sexta-feira, fevereiro 22, 2019

Lista de indicados para medalha de 410 anos do TJ-BA gera discussão entre desembargadores


por Cláudia Cardozo
Lista de indicados para medalha de 410 anos do TJ-BA gera discussão entre desembargadores
Foto: TJ-BA
A discussão da concessão de medalhas para autoridades em comemoração aos 410 anos do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA) quase termina em confusão na sessão plenária desta quarta-feira (20). A concessão de medalhas para homenagens é uma prática comum e corriqueira no Judiciário brasileiro. Nesses eventos, personalidades e autoridades são agraciadas com as honrarias, mas os homenageados precisam ser aprovados pelos membros da Corte. E os sinais são de que haverá rejeição a alguns nomes propostos pelo presidente da Corte baiana, desembargador Gesivaldo Britto, como da ex-ministra Eliana Calmon. A lista prévia poderia ter sido aprovada “às cegas” na sessão plenária desta quarta.

O Bahia Notícias obteve com exclusividade os nome dos possíveis homenageados com a Medalha Especial Mérito da Magistratura da Bahia TJ-BA 410 anos: Jair Bolsonaro, presidente da República; Sérgio Moro, ministro da Justiça; Dias Toffoli, presidente do Supremo Tribunal Federal (STF); João Otávio de Noronha, presidente do Superior Tribunal de Justiça (STJ); ministro Humberto Martins, corregedor nacional de Justiça; ex-ministra Eliana Calmon; Pedro Carlos Bittencourt Marcondes, presidente do Tribunal de Justiça de Minas Gerais (TJ-MG); Cezario Siqueira Neto, presidente do Tribunal de Justiça de Sergipe (TJ-SE); Rui Costa, governador da Bahia; João Leão, vice-governador; Nelson Leal, presidente da Assembleia Legislativa da Bahia (AL-BA); ACM Neto, prefeito de Salvador; Ediene Lousado, procuradora-geral de Justiça da Bahia; Cleriston Cavalcante, defensor público geral da Bahia; Fabrício Castro, presidente da Ordem dos Advogados do Brasil – Seção Bahia (OAB-BA); Gildásio Penedo, presidente do Tribunal de Contas do Estado (TCE); Francisco Souza Andrade Neto, presidente do Tribunal de Contas dos Municípios (TCM); Maurício Barbosa, secretário de Segurança Pública da Bahia (SSP-BA); Dirley da Cunha, diretor da Justiça Federal na Bahia e Jayme de Oliveira, presidente da Associação de Magistrados Brasileiros (AMB). Além deles, serão homenageados militares, todos os conselheiros do Conselho Nacional de Justiça (CNJ), autoridades de Portugal, todos os desembargadores do TJ-BA, todos os juízes, os servidores mais antigos e os servidores da comissão organizadora das comemorações do aniversário.

'ESCASSEZ DE MEDALHAS'
A sessão plenária, como acontece duas vezes por mês, iniciou com a aprovação da ata da sessão passada. Foi quando o presidente do TJ chamou para votação a proposta de resolução que institui a “A Medalha Especial de Mérito da Magistratura da Bahia – TJ-BA 410 anos”. Inicialmente, a Corte discutiu o nome da medalha e ficou definido que seria em alusão ao aniversário do tribunal mais antigo das Américas. Os desembargadores receberão uma medalha de ouro; os juízes e servidores, por sua vez, receberão medalhas de prata. O desembargador Nilson Castelo Branco ainda destacou que se comenta em Brasília que “na Bahia existe escassez em concessão de medalhas” e que isso a torna mais valiosa no país, diante da história de Ruy Barbosa. Castelo Branco também sugeriu a afixação na sede do TJ de um busto ou escultura do renomado jurista, assim como de Teixeira de Freitas, tal como já se tem no STF, STJ e no Congresso.

