quinta-feira, junho 30, 2022

Sem resposta à inflação, não tem como Bolsonaro crescer, diz cientista política


CHARGE S/A - E o dragão da inflação? - People S/A - Bem Paraná

Charge do Jorge Braga (Arquivo Google)

Ester Cassaviada
CNN São Paulo

Pesquisa Datafolha divulgada na quinta-feira (23) mostrou o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) com 47% das intenções de voto na corrida pelo Palácio do Planalto. O presidente Jair Bolsonaro (PL) tem 28%. Em entrevista à CNN, a cientista política Deisy Cioccari apontou os principais desafios neste momento da pré-campanha à Presidência da República.

 “O ponto é que Bolsonaro segue fazendo a mesma coisa de 2018. Então, se ele não oferecer uma resposta pra inflação, que é o grande desafio desse ano, não tem como ele crescer, não tem como ele sair desses 28-30% que acho que é o máximo que ele consegue atingir se ele não oferecer uma resposta suficiente para a população”, disse Deisy Cioccari.

OUTRA REALIDADE – A especialista avalia que os cenários de 2018 e de 2022 são bastante diferentes.

“Quando ele entrou na campanha de 2018, a gente viveu uma realidade que era um reflexo da operação Lava Jato. O eleitorado estava muito desgastado com a questão da corrupção e queria alguma coisa diferente a tudo que estava ali. O presidente Jair Bolsonaro conseguiu fazer com que uma narrativa de falta de historicidade no Congresso fosse confundida com ‘eu não sou a velha política’”, diz.

“Agora, em 2022, ele não tem mais essa história pra contar e não é mais a nova política que ele conseguiu incrustar no eleitor”, completa.

SEM TERCEIRA VIA – A cientista política avalia que “não há menor possibilidade de um nome da terceira via surgir agora”.

“A gente tem nessa disputa eleitoral de 2022 dois nomes populistas muito fortes. Normalmente, quando o país enfrenta uma crise política como foi no período da eleição de 2018 e como é agora com um cenário completamente diferente, completamente sensível, como falei aqui de choque inflacionário, de guerra, de pandemia”, explica Deisy. “A gente tem hoje dois dos maiores líderes populistas da história da política do Brasil que são o Lula e o Bolsonaro. Não tem como uma terceira via surgir num cenário tão polarizado”, avalia.

Para a especialista, um nome para a terceira via pode surgir para a próxima campanha presidencial, em 2026.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– Cientista político é como juiz – cada cabeça, uma sentença. Essa jovem Deisy Cioccari acabou com a terceira via com uma facilidade enorme e já elegeu Lula por antecedência. Então, é melhor avisar ao TSE para cancelar as eleições e entregar as chaves do Planalto para o petista voltar logo à cena do crime(C.N.)

Voto útil é preciosa ferramenta democrática e as pesquisas ajudam a tomada de decisões

Publicado em 30 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Voto nas eleições

Charge do Duke (domtotal.com)

João Gabriel de Lima
Estadão

Em época de eleições, a reação dos políticos às pesquisas segue um padrão. Quem está ganhando compartilha os resultados em suas redes. Quem está atrás inventa teorias conspiratórias para minar a credibilidade dos institutos. Tais teorias costumam se basear num mito: o de que as pesquisas são capazes de prever os resultados das eleições. Se “erram”, é porque não prestam.

Trata-se de uma concepção equivocada. Pesquisas não são oráculos. “Elas trazem informações que vão além da posição de cada candidato na corrida de cavalos”, diz Thomas Traumann, analista de risco político e autor de relatórios para empresários e o mercado financeiro.

HUMOR DO ELEITOR – Através das pesquisas é possível entender o humor do eleitor – e saber, assim, qual o tema dominante em cada pleito. Nesta eleição, segundo Traumann, será difícil fugir da agenda econômica. “Quando mencionamos a economia, falamos na verdade em emprego e nos preços do supermercado”, diz ele – e não temas abstratos como teto de gastos ou âncoras fiscais.

