sábado, agosto 06, 2022

Nunca o debate foi tão importante




A cobertura da campanha está refém de ameaças intoleráveis à democracia e de propostas programáticas superficiais

Por Vera Magalhães (foto)

A menos de dois meses das eleições mais importantes desde a redemocratização, ainda não há, da parte dos dois principais candidatos, a confirmação da participação em debates e nas sabatinas realizadas por veículos de imprensa de circulação nacional.

Justamente o pleito com um inédito confronto entre um presidente e um ex-presidente é aquele em que, até aqui, não se teve oportunidade de questionar ambos a respeito das principais contradições e lacunas de seus discursos, de ouvir e assistir a um confronto direto entre eles, em que possam expor e responder às críticas que fazem pelas redes sociais, nos palanques e diante de seu próprio público.

Era compreensível a queixa, por parte dos candidatos, à profusão de encontros pretendidos pela imprensa — assim como é plenamente justificável que cada veículo deseje promover suas próprias entrevistas e seus debates.

Pois bem: a mídia aquiesceu ao pleito pela realização de pools para assegurar que haja a participação dos dois primeiros colocados nas pesquisas no encontro entre os postulantes ao Planalto.

Agora, a expectativa é que o ex-presidente Lula confirme sua ida a um ou mais encontros — e que Bolsonaro cumpra sua palavra de que irá aos debates a que seu adversário comparecer.

A resistência inicial das campanhas ao debate tinha razões distintas. Lula, líder em todos os levantamentos, com larga margem sobre Bolsonaro, temia que, caso o presidente repetisse a estratégia de 2018 de se furtar ao debate depois da facada, restasse como alvo único de candidatos que, hoje, têm intenção de voto bastante diminuta.

Bolsonaro, por sua vez, nunca se sentiu confortável diante do escrutínio da imprensa e do confronto com rivais políticos. Nos dois únicos debates a que compareceu em 2018, o da Bandeirantes e o da Rede TV!, esteve acuado e foi reativo diante dos questionamentos.

O Brasil vive um momento de crise político-institucional, provocada pela insistência do presidente da República em acossar os demais Poderes e em contestar a transparência do processo eleitoral. Esse tema precisa ser objeto de entrevistas e debates em que Bolsonaro seja confrontado com os dados que insiste em distorcer nos ambientes controlados (lives, cercadinho do Alvorada, eventos nos palácios) em que fala a respeito.

Pesquisa Quaest mostra que é decrescente a aderência desse discurso, mesmo entre os apoiadores do presidente. Ainda assim, debates e entrevistas jogarão um detergente sobre uma mentira que, pela insistência e por partir da autoridade máxima do país, convence parcela da sociedade.

Bolsonaro também não foi questionado sobre sua gestão na pandemia de Covid-19, nem a respeito de aspectos relevantes de seu governo, como a redução da transparência sobre investigações e dados, a escalada da devastação da Amazônia e a corrupção no Ministério da Educação.

Lula, por sua vez, precisa discorrer sobre suas ainda ambíguas propostas para a economia, foco de boa parte da desconfiança a respeito de sua candidatura. Há nuances sobre o que pretende fazer em relação ao teto de gastos e às novas regras trabalhistas que vão da revogação completa a alterações até aqui não especificadas. O debate sobre a Lava-Jato também precisa ser feito para além da narrativa.

É positivo que a imprensa tenha se disposto a oferecer saídas para fomentar o debate e que os candidatos, finalmente, acenem com a disposição de discutir. A cobertura da campanha, hoje, está refém de ameaças intoleráveis à democracia, de um lado, e de propostas apenas superficiais no campo programático. Nada que ajude o eleitor a votar olhando para o futuro, em vez de voltado apenas a evitar o que considera o mal maior.

O Globo

Turbulência global neste 2º semestre




As manobras militares chineses ao redor de Taiwan acrescentaram mais um fator de risco a um semestre que promete ser tenso em boa parte do mundo

Por Humberto Saccomandi (foto)

As manobras militares chineses ao redor de Taiwan acrescentaram mais um fator de risco a um semestre que promete ser tenso em boa parte do mundo. Riscos políticos, econômicos e de segurança se acumulam neste final de ano. Isso gera incertezas e deverá deixar os mercados sob pressão.

O denominador comum deste semestre tenso é a desaceleração da economia global, com países importantes em dificuldades. Os EUA tiveram contração do PIB nos dois primeiros trimestres, o que caracteriza recessão pela definição mais comum. Mesmo pela metodologia americana, muitos economistas veem como provável uma recessão entre o final deste ano e o início de 2023.

Na Europa, a maior economia, a Alemanha, não cresceu no segundo trimestre, e espera-se queda até o fim do ano. A confiança econômica está caindo em toda a União Europeia (UE).