A proposta já estava aprovada quando o desembargador Júlio Travessa questionou quem seria agraciado com a medalha. Foi aí que começou a discussão mais acalorada. O presidente do TJ respondeu ao colega de toga que a Corte ainda está fazendo os estudos e, em tom de ironia, afirmou: “Mas com certeza, o senhor será agraciado. Todos os magistrados serão”. “A minha preocupação não é em ser agraciado, não. É votar em quem vossa excelência vai sugerir, apesar de concordar quase integralmente com as propostas de vossa excelência. A minha pergunta foi nesse sentido, de quem serão os indicados”, replicou Travessa. Foi então que Gesivaldo disse que, na própria resolução, constaria o nome dos indicados.

Logo em seguida, entrou em cena o desembargador Mário Alberto Hirs, ex-presidente do TJ: “Eu estou tomando conhecimento de que essa medalha que vossa excelência propõe tem um anexo com o nome das pessoas que serão agraciadas”. “Como sugestão”, respondeu Gesivaldo. “Mas o senhor vai submeter ao pleno, né? Soube de nomes que eu vou me insurgir. Mas eu tenho que saber”, declarou. A desembargadora Telma Britto, que também já presidiu a Corte, reclamou: “Não é possível! Primeiro se aprova a resolução, se aprova a medalha e depois se submete ao pleno o nome de quem será agraciado ou não. Se é verdade o que eu soube aqui agora, excelência, é um absurdo. É um demérito para o Poder Judiciário a aprovação de uma medalha dessa”, pontuou, frisando que o problema não é a medalha, e sim da “pessoa que está acoplada na proposta de medalhas”. “Olha, excelência, o Tribunal da Bahia tem cometido alguns erros. Todos eles apontam para sua depreciação. O próprio poder é que se desvaloriza. No caso especifico, se o que está se dizendo é verdade, e não sei porque vossa excelência não quer ler o anexo aqui agora, realmente, eu não vou endossar. Eu já me insurjo daqui. Não é possível que uma pessoa que fez mal ao poder, que, na sua vida, embora durante um tempo, tivesse um bom conceito, mas perdeu seu conceito, seja agraciada com uma medalha dessa. Realmente, não dá”. Para Telma, não se poderia colocar um anexo junto à proposta para ser aprovado. Gesivaldo reforçou que os nomes serão submetidos ao pleno.

As declarações levam a entender que a pessoa seria a ex-ministra do STJ, Eliana Calmon, que, como corregedora nacional de Justiça, iniciou investigações contra magistrados, sobretudo os baianos. Calmon também foi a responsável pelo início da sindicância que culminou com um processo administrativo disciplinar contra Telma e Hirs, por pagamentos de precatórios.

UMA COISA É UMA COISA, OUTRA COISA É OUTRA COISA
No debate, o presidente do TJ-BA reforçou que a resolução é “uma coisa”, e os agraciados “é outra coisa”, e que não há anexo na resolução. A presidente da Comissão de Reforma Judiciária, desembargadora Cynthia Resende, afirmou que estava acontecendo “algum equívoco”. “Aqui no sistema não consta anexo nenhum. Não tem nada”. A proposta da resolução foi editada pela comissão que ela preside. A desembargadora Márcia Borges, que integra a comissão, afirmou que ficou “parecendo que aprovamos uma proposta incompleta”. Telma disse que o certo era a resolução ter sido analisada pelos cinco desembargadores mais antigos da casa – como ela. O desembargador Baltazar Miranda leu o artigo 4º da resolução que permitia a aprovação dos nomes dos agraciados às cegas.

O CARRO NA FRENTE DOS BOIS
Com a confusão já instalada, Gesivaldo reconheceu que foi uma falha de sua equipe, “que encaminhou a lista de propostas sem minha autorização para a comissão”. “Era uma lista provisória”, relativizou. A decana, desembargadora Silvia Zarif, afirmou que a Corte aceitava a sugestão, mas com a condição de retirar do artigo 4º o trecho que deixa implícito a aprovação da resolução com os nomes indicados. Gesivaldo afirmou que “tem certas horas que o carro quer andar na frente dos bois”. Zarif disse que achava que era a “pressa” de fazer as coisas.

