preside mas não lidera o PSDB (nesse item existe muita gente acima dele), tentou dar aval ao que o seu correligionário acertou com o líder do governo no Senado. E como é do seu hábito, estilo, convicção, falou no jeito empolado: "Se a crise é geral, todo mundo vai sobreviver". Apesar da mediocridade, ninguém definiu melhor o espírito do acordo "contra" as CPIs: "NÃO RESPONSABILIZAR NINGUÉM".
É isso que vai acontecer, o senador Jucá e o deputado Carlos Sampaio são homens de palavra. "Falou está falado, combinou está combinado, acertou está acertado".
6 - A extrema cordialidade Jucá-Sampaio não foi quebrada em nenhum momento. Existiam alguns pontos que pareciam polêmicos, deixaram de ser por causa da certeza dos dois lados de que tinham muito a perder.
7 - A possibilidade de FHC e Lula serem atingidos pessoalmente. Logo, logo, decidiram: não haverá investigação sobre Lula ou FHC nos gastos privados.
8 - Outra dúvida: a carta em que começaria a investigação. O PSDB queria que a devassa começasse com Lula, sabiam que seria impossível.
9 - O PT-PT e PMDB aceitaram começar pelos dois últimos anos de FHC, podendo retroceder a outros períodos.
10 - O PSDB e o PMDB coincidiam perigosamente e tripudiaram sobre a opinião pública. Aceitaram começar em 2001, podendo retroceder a 1998. Todos são culpados, sabem disso. A CPI seria uma guerra mortal. Depois de começada sem acordo, não poderia haver armistício.
11 - Assim, tendo feito esse "convescote", estão todos tranqüilos.
12 - Igualmente culpados, despudorados, constrangidos, envergonhados, concordaram em não apurar nada, se mantiveram apenas na farsa. Nisso são mestres.
Alguns pontos são tão visivelmente perigosos que não houve dificuldade para acordo. A base partidária não gosta muito de poesia, mas sabe que cartão rima com mensalão, não deseja nenhuma repetição.
A chamada oposição sabe de ciência certa que cartão rima com reeeleição. E como se sabe que o presidente tucano na ânsia de continuar no Poder pagaria qualquer dinheiro, nada mais fácil e satisfatório do que ficar mais 4 anos no Poder sem mexer no dinheiro da Fundação Ford. (Que FHC, por motivos óbvios e remanescentes, só chama de "Ford Foundation").
PS - Portanto, tudo resolvido, podemos voltar ao trabalho, enquanto governo e oposição se divertem. Quem lamenta mesmo é a TV Câmara e a TV Senado, que grande espetáculo o País estará perdendo.
Eurico Miranda
Na vida esportiva é presidente interino. Na vida pessoal, está em liberdade condicional. "Por que não te calas?".
Quando, há meses, o ex-banqueiro Cacciola foi preso ao entrar em Monte Carlo, imediatamente escrevi: "Ele não será extraditado para o Brasil de maneira alguma, mesmo que a ação leve alguns anos". Dias depois, completei: "Na certa Cacciola ficará com sua conta bancária muito menos volumosa, mas nada lhe acontecerá". Exatamente o que ocorreu. Só uma surpresa para este repórter: inesperadamente ninguém mais falou no assunto, jornalões e televisões silenciaram.
Curiosidade: esse silêncio coincidiu com o "sussurro" de que o ex-banqueiro havia sido transferido para um hotel. Assim caminha a humanidade.
As Casas Bahia foram obrigadas a se "fundir" com a Wall Mart, a maior empresa de varejo do mundo. Agora é o Ponto Frio que, pertencendo a bilionários, não se agüenta. Quer evitar a falência.
Ninguém no setor explica a farra de gastos da Casa & Vídeo. Hoje a maior anunciante do Brasil, não equilibra despesas e receita. Resistirá?
O bilionário do México Ricardo Salinas passou o carnaval no Brasil, "sentindo" o mercado. Começou plagiando Paul Getty. "O melhor negócio é uma refinaria bem administrada, o último, refinaria mal administrada". Transferiu para bancos.
Vai instalar bancos para financiar quem precisa de até 500 reais. Ha! Ha! Ha! Seu patrimônio é avaliado em 10 bilhões. Isso o Bradesco (e bancos multinacionais) ganha num semestre.