Na China, as projeções são de crescimento de 4,1% do PIB chinês neste ano, o menor em mais de quatro décadas (excluindo 2020, ano de início da pandemia) e bem abaixo da meta oficial, que era de 5,5% e que já foi abandonada pelo governo.

A renda per capita dos domicílios caiu 1,1% na OCDE (grupo que inclui os países ricos e alguns emergentes) no primeiro trimestre deste ano, devido principalmente ao aumento da inflação. Essa perda de poder aquisitivo deve continuar no resto do ano. A demanda menor das principais economias vai reverberar em todo o mundo.

EUA e Europa (como a maior parte do mundo) sofrem com a alta da inflação. O processo de estagflação (estagnação econômica com inflação alta) deve atingir seu momento mais forte neste segundo semestre. Ontem, o Banco da Inglaterra (o BC britânico, alertou que o Reino Unido deverá entrar em recessão nos próximos meses e que a inflação poderá atingir 13%.

A guerra na Ucrânia segue sendo o evento global mais perturbador. Como era esperado, a conflito se prolonga, com lento avanço russo. Os próximos meses indicarão quanto território a Rússia ocupará antes da chegada do inverno, quando as operações militares se tornam mais difíceis, favorecendo uma consolidação das posições. Para a Ucrânia é vital que a contra-ofensiva que vem sendo alardeada nas últimas semanas dê certo e o país consiga retomar parte das áreas tomadas pelas forças russas. Senão, o risco será grande de esses territórios serem perdido definitivamente. Acredita-se que Moscou deverá realizar nos próximos meses referendos nas áreas tomadas, para legitimar a ocupação. O passo seguinte seria a anexação.

Com avanço militar lento, parece provável que o conflito será decidido pela capacidade de cada lado de aguentar a dor (militar, política, econômica e social) imposta pelo inimigo. Fontes ocidentais, como o diretor do MI6 (a inteligência britânica), Richard Moore, vêm dizendo que a Rússia está perto de um esgotamento do seu esforço de guerra, tanto militar como econômico. Já Moscou parece apostar que aguentará o tranco até conseguir rachar o apoio ocidental (especialmente o europeu) à Ucrânia. A inflação e a perda de poder aquisitivo ameaçam espalhar insatisfação social na Europa neste semestre. A Itália pode eleger em setembro um governo simpático à Rússia.

De todo modo, as sanções ocidentais à Rússia continuarão a pesar sobre a economia mundial. E não serão levantadas antes de um acordo de paz na Ucrânia.

Com a chegada do inverno na Europa, crescerá o risco de uma crise de gás. A Rússia vem enviando cada vez menos gás, sob pretexto de manutenção nos gasodutos, o que impede que os países ampliem seus estoques. O risco de Moscou cortar de vez o fornecimento neste semestre existe. Isso faria disparar ainda mais o preço da energia e jogaria a Europa numa forte recessão. Os países da região já fazem planos de contingência que incluem, no caso alemão, priorizar o gás para aquecimento residencial, em detrimento do uso industrial.

Nos EUA, como Brasil, são as eleições que deixarão o semestre tenso. Os americanos renovarão em novembro a Câmara dos Deputados e parte do Senado. Até semanas atrás, parecia provável que os democratas, do presidente Joe Biden, perderiam as duas casas. Pesquisas recentes, porém, apontam chance de os democratas manterem o Senado. Na Câmara, a tendência continua sendo de vitória republicana.

Se Biden perder a maioria em uma das casas, isso travará a agenda legislativa e o governo possivelmente não conseguiria aprovar mais nada de relevante no Congresso. Se perder as duas casas, Biden terá um Congresso hostil e jogando contra ele nos dois últimos anos de mandato.

Além das eleições, os EUA terão de definir se avançam num eventual processo criminal contra ex-presidente Donald Trump, que pode ser acusado de liderar a rebelião que culminou na invasão do Congresso americano por manifestantes pró-Trump, em 6 de janeiro de 2021. Essa decisão deverá ter graves repercussões políticas.

A China iniciou ontem manobras militares ao redor de Taiwan, em represália à visita à ilha de Nancy Pelosi, presidente da Câmara dos Deputados dos EUA. A China considera Taiwan uma província rebelde. A reunificação numa só China sempre foi o objetivo de Pequim, nenhum presidente a vocalizou tanto quanto o nacionalista Xi Jinping. Não está claro, por ora, quanto essas manobras vão durar nem que impacto que elas terão para Taiwam e a região.

Muitos analistas creem que Xi poderá tentar retomar Taiwan pela força, mas não agora, já que este semestre deverá ser difícil para o líder chinês. Em outubro, ele tentará um inédito terceiro mandato presidencial. Isso deve ocorrer, mas o ideal, até lá, é evitar turbulências. Uma guerra em Taiwan seria um grande risco.