SÓ PARA QUEM VIER
Já com os ânimos mais brandos, Gesivaldo esclareceu o motivo de ter deixado o nome das autoridades para depois: “Eu não vou dar medalha para autoridade que não comparecer. Eu quero ter a certeza de que vem para receber a medalha. Eu tenho que fazer a listagem depois que as autoridades confirmarem presença aqui. Como vou dar medalha a quem não vem aqui?”, questionou. O presidente do TJ revelou ainda que tentou se encontrar com o presidente da República, Jair Bolsonaro, mas não obteve sucesso. Ele iria convidá-lo para os festejos do tribunal. Gesivaldo também disse que algumas autoridades não poderão comparecer. Por fim, o presidente da Corte ainda afirmou que pediu urgência na aprovação da resolução para poder “disparar o pagamento das medalhas”. “Eu tinha que fazer uma inexigibilidade de licitação, pela especialidade da empresa que faz isso, que fez a medalha dos 400 anos e que faz medalhas para todos os tribunais”. Os nomes serão submetidos a aprovação em uma sessão plenária convocada para a próxima quarta-feira (27).
Bahia Notícias

PF cumpre mandados de busca em endereços de Ciro Nogueira

Sexta, 22 de Fevereiro de 2019 - 07:42


PF cumpre mandados de busca em endereços de Ciro Nogueira
Foto: Agência Senado
Com mandados de busca em endereços ligados ao senador e presidente nacional do PP, Ciro Nogueira, a Polícia Federal (PF) deflagrou a Operação Compensação na manhã desta sexta-feira (22). A ação é decorrente de um inquérito aberto no Supremo Tribunal Federal (STF) e foi autorizada pela ministra Rosa Weber, que batizou a operação.

Segundo informações do G1, a PF investiga supostos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

Com isso, cerca de 30 policiais federais cumpriram mandados de busca e apreensão em Teresina, no Piauí, na cidade de São Paulo e em Brasília. Envolvidos no processo também foram intimados a depor.

De acordo com a publicação, essa investigação nasceu a partir de depoimentos prestados por colaboradores que afirmaram ter repassado cerca de R$ 43 milhões ao Partido Progressista (PP) por meio de pagamentos feitos em espécie e doações oficiais, intermediadas por Nogueira. A suspeita é de que o senador fez isso em troca de apoio político do partido na campanha eleitoral para a eleição presidencial de 2014.
Bahia Notícias

Mourão “acha” que Bolsonaro demitirá o ministro do Turismo, se houver provas


O vice-presidente Hamilton Mourão, durante entrevista Foto: Ueslei Marcelino / Reuters
Mourão apenas diz o óbvio, que Bolsonaro até agora não enxergou
Eduardo BrescianiO Globo
O vice-presidente da República, Antonio Hamilton Mourão, disse nesta quinta-feira achar que o presidente Jair Bolsonaro vai demitir o ministro do Turimo, Marcelo Álvaro Antônio, se a denúncia sobre a existência de um laranjal em candidaturas do PSL de Minas Gerais forem comprovadas.
— Sobre o ministro do Turismo, eu creio que a solução é a que eu já falei: uma vez comprovada que as denúncias são consistentes e que realmente ocorreu o fato, acho que o presidente vai demití-lo — disse Mourão.
CASO BEBIANNO – Bolsonaro demitiu na segunda-feira Gustavo Bebianno da Secretaria-Geral da Presidência e vem sendo cobrado a se posicionar sobre o caso do ministro do Turismo. Bebianno entrou no alvo por ter sido presidente nacional do PSL e assinado atos que liberaram recursos para candidatas que seriam “laranjas”.
A situação do ministro piorou depois que ele disse ao Globo ter falado três vezes por WhatsApp com Bolsonaro após a denúncia. O vereador Carlos Bolsonaro, filho do presidente, desmentiu o ministro e foi corroborado pelo pai. Após a demissão, a revista Veja publicou áudios que comprovaram a versão de Bebianno.
MAIS GRAVE – No caso do ministro do Turismo, ele teria se beneficiado de um esquema em Minas Gerais no qual candidatas do PSL receberam recursos públicos dos fundos eleitorais, mas sem disputar o pleito “pra valer”. Os recursos foram gastos em empresas ligadas ao ministro. 
Marcelo Álvaro Antônio se reuniu com Bolsonaro nessa quarta-feira e o Planalto não informou o tema da reunião. Um agenda que ele teria com Mourão na sequência acabou cancelada.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Nada de novo no front ocidental, diria Erich Maria Remarque. O capitão demitiu Bebianno porque ele bateu de frente com os filhos e não aceitava a interferência deles no governo. Qualquer motivo serviria para a demissão. No caso do ministro do Turismo, que é gravíssimo, a demissão deveria ter sido imediata, mas a diferenç é que Marcelo Álvaro Antonio nunca criticou a atuação dos filhos. Quanto a Mourão, apenas disse que “acha”, porque desde que recebeu o presidente da CUT e o embaixador da Palestina, demonstrando ter personalidade e vida própria, foi escanteado por Bolsonaro, que nunca mais trocou ideias com ele. Este é o clima do Planalto, acredite se quiser.(C.N.)