Chegam à Redação da Tribuna novas denúncias sobre irregularidades no Partido Verde. Agora, falam na existência de uma mansão alugada às margens do Lago Paranoá, em Brasília, que seria usada por amigos e partidários.
À semelhança do que o então ministro Antonio Palocci mantinha na capital, para suas festas particulares. Estamos encaminhando essas denúncias à direção do PV, para que sejam respondidas. Vamos aguardar.
Os sinais da TV digital começaram a ser emitidos em São Paulo dia 2 de dezembro. Até aí, tudo bem, porque qualquer inovação é sempre bem-vinda.
O problema é o custo do aparelho de conversão dos televisores, que não sai por menos de 500 reais, embora o ministro Helio Costa tivesse garantido que o preço do equipamento não chegaria a R$ 200.
A Net está iludindo os consumidores, anunciando planos de TV digital por assinatura a preços mais caros, é claro. A publicidade enganosa omite o fato de ser necessário instalar o conversor para receber a imagem digital.
Fora de São Paulo, nem existe. Ao invés de iludir o consumidor, a Net deveria é estar garantindo que os canais vendidos cheguem às residências com som e imagem compatíveis. Verdadeiro caso de polícia.
Os jornalões fizeram estardalhaço porque Obama ganhou (apertado) 3 prévias: Nebrasca (5 votos), Louisiana (9) e Estado de Washington (11). Mas ainda está atrás em número de delegados.
Quando Dirceu era o homem mais poderoso do Planalto-Alvorada (e do governo e do País), João Paulo Cunha era presidente da Câmara, mas não se viam nem se falavam. Dirceu nem atendia seu celular.
Agora, fingindo oposição, os dois tentam se aproximar do presidente Lula, apesar de saberem que não conseguirão. Para isso, formaram aliança, se encontram ou se falam todo dia.
Antigamente a Polícia Militar era presidida por um general, lógico, do Exército. E seus oficiais só chegavam a tenente-coronel. Movimento pacífico mas de grande força acabou com as duas coisas.
Agora, o secretário Beltrame quer que um general volte a comandar a PM, e reduzir o número de coronéis. O Exército nem quer ouvir falar nisso. E a PM muito menos, truculência Beltrame.
Ontem o Órgão Especial do Tribunal de Justiça (especialmente presidido por Murta Ribeiro) promoveu 8 juízes a desembargadores. Por antiguidade e merecimento. A posse será amanhã, 5ª feira.
O deputado estadual André do PV se meteu numa enrascada. Com boa intenção, claro. Quer que os estaleiros se preparem para reutilizar a água usada nos serviços de reparos e manutenção.
Não obterá sucesso. Motivo: misturar neste momento estaleiros com Cedae é o mais explosivo possível. Cuidado, André, pode naufragar.
Em 1996, FHC mandou pagar indevidamente a Paulo Cabral e Condomínios Associados a importância de 380 milhões. Paulo Cabral recebeu, não deu satisfações a ninguém, principalmente Gilberto Chateaubriand. Este, representante do espólio do pai, entrou com ação ANULATÓRIA.
14ª Vara Cível. Movimento incrível da parte de Paulo Cabral. Petições, contestação, perícias, lobismo, causuísmo, exibição de influência. Da parte de Gilberto, pedido de quebra de sigilo de muitos condôminos.
Gilberto, filho e herdeiro dos bens do embaixador, representando o espólio, tinha direito líquido e certo a uma parte desses 380 milhões. Claro, não recebeu nada, apesar de ter sua participação reconhecida em magnífica sentença do juiz Ronaldo Rocha Passos.
Paulo Cabral recorreu ao Tribunal de Justiça, 3ª Câmara Cível. Mesmo lobismo, pressão, esquemas, muito dinheiro em jogo. Finalmente a decisão a favor de Paulo Cabral, visivelmente contra a prova dos autos. 2 a 1, surpresa total.
Esse voto vencido, do desembargador Luiz Felipe Haddad, grande magistrado. Ainda cabem vários recursos, que serão utilizados.
XXX
O destino é injusto até no nome. Jade Barbosa, a atleta fascinante, não ganhou o prêmio de melhor nos jogos olímpicos. Pois Jader Barbalho cada vez acumula mais prestígio, nomeia mais "pupilos" seus para cargos de alto faturamento.
XXX
Como é que depois de tanta degradação o ministério de Dona Marina propõe anistia aos que praticaram crimes inafiançáveis na Amazônia? Se são "crimes hediondos e inafiançáveis", como podem receber anistia? Que República, perdão, que Amazônia.