Xi já tem bastante problemas. A China vive seu pior momento econômico desde o final dos anos 80. A política de covid-zero segue prejudicando a produção no país e, principalmente, minando a confiança do consumidor chinês. Além disso, há uma crise crescente no setor de construção residencial, um dos principais motores da economia chinesa.

O risco é crescente também de países emergentes endividados serem arrastados para uma crise da dívida, devido ao aumento dos juros nas principais economias e à maior aversão ao risco nos mercados globais. Mais problemas econômicos nos emergentes significam mais risco de agitação social e política, inclusive na América Latina.

No Brasil, uma tentativa de ruptura institucional jogaria o país e a América Latina numa crise de efeitos imprevisíveis. É esse risco que os EUA buscam eliminar apoiando a democracia.

Valor Econômico

Os protestantes e o poder




No Brasil, o Estado é legalmente separado da religião. Um conjunto de irregularidades, no entanto, vem sendo praticado por várias igrejas e denominações na violação desse preceito

Por José de Souza Martins* (foto)

Bolsonaro desencadeou crises profundas nas igrejas cristãs nascidas das reformas protestantes. Crises que estimularam abandono das igrejas, especialmente pelos jovens e pelos membros mais conscientes da gravidade da situação social e dos riscos representados por um governo que ameaça a frágil democracia brasileira.

A notícia de que o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana do Brasil desistiu de “vetar cristão de esquerda” trata de uma ocorrência da maior importância política. A igreja reagiu a uma proposta que seria levada ao seu Supremo Concílio por um de seus pastores, que já havia se pronunciado no templo pelo apoio à candidatura de Bolsonaro.

No Brasil, o Estado é legalmente separado da religião. Um conjunto de irregularidades, no entanto, vem sendo praticado por várias igrejas e denominações na violação desse preceito.

Aliás, foi um presbiteriano de origem que levantou o tema pela primeira vez, na chamada “Questão do Cristo no Júri”, em 1891, com base no fato de que a Constituição republicana estabelecera a separação entre Igreja e Estado. Tratava-se do Dr. Miguel Vieira Ferreira (1827-1895), que se desligara da Igreja Presbiteriana e fundara a Igreja Evangélica Fluminense.

Ele era militar, matemático, fora abolicionista e era republicano. Chamado a participar do júri no Rio de Janeiro, em nome da Constituição solicitou que fossem retirados os crucifixos dos recintos públicos em que cidadãos, de qualquer religião, tivessem que atuar. Isso lhe criou um enorme problema, acabou preso.

Dele até hoje, os presbiterianos da igreja que agora se manifesta passaram por grande recuo. Sobretudo no governo Bolsonaro, envolveram-se em várias funções do Estado não em nome da cidadania, mas de uma convocação religiosa, a do “terrivelmente cristão” das pregações do presidente. O caso do da educação foi a gota d’água da negação de valores republicanos da tradição calvinista.

No voto alternativo que superou a proposta do pastor que definia um quadro de limitações a membros identificados com orientações filosóficas diversas das oficiais, prevaleceu o temor de um cisma. Como o já ocorrido nos anos 1970, quando a Igreja, alinhada com o regime militar, perdeu um grupo de pastores que se constituiu na Igreja Presbiteriana Unida. O golpe de 1964 contara com o apoio da Igreja Presbiteriana dominante. Vários presbiterianos, na sequência, se tornaram governadores de estado.

Houve, na ditadura, episódios graves envolvendo evangélicos na violação de direitos humanos, o que sugere uma identificação doutrinária com o regime autoritário e com a repressão que o garantiu.

Na votação de agora, os pastores lembraram de uma decisão anticomunista do Supremo Concílio, de 1954. Foi quando a Igreja justificou-se ao invocar a “incompatibilidade entre o comunismo ateu e materialista e a doutrina bíblica”. Negação do envolvimento nas questões sociais. Em linha oposta à de uma declaração da Confederação Evangélica do Brasil sobre “A Responsabilidade Social das Igrejas”.

Ia-se definindo uma cisão entre as igrejas evangélicas identificadas com o Concílio Mundial de Igrejas, protestante, de Genebra, e as identificadas com as igrejas americanas anticomunistas e as de inspiração fundamentalista.

A referência de 1954 está muito longe da realidade social e política de agora. Os presbiterianos estão se referindo, provavelmente, ao regime totalitário de Stalin, cuja violência e cuja intolerância foram denunciados por Nikita Kruschev, em 1956.

Foi a Guerra Fria desencadeada pelas potências capitalistas já no final da Segunda Guerra que deu extensa sobrevida a uma versão não marxista do socialismo e congelou a esquerda naquilo que não era. Gente repressiva e ignorante reinventou a esquerda para persegui-la. Criou a base ideológica dos regimes totalitários na América Latina.

