sexta-feira, maio 29, 2026

Mitidieri contraria André ao aceitar Alessandro no palanque governista

 em 28 maio, 2026 7:52

ADIBERTO DE SOUZA

O pré-candidato a senador André Moura (União) parece que não anda com esse prestígio todo com o governador e postulante à reeleição Fábio Mitidieri (PSD). Prova disso é a alegre presença do senador Alessandro Vieira (MDB) no palanque governista, mesmo após André ter dito que não tinha “a mínima condição de estar no mesmo agrupamento, no mesmo palanque, na mesma carreata, com o senador Alessandro”. Apoiada por Mitidieri, essa decisão de Moura foi tomada após o emedebista ter afirmado, numa indireta ao mandachuva do União Brasil, que “deito minha cabeça no travesseiro, durmo e sei que eu vou acordar com um despertador, não vai ser com a polícia batendo na minha porta. Tem gente que não tem essa tranquilidade”. À época, Mitidieri se solidarizou com André e disse que o senador “deve buscar a reeleição como candidato independente”, fora do palanque governista. Mas não é isso que mostram as fotos da pré-campanha: Alessandro segue ao lado do governador, para contrariedade de André, obrigado a posar para os fotógrafos na companhia do desafeto. Por que será que Fábio Mitidieri voltou atrás da promessa feita a Moura de impedir que Vieira subisse no palanque governista? Marminino!

Como Sergipe votou

Sete dos oito deputados federais de Sergipe votaram a favor da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) sobre o fim da escala 6×1. Até os bolsonaristas Ícaro de Valmir (PL) e Rodrigo Valadares (PL) votaram favoráveis ao projeto do governo Lula. A deputada Yandra Moura (União) não votou porque está em gozo de licença maternidade. A proposta, que reduz a jornada de trabalho, foi aprovada por 472 votos a 22 no primeiro turno e por 461 votos a 19 no segundo. O texto segue para análise do Senado. Então, tá!

Obra inacabada

O governo Mitidieri fez uma grande festa para inaugurar uma obra inacabada. Aberto, ontem, ao tráfego de veículos, o viaduto da Avenida Beira Mar é apenas uma pequena parte do prometido Complexo Viário Senadora Maria do Carmo Alves. Apesar da festança governista, ainda depende de execução no local uma ponte estaiada sobre o Rio Poxim, ciclopassarela, anéis viários, contornos, ciclovias, obras de drenagem, urbanização e requalificação viária, totalizando mais de 4,8 quilômetros de intervenções urbanas. A previsão do governo é que o Complexo só fique pronto no ano que vem, quando será promovida uma nova inauguração. E Mitidieri vai precisar se reeleger antes para comandar a festa de 2027. Só Jesus na causa! 

Pré-candidatos proibidos

A partir da próxima quinta-feira, pré-candidatos nas eleições deste ano não poderão participar de inaugurações de obras públicas. Por isso que o governador Fábio Mitidieri (PSD) se apressou a inaugurar, ontem, o viaduto da Avenida Beira Mar. A partir do próximo dia 4, os postulantes a cargos eletivos estão proibidos de fazer uso da palavra, ocupar lugar de destaque, subir ao palco, participar do corte da fita ou do descerramento de placas. Também é proibido fazer agradecimentos nominais a candidatos durante os eventos. A participação de artistas para atrair público ou animar cerimônias com finalidade eleitoral, conhecidos como “showmícios”, também é vedada.  Quem avisa, amigo é!

A seca continua

O vereador aracajuano Breno Garibalde (PSB) voltou a denunciar a falta d’agua em vários bairros da capital sergipana. De acordo com ele, diferente do que tem dito a direção da concessionária Iguá, a população continua sofrendo com as torneiras vazias. Breno ressaltou ainda que bairros que historicamente não sofriam com a falta d’água agora enfrentam instabilidade no abastecimento. “Não dá é para continuar do jeito que as coisas estão: em locais onde nunca faltou água estão desabastecidos e, quando a água chega, é com instabilidade”, protestou. Aff Maria!

Em respeito a Déda

Diante de narrativas o colocando contra a memória do saudoso ex-governador de Sergipe, Marcelo Déda (PT), o senador Rogério Carvalho (PT) publicou no instagram uma foto dele abraçando Marcella, que vem a ser filha de Déda. Na mesma rede social, o petista histórico Sílvio Santos também postou uma foto ao lado da herdeira do ex-governador e escreveu que sempre encontra “Marcella nas mesmas trincheiras, empunhando a mesma bandeira, lutando pelas mesmas causas defendidas por seu pai. Isso é sinônimo de legitimidade, respeito à memória e compromisso com o legado. Estamos juntos, Marcellinha!”. Pra bom entendedor, basta isso. Misericórdia!