XXX
No dia 15 de janeiro noticiei: Marta Lyra, que era chefe de gabinete do presidente do Senado, desde os tempos de Sarney, foi demitida por Garibaldi-Garibaldi. No dia 2 de fevereiro, abrindo a coluna "Panorama Político", bem no alto, estava a mesma nota, integral. Incluindo o fato dela nunca ter deixado o cargo.
Não tenho certeza, é um informe e não uma informação, não posso deixar de registrar. Romario e Eurico teriam conversado, inicialmente pelo celular.
XXX
Nada surpreendente. O Vasco deve mais de 70 milhões a Romário. Houve acordo, a garantia é o Estádio de São Januário. Se quiser, Romario pode barrar o presidente interino.
Por: Helio Fernandes
Fonte: Tribuna da Imprensa
O estardalhaço com os gastos mirabolantes dos cartões corporativos provocou o primeiro resultado: os acordos cooperativos. Em poucas horas, Romero Jucá (experimentadíssimo, PMDB, ex-FHC) e Carlos Sampaio (PSDB, tentando fazer carreira como "profissional" de CPI, se destacou na primeira) liquidaram todas as brechas e obstáculos, produziram tranqüilidade geral.
Acertaram vários pontos.
1 - Haverá CPI, seria uma afronta à opinião pública se não houvesse, depois de tanto barulho.
2 - Duas concessões, de lado a lado. Não será apenas do Senado, ia parecer subserviência ao PMDB, que controla a "casa".
3 - Será mista, assim o governo ficará com o relator e o presidente.
4 - O PSDB não se incomoda nem se sente diminuído. Como o resultado já foi resolvido antecipadamente, para o PSDB não será "humilhação" ficar sem nada, na vala comum.
5 - Sérgio Guerra, que preside mas não lidera o PSDB (nesse item existe muita gente acima dele), tentou dar aval ao que o seu correligionário acertou com o líder do governo no Senado. E como é do seu hábito, estilo, convicção, falou no jeito empolado: "Se a crise é geral, todo mundo vai sobreviver". Apesar da mediocridade, ninguém definiu melhor o espírito do acordo "contra" as CPIs: "NÃO RESPONSABILIZAR NINGUÉM".
É isso que vai acontecer, o senador Jucá e o deputado Carlos Sampaio são homens de palavra. "Falou está falado, combinou está combinado, acertou está acertado".
6 - A extrema cordialidade Jucá-Sampaio não foi quebrada em nenhum momento. Existiam alguns pontos que pareciam polêmicos, deixaram de ser por causa da certeza dos dois lados de que tinham muito a perder.
7 - A possibilidade de FHC e Lula serem atingidos pessoalmente. Logo, logo, decidiram: não haverá investigação sobre Lula ou FHC nos gastos privados.
8 - Outra dúvida: a carta em que começaria a investigação. O PSDB queria que a devassa começasse com Lula, sabiam que seria impossível.
9 - O PT-PT e PMDB aceitaram começar pelos dois últimos anos de FHC, podendo retroceder a outros períodos.
10 - O PSDB e o PMDB coincidiam perigosamente e tripudiaram sobre a opinião pública. Aceitaram começar em 2001, podendo retroceder a 1998. Todos são culpados, sabem disso. A CPI seria uma guerra mortal. Depois de começada sem acordo, não poderia haver armistício.
11 - Assim, tendo feito esse "convescote", estão todos tranqüilos.
12 - Igualmente culpados, despudorados, constrangidos, envergonhados, concordaram em não apurar nada, se mantiveram apenas na farsa. Nisso são mestres.
Alguns pontos são tão visivelmente perigosos que não houve dificuldade para acordo. A base partidária não gosta muito de poesia, mas sabe que cartão rima com mensalão, não deseja nenhuma repetição.
A chamada oposição sabe de ciência certa que cartão rima com reeeleição. E como se sabe que o presidente tucano na ânsia de continuar no Poder pagaria qualquer dinheiro, nada mais fácil e satisfatório do que ficar mais 4 anos no Poder sem mexer no dinheiro da Fundação Ford. (Que FHC, por motivos óbvios e remanescentes, só chama de "Ford Foundation").
