A Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo ajuizou, no Supremo Tribunal Federal, Ação Direta de Inconstitucionalidade contra a Lei 4.135/08 do Distrito Federal. A norma define a obrigatoriedade da apresentação de documento de identidade nos pagamentos com cartão de crédito e débito e estabelece responsabilidade do estabelecimento em caso de eventuais prejuízos decorrentes das operações feitas.
A Confederação argumenta que o Distrito Federal invadiu a competência da União ao legislar sobre o tema. “A Lei Distrital nº 4.135, de 2 de maio de 2008, padece do mesmo vício de constitucionalidade de várias outras iniciativas legislativas que, sob o argumento de estar legislando sobre consumo, e como tal atrair a competência legislativa específica para o estado, adentra em matéria que ou é de norma geral de consumo ou de direito civil, que são de competência legislativa exclusiva da União”, afirma a entidade.
Segundo a Confederação, o DF não tem nenhuma particularidade que justifique a edição da referida lei, impondo obrigações aos comerciantes.
Nesse caso, a entidade aponta violação ao artigo 24, parágrafos 1º e 3º da Constituição Federal, que estabelece como competência da União legislar sobre normas gerais em matéria de consumo e, dos estados e do DF, caso não exista norma federal, legislar somente para atender às suas peculiaridades locais. *Com informações da Assessoria de Imprensa do STF.
ADI 4.228
Fonte: Conjur
sexta-feira, abril 17, 2009
STF decide sobre revisão de aposentadorias
Apenas aposentadorias concedidas antes de 1988 podem ser revistas com base no salário mínimo. A decisão é do plenário do Supremo Tribunal Federal, ao julgar improcedente ação rescisória que pretendia reverter uma decisão da Corte no julgamento do Recurso Extraordinário 199.995.
Segundo os ministros, a revisão na aposentadoria, prevista no artigo 58, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), só se aplica para os benefícios concedidos antes da promulgação da Constituição de 1988. Para a ministra Cármen Lúcia, não há nenhum erro de fato, votando pela improcedência da rescisória.
O autor da ação tentava anular a decisão do STF no Recurso Extraordinário, transitada em julgado em 1998. Segundo ele, houve um erro de fato. “O pedido formulado na inicial era a revisão dos proventos desde abril de 1989, enquadrando-se o seu valor em salários mínimos e [o acórdão] decidiu pela improcedência do pedido de enquadramento do benefício em salários mínimos, porque o beneficiário já teria alcançado aquela revisão ditada pela Lei 8.213/91”.
Para a ministra, o autor da ação pretende o reexame do que já foi analisado e decidido pelo STF. Ela afirmou que, embora o autor tenha se aposentado após a CF de 1988, quer que seja aplicado o artigo 58 do ADCT, que se refere a aposentadorias anteriores à Constituição. Com informações da Assessoria de Imprensa do Supremo Tribunal Federal.
AR 1.500
Fonte: CONJUR
Segundo os ministros, a revisão na aposentadoria, prevista no artigo 58, do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias (ADCT), só se aplica para os benefícios concedidos antes da promulgação da Constituição de 1988. Para a ministra Cármen Lúcia, não há nenhum erro de fato, votando pela improcedência da rescisória.
O autor da ação tentava anular a decisão do STF no Recurso Extraordinário, transitada em julgado em 1998. Segundo ele, houve um erro de fato. “O pedido formulado na inicial era a revisão dos proventos desde abril de 1989, enquadrando-se o seu valor em salários mínimos e [o acórdão] decidiu pela improcedência do pedido de enquadramento do benefício em salários mínimos, porque o beneficiário já teria alcançado aquela revisão ditada pela Lei 8.213/91”.
Para a ministra, o autor da ação pretende o reexame do que já foi analisado e decidido pelo STF. Ela afirmou que, embora o autor tenha se aposentado após a CF de 1988, quer que seja aplicado o artigo 58 do ADCT, que se refere a aposentadorias anteriores à Constituição. Com informações da Assessoria de Imprensa do Supremo Tribunal Federal.
