sexta-feira, maio 30, 2025

PF marca depoimento de Jair Bolsonaro em inquérito do STF contra Eduardo

 Foto: Antonio Augusto/ STF/Arquivo

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL)29 de maio de 2025 | 19:30

PF marca depoimento de Jair Bolsonaro em inquérito do STF contra Eduardo

brasil

Jair Bolsonaro (PL) deverá prestar depoimento à Polícia Federal na próxima quinta-feira, 5 de junho, no âmbito do inquérito aberto no STF (Supremo Tribunal Federal) sobre a atuação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) contra instituições brasileiras, incluindo a corte.

A oitiva do ex-presidente está prevista para 15h. A investigação tramita no Supremo sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes.

Autor do pedido de investigação, o procurador-geral da República, Paulo Gonet, afirmou que Eduardo pode ter cometido crimes ao atuar, nos Estados Unidos, junto a autoridades estrangeiras, contra “integrantes do Supremo Tribunal Federal, da Procuradoria-Geral da República e da Polícia Federal”.

O chefe da Procuradoria mencionou a ofensiva do parlamentar para que a administração Donald Trump aplique sanções contra o próprio Moraes.

Os crimes sob apuração da PF são o de coação, obstrução de investigação e abolição violenta do Estado democrático de Direito.

FolhapressPoliticaLivre

Bolsonaro pede dispensa de Eduardo Pazuello e mais três testemunhas em ação no STF

 Foto: Reprodução

Eduardo Pazuello e Jair Bolsonaro29 de maio de 2025 | 21:45

Bolsonaro pede dispensa de Eduardo Pazuello e mais três testemunhas em ação no STF

brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) pediu nesta quinta (29) ao STF (Supremo Tribunal Federal) a dispensa de quatro testemunhas na ação que julga a trama golpista.

Entre os nomes que Bolsonaro dispensou estão o de Gilson Machado (PL), ex-ministro do Turismo, e o deputado federal e ex-ministro da Saúde Eduardo Pazuello (PL-RJ). Os outros nomes são Amauri Feres Saad e Ricardo Peixoto.

Nesta sexta-feira (30), o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), será ouvido pela manhã. As audiências são realizadas por videoconferência e começam às 8h.

O Supremo já ouviu 43 testemunhas. Desse total, duas depuseram por escrito. As defesas pediram a desistência de 16 pessoas. A expectativa é que as audiências sejam concluídas na semana que vem.

Alexandre de Moraes conduziu todos os depoimentos. Ele deu broncas e mandou recados. Outros ministros da Primeira Turma, onde está o processo em andamento, também acompanharam alguns depoimentos.

Bolsonaro tem levado testemunhas para negar a discussão sobre golpe. Na quarta (28), os ouvidos apenas confirmaram que o ex-presidente questionou a lisura do pleito eleitoral de 2022 e nunca abordou nada ilegal.

Tarcísio foi ministro de Bolsonaro até março de 2022. Ele deixou o cargo para disputar o governo estadual e com isso, na prática, não participou de alguns dos principais episódios citados na denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) contra Bolsonaro e seus auxiliares, como a reunião ministerial de julho de 2022.

O governador deve falar de encontros com o ex-presidente. Ele se reuniu com Bolsonaro duas vezes após o segundo turno, em novembro e dezembro de 2022. Os encontros, contudo, não são citados na denúncia da PGR ou na investigação sobre tentativa de golpe.

Tarcísio também não participou de reuniões onde foram discutidas propostas de minuta golpista. O ex-ministro foi eleito no segundo turno daquele ano e não esteve em reuniões de Bolsonaro com chefes das Forças Armadas. Essas reuniões são consideradas o ponto mais forte da denúncia. Os ex-comandantes da Aeronáutica e do Exército confirmaram no Supremo que Bolsonaro apresentou nesses encontros proposta de minuta para se manter no poder mesmo após a derrota para Lula.