Bem na fita

Pela primeira vez desde 2019, a área total de vegetação nativa desmatada no Brasil ficou abaixo de um milhão de hectares em um único ano. Sergipe e Alagoas reduziram mais de 60% em relação ao ano anterior. Esta informação está no Relatório Anual do Desmatamento no Brasil (RAD2025), divulgado pelo MapBiomas. Todos os biomas do país tiveram redução da área desmatada. O MapBiomas alerta que, apesar da redução no desmatamento no ano passado, a área desmatada no Brasil chegou à média de 2.698 hectares por dia, cerca de 112 hectares por hora. Cruz, credo!

Último mutirãozinho

O governo de Sergipe promove, hoje, o último mutirãozinho dessa gestão no interior do estado. O oba-oba oficial vai acontecer em Nossa Senhora Aparecida, município que durante esta quinta-feira será considerado a capital do estado. Repaginado com o nome de “Sergipe é aqui”, o mutirão oferece à população carente ações simples, como medição de pressão arterial e glicemia, consultas médicas, palestras diversas, jogos de futebol para a meninada e otras cositas más. O governador Fábio Mitidieri (PSD) e lideranças políticas que o apoiam vão aproveitar para medir suas popularidades junto aos eleitores de Nossa Senhora Aparecida. Creindeuspai!

O “Barba” vem aí

O ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e a presidente da Petrobras, Magda Chambriard, acompanharão o presidente Lula da Silva (PT) na visita que ele fará a Sergipe, amanhã. O “Barba” e comitiva visitarão o Hospital do Câncer, em Aracaju, e o Hospital do Amor, em Lagarto. Depois, o presidente vai a Laranjeiras visitar a Fábrica de Fertilizantes Nitrogenados (Fafen) e anunciar investimentos de R$ 72,5 bilhões. Desse montante, mais de R$ 60 bilhões serão para o Projeto Sergipe Águas Profundas, que visa a produção de óleo e gás no litoral sergipano. Ressalte-se que esse projeto nem bem saiu do papel e a previsão é que, se Deus der bom tempo, comece a produzir lá para o distante 2032. Arre égua!

Sanção de reajustes

A prefeita de Aracaju, Emília Corrêa (Republicanos), vai sancionar, hoje, as leis concedendo reajustes salariais aos servidores municipais. O pacote a ser sancionado prevê revisão linear e planos de valorização para categorias específicas, com efeitos retroativos a 1º de abril deste ano.  A sanção das leis está agendada para às 15 horas, no Centro Administrativo Prefeito Aloisio Campos, localizado no Bairro Ponto Novo. Ah, bom!

Cadê o dinheiro?

O deputado estadual Georgeo Passos (Republicanos) cobrou ao governo Mitidieri o pagamento de horas extras e licenças especiais devidas aos policiais militares. Segundo o parlamentar, os PM’s escalados durante períodos de folga ainda não receberam as horas extras por terem atuando em eventos oficiais realizados em novembro e dezembro do ano passado. “São mais de mil policiais aguardando esse pagamento. Enquanto isso, novos eventos serão realizados e os militares continuarão sendo escalados”, afirmou. Georgeo Passos defendeu mudanças na legislação relacionada ao serviço extraordinário da Polícia Militar: “O valor está defasado e o pagamento acaba sendo feito meses depois do trabalho realizado”, protestou. Home vôte!

Recorte de jornal

 

 

 

 

 

 

 

quinta-feira, maio 28, 2026

Lula entrega redes sociais ao PT e prepara ofensiva digital contra Flávio Bolsonaro

Publicado em 28 de maio de 2026 por Tribuna da Internet

Lula reformula estratégia digital e amplia tom político

Catia Seabra
Folha

O presidente Lula terá uma atuação mais combativa nas redes sociais a partir das próximas semanas, com a transferência da gestão de seus perfis para o PT. Hoje a cargo do governo, mais especificamente da Secom (Secretaria de Comunicação da Presidência), as contas pessoais de Lula passarão a ser administradas pelo partido, permitindo maior contundência no debate político, sem as amarras impostas ao governo federal.