AR 1.500
Fonte: CONJUR
Presidente do STF e Eros Grau aparecem como beneficiários de passagens da Câmara, mas comprovam pagamento. Indícios apontam para mercado paralelo. Gilmar pede explicações a TemerLúcio Lambranho, Edson Sardinha e Eduardo Militão
A falta de controle sobre as passagens aéreas extrapolou os limites do Congresso mais uma vez. Depois de envolver três ministros de Estado (leia mais), agora é a vez do Judiciário. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes, e o ministro do STF Eros Grau aparecem como beneficiários da cota de passagens de dois deputados. Os dois ministros, no entanto, apresentaram documentos para comprovar que não tiveram viagens pagas pela Câmara. Há indícios de que ambos tenham sido vítimas de um mercado paralelo de bilhetes pagos com dinheiro público.
Gilmar decidiu ontem (16) cobrar explicações do presidente da Casa, Michel Temer (PMDB-SP). O chefe do Judiciário quer uma investigação para saber como o nome dele e o de Eros Grau acabaram aparecendo na cota dos deputados Paulo Roberto (PTB-RS) e Fernando de Fabinho (DEM-BA), respectivamente. Os seis bilhetes usados por Gilmar Mendes e sua esposa, a secretária-geral do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Guiomar Lima Mendes, serviram para uma viagem do casal para Nova Iorque e para Fortaleza, onde vive a família de Guiomar. Os registros da empresa aérea coincidem com as passagens emitidas pelo deputado gaúcho. Gilmar enviou ao Congresso em Foco documentos que compravam que os mesmos bilhetes foram pagos em cinco parcelas com seu cartão de crédito pessoal, e o trecho entre São Paulo e Fortaleza por meio de milhagens. Gilmar e Guiomar seguiram para os Estados Unidos no voo JJ 8080 da TAM, do Aeroporto de Guarulhos para o Aeroporto JFK, em Nova Iorque, no dia 19 de julho do ano passado. Voltaram no dia 25, no voo JJ 8081 da mesma TAM. O ministro Eros Grau apresentou um comprovante de que sua passagem foi paga pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro. A viagem entre São Paulo e Rio de Janeiro aconteceu no dia 31 de março de 2008, no voo JJ 3940, entre os aeroportos de Congonhas e Santos Dumont. O deputado Paulo Roberto se mostrou surpreso com a informação de que saiu de sua cota um voo para o presidente do STF. Segundo o parlamentar, isso reforça sua suspeita de que um ex-funcionário utilizava sobra de passagens que pertenciam ao parlamentar. O servidor foi demitido em outubro de 2008, mas Paulo Roberto prefere não revelar o nome. “Eu dei por falta e notei que não estava usando toda minha cota. Ele era o responsável pelas passagens”, contou o deputado ao site ontem.
A partir de então, Paulo Roberto passou a exigir da TAM os comprovantes de suas viagens. Confrontado com os fatos apresentados pelo Congresso em Foco, o deputado disse vai reiterar o pedido de informações à TAM para requerer providências ao presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), e ao terceiro secretário da Casa, Odair Cunha. Paulo Roberto disse não ter relações pessoais com o ministro Gilmar Mendes e sua esposa, Guiomar. Enfatizou também que não tem interesses no Supremo, nem processos contra ele tramitando no STF. “Acredito que tanto eu quanto o ministro Gilmar Mendes fomos vítimas de um esquema”, afirma Paulo Roberto. O deputado diz que os únicos que utilizam sua cota são ele, sua mulher, eventualmente, seus filhos e assessores. No entanto, ele não reconhece a viagem da filha Jéssica Pereira aos Estados Unidos – os bilhetes foram emitidos em junho de 2008 e indicam as rotas Manaus–Miami e Nova Iorque–São Paulo.
De acordo com Paulo Roberto, essa viagem foi paga com seu próprio dinheiro, sem uso da verba parlamentar. Ele acredita que o ex-funcionário embolsou os recursos e debitou a fatura na conta da Câmara. O deputado Fernando de Fabinho não retornou aos contatos feitos em seu gabinete ontem pela reportagem.
O quarto secretário da Mesa, Nelson Marquezelli (PTB-SP), também pediu ontem explicações ao diretor-geral da Câmara, Sérgio Sampaio, sobre o uso de sua cota de passagens por três pessoas que o deputado alega desconhecer. Luma Leroy, Luana Leroy e Robert Leroy foram beneficiários de bilhetes emitidos a partir da cota de Marquezelli no dia 2 de agosto de 2007, conforme revelou o Congresso em Foco. “Não faço ideia de quem sejam essas pessoas”, disse o parlamentar (leia mais).