Bolsonaro abriu um fosso entre ele e os militares, ao mentir sobre Bebianno


Resultado de imagem para bernard shaw frasesCarlos Newton
A política brasileira é muito movimentada e surpreendente, porque aqui acontecem coisas que jamais ocorrem em outros países democráticos, embora possam até ser usuais em ditaduras de baixo nível. Por exemplo, o filho de um presidente chamar de mentiroso um ministro que trabalha diretamente com o pai, fazendo um escândalo nas redes sociais, e em seguida o chefe de governo confirmar o tuíte, deixando completamente manchada a imagem do importante auxiliar, que tinha sido coordenador nacional da campanha eleitoral e até então privava de sua intimidade. Sem a menor dúvida, é algo espantoso e inadmissível.
Mesmo que o tal ministro tivesse realmente mentido, nada justifica essa reação violenta e autoritária, que demonstra uma total falta de equilíbrio de pai e filho, um comportamento que nem Freud explicaria, com ajuda de Jung, Lacan, Pavlov, Piaget e Fromm.
LEMBRANDO SHAW – Em meados do Século XX, o grande jornalista, escritor e dramaturgo irlandês Bernard Shaw deu um depoimento para a TV britânica, na época em que não havia vídeo-tape e as entrevistas eram ao vivo ou filmadas, em que fez uma análise premonitória do significado do microfone e das gravações.
Disse Shaw que as gravações estavam destinadas a deixar muitos políticos em má situação, porque, caso mentissem, cedo ou tarde poderiam ser desmascarados, prejudicando suas imagens junto aos eleitores.
Lembrei do grande pensador britânico em 1974, quando Nixon renunciou à Presidência dos Estados Unidos. Na campanha de 1972, quando derrotou o senador George McGovern, cinco arapongas foram presos quando tentavam fotografar documentos e instalar aparelhos de escuta na sede do Partido Democrata, no edifício Watergate. Na época, Nixon afirmou que não sabia de nada. Dois anos depois, quando surgiram as gravações mostrando que ele sabia de tudo, a Suprema Corte o obrigou a exibir os áudios, e ele renunciou.
PEGA NA MENTIRA – Para qualquer político, mentir é sempre arriscado. No caso de Bolsonaro, ele foi apanhado na mentira, sem a menor dúvida. Mas seu caso não tem a gravidade de Watergate, nada lhe acontecerá, continuará a governar normalmente.
Mas seu relacionamento com os oito ministros militares e os três comandantes das Forças Armadas jamais será o mesmo. A formação castrense é rigorosíssima em relação ao ato de mentir. O Regulamento Disciplinar do Exército, por exemplo, traz em seu Anexo I a relação de transgressões disciplinares a que estão sujeitos os membros dessa Força. E a primeira transgressão é justamente faltar à verdade:
ANEXO I – RELAÇÃO DE TRANSGRESSÕES
1. 
Faltar à verdade ou omitir deliberadamente informações que possam conduzir à apuração de uma transgressão disciplinar.”
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P.S.
 – Portanto, ao mentir deliberadamente sobre o então ministro Bebianno, dizendo que não conversara com ele na terça-feira, dia 12, o presidente Bolsonaro cavou um fosso intransponível entre ele e a classe militar. Nenhum dos oito ministros da reserva e dos três comandantes das Forças Armadas jamais confiará nele como antes. (C.N.)