Folhapress/UOLpOLITICALIVRE

Big techs abasteceram EUA no caso de sanções contra Moraes e Gonet

Publicado em 29 de maio de 2025 por Tribuna da Internet

Brasil aumenta diálogo com EUA sobre sanções a Alexandre de Moraes | WW

No início, até ironizaram os EUA, mas agora caiu a ficha

Caio Junqueira
da CNN

Integrantes do corpo jurídico no Brasil de big techs americanas relataram à CNN que essas empresas forneceram informações a autoridades dos Estados Unidos, em processo em curso no país que pode levar a sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, outros ministros do Supremo Tribunal Federal e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

De acordo com esses profissionais, foram apresentadas informações referentes a decisões judiciais tomadas por Moraes e pelo próprio Supremo, mas de governos e judiciários de diversos países.

JORDAN LIDERA – O movimento teve como uma de suas lideranças o deputado republicano trumpista Jim Jordan, presidente do Comitê Judiciário da Câmara dos Estados Unidos.

No início deste ano, ele encaminhou diversos ofícios a big tech solicitando informações sobre decisões judiciais de outros países relacionadas a empresas americanas.

“Para desenvolver uma legislação eficaz, incluindo novas leis que protejam a expressão americana do efeito das leis de censura e ordens judiciais de governos estrangeiros, o Comitê deve primeiro entender como e em que medida as leis, regulamentos e ordens judiciais estrangeiras limitaram o acesso dos americanos à expressão legal nos Estados Unidos”, diz um desses ofícios, obtido pela CNN e endereçado em 26 de fevereiro a uma gigante de tecnologia americana.

LEIS DE CENSURA – No documento, o parlamentar solicita todas as comunicações entre essa big tech e governos estrangeiros referentes “a conformidade da empresa com leis de censura estrangeiras, regulamentos, ordens judiciais ou outros esforços iniciados por governos”, além de comunicações internas da própria empresa discutindo comunicações de governos estrangeiros.

Jordan justifica o pedido dizendo que “O Comitê do Judiciário está supervisionando como e em que medida leis, regulamentos e ordens judiciais estrangeiras obrigam, coagem ou influenciam empresas a censurar a expressão nos Estados Unidos”.

Diz, ainda, que “para proteger as liberdades civis dos americanos, o Comitê deve investigar a extensão e a natureza desses esforços de censura estrangeira e seus efeitos sobre a liberdade de expressão constitucionalmente protegida em casa”.

OUTROS EXEMPLOS – O político americano cita exemplos dessa atuação na União Europeia, no Reino Unido, na Austrália e no Canadá, além do caso brasileiro.
“No Brasil, o Ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, emitiu ordens secretas e ilegais, forçando empresas americanas a remover grandes quantidades de conteúdo ou enfrentar multas e ser banidas do país”, diz o ofício.

Integrantes do corpo jurídico de big techs com quem a CNN conversou apontam que o cerne das eventuais sanções contra Moraes e outras autoridades brasileiras está muito mais nas decisões do STF sobre empresas americanas, sem qualquer mediação do governo ou do Judiciário americano, do que especificamente sobre o processo em curso contra os réus da trama golpista que pode levar a uma condenação à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

LEI MAGNITSKY – De acordo com eles, as empresas são obrigadas a responder ofícios como esse, que ajudaram a compor um cenário que pode levar Moraes e demais autoridades a sanções com base na Lei Magnitsky.

Afirmam ainda que a legislação americana não permite que sejam enviados mandados judiciais sigilosos para pessoas físicas e jurídicas em território americano sem ter a validação do governo dos Estados Unidos.

Sancionada por Barack Obama em 2012, a legislação leva o nome do advogado russo Sergei Magnitsky, morto em uma prisão na Rússia no ano de 2009. Desde 2016, ela é aplicada mundialmente a quem for considerado, pelos Estados Unidos, violador dos direitos humanos em qualquer lugar do mundo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – 
Será que dona Janja da Silva vai dizer de novo “Fuck You, Elon  Musk!”, ou vai se fechar em copas, como se dizia antigamente, com medo de também ser barrada nos States? (C.N.)