Não deixa de ser engraçado e contraditório que o combate ao marxismo, por essas igrejas, desconhece que Karl Marx e seu companheiro de trabalho intelectual, Friedrich Engels, eram batizados pela Igreja Luterana. Engels destinara-se à vida de pastor, o que não ocorreu porque teve que assumir a administração da fábrica de sua família na Inglaterra.

Nunca renunciaram ao batismo, o que não quer dizer, como explicou o Padre Gustavo Gutierrez, um dos pais da Teologia da Libertação, que fossem cristãos. No entanto, isso não quer dizer que não haja em suas obras concepções interpretativas e valores próprios do cristianismo. Penso que isso é estrutural no famoso ensaio sobre a alienação, nos “Manuscritos econômicos e filosóficos”, de Marx. Aliás, o cardeal Ratzinger, depois Bento XVI, o cita em seu estudo sobre a vida de Jesus.

*José de Souza Martins foi professor titular de sociologia na Faculdade de Filosofia da USP. Professor da Cátedra Simón Bolivar, da Universidade de Cambridge, e fellow de Trinity Hall (1993-94). Pesquisador Emérito do CNPq. Membro da Academia Paulista de Letras. Entre outros livros, é autor de "Sociologia do desconhecimento Ensaios sobre a incerteza do instante" (Editora Unesp, 2021).

Valor Econômico

Trocando ciência por sucata - Editorial




Em mais uma descarada compra de votos, governo retira recursos de ciência e tecnologia para comprar caminhões velhos

Não é novidade que o governo Jair Bolsonaro não apoia a ciência e a tecnologia. Iniciativas para contingenciar o principal instrumento de fomento da área, o Fundo Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (FNDCT), foram reiteradamente defendidas pelo Executivo e, após intensa mobilização do setor, rejeitadas pelo Congresso. Parecia que os parlamentares estavam convencidos da importância do setor para o futuro do País, mas qualquer ilusão dessa natureza cai por terra quando a sociedade assiste à aprovação, pela Câmara e pelo Senado, de uma proposta que retira recursos de pesquisa e desenvolvimento para, literalmente, comprar sucata.

Fruto de uma medida provisória (MP), a iniciativa não surpreende pelas intenções, mas pela desfaçatez dos argumentos em sua defesa. O texto institui o Programa de Aumento da Produtividade da Frota Rodoviária (Renovar), cujo objetivo é diminuir o custo Brasil e incrementar a produtividade, a competitividade e a eficiência da logística no País. São todos problemas crônicos da economia brasileira e, para eles, o governo apresenta sua solução: retirar de circulação caminhões velhos, incentivando a entrega de veículos em pontos autorizados de desmanche e reciclagem. Por esse singelo gesto em favor do desenvolvimento nacional, os motoristas vão receber o valor de mercado dos caminhões e da sucata. Parece piada, mas é só compra de votos.

Para bancar o custo do programa, o Executivo se superou. Incluiu o Renovar entre as atividades aptas a obter recursos destinados à pesquisa, desenvolvimento e inovação recolhidos por empresas de óleo e gás. Por lei, elas são obrigadas a contribuir com até 1% da receita bruta em projetos como a produção de tecnologias para a transição energética e a descarbonização; agora, até 2027, poderão financiar a compra de sucata. Os valores arrecadados com a cobrança atingiram a marca de R$ 3 bilhões em 2021. Pelo texto aprovado, caberá ao governo disciplinar a utilização dessa verba. A depender do desespero eleitoral do presidente, o Renovar poderá receber 100% do dinheiro.

Em carta ao Congresso, oito entidades, entre elas a Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e a Academia Brasileira de Ciências (ABC), criticaram o que consideram ser a destruição de uma política pública exitosa e que garantiu a construção de 150 laboratórios, além de convênios e contratos com mais de 200 universidades. Interessada em impulsionar a produção de caminhões, a Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea) obviamente apoiou a proposta. Governo e Congresso, por sua vez, ignoraram os resultados de um projeto semelhante criado nas gestões lulopetistas, que não resolveu o problema e ainda criou outro pior. A medida custou R$ 34 bilhões ao Tesouro, aumentou a frota circulante, derrubou o valor dos fretes e foi apontada como a principal causa da greve de caminhoneiros que paralisou o País em 2018. Nada mais simbólico que a versão bolsonarista do programa troque ciência por sucata.

O Estado de São Paulo

A política econômica em 2023




Inflação e juros devem seguir altos em 2023, independentemente de quem vencer as eleições de outubro

Por Armando Castelar* (foto)

O ano de 2023 promete ser bastante desafiador, em que pese o recente otimismo do mercado financeiro com a possibilidade de se trazer a inflação nas economias avançadas, próxima de atingir os dois dígitos, de volta à meta de 2% ao ano sem um forte aperto monetário e sem uma recessão. A realidade é que, ou os bancos centrais (BCs) sobem os juros bem mais do que ora precificado nos mercados futuros, e os mantêm lá por mais tempo do que hoje se prevê, ou o mundo irá retornar a um período de estagflação.