Atualmente, já respondem à ação de improbidade, com pedido de ressarcimento aos cofres públicos, dois servidores, um agente de viagens e os ex-deputados Lino Rossi e Thaís Bergo Duarte Barbosa. O processo tramita na 13ª Vara da Justiça Federal no DF. Segundo a denúncia do Ministério Público Federal (MPF), os servidores da Câmara e o agente de viagens desviaram passagens aéreas para uma operadora de turismo de Brasília. O caso foi tratado pelo site ainda em setembro de 2008 (leia a íntegra da reportagem). Foi justamente a partir desse episódio que o MPF decidiu aprofundar as investigações sobre o uso de passagens pagas por meio das cotas dos deputados.
Leia tudo sobre a farra das passagens
Fonte: Congressoemfoco
Sem terra protestam contra os Sarney em frente ao TSE
Mário Coelho
Um grupo de aproximadamente 250 membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) faz, na frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma manifestação em favor do governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT). O pedetista, que teve o mandato cassado na madrugada de 4 de março, terá quatro embargos julgados na sessão desta quinta-feira à noite.
Os primeiros manifestantes começaram a chegar por volta das 17h na Praça dos Tribunais. Eles vieram de diferentes regiões. Uma parte deles enfrentou a estrada em ônibus fretado pela organização do MST no Maranhão. Entretanto, a maior parte, segundo o Congresso em Foco apurou, são de originários de municípios próximos ao Distrito Federal. A reportagem buscou o líder da manifestação, mas ele não quis conversar com a reportagem.
Com a presença dos manifestantes, o tribunal reforçou a segurança. Limitou a presença dos sem terra à escadaria que dá acesso ao pátio do prédio do TSE. Além disso, os visitantes e profissionais que chegavam para acompanhar a sessão tinham que passar por um detector de metais na portaria.
"Sarney nunca mais"O alvo dos sem terra era, principalmente, o senador José Sarney (PMDB-AP), pai da também senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), que deve assumir o Palácio dos Leões caso a decisão anterior do TSE seja confirmada hoje. "Nenhum passo atrás, Sarney nunca mais", gritavam os manifestantes.Nos discursos feitos com a ajuda de um carro de som, a tônica era a situação da educação e saúde do Maranhão. "Numa escola pública, temos 60 crianças na mesma sala, enquanto que numa escola de ricos, são no máximo 25", discursou um dos sem terra.
Fonte: Congressoemfoco
Um grupo de aproximadamente 250 membros do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) faz, na frente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), uma manifestação em favor do governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT). O pedetista, que teve o mandato cassado na madrugada de 4 de março, terá quatro embargos julgados na sessão desta quinta-feira à noite.
Os primeiros manifestantes começaram a chegar por volta das 17h na Praça dos Tribunais. Eles vieram de diferentes regiões. Uma parte deles enfrentou a estrada em ônibus fretado pela organização do MST no Maranhão. Entretanto, a maior parte, segundo o Congresso em Foco apurou, são de originários de municípios próximos ao Distrito Federal. A reportagem buscou o líder da manifestação, mas ele não quis conversar com a reportagem.
Com a presença dos manifestantes, o tribunal reforçou a segurança. Limitou a presença dos sem terra à escadaria que dá acesso ao pátio do prédio do TSE. Além disso, os visitantes e profissionais que chegavam para acompanhar a sessão tinham que passar por um detector de metais na portaria.
"Sarney nunca mais"O alvo dos sem terra era, principalmente, o senador José Sarney (PMDB-AP), pai da também senadora Roseana Sarney (PMDB-MA), que deve assumir o Palácio dos Leões caso a decisão anterior do TSE seja confirmada hoje. "Nenhum passo atrás, Sarney nunca mais", gritavam os manifestantes.Nos discursos feitos com a ajuda de um carro de som, a tônica era a situação da educação e saúde do Maranhão. "Numa escola pública, temos 60 crianças na mesma sala, enquanto que numa escola de ricos, são no máximo 25", discursou um dos sem terra.
Fonte: Congressoemfoco
Dantas ataca Protógenes, PF e Justiça paulista
Daniela Lima
Com fala pausada e tranquilidade aparente, o banqueiro Daniel Dantas depôs por quase sete horas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga escutas clandestinas. Nesta tarde, além de acusar a Polícia Federal de criar operações para defender interesses de grupos econômicos, o dono do Opportunity disse que “teve informações” de compras de sentenças judiciais em tribunais paulistas de primeira instância, mas que o Juiz Fausto De Sanctis, que autorizou suas duas prisões no ano passado, não se incluia neste grupo.