A estratégia de comunicação mais aguerrida exigirá mudanças no próprio governo, a começar pela saída do secretário de produção e divulgação de conteúdo audiovisual, Ricardo Stuckert. Ao lado de Lula desde 2003, o fotógrafo oficial da Presidência passará a trabalhar para o PT. Stuckert já é o responsável pelos perfis do presidente nas diferentes plataformas, à exceção do X (antigo Twitter). Sob a gestão de um funcionário do governo, as páginas atualmente se restringem basicamente ao relato de agendas oficiais.

FOCO EM LULA –  No PT, os perfis poderão focar mais na imagem de Lula, aderindo à dinâmica da pré-campanha. A consolidação do nome do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) como adversário exigiu a antecipação dessa estratégia, segundo auxiliares. Além disso, o engessamento dos perfis de Lula tem sido alvo de críticas de seus aliados. O desligamento de Stuckert está previsto para os próximos dias. No PT, ele trabalhará ao lado de Nicole Briones.

Especialista em comunicação e marketing digital, Nicole coordenou as redes sociais do presidente entre junho de 2017 e dezembro de 2021, quando Lula atingiu a marca de 48% das intenções de voto para as eleições do ano seguinte. No governo, ela foi superintendente de Comunicação Digital e Mídias Sociais da EBC até agosto de 2025 e, em outubro daquele ano, assumiu a coordenação digital do PT, a convite do presidente do partido, Edinho Silva.

Sob a coordenação de Edinho, a ideia será levar o debate político aos perfis de Lula. No ambiente digital, o PT tem dado destaque à imagem do presidente e tem aproveitado para expor a relação entre Flávio Bolsonaro e o ex-banqueiro Daniel Vorcaro. Antes da revelação de conversas entre o senador e o ex-banqueiro, Lula e Flávio Bolsonaro seguiam empatados, segundo a pesquisa Datafolha.

VANTAGEM – Na pesquisa mais recente, divulgada na última semana, dias após a eclosão do caso “Dark Horse”, em referência ao nome do filme sobre Jair Bolsonaro que teria recebido dinheiro de Vorcaro, Lula ampliou de três para nove pontos a vantagem sobre Flávio Bolsonaro na simulação de primeiro turno, marcando 40% ante 31% do rival. No cenário do segundo turno, a igualdade virou agora uma vantagem de 47% a 43% para o petista.

Nas redes sociais, o PT tem explorado notícias sobre o pedido de dinheiro feito por Flávio a Vorcaro, em uma demonstração dessa estratégia mais agressiva. A transferência das contas das redes sociais de Lula para o PT também embute um descontentamento de aliados de Lula com a comunicação digital do governo, comandada pelo ministro Sidônio Palmeira.

No momento de estagnação de Lula nas pesquisas, interlocutores do presidente haviam criticado o trabalho nas redes, questionando, por exemplo, a eficácia de peças centradas em animais. Não está descartada a hipótese de o ministro deixar o governo para assumir a comunicação da campanha de Lula.

INVESTIMENTO EM ANÚNCIOS – A gestão de Sidônio na Secom foi marcada por maior investimento em anúncios nas redes sociais. Em 2025, a verba de propaganda do governo destinada para Google e Meta, que é dona do Facebook, Instagram e WhatsApp, superou pela primeira vez o valor em anúncios pagos para as redes de televisão do SBT e da Band. Os canais digitais receberam ao menos R$ 234,8 milhões dos cerca de R$ 681 milhões distribuídos em anúncios pela Secom e ministérios no último ano.

A publicidade nas redes tem abordado temas variados, com foco em anúncios regionalizados, que divulgam projetos e ações do governo em cidades ou estados específicos. Os estados do Rio de Janeiro e Minas Gerais, segundo e terceiro maiores colégios eleitorais do país, respectivamente, foram priorizados entre outubro e abril deste ano.

Além disso, a publicidade do governo na Meta também envolveu temas como isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, segurança pública, enfrentamento à violência contra mulheres e crianças e o fim da escala 6×1.


Castro comunica ao PL desistência de pré-candidatura ao Senado após ser alvo de operações da PF

 

Castro comunica ao PL desistência de pré-candidatura ao Senado após ser alvo de operações da PF

Por Italo Nogueira, Folhapress

28/05/2026 às 15:09

Foto: Tânia Rego/Agência Brasil/Arquivo

Imagem de Castro comunica ao PL desistência de pré-candidatura ao Senado após ser alvo de operações da PF

Ex-governador do Rio foi alvo de duas operações da PF em um intervalo de 11 dias

O ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro (PL) comunicou ao presidente nacional do PL, Valdemar da Costa Neto, nesta quinta-feira (28) sua desistência de concorrer a uma cadeira no Senado.