No cenário mais provável em que os BCs, ainda que a contragosto, apertam bem mais a política monetária, o quadro que se colocará para as economias emergentes não será fácil, com o dólar se valorizando, a liquidez internacional diminuindo e o comércio internacional em queda. Isso significará inflação e juros mais altos e uma atividade econômica mais retraída nessas economias. Em alguns casos, isso resultará em instabilidade política e crises de financiamento externo. O que estamos vendo na Argentina atualmente já é, em parte, um resultado desse quadro global mais desafiador.

O Brasil apresenta alguns indicadores que vão ajudá-lo a navegar nesses mares revoltos, como o déficit em conta corrente relativamente pequeno e financiado pela entrada de investimentos externos, além de um câmbio já desvalorizado para padrões históricos. Mas isso não significa que não teremos um ano difícil pela frente.

Nossa inflação segue alta e trazê-la para baixo não será fácil, nem rápido. A política fiscal expansionista adotada pré-eleições é parte do problema, mas também contribuem para ele a inércia elevada, fruto de a inflação estar alta e disseminada há tanto tempo, e as expectativas desancoradas, com a perda de relevância das metas de inflação.

Isso significa que inflação e juros devem seguir altos em 2023 e, possivelmente, depois disso. Essa previsão, me parece, independe de quem vai vencer as eleições de outubro. O mesmo é provável em relação à esperada desaceleração da atividade econômica, não se podendo descartar uma recessão em 2023, e à piora das contas públicas, com a alta na despesa de juros sobre a dívida pública, a queda das receitas, fruto da atividade mais fraca, e a pressão por mais gastos públicos, típica de governos com viés populista.

Seja disfarçadamente, como tem feito o atual governo, seja ostensivamente, como promete o ex-presidente Lula, também deve se acabar com o teto de gastos introduzido pela Emenda Constitucional 95, de 2016. Com isso os juros longos devem seguir altos, encorajando um certo encurtamento dos prazos da dívida pública.

Por outro lado, uma área em que o resultado da eleição fará diferença diz respeito ao nível e à forma de intervenção do Estado na economia. O atual governo manteve reformas importantes aprovadas no governo Temer, como a trabalhista e a redução dos subsídios de crédito dados pelo BNDES, com a substituição da TJLP pela TLP, que são criticadas pelo PT.

Em termos de privatização, ainda que os resultados tenham ficado bem aquém das promessas iniciais, é inquestionável que o atual governo registrou avanços relevantes. A operação de maior destaque foi a transferência da Eletrobrás para a iniciativa privada, mas há outros exemplos importantes, como as vendas de várias subsidiárias de empresas estatais. Além disso, se avançou bastante nas concessões para a iniciativa privada na área de infraestrutura. Mais operações como essas devem ocorrer em caso de reeleição do atual presidente, destacando-se as companhias Docas e, possivelmente, a Petrobras.

O ex-presidente Lula fala pouco de seus planos para a política econômica caso seja eleito. Porém, a julgar pelos documentos publicados pela Fundação Perseu Abramo e assinados por algumas das principais lideranças do PT, a tendência seria voltar às práticas do segundo governo Lula e da administração Dilma, com a farta distribuição de subsídios públicos.

Por exemplo, em documento publicado três meses atrás (Frente de Expansão da Renda, do Emprego e do Investimento), defende-se que "[p]ara a construção dessa nova indústria são fundamentais instrumentos como conteúdo local, compras governamentais, crédito direcionado, investimentos públicos, financiamento de clusters e start-ups, além de outras políticas industriais, comerciais, de CT&I e de desenvolvimento regional, compondo um complexo que impõe a necessidade de atuação do Estado e coordenação do governo central" (pag. 25). Em documentos de dois anos atrás se propõe, mesmo, a reversão de algumas privatizações.

Obviamente, o que prevalecerá, na prática, vai depender de bem mais do que só os planos e desejos de quem vencer as eleições de outubro. A necessidade de lidar com o cenário externo desafiador, a inflação elevada e a economia retraída, além de um quadro fiscal em deterioração, vai forçar a nova administração a ser mais ortodoxa do que talvez estivesse nos planos. Por outro lado, a tendência é que a atual polarização política siga forte em 2023, o que aumentará a tentação por soluções simples e rápidas, mas erradas. Em síntese, apertem os cintos!