Trata-se de uma mudança de tendência. “Tivemos em 2018 um índice altíssimo de renovação do Congresso. O brasileiro queria novidades. Agora há um cansaço com os candidatos ‘youtubers’. O eleitor quer políticos capazes de entregar resultados”, afirma Traumann, com base na leitura de várias pesquisas baseadas em números, além de grupos de discussão.

As eleições municipais de 2020 foram um prenúncio da nova tendência. Ao contrário de 2018, o eleitor preferiu políticos experientes, o que resultou numa onda de reeleições.

VOTO ÚTIL – Dados das pesquisas são valiosos para planejadores de campanhas eleitorais. Para o eleitor comum, os levantamentos ajudam na tomada de decisões, pois o voto útil é uma ferramenta legítima nas democracias.

Isso ocorreu neste ano em Portugal. Muitos eleitores de centro migraram, na véspera da eleição, para o Partido Socialista, com medo de que uma coalizão de centro-direita incorporasse os radicais do Chega. No Brasil, lembra Traumann, o voto de última hora costuma punir o PT, mas nem sempre isso acontece. Um caso famoso ocorreu em 1988 em São Paulo, quando os eleitores de José Serra votaram em Luiza Erundina para evitar que Paulo Maluf chegasse à Prefeitura.

O Estadão lançou recentemente um agregador de pesquisas eleitorais em que institutos considerados “padrão-ouro”, como o Ipec e o Datafolha, têm mais peso na média ponderada. É uma ferramenta eficiente para o eleitor que quer tomar boas decisões – mantendo distância das conspirações criadas pelos cavalos que comem poeira.

Datena desiste novamente da candidatura e prejudica Bolsonaro e Tarcísio Freitas

Publicado em 30 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Datena desiste de pré-candidatura ao Senado por SP; esta é a quarta vez que volta atrás

Irresponsável, Datena deixou Bolsonaro e Tarcísio na mão…

Gustavo Schmitt e Daniel Gullino
O Globo

O apresentador de televisão José Luiz Datena (PSC) afirmou nesta quinta-feira que vai desistir de disputar a eleição ao Senado por São Paulo neste ano. O anúncio foi feito nesta tarde durante o seu programa Brasil Urgente, na Band. É a quarta vez que Datena abre mão de concorrer a cargos na política. Nas três últimas eleições, ele desistiu de concorrer a senador, prefeito e vice-prefeito.

— Em primeiro lugar, eu queria deixar minha palavra de carinho para com o presidente da República, que hoje de manhã deu uma declaração que tinha me escolhido como candidato ao Senado em São Paulo. E foi isso mesmo que foi acordado. Mas eu pensei bem, e resolvi seguir o meu caminho, mas obrigado a ele por ter confirmado o acordo que aconteceu, não foi por parte dele que não deu certo, disse o jornalista.

CONSTRANGIMENTO – A decisão deixou Bolsonaro constrangido, porque na manhã de hoje o presidente Jair Bolsonaro (PL) afirmou que estava “fechado” com o apresentador.

— Estou como Datena lá, fechei com o Datena. Está em um outro partido. Tem críticas, assim como tem gente que critica o Tarcísio, critica a mim — disse o presidente, sobre a postura política do apresentador.

A pré-candidatura de Datena foi anunciada pelo presidente Jair Bolsonaro (PL) no dia 15 de maio, em São Paulo, durante almoço na casa do ex-presidente da Fiesp, Paulo Skaf. Datena, que esteve presente no almoço e discursou aos presentes, afirmou ao GLOBO que só não seria candidato “se morresse” ou se Jair Bolsonaro e Tarcísio Freitas desistirem.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Datena não morreu, Bolsonaro e Tarcísio não desistiram, mas tiveram um grande baque em suas campanhas. A palavra de Datena, portanto, não vale uma nota de três dólares. E sua decisão irresponsabilidade mostra que a abunda na política brasileira. (C.N.)