A retirada da pré-candidatura ocorre após ele ser alvo de duas operações da Polícia Federal num intervalo de 11 dias. Ele deve divulgar um comunicado em suas redes sociais sobre a decisão.

O fim da pré-candidatura atende aos desejos de aliados do PL. O temor era que as suspeitas contra Castro contaminassem a campanha presidencial de Flávio Bolsonaro (PL) e de seu palanque no estado, o deputado Douglas Ruas (PL), presidente da Alerj (Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro).

As mensagens de Castro agradecendo a Daniel Vorcaro, do Banco Master, por jantares em restaurantes de luxo tornaram inviável qualquer reabilitação do ex-governador. Aliados avaliam que os diálogos poderiam ser associados aos áudios já divulgados de Flávio para o ex-banqueiro, agravando o desgaste sobre pré-candidatura do senador à Presidência.

Castro foi alvo de operação nesta terça que apura as transferências de R$ 3,7 bilhões do Rioprevidência, fundo de pensão dos servidores do Rio de Janeiro, para o Master e fundos ligados à instituição.

A ação ocorreu 11 dias depois de outra operação contra o ex-governador, para apurar na ocasião sua atuação em favor do grupo Refit, ligado ao empresário Ricardo Magro, apontado como um sonegador contumaz.

Os diálogos sobre jantares com whisky, charutos e até carne folheada a ouro tornaram o cenário distinto do da semana passada, quando uma ala do PL defendia calma e evitava abandonar abruptamente o ex-governador após a operação sobre as relações com Ricardo Magro.

Esse grupo apostava na proximidade de Castro com prefeitos do Rio de Janeiro e a alta na popularidade de Castro após a Operação Contenção, em que 117 pessoas foram mortas pela polícia no Complexo do Alemão em supostos confrontos —cinco policiais também morreram.

O ex-governador tinha também empecilhos jurídicos para se candidatar, após o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) condená-lo à inelegibilidade pelo uso de funcionários contratados em campanhas eleitorais.

Donald Trump, Flávio Bolsonaro e o sinal político vindo de Washington


Flávio chegou a Washington carregando desgaste crescente

Pedro do Coutto

A reunião entre o senador Flávio Bolsonaro e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca, não foi apenas um encontro protocolar ou uma agenda internacional comum. Pelo contrário. O episódio produziu perplexidade em setores da diplomacia, da política brasileira e até mesmo entre aliados do próprio bolsonarismo, sobretudo pelo contexto em que ocorreu e pelas circunstâncias que cercaram sua realização.

Segundo reportagem de Luísa Marzullo, publicada por O Globo, o encontro durou cerca de uma hora e quarenta minutos e só foi confirmado praticamente na última hora, após intensa articulação de interlocutores ligados ao secretário de Estado Marco Rubio e ao entorno republicano próximo do trumpismo.

TEMOR – Até poucas horas antes da reunião, nem mesmo integrantes do grupo de Flávio tratavam a agenda como garantida. O temor era evidente: uma frustração pública da viagem teria enorme custo político para o senador em um momento particularmente delicado de sua trajetória. E é justamente esse contexto que torna o episódio politicamente tão significativo.

Flávio Bolsonaro chega a Washington carregando desgaste crescente após a divulgação de mensagens trocadas com o banqueiro Daniel Vorcaro, preso e alvo de investigações que passaram a contaminar o ambiente político da pré-campanha presidencial do senador.

O caso atingiu não apenas o PL, mas também setores do Centrão que discutiam aproximação com a candidatura bolsonarista para 2026. União Brasil e PP, que vinham ensaiando uma convergência, começaram a recalcular riscos diante do temor de novos desdobramentos do escândalo. Nesse cenário, a imagem internacional passou a ter valor estratégico.

RECONSTRUÇÃO SIMBÓLICA – O encontro com Trump serviu como tentativa clara de reconstrução simbólica da autoridade política de Flávio Bolsonaro. A fotografia dentro da Casa Branca, o tratamento protocolar reservado ao senador e até mesmo a entrega da tradicional “challenge coin” americana foram utilizados como elementos de uma narrativa cuidadosamente construída para reforçar sua condição de liderança internacional da direita brasileira.

Mas há um aspecto que chama atenção: os temas oficialmente apresentados para justificar a reunião dificilmente explicam, por si só, uma agenda desse porte. Flávio afirmou ter tratado do combate ao Comando Vermelho e ao Primeiro Comando da Capital, defendendo que as facções sejam classificadas como organizações terroristas pelos Estados Unidos.