 


Expectativa no STF com depoimento de Tarcísio em defesa de Bolsonaro


Projetos fakes' de Tarcísio na Infraestrutura iludem o eleitor paulista desatento – Opinião – CartaCapital

Coragem de Tarcísio será testada hoje diante de Moraes

Bruno Ribeiro e Juliana Arreguy
Folha

Testemunha de defesa de Jair Bolsonaro (PL) no processo sobre a trama golpista, Tarcísio de Freitas (Republicanos) irá depor nesta sexta-feira (30) ao STF (Supremo Tribunal Federal). O governador bolsonarista será colocado à prova, já que tem repetido a aliados que nunca ouviu o ex-presidente falar em golpe, enquanto distorce e omite fatos ocorridos no período e estava ao lado de Bolsonaro em alguns dos momentos mais agudos de ataques antidemocráticos às instituições.

Tarcísio já afirmou não ter identificado intenção golpista nos ataques de Bolsonaro às urnas eletrônicas, manteve-se em silêncio ao lado do aliado durante parte dessas manifestações e minimizou agressões verbais do ex-presidente ao STF.

NA CORDA BAMBA – Por outro lado, cotado para a disputa presidencial do ano que vem, o governador tenta se equilibrar entre uma relação cordial com ministros do tribunal e a base bolsonarista.

Ao depor na manhã desta sexta-feira, Tarcísio será colocado à prova sobre:

1) sua fidelidade a Bolsonaro, inelegível ao menos até 2030 e réu no processo da trama golpista no qual pode ser condenado a mais de 40 anos de prisão;

2) o silêncio que manteve enquanto ministro do governo federal diante de declarações golpistas do então presidente;

3) distorções que tem exposto para defender Bolsonaro diante de posicionamentos recentes de STF, Polícia Federal e Procuradoria-Geral da República.

IMPACIÊNCIA – O momento é aguardado em razão da impaciência do ministro Alexandre de Moraes diante de algumas testemunhas em depoimentos recentes.

Isso ficou evidente com a insinuação de que o general Marco Antônio Freire Gomes, ex-comandante do Exército, mentia em juízo e chegou ao ápice quando Moraes ameaçou prender o ex-ministro da Defesa Aldo Rebelo por desacato.

Ao defender Bolsonaro diante das investigações da Polícia Federal, Tarcísio já disse que “o presidente respeitou o resultado da eleição”, o que nunca ocorreu, e que a posse de Lula “aconteceu em plena normalidade e respeito à democracia”, o que também é outra distorção diante dos fatos.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– O problema decorre do fato de as testemunhas terem defendido a tese de que Bolsonaro buscava uma saída constitucional para evitar que Lula voltasse ao poder, depois de condenado por dez juízes diferentes, em três instâncias, o que equivale a trânsito em julgado na maioria dos países democráticos. Está mais do que provado que Bolsonaro buscou essa saída constitucional e seus defensores alegam que ele acabou desistindo do golpe. Ou seja, cada lado tem a sua narrativa e o juiz escolhe a que mais lhe apetece, digamos assim. De toda forma, Tarcísio fará sucesso hoje como testemunha. (C.N.)


Moraes deve ser o primeiro membro de Suprema Corte a sofrer punição

Publicado em 30 de maio de 2025 por Tribuna da Internet

Moraes se irrita com relatório da PF sobre confusão em Roma - Blog do BG |  PB

Moraes afirma que está pouco ligando para a punição

Hugo Henud
Estadão

O ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes, passou a ser alvo de uma ofensiva que tenta enquadrá-lo nos Estados Unidos com base em uma lei que, desde sua criação, jamais foi usada contra ministros de Supremas Cortes de outros países.

Levantamento do Estadão, com base em mais de 2.250 registros de sanções aplicadas pela Lei Global Magnitsky entre 2022 e 2025, mostra que os alvos típicos da medida são autoridades de regimes autoritários, integrantes de grupos terroristas, criminosos ligados a esquemas de lavagem de dinheiro e agentes de segurança acusados de assassinatos em série.