PS - Portanto, tudo resolvido, podemos voltar ao trabalho, enquanto governo e oposição se divertem. Quem lamenta mesmo é a TV Câmara e a TV Senado, que grande espetáculo o País estará perdendo.
Eurico Miranda
Na vida esportiva é presidente interino. Na vida pessoal, está em liberdade condicional. "Por que não te calas?".
Quando, há meses, o ex-banqueiro Cacciola foi preso ao entrar em Monte Carlo, imediatamente escrevi: "Ele não será extraditado para o Brasil de maneira alguma, mesmo que a ação leve alguns anos". Dias depois, completei: "Na certa Cacciola ficará com sua conta bancária muito menos volumosa, mas nada lhe acontecerá". Exatamente o que ocorreu. Só uma surpresa para este repórter: inesperadamente ninguém mais falou no assunto, jornalões e televisões silenciaram.
Curiosidade: esse silêncio coincidiu com o "sussurro" de que o ex-banqueiro havia sido transferido para um hotel. Assim caminha a humanidade.
As Casas Bahia foram obrigadas a se "fundir" com a Wall Mart, a maior empresa de varejo do mundo. Agora é o Ponto Frio que, pertencendo a bilionários, não se agüenta. Quer evitar a falência.
Ninguém no setor explica a farra de gastos da Casa & Vídeo. Hoje a maior anunciante do Brasil, não equilibra despesas e receita. Resistirá?
O bilionário do México Ricardo Salinas passou o carnaval no Brasil, "sentindo" o mercado. Começou plagiando Paul Getty. "O melhor negócio é uma refinaria bem administrada, o último, refinaria mal administrada". Transferiu para bancos.
Vai instalar bancos para financiar quem precisa de até 500 reais. Ha! Ha! Ha! Seu patrimônio é avaliado em 10 bilhões. Isso o Bradesco (e bancos multinacionais) ganha num semestre.
Chegam à Redação da Tribuna novas denúncias sobre irregularidades no Partido Verde. Agora, falam na existência de uma mansão alugada às margens do Lago Paranoá, em Brasília, que seria usada por amigos e partidários.
À semelhança do que o então ministro Antonio Palocci mantinha na capital, para suas festas particulares. Estamos encaminhando essas denúncias à direção do PV, para que sejam respondidas. Vamos aguardar.
Os sinais da TV digital começaram a ser emitidos em São Paulo dia 2 de dezembro. Até aí, tudo bem, porque qualquer inovação é sempre bem-vinda.
O problema é o custo do aparelho de conversão dos televisores, que não sai por menos de 500 reais, embora o ministro Helio Costa tivesse garantido que o preço do equipamento não chegaria a R$ 200.
A Net está iludindo os consumidores, anunciando planos de TV digital por assinatura a preços mais caros, é claro. A publicidade enganosa omite o fato de ser necessário instalar o conversor para receber a imagem digital.
Fora de São Paulo, nem existe. Ao invés de iludir o consumidor, a Net deveria é estar garantindo que os canais vendidos cheguem às residências com som e imagem compatíveis. Verdadeiro caso de polícia.
Os jornalões fizeram estardalhaço porque Obama ganhou (apertado) 3 prévias: Nebrasca (5 votos), Louisiana (9) e Estado de Washington (11). Mas ainda está atrás em número de delegados.
Quando Dirceu era o homem mais poderoso do Planalto-Alvorada (e do governo e do País), João Paulo Cunha era presidente da Câmara, mas não se viam nem se falavam. Dirceu nem atendia seu celular.
Agora, fingindo oposição, os dois tentam se aproximar do presidente Lula, apesar de saberem que não conseguirão. Para isso, formaram aliança, se encontram ou se falam todo dia.
Antigamente a Polícia Militar era presidida por um general, lógico, do Exército. E seus oficiais só chegavam a tenente-coronel. Movimento pacífico mas de grande força acabou com as duas coisas.
Agora, o secretário Beltrame quer que um general volte a comandar a PM, e reduzir o número de coronéis. O Exército nem quer ouvir falar nisso. E a PM muito menos, truculência Beltrame.
Ontem o Órgão Especial do Tribunal de Justiça (especialmente presidido por Murta Ribeiro) promoveu 8 juízes a desembargadores. Por antiguidade e merecimento. A posse será amanhã, 5ª feira.
O deputado estadual André do PV se meteu numa enrascada. Com boa intenção, claro. Quer que os estaleiros se preparem para reutilizar a água usada nos serviços de reparos e manutenção.