Trata-se de uma pauta relevante, sem dúvida. Contudo, iniciativas desse nível normalmente transitam por canais diplomáticos formais entre governos, ministérios da Justiça, departamentos de Estado e serviços de inteligência. Não é comum que um presidente americano reserve quase duas horas para discutir esse tipo de assunto diretamente com um senador estrangeiro e um ex-deputado sem mandato. É exatamente aí que o encontro ganha dimensão política muito mais ampla do que a explicação oficial sugere.

ATIVO POLÍTICO – Donald Trump não é um ator político convencional. Sua atuação internacional frequentemente rompe protocolos diplomáticos clássicos e privilegia relações ideológicas, lideranças alinhadas e construção de redes conservadoras globais. Nesse contexto, o bolsonarismo continua sendo visto pelo trumpismo como um ativo político estratégico na América Latina.

A presença de Eduardo Bolsonaro reforça ainda mais essa leitura. Mesmo após perder o mandato parlamentar ao transferir residência para os Estados Unidos, Eduardo manteve e aprofundou sua rede de contatos dentro do universo trumpista. Sua ligação com estrategistas republicanos, influenciadores conservadores e operadores políticos próximos de Trump tornou-se uma das principais pontes internacionais do bolsonarismo.

A própria logística da viagem revela isso. Flávio, Eduardo e o influenciador Paulo Figueiredo permaneceram concentrados no hotel Willard, endereço historicamente associado ao trumpismo em Washington e frequentado por aliados republicanos. Antes da confirmação do encontro, a agenda da Casa Branca sequer mencionava oficialmente o senador brasileiro. O improviso de última hora, longe de reduzir o peso político da reunião, talvez revele justamente o contrário: a existência de uma articulação paralela, menos institucional e mais ideológica.

REFLEXOS – O problema é que essa aproximação produz inevitáveis consequências diplomáticas. O governo Lula rejeita a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas por entender que elas operam dentro da lógica do crime organizado e do narcotráfico, sem motivação política típica do terrorismo internacional. Ao levar essa pauta diretamente a Trump, Flávio Bolsonaro cria um contraponto explícito à política externa e à estratégia de segurança pública do atual governo brasileiro.

Na prática, o encontro transforma uma divergência doméstica em tema de interlocução internacional. Mais do que isso: ao receber um pré-candidato da oposição brasileira em meio a tensões políticas internas, Trump envia um gesto claro de reconhecimento político. Flávio Bolsonaro percebeu isso imediatamente. Não por acaso, tratou o encontro como demonstração de força internacional e sinalização de legitimidade para sua eventual candidatura presidencial.

Há ainda outro elemento simbólico relevante. A gravata verde e amarela usada por Flávio durante o encontro não foi casual. Assim como a tentativa de presentear Trump com uma camisa da seleção brasileira, o gesto procurava reforçar a associação visual entre bolsonarismo, nacionalismo brasileiro e trumpismo americano. Trata-se de uma construção política cuidadosamente planejada para consumo interno no Brasil.

QUESTÕES NO AR – Ainda assim, o episódio deixa perguntas difíceis. Por que Donald Trump decidiu investir capital político em um senador brasileiro fragilizado por denúncias e investigações? Qual o interesse estratégico americano em elevar a exposição internacional de Flávio Bolsonaro neste momento? E até que ponto essa aproximação interfere no delicado equilíbrio diplomático entre Brasília e Washington?

Talvez a resposta esteja menos nos temas discutidos oficialmente e mais no simbolismo político do encontro. Trump parece ter identificado no bolsonarismo uma peça importante para a reorganização internacional da direita conservadora nos próximos anos. E Flávio Bolsonaro, pressionado internamente por crises políticas, precisava desesperadamente de uma imagem capaz de recolocá-lo no centro do jogo. Nesse sentido, a reunião cumpriu sua função.

Mas o fato de ter funcionado politicamente não elimina o caráter extraordinário — e até desconcertante — do episódio. Porque encontros desse porte normalmente obedecem a racionalidades diplomáticas muito claras. Desta vez, porém, a lógica parece ter sido substituída por algo mais amplo: a construção de uma aliança política transnacional baseada em identidade ideológica, disputa narrativa e interesses eleitorais futuros. E é exatamente isso que transforma a visita de Flávio Bolsonaro à Casa Branca em um dos acontecimentos políticos mais intrigantes do cenário pré-eleitoral brasileiro até aqui.


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