ENQUADRAR MORAES – Criada para punir graves violações de direitos humanos e casos de corrupção transnacional, a Lei Global Magnitsky se tornou a principal aposta de aliados do ex-presidente Jair Bolsonaro para tentar enquadrar Moraes em cortes internacionais.

A investida ganhou novo fôlego após o chefe secretário do Departamento de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, afirmar, na última semana, que o governo Donald Trump “tem grandes possibilidades” de aplicar sanções contra o ministro com base na norma.

Diante da movimentação, a Procuradoria-Geral da República (PGR) solicitou, nesta segunda-feira, a abertura de um inquérito contra o deputado licenciado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), acusado de articular e defender a imposição de sanções pelo governo americano contra Moraes, com o objetivo de interferir no andamento da ação penal em que seu pai, Jair Bolsonaro, é réu por tentativa de golpe de Estado.

INQUÉRITO ABERTO – O pedido foi acolhido e a investigação foi autorizada pelo próprio ministro, a quem o caso foi distribuído por prevenção.

Eduardo segue nos Estados Unidos desde março, após pedir licença do mandato por 120 dias, sob a justificativa de perseguição política. Procurado, o parlamentar não se manifestou até a publicação desta reportagem.

Levantamento do Estadão, com base em dados do sistema oficial do governo dos EUA sobre os alvos das sanções, mostra que a Lei Global Magnitsky tem sido aplicada majoritariamente a perfis e contextos políticos distintos do caso envolvendo Moraes.

OS LISTADOS – Entre 2018 e 2025, predominam na lista agentes de segurança acusados de assassinatos políticos, líderes de regimes autoritários envolvidos em repressão sistemática, membros de grupos terroristas armados e criminosos ligados a esquemas bilionários de corrupção.

Entre os casos emblemáticos estão assessores diretos do príncipe Mohammed bin Salman, da ditadura da Arábia Saudita, responsabilizados pelo assassinato do jornalista Jamal Khashoggi; o ditador da Chechênia, Ramzan Kadyrov, acusado de execuções extrajudiciais; integrantes de grupos terroristas do Iraque e do Afeganistão; e dirigentes do Partido Comunista Chinês punidos por comandar políticas de repressão sistemática no país.

Na América do Sul, figuram membros de facções criminosas com conexões no Brasil, envolvidos em lavagem de dinheiro e evasão de divisas, além do ex-presidente do Paraguai Horacio Cartes, sancionado após deixar o cargo, sob a acusação de envolvimento em esquemas de corrupção e lavagem de recursos.

SANÇÃO INÉDITA – O caso brasileiro, no entanto, rompe com o padrão histórico. O cientista político e professor de Relações Internacionais da FGV-SP, Guilherme Casarões, destaca que uma eventual sanção contra Alexandre de Moraes com base na Lei Global Magnitsky seria inédita desde a criação da norma.

“Atingir ministros de Supremas Cortes, e mais do que isso, um ministro da instituição máxima do Judiciário brasileiro, é a novidade na aplicação desta lei. Seria a primeira vez desde a sua criação”, afirma.

Casarões explica que o caso mais próximo envolveu ministros de Estado da Turquia, responsabilizados pela prisão de um pastor americano em 2016, durante a onda repressiva que se seguiu à tentativa de golpe contra o governo de Recep Tayyip Erdogan. No poder desde 2003, Erdogan liderou um processo que levou milhares de opositores à prisão, entre eles jornalistas, militares e lideranças religiosas.

VENEZUELA – No caso de juízes de cortes superiores, o episódio mais emblemático envolveu o Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela, cujos membros foram sancionados em 2017 após decisões que permitiram ao ditador Nicolás Maduro governar por decreto e dissolver a Assembleia Nacional.

Essas punições, no entanto, explica Casarões, foram aplicadas com base em uma ordem executiva específica, criada exclusivamente para lidar com a crise institucional venezuelana, e não com base na Lei Global Magnitsky, que tem escopo internacional e pressupõe fundamentos distintos.