 

Piada do Ano! Bolsonaristas dizem que assédio na Caixa não tira votos, mas evita crescimento

Publicado em 30 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Irritado, Bolsonaro distribui respostas estúpidas após avalanche de críticas - Correio do Brasil

Bolsonaro demorou a demitir Guimarães e se complicou

Valdo Cruz
G1 Brasília

As denúncias de assédio sexual na Caixa Econômica Federal, que derrubaram o presidente do banco, Pedro Guimarães, não devem tirar votos do presidente Jair Bolsonaro, mas vão dificultar a conquista de novos votos, principalmente entre as mulheres.

A avaliação é de integrantes da campanha de reeleição do presidente da República, que defendiam uma demissão sumária do auxiliar de Bolsonaro, e não um pedido de demissão.

MELHORAR A IMAGEM – Aliados do presidente no Centrão consideravam o caso de assédio sexual na Caixa, do qual é acusado Pedro Guimarães por funcionárias da instituição, uma oportunidade para Bolsonaro tentar melhorar sua imagem junto ao eleitorado feminino, que tem uma forte rejeição ao chefe do Executivo Federal.

Por isso, defendiam que o presidente da Caixa fosse demitido, com o presidente se posicionando publicamente em defesa das funcionárias do banco, mesmo com a ressalva de que Pedro Guimarães tem direito a se defender. Mas aconteceu exatamente o contrário. Bolsonaro ficou em silêncio sobre o caso até agora e aceitou que o seu auxiliar pedisse demissão, divulgando antes uma carta se defendendo e afirmando que as acusações não são verdadeiras.

ALA IDEOLÓGICA – Acabou vencendo a ala ideológica, que apoia Pedro Guimarães, que sempre se colocou em defesa das teses defendidas por esse grupo dentro do governo. Guimarães se transformou num dos assessores mais próximos do presidente da República, chegando a articular uma tentativa de ser o candidato a vice na chapa de Bolsonaro na eleição deste ano.

Para aliados de Bolsonaro no Centrão, a opção do presidente pela ala ideológica é um erro.

Se o seu grupo fiel de eleitores não deve abandoná-lo por causa das acusações de assédio sexual, o presidente acaba ficando preso à sua bolha, dificultando a conquista de novos apoios, principalmente entre as mulheres.

SEGUNDO TURNO – Sem conseguir ampliar sua intenção de voto, Bolsonaro pode ir até para o segundo turno, mas não ganha a eleição, alertam interlocutores dele no Congresso.

Os integrantes da ala ideológica saem em defesa do presidente argumentando que ele não é o acusado, mas sim Pedro Guimarães, e por isso não pode ser penalizado por causa do episódio.

Mas a ala política rebate esse argumento dizendo que o presidente tem uma imagem ruim com as mulheres, por causa do seu estilo agressivo, machista e truculento, e que condenar o caso da Caixa seria uma oportunidade para amenizar essa avaliação do público feminino.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A campanha de Bolsonaro parece estar sendo dirigida pelos Trapalhões. É como se houvesse um movimento interno para inviabilizar a reeleição. (C.N.)


Procuradoria defende a atuação do Ministério da Defesa no caso das urnas eletrônicas

Publicado em 30 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Interlocutores de Lindôra Araújo dizem que acusações de Witzel são absurdas  | CNN Brasil

Procuradora Lindôra Araújo pede arquivamento da ação

Mariana Muniz
O Globo

A Procuradoria-Geral da República (PGR) encaminhou uma manifestação nesta quarta-feira para o Supremo Tribunal Federal (STF) em que classifica como legítima a atuação do Ministério da Defesa ao encaminhar sugestões ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) sobre o funcionamento das urnas eletrônicas e do sistema eleitoral.

O parecer foi dado em uma ação em que um advogado pede investigação e acusa o general Marco Antônio Freire Gomes, o brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior e o almirante Almir Garnier Santos de supostos crimes de terrorismo e de tentativa de “abolir o Estado Democrático de Direito, impedindo ou restringindo o exercício dos poderes constitucionais”.