O banqueiro desclassificou o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, que coordenou parte da Operação Satiagraha, na qual Dantas foi preso acusado de crimes financeiros. “Ele atira com uma metralhadora de 270 graus”, disse, ilustrando sua tese de que é perseguido pelo delegado, hoje afastado da instituição.
Ao falar sobre o judiciário brasileiro, Dantas garantiu aos deputados que “nunca esteve sequer no mesmo ambiente” que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Foi o ministro quem concedeu dois habeas corpus a Dantas após suas prisões, no ano passado.
Hoje, Dantas prestou depoimento protegido por outro habeas corpus, esse dado pelo ministro Marco Aurélio Melo. O benefício lhe garantiu o direito de permanecer em silêncio, de não se comprometer com a verdade e de ter acesso a todos os dados da CPI.
“Indícios de irregularidades”
Após o depoimento do banqueiro, o presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), disse que “existem indícios de irregularidades” e que “nesse filme não há mocinhos e bandidos”. O relator da CPI, Nelson Pellegrino (PT-BA) entregará seu relatório final na próxima quinta-feira (23), mas adiantou que irá pedir o fechamento da empresa Kroll, acusada de espionar ilegalmente autoridades e empresários brasileiros. Pellegrino, no entanto, garantiu que ainda não decidiu se irá recomendar o indiciamento de Protógenes e Paulo Lacerda, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência, por falso testemunho. O relator diz que três pontos serão fundamentais para sua decisão: se a participação informal de agentes da Abin na Satiagraha foi ou não legal; se a Abin pode ter acesso a informações telefônicas sigilosas, e se Protógenes e Lacerda incidiram no crime de falso testemunho durante a CPI. “Terei de analisar as declarações deles, nas duas vezes em que prestaram depoimento. Existe uma diferença entre omitir e mentir. Identificar isso é o fundamental”, explicou.
Na prática, o depoimento de Dantas, segundo analisaram os próprios parlamentares, acabou lhe servindo como forma de promover auto-defesa e provocar a Polícia Federal. “Ele veio muito bem preparado. Era um homem gelado. Fez aqui o seu discurso de defesa”, opinou o deputado raul Jungmann (PPS-PE), membro da CPI. O deputado pernambucano defende uma nova prorrogação para a CPI – essa seria a quinta. O relator da comissão, Nelson Pellegrino, diz não ver motivos para isso e que o colega terá de embasar suas alegações para que ele também defenda a prorrogação da CPI.LaudoDurante seu depoimento, Dantas apresentou laudo de perito contratado por ele que desclassifica a principal prova da PF contra o banqueiro acusado de corrupção. Nela, um dos funcionários de Dantas é gravado oferecendo suborno a policiais federais. A gravação, de acordo com o perito contratado por Dantas é “imprestável do ponto de vista técnico-pericial”.
Os deputados, no entanto, disseram que o laudo não é suficiente para colocar em dúvida os autos do inquérito em que Dantas é acusado de corrupção. “Laudo tem para todo gosto”, ironizou Jungmann.
O foneticista Ricardo Molina foi o perito contratado por Dantas para opinar sobre a gravação apresentada pela PF. Molina atuou em casos de repercussão nacional, como o da morte do assessor do ex-presidente e hoje senador Fernando Collor de Melo, Paulo César Farias. Até hoje, as circunstâncias em que PC Farias e sua namorada, Suzana Marcolino, morreram são controversas.
Fonte: Congressoemfoco
Com fala pausada e tranquilidade aparente, o banqueiro Daniel Dantas depôs por quase sete horas à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investiga escutas clandestinas. Nesta tarde, além de acusar a Polícia Federal de criar operações para defender interesses de grupos econômicos, o dono do Opportunity disse que “teve informações” de compras de sentenças judiciais em tribunais paulistas de primeira instância, mas que o Juiz Fausto De Sanctis, que autorizou suas duas prisões no ano passado, não se incluia neste grupo.
O banqueiro desclassificou o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz, que coordenou parte da Operação Satiagraha, na qual Dantas foi preso acusado de crimes financeiros. “Ele atira com uma metralhadora de 270 graus”, disse, ilustrando sua tese de que é perseguido pelo delegado, hoje afastado da instituição.
Ao falar sobre o judiciário brasileiro, Dantas garantiu aos deputados que “nunca esteve sequer no mesmo ambiente” que o presidente do Supremo Tribunal Federal, Gilmar Mendes. Foi o ministro quem concedeu dois habeas corpus a Dantas após suas prisões, no ano passado.