Não obterá sucesso. Motivo: misturar neste momento estaleiros com Cedae é o mais explosivo possível. Cuidado, André, pode naufragar.
Em 1996, FHC mandou pagar indevidamente a Paulo Cabral e Condomínios Associados a importância de 380 milhões. Paulo Cabral recebeu, não deu satisfações a ninguém, principalmente Gilberto Chateaubriand. Este, representante do espólio do pai, entrou com ação ANULATÓRIA.
14ª Vara Cível. Movimento incrível da parte de Paulo Cabral. Petições, contestação, perícias, lobismo, causuísmo, exibição de influência. Da parte de Gilberto, pedido de quebra de sigilo de muitos condôminos.
Gilberto, filho e herdeiro dos bens do embaixador, representando o espólio, tinha direito líquido e certo a uma parte desses 380 milhões. Claro, não recebeu nada, apesar de ter sua participação reconhecida em magnífica sentença do juiz Ronaldo Rocha Passos.
Paulo Cabral recorreu ao Tribunal de Justiça, 3ª Câmara Cível. Mesmo lobismo, pressão, esquemas, muito dinheiro em jogo. Finalmente a decisão a favor de Paulo Cabral, visivelmente contra a prova dos autos. 2 a 1, surpresa total.
Esse voto vencido, do desembargador Luiz Felipe Haddad, grande magistrado. Ainda cabem vários recursos, que serão utilizados.
XXX
O destino é injusto até no nome. Jade Barbosa, a atleta fascinante, não ganhou o prêmio de melhor nos jogos olímpicos. Pois Jader Barbalho cada vez acumula mais prestígio, nomeia mais "pupilos" seus para cargos de alto faturamento.
XXX
Como é que depois de tanta degradação o ministério de Dona Marina propõe anistia aos que praticaram crimes inafiançáveis na Amazônia? Se são "crimes hediondos e inafiançáveis", como podem receber anistia? Que República, perdão, que Amazônia.
XXX
No dia 15 de janeiro noticiei: Marta Lyra, que era chefe de gabinete do presidente do Senado, desde os tempos de Sarney, foi demitida por Garibaldi-Garibaldi. No dia 2 de fevereiro, abrindo a coluna "Panorama Político", bem no alto, estava a mesma nota, integral. Incluindo o fato dela nunca ter deixado o cargo.
Não tenho certeza, é um informe e não uma informação, não posso deixar de registrar. Romario e Eurico teriam conversado, inicialmente pelo celular.
XXX
Nada surpreendente. O Vasco deve mais de 70 milhões a Romário. Houve acordo, a garantia é o Estádio de São Januário. Se quiser, Romario pode barrar o presidente interino.
Por: Helio Fernandes
Fonte: Tribuna da Imprensa
Jefferson rejeita delação premiada
Testemunha-chave do escândalo do mensalão, que desencadeou com denúncias em junho de 2005, o presidente nacional do PTB, ex-deputado Roberto Jefferson, assumiu tom surpreendentemente mais moderado em seu depoimento como réu no processo do Supremo Tribunal Federal (STF). Confirmou genericamente a denúncia do esquema de compra de parlamentares pelo Executivo, mas se recusou a acusar diretamente outros denunciados - evitou ser muito específico até contra quem sempre atacara, o ex-ministro da Casa Civil José Dirceu - e rejeitou a oferta do juiz Marcelo Gramado, da 7ª Vara Criminal Federal, para denunciar outros envolvidos, em troca de benefícios. "Delação premiada é coisa para vagabundo", sentenciou.
À vontade, aproveitou para atacar o PT, o Ministério Público (MP) e a Polícia Federal (PF). "Não posso acusar o presidente (Luiz Inácio) Lula (da Silva), seria irresponsável da minha parte", disse a jornalistas, após o depoimento, e mudando o tom em relação à sua postura durante o escândalo, quando ameaçava levar o mau exemplo para o Palácio do Planalto.
Mais de uma vez, Jefferson disse que falaria apenas como acusado, "pelos fatos que lhe são imputados", se recusando a se pronunciar, especificamente, sobre outros réus. Foi o que aconteceu quando o magistrado lhe perguntou se confirmava acusações em relação a Dirceu, ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e ao empresário Marcos Valério de Souza, de operar o esquema de compra de parlamentares.