AMEAÇAS ÀS ELEIÇÕES – Segundo o autor do pedido, as Forças armadas lançariam mão de “ameaças veladas e às vezes abertas” às eleições. O caso está com a ministra Rosa Weber, que solicitou a manifestação da PGR.

No parecer assinado pela vice-procuradora-geral da República, Lindôra Maria Araújo, o pedido de investigação não deve ser acolhido, e representa um “possível inconformismo particular à atuação, em princípio, legítima do Ministério da Defesa”.

“Com a devida venia, qual terrorista ou transgressor da ordem democrática identificar-se-ia ao presidente do TSE em documento oficial com sugestões para o alegado aprimoramento e a ampliação da transparência do sistema de votação?”, diz Lindôra raújo.

SEM MATERIALIDADE – “Para mais, não se vislumbra indícios de materialidade e de autoria no fato de, por meio de expediente teoricamente subscrito por Ministro da Defesa, as Forças Armadas não se sentirem “devidamente prestigiadas” ou no fato de Paulo Sergio Nogueira afirmar que “secreto é o exercício do voto, não a sua apuração”, opina.

Segundo a PGR, “o Ministro da Defesa não tenta nem ameaça abolir a urna eletrônica ou o método empregado nas últimas eleições, mas sim propõe diretamente ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral medidas aditivas sob o pretexto da melhoria da apuração”, porque as Forças Armadas foram convidadas em 2021 pelo ex-presidente da Corte Eleitoral, ministro Luís Roberto Barroso, a integrar o Comitê de Transparência das Eleições (CTE).

ATAQUES DE BOLSONAEO – O convite ocorreu diante da insistência do presidente da República Jair Bolsonaro questionar, sem provas, a confiabilidade das urnas eletrônicas, usadas há mais de 20 anos nas eleições do país sem qualquer caso de fraude comprovado.

Desde o início do ano, o ministro da Defesa e o presidente da Corte Eleitoral, ministro Edson Fachin, têm trocado uma série ofícios. O general Paulo Sérgio Nogueira Oliveira tem cobrado que o TSE acate as sugestões feitas por militares.

Em um documento enviado no dia 10 de junho, o ministro disse que as Forças Armadas, convidadas a participar da comissão, não se sentiam prestigiadas e cobrou medidas para eliminar divergências.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– O Supremo tem 20 mil ações aguardando julgamento, porque os ministros perdem tempo discutindo essas bobagens. Esta ação sobre terrorismo das Forças Armadas deveria ter sido arquivada pelo relator, logo de início(C.N.)

Ação de Investigação Judicial Eleitoral AIJE

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Nota da redação deste Blog - Esse vídeo explica de forma didática a AIJE cuja oitiva de testemunhas aconteceu hoje  (30.06).
A próxima etapa será as alegações finais.
Pelo menos as dúvidas se seria realizada hoje  ou não foram sanadas, a gora é aguardar o desfecho final e que a justiça seja feita.

Vídeo-aula: AÇÃO DE INVESTIGAÇÃO JUDICIAL ELEITORAL - AIJE

Silêncio dos generais incomoda Bolsonaro e Braga Netto, que esperavam apoio ostensivo


Bolsonaro diz que pretende anunciar nos próximos dias Braga Netto como  candidato a vice – Money Times

Bolsonaro e Braga Netto encaram uma campanha difícil

Marcelo Godoy
Estadão

Em 2018, quando o general Eduardo Villas Bôas fez seus famosos tuítes sobre o julgamento do habeas corpus de Luiz Inácio Lula da Silva, o Alto Comando do Exército tinha outros cinco generais com perfis na rede social. De imediato, logo após a manifestação de Villas Bôas, José Luiz Dias Freitas correu para apoiar o colega: “Mais uma vez o Comandante do Exército expressa as preocupações e anseios dos cidadãos brasileiros que vestem fardas. Estamos juntos, Comandante”.

