
Wagner Rosário não foi avisado do pacto dos poderes
Carlos Newton
A jornalista Daniela Lima, da Folha de S. Paulo, revela que a Controladoria-Geral da União está elaborando um amplo estudo para revisar os mecanismos de combate à corrupção no governo federal, com o objetivo de aprimorar o sistema e adaptá-lo a convenções internacionais. Só pode ser Piada do Ano. Ao que parece, o ministro Wagner Rosário ainda não percebeu que o presidente Jair Bolsonaro está com dois filhos com os pés atolados no lamaçal, já havendo provas inequívocas da prática de “rachadinhas” nos gabinetes do então deputado estadual Flávio Bolsonaro e do vereador Carlos Bolsonaro.
Ou seja, o empenho do presidente da República vai justamente na direção contrária, pois Bolsonaro está fechado com o tal pacto entre os Três Poderes, cujo objetivo é esvaziar a Lava Jato, libertar quem está preso e impedir a incriminação ou condenação de quem ainda está sendo investigado ou processado, como Michel Temer, Aécio Neves, Moreira Franco, Aloysio Nunes, além dos ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes, flagrados pela Receita Federal com movimentações atípicas, junto com as respectivas mulheres.
EXCELENTE MINISTRO – Wagner Rosário é altamente preparado, tido como um dos melhores integrantes do primeiro escalão do governo. Capitão da reserva do Exército, é auditor federal de finanças e controle desde 2009, com mestrado em Combate à Corrupção e Estado de Direito pela Universidade de Salamanca, na Espanha.
Rosário tornou-se o primeiro servidor de carreira a assumir o cargo de secretário-executivo e ministro da CGU. Neste órgão de controle interno do governo federal, trabalhou também na área de Operações Especiais, responsável por investigações conjuntas de combate à corrupção, em articulação com a Polícia Federal, Ministérios Públicos (Federal e Estadual), Receita e demais órgãos de defesa do Estado. É ministro da Controladoria-Geral da União (CGU) desde 13 de junho de 2018, ainda no governo de Michel Temer, tendo sido confirmado no cargo por Bolsonaro.
TRABALHO EM VÃO – Wagner Rosário tem razão em pretender aperfeiçoar a atuação da Controladoria-Geral de União, porque um processo administrativo disciplinar está demorando cerca de 800 dias para ser concluído. O objetivo é reduzir o prazo para 120 dias. Segundo o jornalista Daniela Lima, a CGU também prepara um sistema para identificar, por exemplo, casos de nepotismo nos ministérios.
Seu trabalho, porém, está destinado a ser em vão, porque recentes decisões dos ministros Dias Tofolli e Alexandre Moraes praticamente inviabilizaram a atuação do antigo Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras), prejudicando também a atuação da Receita Federal e do Banco Central na identificação de casos de corrupção e lavagem de dinheiro por autoridades e também por criminosos de altíssima periculosidade, entre eles os chefes das grandes facções criminosas, como o Primeiro Comando da Capital (PCC), o Comando Vermelho (CV), a Família do Norte (FDN) e os Amigos dos Amigos (ADA).
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Na matriz USA existem 22 órgãos destinados a detectar movimentações financeiras irregulares, para possibilitar a abertura de inquéritos contra sonegadores e criminosos. Aqui na sucursal Brazil, a pedido do advogado de um dos filhos do presidente da República, dois ministros do Supremo recentemente mandaram suspender todos os procedimentos, inquéritos e processos, inviabilizando o funcionamento do único órgão dedicado a esse controle, o antigo Coaf. Ah, Brasil! Se Francelino Pereira e Renato Russo ainda estivessem por aqui, estariam perguntando que país é esse… (C.N.)