Um político exemplar, chamado Paes de Andrade


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Câmara lança um livro sobre a trajetória de Paes de Andrade
Sebastião Nery
Paes de Andrade, sempre que retornava a Fortaleza, reunia em sua casa os amigos para um convescote. Chegávamos – uns vinte – para o almoço de carneiro e para todas aquelas relembranças da história política do Ceará, em que o Filho de Mombaça havia sido personagem marcante por mais de meio século.
O carneiro do Paes, preparado pelas mãos competentes da cozinheira Francinete e apresentado em várias modalidades culinárias, fazia o regalo dos convidados e a inveja posterior dos que, por viagem ou distração, haviam se ausentado daquela mesa farta de sabor sertanejo e prosaica convivência.
HOMENAGEM – Quando o nosso líder morreu, naquele malfadado 17 de junho de 2015, em Brasília, resolvemos, na semana seguinte, reunir em Fortaleza, naquele mesmo endereço da Praia de Iracema, os frequentadores do almoço do Paes para a última carneirada.
Nesse dia todos compareceram. Eram uns trinta. Dona Zildinha, ainda muito abalada, não veio, mas ficou, de Brasília, acompanhando em tempo real toda a reunião. Estavam ali muitos familiares, filhas, genros e netos. Antigos companheiros das jornadas políticas e várias gerações de admiradores reprisavam passagens épicas ou simplesmente hilárias daquele cavaleiro andante, que por décadas exercera mandatos legislativos e missões públicas com desenvoltura lhaneza e afilada competência.
UM RETRATO – Eu havia pintado um retrato do ilustre personagem, que, belamente emoldurado por providência de Carlos Castelo, deveria ser solenemente entronizado naquela sala em que ele costumeiramente nos recebia.
Houve discursos e relatos memoriais. E, quando foi descerrado o pano, declamei o poema composto de madrugada, sob forte impacto emocional e justificada dor: Cantiga de Saudade para Paes de Andrade.
Juarez Leitão, poeta, historiador, membro da academia Cearense de Letras e do Instituto do Ceará, com o brilho dos poetas relembrou Paes de Andrade.
RESPEITO – Em Roma e Paris, como Adido Cultural, fui testemunha e participante do respeito com que era recebido pelas lideranças políticas e culturais, como o professor da Universidade de Coimbra, José Joaquim Gomes Canotilho, professor Diamantino Durão, Reitor da Universidade Lusíada de Lisboa, a direção da Mason da l’Amérique Latine e tantos outros.
O livro “Paes de Andrade, o político, o jurídico, o militante democrático” – editado pela Câmara dos Deputados – é o caloroso depoimento sobre uma época.

Marco Aurélio envia investigação de Onyx Lorenzoni para Justiça Eleitoral gaúcha


Onyx Lorenzoni admitiu o crime eleitoral e até pediu desculpas
Rafael Moraes Moura e Amanda PupoEstadão 