Pouco depois, foi a vez de Antônio Miotto, comandante militar do Sul, responder a Freitas, a Villas Bôas e a um perfil no Twitter identificado como @BrasilReaça, que, apesar de não existir mais na rede, tem um nome que não permite nenhuma dúvida sobre seu conteúdo. “General Freitas!!! Estamos firmes e leais ao nosso Comandante!! Brasil acima de tudo!!! Aço!!” O entusiasmo de Miotto era proporcional à sua presença no Twitter. Tinha 177 mil seguidores e publicara 26 mil vezes desde que entrara na rede em 2009.

APERTO DE MÃO – Miotto foi para a reserva em abril de 2020, no começo da pandemia de covid-19. Na cerimônia em que passou o comando ao general Valério Stumpf, Jair Bolsonaro teve o aperto de mão recusado pelo então comandante do Exército, Edson Pujol.

O cuidado diante da doença despertou a raiva de Bolsonaro. Um ano depois daquela cena, Pujol seria demitido pelo presidente. Meses antes, Miotto havia se tornado mais uma vítima entre as 670 mil pessoas que a covid matou no Brasil.

Outros generais com Twitter deixaram o serviço ativo. Primeiro foi Luiz Eduardo Ramos, que virou ministro na Esplanada, a nova caserna dos tuiteiros. Sobraram dois: Freitas, que se despediu em 2021, e Paulo Sérgio de Oliveira. Este decidira congelar sua conta ao se tornar comandante do Exército, em março de 2021.

UMA EXCEÇÃO. Ao ser nomeado ministro da Defesa, Paulo Sérgio de Oliveira ele foi sucedido por Marco Antônio Freire Gomes, o primeiro general a comandar a Força desde 2016 sem ter uma conta na rede social.

Hoje, nenhum integrante do Alto Comando do Exército (ACE) tem perfil pessoal no Twitter. Essa retração tem duas explicações. A primeira foi a portaria no comando de Edson Pujol, que enquadrou o uso das redes sociais pelos militares – houve até general que mudou de nome para permanecer tuitando anonimamente.

Na época, os oficiais postavam abertamente manifestações ilegais de caráter político-partidário, quase sempre em apoio a Jair Bolsonaro. A contaminação dos quartéis era evidente.

NAS REDES SOCIAIS – Uma análise feita nas contas do Twitter de militares seguidas por Villas Bôas e nas destes oficiais encontrou 115 integrantes da ativa que fizeram 3.427 tuítes de caráter político-partidário entre abril de 2018 e abril de 2020. As publicações estavam nos perfis mantidos por 82 integrantes das Forças Armadas, entre os quais 23 oficiais-generais – 19 generais, dois almirantes e dois brigadeiros.

Havia o caso de um coronel do 6.º Batalhão de Infantaria de Selva que fez 603 publicações. Outro coronel, um adido militar na Europa, publicou 309 vezes em apoio ao presidente e a deputados identificados com o bolsonarismo.

Até um comandante de CPOR (Centro de Preparação de Oficiais da Reserva) se referia aos opositores como “petralhada” e “comunistas” e manifestava apoio a Bolsonaro em sua conta pessoal. E um general muito ativo na rede deixou o comando de uma divisão e foi trabalhar no GSI, com Augusto Heleno.

TODOS ENQUADRADOS – Foi preciso mais de um ano para todos se enquadrarem nas novas normas. O silenciar da conta do general Paulo Sérgio mostrou que a balbúrdia anterior seria coisa do passado. O Exército preparou ainda uma cartilha para ser distribuída aos conscritos a fim de evitar que seus soldados fossem flagrados usando redes sociais de forma incorreta.

A manobra, cujo objetivo era desvincular a Força da imagem do governo, ganhou novo ímpeto com a guerra na Ucrânia, onde o uso de redes sociais demonstrou ser um perigo para militares, por denunciar sua posição, expondo-a aos mísseis inimigos.