*Armando Castelar Pinheiro é professor da FGV Direito Rio e do Instituto de Economia da UFRJ e pesquisador-associado do FGV Ibre

Valor Econômico

MDB do Rio “cristianiza” Simone e apoia Lula




Por Luiz Carlos Azedo (foto)

Moreira trabalha para que Michel Temer também declare apoio a Lula. Mas não houve nenhum sinal efetivo de reaproximação entre ambos. O petista simplesmente o esnobou o ex-presidente

Em 15 de maio de 1950, os dirigentes do PSD, reunidos na casa de Cirilo Júnior (presidente do partido), decidiram lançar a candidatura de Cristiano Machado à Presidência da República. O general Góis Monteiro transmitiu a decisão ao presidente Eurico Gaspar Dutra, seu velho amigo, enquanto o próprio Cristiano procuraria Getúlio Vargas e Ademar de Barros, o governador de São Paulo, para oferecer ao Partido Trabalhista Brasileiro (PTB) a vice-presidência.

Vargas não objetou a escolha, mas o PSD do Rio Grande do Sul (favorável à indicação de Nereu Ramos) rejeitou a candidatura. O Partido Social Progressista (PSP), de Ademar de Barros, também decidiu não apoiar Cristiano. Sabia que a candidatura de Vargas, apoiada por Ademar, seria lançada em 17 de junho. O próprio tentava adiar a convenção e remover o candidato do PSD, mas não teve sucesso. Cristiano foi aclamado no dia 9 de julho, ou seja, se antecipou a Vargas. Para neutralizar Ademar, Cristiano fez ainda uma aliança com Hugo Borghi, candidato ao governo de São Paulo pelo Partido Trabalhista Nacional (PTN).

Nas eleições de 3 de outubro de 1950, a chapa Cristiano Machado-Altino Arantes (PSD-PR) concorreu com as de Eduardo Gomes-Odilon Braga (UDN) e Getúlio Vargas-Café Filho (PTB-PSP). O resultado final deu a Getúlio 3.849.040 votos, contra 2.342.384 dados ao brigadeiro Eduardo Gomes e 1.697.193 a Cristiano Machado. O refluxo do setor getulista do PSD em relação à candidatura de Cristiano e a transferência de seus votos para Vargas foi um processo de esvaziamento eleitoral que ficou conhecido no jargão político como “cristianização”.

Ontem, a candidata do MDB à Presidência da República, Simone Tebet, foi “cristianizada” pelo MDB do Rio de Janeiro, que decidiu, em convenção regional, apoiar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e a reeleição do governador Cláudio Castro. Segundo o documento aprovado, a gravidade do momento, sem qualquer desmerecimento à candidatura posta pelo MDB, “impõe já no primeiro turno das eleições apoiar a candidatura do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o mais qualificado entre todos para governar”.

O MDB cristianizou Ulysses Guimarães (1989), Orestes Quercia (1994) e Henrique Meirelles (2018), mas nunca de papel passado.

Sem compromisso

Segundo o ex-governador Moreira Franco, um dos autores do texto, não houve nenhum acordo prévio com a Lula. A decisão de apoiar o petista foi tomada mirando quatro objetivos: “1º) fortalecer as instituições políticas democráticas, não para mantê-las congeladas no tempo, mas modernizando-as e adaptando-as às exigências de um mundo que muda cada vez mais rapidamente e não perdoa os retardatários; 2º) não aspirar à reconstituição do passado, consciente de que temos de procurar nosso lugar no futuro que está em gestação em todas as esferas da vida; 3º) recuperar o papel do Estado na liderança e na promoção do desenvolvimento econômico e na repartição dos frutos do progresso, do mesmo modo como o fizeram todos os países democráticos do mundo; 4º) governar em nome de todos os brasileiros e para todos os brasileiros e garantir segurança jurídica e estabilidade institucional para os que produzem e trabalham.”

“Uma coalizão de brasileiros, unidos por estes valores, pode evitar os males que nos ameaçam, dar fim a um momento sombrio de nossa história e lançar as bases duradouras de um verdadeiro desenvolvimento inclusivo e sustentável. Esta é uma oportunidade que não podemos perder”, argumenta o documento aprovado na convenção.

Moreira foi um dos artífices do impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff e trabalha para que o ex-presidente Michel Temer também declare apoio a Lula. Mas não houve nenhum sinal efetivo de reaproximação entre ambos. O petista simplesmente esnobou Temer, solidário com Dilma.

O MDB do Rio de Janeiro é presidido pelo deputado Leonardo Picciani, filho do ex-presidente da Assembleia Legislativa Jorge Picciani, velho aliado de Lula. O ex-prefeito de Duque de Caxias Washington Reis foi indicado vice da chapa. Claudio Castro apoia a reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL).

Correio Braziliense

Presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos elogia Taiwan




Pelosi diz que viagem à Ásia não teve objetivo de mudar status quo

Por Sakura Murakami e Kiyoshi Takenaka

Tóquio - A presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, elogiou Taiwan nesta sexta-feira, prometeu solidariedade dos Estados Unidos (EUA) e disse que sua viagem pela Ásia, que levou a exercícios militares sem precedentes de uma China enfurecida, nunca teve como objetivo mudar o status quo regional.