Quando o magistrado insistiu com relação a Dirceu, o petebista admitiu, em tom genérico, que o petista tinha responsabilidade política - mas sem ser mais direto. "Excelência, o ministro José Dirceu era o ministro político do governo", declarou. "Todos os acordos tinham a chancela dele".
Jefferson confirmou ainda que Dirceu lhe pediu que indicasse alguém do PTB para ir a Portugal cuidar de "interesses do PTB e do PT". Tratava-se de uma dívida de campanha de R$ 24 milhões. A reunião seria para discutir uma forma de a Portugal Telecom pagar o débito, que, em euros, chegaria 8 milhões, numa operação evidentemente ilegal.
O ex-deputado também confirmou ter participado, na Casa Civil, de várias reuniões com Dirceu, e relatou ter conversado também com o então presidente do PT, José Genoino, o então secretário-geral Silvio Pereira e o tesoureiro Delúbio Soares.
Também advogado criminalista, o ex-deputado assumiu tom quase elogioso em relação ao presidente Lula, que, afirmou, chegou a ficar com lágrimas nos olhos quando o petebista lhe contou, pela primeira vez, em janeiro de 2005, que fora montado no Congresso o mensalão.
Aluguel de deputados
Ele afirmou ter dito ao presidente: "O PT está participando de um troço que vai ser um escândalo, está alugando deputado". Lula foi surpreendido, disse, mas não alguns de seus ministros, como Dirceu e outros, como o ex-ministro das Comunicações Miro Teixeira, que denunciou o esquema em 2004, em entrevista ao "Jornal do Brasil", depois desmentida.
Ele disse ter falado do esquema a integrantes do ministério. Depois disso, afirmou, Lula tomou providências, gerando insatisfações. Em março de 2005, relatou o petebista, ele voltou a pedir a Lula que agisse contra o mensalão, em conversa no Palácio do Planalto.
Foram testemunhas, afirmou, os deputados Aldo Rebelo (PCdoB-SP), Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Walfrido dos Mares Guia (PTB-MG). "Nunca tinha visto transferência de dinheiro mensal. O cafezinho no fundo do plenário (da Câmara) era um escândalo, as conversas eram de quinta categoria", recordou.
"Ninguém, porém, deixou o PTB atraído pelo mensalão porque ele ameaçou denunciar na tribuna da Câmara quem agisse dessa forma", declarou. Um dos resultados das "providências" de Lula após a primeira denúncia, afirmou Jefferson, foi a eleição, para a presidência da Câmara, de Severino Cavalcanti (PP-PE), ocorrida logo depois.
"(A intervenção do presidente) Agudizou a crise", relatou o ex-deputado, mas o motivo principal da vitória do deputado, expoente do baixo clero que acabou forçado à renúncia em meio a um escândalo envolvendo pagamento de propina, foi outro, segundo Jefferson.
"O PT insistiu em lançar uma mala candidato a presidente", afirmou, se referindo ao então deputado Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP). "O presidente Lula o chamava de Mococa. Um deputado do PT de São Paulo, não lembro o nome dele, não falava com ninguém".
Diante dos procuradores da República José Alfredo de Paula Silva e Fábio Seghese, Jefferson ironizou "os meninos do Ministério Público", atribuindo acusações que recebeu a suposto rancor da instituição, porque em 1990 foi relator da primeira proposta reforma da Previdência.
"Gerei muitos ressentimentos no Ministério Público, nas Forças Armadas, na magistratura", disse. "Isso (a proposição que fez, de uma previdência em parte privada) fez com que eu tivesse até ameaças de morte". Jefferson também driblou a pergunta do juiz sobre se houve mensalão em uma votação da reforma tributária.
"Em todas as propostas de reforma tributária, o PTB se coloca favoravelmente", desviou. Quando o magistrado perguntou se o PTB recebera mensalão, reagiu. "Claro que não! Isso é coisa do Ministério Público. Intriga!"
Fonte: Tribuna da Imprensa
À vontade, aproveitou para atacar o PT, o Ministério Público (MP) e a Polícia Federal (PF). "Não posso acusar o presidente (Luiz Inácio) Lula (da Silva), seria irresponsável da minha parte", disse a jornalistas, após o depoimento, e mudando o tom em relação à sua postura durante o escândalo, quando ameaçava levar o mau exemplo para o Palácio do Planalto.