Com esses argumentos, a maioria dos generais quer se manter longe da campanha – tanto de Bolsonaro quanto de Lula ou qualquer outro. Ainda mais agora que o maior temor de parte do ACE se dissipou: a volta de Walter Braga Netto à Defesa, caso não fosse ungido vice de Bolsonaro. Com o anúncio feito pelo presidente, o general Paulo Sérgio deve permanecer no cargo.

CRÍTICAS INTERNAS – Braga Netto, Eduardo Pazuello e outros são criticados por generais comprometidos com a ideia de um Exército profissional. Há ressentimento na caserna contra os que foram povoar gabinetes no governo, deixando claros nos quartéis.

Os críticos dos generais afirmaram que a Força Terrestre nunca deixou de fazer política e que, na atual fase, apenas volta ao antigo padrão de atuar nos bastidores. Mas em um ano eleitoral não é um dado sem importância o fato de Bolsonaro e os troupiers que o acompanham ficarem falando sozinhos nas redes sem encontrar ressonância pública na cúpula do Exército.

É verdade que depois de quase quatro anos de governo, não há muito mais o que obter de Bolsonaro a não ser o desgaste de se associar à sua gestão. Mas também é verdade que a geração que hoje está no comando não é a mesma de Bolsonaro. O Exército não é um ser monolítico, assim como os militares não são uma entidade única.

ATUAÇÃO POLÍTICA – Enquanto o Alto Comando silencia, o ministro da Defesa tem uma atuação cada vez mais política. As pressões contra a Justiça Eleitoral e a queixa-crime apresentada contra Ciro Gomes (PDT) renovam o ambiente criado em 2018.

Aqui se foi além do que aconteceu na Colômbia. Antes do primeiro turno, o esquerdista Gustavo Petro, presidente eleito do país vizinho, lançara acusação semelhante à de Ciro aos chefes do Exército. Recebeu como resposta um tuíte do comandante colombiano, que lhe pediu que encaminhasse a denúncia à Procuradoria em vez de fazer demagogia. Como poderia o Exército querer processar o futuro presidente?

Diante da remota possibilidade de Ciro vencer a eleição, a queixa do ministro cairá no esquecimento. Mas não devia. Muitos dos que apoiam Bolsonaro viram na condenação do deputado Daniel Silveira (PTB-RJ) um exagero.

QUEIXA CONTRA CIRO – Não se indignavam com as ofensas e ameaças aos ministros do Supremo. Agora querem se indignar quando a acusação irresponsável se volta contra os quartéis. A queixa contra Ciro é uma forma de tentar emparedar a Justiça e mobilizar a defesa da honra militar para colocá-la a serviço de Bolsonaro.

Como não ver na ação do ministro a reedição de uma velha magia? Os generais que assumiram a pasta da Defesa no governo Bolsonaro parecem acreditar que se tornam pessoas diferentes em razão do ritual de nomeação, como os antigos reis taumaturgos da França.

Mas, em vez de curar escrofulosos, os que vestem o terno e a gravata ministeriais pensam adquirir poderes sobrenaturais para curar a Nação de suas chagas. Será preciso um Marc Bloch para compreender essa fé nos milagres proporcionados pela investidura no cargo.

PRESSENTIMENTOS – A superstição tomou conta de Brasília. Bolsonaro não é o único ali a ter pressentimentos. Toda cidade já vislumbra a primeira derrota de um presidente em busca da reeleição.

E o capitão Jair Bolsonaro e o general Braga Netto entreveem a decisão do Alto Comando de não mover um dedo para rasgar a lei e manter um governo acossado pela corrupção na Saúde e por milhares de mortes na pandemia – a ciência acaba de determinar, como mostrou Fernando Reinach, no Estadão, o quanto delas pode ser creditado a Bolsonaro.

Não é só o café que esfria no gabinete presidencial; vista do Planalto, a luz das estrelas nos ombros dos generais fica cada vez mais azul.

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