Pelosi e uma delegação do Congresso estavam no Japão na última etapa de uma viagem à Ásia que incluiu uma breve e não anunciada parada em Taiwan, a ilha autogovernada que Pequim considera seu território, o que levou a China a realizar exercícios de tiro real em águas em torno de Taiwan, com cinco mísseis atingindo a zona econômica exclusiva do Japão.

Sua parada em Taiwan, a visita de mais alto nível de uma autoridade dos EUA em 25 anos, ocorreu no momento em que o Japão, um dos aliados mais próximos de Washington, está cada vez mais alarmado com o crescente poder da China no Indo-Pacífico e a possibilidade de Pequim tomar uma ação militar contra Taiwan.

"Dissemos desde o início que nossa representação aqui não visa mudar o status quo em Taiwan ou na região", disse ela em entrevista coletiva após se reunir com o primeiro-ministro japonês, Fumio Kishida.

"O governo chinês não está satisfeito que nossa amizade com Taiwan seja forte", acrescentou. "É bipartidário na Câmara e no Senado, apoio esmagador à paz e ao status quo em Taiwan."

A China condenou a viagem de Pelosi, que levou a delegação a Cingapura, Malásia e Coreia do Sul, além de Taiwan e Japão.

Segundo emissora estatal chinesa, os exercícios militares, que começaram na quinta-feira --um dia depois que Pelosi deixou Taiwan-- e devem terminar no domingo, serão os maiores conduzidos pela China no Estreito de Taiwan. Os exercícios envolveram munição real nas águas e no espaço aéreo ao redor da ilha.

Reuters / Agência Brasil

EUA: guerra na Ucrânia deixará 40 milhões de famintos na África




Não há indicação de saída diplomática, disse embaixadora dos EUA

Por Cooper Inveen 

Nova York - A embaixadora dos Estados Unidos na Organização das Nações Unidas (ONU), Linda Thomas-Greenfield, disse nesta sexta-feira (5) que a invasão da Ucrânia pela Rússia deixará 40 milhões de pessoas em situação de insegurança alimentar e que a África subsaariana será a mais atingida.

Os Estados Unidos garantiram US$ 4,5 bilhões para segurança alimentar na cúpula do G7, dos quais contribuíram com US$ 2,76 bilhões.

Também há planos para que os EUA contribuam com  US$ 150 milhões para o desenvolvimento de novas ações de assistência humanitária para a África, mas o Congresso ainda precisa aprovar os recursos, ela acrescentou.

A maioria dos governos africanos têm evitado tomar partido no conflito europeu e se recusaram a se juntar às condenações e sanções ocidentais.

Os africanos "não querem ser pressionados a escolher um lado" em uma repetição da Guerra Fria, mas "precisam conhecer os fatos", disse Linda.

Embora a energia, as mudanças climáticas, a pandemia e o conflito sejam as principais causas dos problemas globais para o abastecimento de alimentos, a “fonte mais insidiosa” é a fome usada intencionalmente como arma de guerra, disse ela.

Moscou nega a responsabilidade pela crise alimentar e culpou as sanções ocidentais por desacelerar suas exportações de alimentos e fertilizantes.

Linda refutou essa alegação nesta sexta-feira, sugerindo que a Rússia havia deliberadamente tomado medidas para interromper as cadeias globais de fornecimento de alimentos enquanto culpava o Ocidente.

"Não vimos nenhuma indicação de que a Rússia aceitará uma solução diplomática" para a guerra na Ucrânia, disse ela.

Reuters / Agência Brasil

O animal político




Confiança e abertura completa são incompatíveis: quem confiaria em você se todo mundo soubesse tudo o que você pensa? 

Por Theodore Dalrymple (foto)

A política é uma atividade suja, e se a experiência de diversos milênios nos ensinou alguma coisa, vai continuar sendo. Nem mesmo a política das pequenas instituições costuma funcionar sem características encantadoras como mentiras, hipocrisia, difamação, duplicidade, chantagem, traição, etc. — e isso quando apenas coisas pequenas estão em jogo!

Tenho dois princípios para me guiar em minha vida profissional: nada de grandes deslocamentos e nada de política corporativa. Naturalmente, esses dois princípios de alguma forma dificultaram minha ascensão profissional, mas o sacrifício pareceu valer a pena.

Ainda que a sujeira da política seja um truísmo, na Europa Ocidental a classe política raramente é vista com tanto ódio e desprezo quanto agora, pelo menos não na memória viva. Em parte, pode ser porque sabemos mais sobre isso do que antes; em parte, porque temos uma inclinação natural a acreditar que tudo, do gosto de uma fruta ao serviço oferecido pelos Correios, era melhor antigamente (o que se torna mais antigamente conforme envelhecemos). O que também parece ser verdade é que figuras da política são odiadas com um veneno desproporcional por causa dos erros que cometeram.