Mais de uma vez, Jefferson disse que falaria apenas como acusado, "pelos fatos que lhe são imputados", se recusando a se pronunciar, especificamente, sobre outros réus. Foi o que aconteceu quando o magistrado lhe perguntou se confirmava acusações em relação a Dirceu, ao ex-tesoureiro do PT Delúbio Soares e ao empresário Marcos Valério de Souza, de operar o esquema de compra de parlamentares.
Quando o magistrado insistiu com relação a Dirceu, o petebista admitiu, em tom genérico, que o petista tinha responsabilidade política - mas sem ser mais direto. "Excelência, o ministro José Dirceu era o ministro político do governo", declarou. "Todos os acordos tinham a chancela dele".
Jefferson confirmou ainda que Dirceu lhe pediu que indicasse alguém do PTB para ir a Portugal cuidar de "interesses do PTB e do PT". Tratava-se de uma dívida de campanha de R$ 24 milhões. A reunião seria para discutir uma forma de a Portugal Telecom pagar o débito, que, em euros, chegaria 8 milhões, numa operação evidentemente ilegal.
O ex-deputado também confirmou ter participado, na Casa Civil, de várias reuniões com Dirceu, e relatou ter conversado também com o então presidente do PT, José Genoino, o então secretário-geral Silvio Pereira e o tesoureiro Delúbio Soares.
Também advogado criminalista, o ex-deputado assumiu tom quase elogioso em relação ao presidente Lula, que, afirmou, chegou a ficar com lágrimas nos olhos quando o petebista lhe contou, pela primeira vez, em janeiro de 2005, que fora montado no Congresso o mensalão.
Aluguel de deputados
Ele afirmou ter dito ao presidente: "O PT está participando de um troço que vai ser um escândalo, está alugando deputado". Lula foi surpreendido, disse, mas não alguns de seus ministros, como Dirceu e outros, como o ex-ministro das Comunicações Miro Teixeira, que denunciou o esquema em 2004, em entrevista ao "Jornal do Brasil", depois desmentida.
Ele disse ter falado do esquema a integrantes do ministério. Depois disso, afirmou, Lula tomou providências, gerando insatisfações. Em março de 2005, relatou o petebista, ele voltou a pedir a Lula que agisse contra o mensalão, em conversa no Palácio do Planalto.
Foram testemunhas, afirmou, os deputados Aldo Rebelo (PCdoB-SP), Arlindo Chinaglia (PT-SP) e Walfrido dos Mares Guia (PTB-MG). "Nunca tinha visto transferência de dinheiro mensal. O cafezinho no fundo do plenário (da Câmara) era um escândalo, as conversas eram de quinta categoria", recordou.
"Ninguém, porém, deixou o PTB atraído pelo mensalão porque ele ameaçou denunciar na tribuna da Câmara quem agisse dessa forma", declarou. Um dos resultados das "providências" de Lula após a primeira denúncia, afirmou Jefferson, foi a eleição, para a presidência da Câmara, de Severino Cavalcanti (PP-PE), ocorrida logo depois.
"(A intervenção do presidente) Agudizou a crise", relatou o ex-deputado, mas o motivo principal da vitória do deputado, expoente do baixo clero que acabou forçado à renúncia em meio a um escândalo envolvendo pagamento de propina, foi outro, segundo Jefferson.
"O PT insistiu em lançar uma mala candidato a presidente", afirmou, se referindo ao então deputado Luís Eduardo Greenhalgh (PT-SP). "O presidente Lula o chamava de Mococa. Um deputado do PT de São Paulo, não lembro o nome dele, não falava com ninguém".
Diante dos procuradores da República José Alfredo de Paula Silva e Fábio Seghese, Jefferson ironizou "os meninos do Ministério Público", atribuindo acusações que recebeu a suposto rancor da instituição, porque em 1990 foi relator da primeira proposta reforma da Previdência.
"Gerei muitos ressentimentos no Ministério Público, nas Forças Armadas, na magistratura", disse. "Isso (a proposição que fez, de uma previdência em parte privada) fez com que eu tivesse até ameaças de morte". Jefferson também driblou a pergunta do juiz sobre se houve mensalão em uma votação da reforma tributária.
"Em todas as propostas de reforma tributária, o PTB se coloca favoravelmente", desviou. Quando o magistrado perguntou se o PTB recebera mensalão, reagiu. "Claro que não! Isso é coisa do Ministério Público. Intriga!"
Fonte: Tribuna da Imprensa
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