Para o professor do Insper Leandro Consentino, essa diferença reforça o ineditismo do caso brasileiro. Ele avalia que, embora alvo de críticas, Moraes tem atuado dentro dos marcos constitucionais, e que a norma foi concebida para punir abusos praticados por regimes autoritários, não por autoridades de democracias.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – 
Então, cabe a pergunta indiscreta: O Brasil é realmente democrático, ou já está costeando o alambrado, como dizia Leonel Brizola, porque a boiada continua passando.
 (C.N.)


Distraído, governo Lula deixa a boiada passar e dá até licença para devastar

Publicado em 30 de maio de 2025 por Tribuna da Internet

Flexibilização do Licenciamento Ambiental - Estado de Minas

Charge do Quinho (Estado de Minas)

Maria Hermínia Tavares
Folha

O Projeto de Lei Geral do Licenciamento Ambiental (PL 2.159/21) atravessou os corredores do Congresso, no percurso entre o Senado e a Câmara, cabendo a esta a apreciação final. Caso o projeto passe como veio, os parlamentares terão promovido um recuo de décadas no arcabouço legal que ancora a política para o meio ambiente no país.

Ninguém disputa a necessidade de dotar o Brasil de uma legislação adequada na área. Trata-se de antiga demanda dos ambientalistas em face da barafunda de regras criadas ao sabor das circunstâncias, que tornam difícil, para dizer o mínimo, compatibilizar empreendimentos privados e públicos com a proteção do patrimônio ambiental e do bem-estar da população atingida.

PENDÊNCIA ANTIGA – O projeto destinado a sanar essa carência teve origem, em 2004, na proposta do então deputado Luciano Zica (PT-MG), membro atuante da Frente Ambientalista no Congresso. O texto retomava uma iniciativa de 1988 do então deputado Fabio Feldman (PSDB-SP) —que não prosperou.

Os 21 anos durante os quais a proposta de Zica ziguezagueou entre a Câmara e o Senado confirmam a crença popular de que tudo sempre pode piorar e muito. Na forma atual, o PL 2.159/21 compromete o esforço de adequação das atividades econômicas a princípios de sustentabilidade socioambiental.

A análise detalhada de seus dispositivos, com impactos devastadores que tendem a acarretar, pode ser lida numa nota técnica do Observatório do Clima e nos artigos publicados nesta Folha, no último fim de semana, pelas colegas colunistas Txai Suruí e Marcia Castro.

JOGO POLÍTICO – Eis por que é imperativo olhar para o jogo político do qual resultou um retrocesso pronto a expor os brasileiros ao risco acrescido de desastres naturais evitáveis, além de reduzir os trunfos de que o país dispõe para se firmar mundo afora como potência ambiental.

São óbvias as limitações de um presidente de centro-esquerda que se sustenta numa coalizão com partidos de direita e, como se não bastasse, tem de governar com um Legislativo majoritariamente conservador.

Para dar certo, ao mandatário incumbe definir com clareza suas prioridades; negociar sem descanso; e ainda criar incentivos eficientes a fim de obter, no Congresso e na sociedade, apoios para aquelas pautas —a exemplo da ambiental— à míngua de simpatia espontânea das forças à direita do centro.

NADA DISSO OCORRE – Espantosamente, nada disso ocorre no debate do licenciamento ambiental. O governo está cindido entre os ministérios da Agricultura, das Cidades, dos Transportes e de Portos e Aeroportos —que sustentam o projeto— e o Ministério do Meio Ambiente e Mudança do Clima —que o considera instrumento da devastação.

O Planalto nunca revelou sua preferência; não parece disposto a arbitrar o conflito; muito menos a explorar as notórias diferenças entre setores do agronegócio; ou a pensar em incentivos para facilitar a adesão de alguns deles a uma lei de licenciamento mais eficaz. No Senado, o PT e seus aliados de esquerda deixaram o barco correr e, ao fim e ao cabo, votaram contra, cientes da derrota.

De volta à Câmara, o projeto ainda pode ser minimamente modificado; se vingar, resta ao Executivo a possibilidade de vetá-lo. Mas, se não abraçar de fato a causa ambiental, outras derrotas virão.

 


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