Até certo ponto, depende dos padrões com que os julgamos. Existe um tipo de normal ideal, de acordo com o qual os políticos são comparados com santos que nunca fazem nada errado, que operam milagres e estão ungidos com benevolência. Existe um padrão mais realista de comparação, digamos, com figuras políticas do passado, nenhuma das quais era santa.

Mas o ódio pelos governantes atuais reina livre de qualquer comparação, e nós os odiamos porque atribuímos a eles como indivíduos todas as nossas mazelas e insatisfações atuais. Isso tem a vantagem de nos permitir nunca olhar para dentro, ou nos perguntar por que votamos neles. Principalmente, votamos neles porque queremos acreditar em suas mentiras. Como o finado marechal Mobutu Sese Seko, do Zaire, comentou certa vez, são necessárias duas pessoas para corromper.

Segunda divisão

No Reino Unido, por exemplo, muitas pessoas, em especial aquelas de inclinação ao pensamento correto, odeiam Boris Johnson, que foi recentemente deposto como primeiro-ministro. Claro, ele teve muitos defeitos e cometeu muitas idiotices de moral duvidosa: mas pelos padrões dos malfeitores históricos ou do mundo, ele foi distintamente medíocre em seus pecados. Ninguém acreditaria nisso considerando a veemência do ódio direcionado a ele.

O mesmo pode ser dito sobre o presidente Macron, da França. Ele não é um homem muito atraente: frio, arrogante, insensível aos seres humanos normais e está longe de ser tão competente quanto gostaria de acreditar que é. Mas, mais uma vez, pelos padrões mundiais ou históricos de malefício, ele está na segunda divisão. No entanto, conheço pessoas que quase não conseguem dizer o nome dele sem cuspir.

Um dos fatores que levam as pessoas a odiar tanto os políticos é uma qualidade da vida moderna muitas vezes celebrada, a saber, a abertura. Podemos ver isso na dificuldade do Reino Unido de encontrar um sucessor para Boris Johnson como primeiro-ministro. No passado, essa figura seria escolhida mais ou menos por um grupo de políticos de destaque de seu partido. Mas, claro, em uma era democrática isso não é mais aceitável. Todos os membros pagos do partido precisam ter voz, o que significa que os candidatos ao cargo precisam fazer uma campanha eleitoral, com debates e tudo.

Em eleições modernas, a principal forma de argumentação é o insulto do candidato de oposição. Ele é um monstro com todo defeito humano possível. Ele não tem virtudes, só vícios. É incompetente, desleal, mentiroso, desonesto, vira-casaca, burro, ignorante, inexperiente, totalmente inadequado para o cargo. Se eleito, o céu vai desabar.

No entanto, quando o pleito acaba, ele se torna um colega valioso, um homem de confiança, mãos à obra, pensador profundo, a quem o número dois ou três no governo pode ser confiado.

Oportunistas inescrupulosos

Não é uma surpresa quando as pessoas concluem, a partir disso, que os políticos como um grupo são oportunistas inescrupulosos, porque não é possível que eles, os políticos, acreditem que uma pessoa é totalmente inadequada ao cargo e, pouco tempo depois, que ela é adequada, sim. Da mesma forma, essa pessoa aceita o cargo das mãos de alguém que, pouco tempo antes, ela havia caracterizado como totalmente indigno da liderança e a quem ela agora jura sua lealdade eterna, subitamente enxergando todas as virtudes nele.

A inconsistência só se explica pela suposição de que os políticos são canalhas que nunca são sinceros, que são salvos da acusação de mentir apenas porque desconhecem o conceito de verdade.

Agora, se tudo fosse decidido a portas fechadas, como antigamente, nada disso aconteceria em público. Ainda haveria esperança de que a pessoa escolhida se tornasse digna, em vez de alguém sabidamente mau, como sua campanha pela liderança revelou que ele é. Isso, por sua vez, remete à sabedoria das famosas palavras de Bismarck, que não se deve perguntar como as salsichas e a política são feitas.

A abertura cada vez maior, então, leva a menos confiança, não mais, e a confiança é essencial para qualquer vida política e social tolerável. Não significa que a confiança deve ser absoluta, isso seria estupidez; mas a desconfiança deve ser exercida com cuidado e discernimento. Se você parte da premissa de que todos os políticos são canalhas (tendo assistido ao funcionamento de sua ascensão à liderança), você passa a vida em um estado de quase paranoia, o que é desconfortável. Como dr. Johnson disse, às vezes é melhor ser enganado do que nunca confiar. Confiança e abertura completa são incompatíveis: quem confiaria em você se todo mundo soubesse tudo o que você pensa?

Tudo bem odiar os políticos como classe, mas, sendo um animal político, essa classe veio para ficar. Uma das razões por que os odiamos tanto é: quando olhamos em seus olhos, o que vemos é um reflexo de nós mesmos.

Revista Oeste

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