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), decidiu nesta quinta-feira (21) encaminhar ao Tribunal Regional Eleitoral do Rio Grande do Sul (TRE-RS) a investigação que apura suspeitas de caixa 2 feitas por delatores da J&F ao ministro-chefe da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. A decisão do ministro atende a pedido da procuradora-geral da República, Raquel Dodge, fundamentado a partir do novo entendimento sobre o alcance do foro privilegiado, que só deve ser aplicado para os crimes cometidos no exercício do mandato e em função do cargo.
Pesam sobre Onyx o relato e planilhas dando conta de pagamentos de R$ 100 mil, em 2012, e R$ 200 mil, em 2014, quando o atual ministro concorria ao cargo de deputado federal. Onyx admitiu em entrevista a uma emissora de rádio ter recebido R$ 100 mil e pediu desculpas.
ARGUMENTO – “A Lei Maior, ao prever cumprir ao Supremo julgar deputados e senadores, há de ter abrangência definida pela conduta criminosa: no exercício do mandato e ligada, de algum modo, a este último. Neste processo, constata-se que o delito imputado, apesar de supostamente cometido quando o investigado exercia mandato de Deputado Federal, não está relacionado ao cargo atualmente ocupado – ministro Chefe da Casa Civil da Presidência da República do Brasil”, escreveu Marco Aurélio em sua decisão.
“Em síntese, estando Onyx Lorenzoni licenciado do cargo gerador da prerrogativa, cessa esta última. A situação jurídica não se enquadra na Constituição Federal em termos de competência do Supremo. Declino da competência para a primeira instância da Justiça Eleitoral do Rio Grande do Sul”, determinou o ministro.
PETIÇÃO – No início de dezembro do ano passado, o ministro Edson Fachin, do STF, atendeu a pedido feito por Raquel Dodge e determinou a abertura de uma petição autônoma específica para analisar as acusações de caixa 2 feitas por delatores da J&F a Onyx Lorenzoni e a outros dez parlamentares que prosseguirão com foro em 2019.
A petição autônoma é uma fase anterior à instauração do inquérito, quando o parlamentar passa a ser formalmente investigado.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Admitir ter recebido patrocínio não declarado significa se tornar réu confesso de crime eleitoral. A decisão será da Justiça Eleitoral gaúcha, depois sobe para o TSE, com possibilidade mínima de recurso ao Supremo. (C.N.) 

Para analistas, troca de mensagens pelo WhatsApp se configura como “conversa”


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Bebianno diz ter falado como Bolsonaro e era mesmo verdade
Deu no Correio Braziliense(Agência Estado)
Apesar de o presidente Jair Bolsonaro negar, a troca de áudios com o ex-ministro Gustavo Bebianno pelo WhatsApp na terça-feira, dia 12, configurou uma conversa, avaliam especialistas em comunicação e mídias sociais. “Uma conversa é a troca de informações em voz entre pessoas, independentemente do canal, telefone, Skype e também por WhatsApp”, disse o especialista em comunicação digital Luli Radfahrer, da USP.
Segundo o professor e pesquisador da PPGCOM-ESPM, Luiz Peres-Neto, existe uma distinção quando se inicia uma “conversa imediata” e quando ela é feita de forma indireta, como é o caso da troca de áudios. Mesmo assim, não deixa de ser uma interlocução entre duas ou mais pessoas. “A troca de mensagens já configura uma conversa, é uma troca de signos”, afirmou.
AMADORISMO – “Se uma pessoa decide revelar a conversa, não há nenhum tipo de infração no dispositivo jurídico regular. Quando se conversa com alguém, não se tem controle da resposta do outro, e nem do que ele vai fazer com o que você disse. A partir da existência da liberdade para uma troca linguística, está sujeito a isso”, disse Luiz Peres-Neto, acrescentando:
“Fico preocupado com a utilização de um aplicativo como esse. Demonstra um certo amadorismo.” (As informações são do jornal O Estado de S. Paulo).
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O mais importante é que a conversa (troca de ideias e informações) através do aplicativo WhatsApp fica automaticamente gravada no celular. Por isso, desde o início o então ministro Bebianno declarava que tinha provas de que havia conversado três vezes com o presidente na terça-feira, dia 12. No caso, os dois Bolsonaros (filho e pai) tiveram um comportamento impensado e até pueril, que nem Freud explica. (C.N.)

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