Hoje, Dantas prestou depoimento protegido por outro habeas corpus, esse dado pelo ministro Marco Aurélio Melo. O benefício lhe garantiu o direito de permanecer em silêncio, de não se comprometer com a verdade e de ter acesso a todos os dados da CPI.
“Indícios de irregularidades”
Após o depoimento do banqueiro, o presidente da CPI, deputado Marcelo Itagiba (PMDB-RJ), disse que “existem indícios de irregularidades” e que “nesse filme não há mocinhos e bandidos”. O relator da CPI, Nelson Pellegrino (PT-BA) entregará seu relatório final na próxima quinta-feira (23), mas adiantou que irá pedir o fechamento da empresa Kroll, acusada de espionar ilegalmente autoridades e empresários brasileiros. Pellegrino, no entanto, garantiu que ainda não decidiu se irá recomendar o indiciamento de Protógenes e Paulo Lacerda, ex-diretor da Agência Brasileira de Inteligência, por falso testemunho. O relator diz que três pontos serão fundamentais para sua decisão: se a participação informal de agentes da Abin na Satiagraha foi ou não legal; se a Abin pode ter acesso a informações telefônicas sigilosas, e se Protógenes e Lacerda incidiram no crime de falso testemunho durante a CPI. “Terei de analisar as declarações deles, nas duas vezes em que prestaram depoimento. Existe uma diferença entre omitir e mentir. Identificar isso é o fundamental”, explicou.
Na prática, o depoimento de Dantas, segundo analisaram os próprios parlamentares, acabou lhe servindo como forma de promover auto-defesa e provocar a Polícia Federal. “Ele veio muito bem preparado. Era um homem gelado. Fez aqui o seu discurso de defesa”, opinou o deputado raul Jungmann (PPS-PE), membro da CPI. O deputado pernambucano defende uma nova prorrogação para a CPI – essa seria a quinta. O relator da comissão, Nelson Pellegrino, diz não ver motivos para isso e que o colega terá de embasar suas alegações para que ele também defenda a prorrogação da CPI.LaudoDurante seu depoimento, Dantas apresentou laudo de perito contratado por ele que desclassifica a principal prova da PF contra o banqueiro acusado de corrupção. Nela, um dos funcionários de Dantas é gravado oferecendo suborno a policiais federais. A gravação, de acordo com o perito contratado por Dantas é “imprestável do ponto de vista técnico-pericial”.
Os deputados, no entanto, disseram que o laudo não é suficiente para colocar em dúvida os autos do inquérito em que Dantas é acusado de corrupção. “Laudo tem para todo gosto”, ironizou Jungmann.
O foneticista Ricardo Molina foi o perito contratado por Dantas para opinar sobre a gravação apresentada pela PF. Molina atuou em casos de repercussão nacional, como o da morte do assessor do ex-presidente e hoje senador Fernando Collor de Melo, Paulo César Farias. Até hoje, as circunstâncias em que PC Farias e sua namorada, Suzana Marcolino, morreram são controversas.
Fonte: Congressoemfoco
Sem inércia frente à corrupção
Antonio Carlos Biscaia
Combater a corrupção deveria ser preocupação e ação permanentes do Legislativo Federal. E pauta frequente da imprensa nacional. Mas não é assim que acontece. Vez por outra surge notícia de um caso de suposta corrupção ou de corrupção comprovada divulgado por um jornal, uma revista ou uma TV. Corre-se a repercutir dentro do Congresso Nacional. Deputados e senadores vão à tribuna, reúnem-se em espaços internos e externos da Câmara e do Senado, surgem movimentos. Como se tudo fosse uma grande novidade. Infelizmente, não é.
A corrupção, no Brasil e em qualquer parte do mundo, é desvio de conduta de pessoas. O que difere é a forma como a sociedade reage e como o Estado se comporta diante de desmandos envolvendo o dinheiro público. Há países nos quais os denunciados se matam antes mesmo de um julgamento formal. E há paises onde os processos criminais se arrastam por tantos anos, que a sociedade acumula descrédito e desesperança. O autor ou suposto autor dos desvios transita tranquilamente, ancorado na impunidade. Assim é no Brasil.
Recentemente, um senador da República disse em entrevista a uma revista semanal que o seu partido, o PMDB, está "impregnado" pela corrupção. Tomou-se o viés da critica à aliança PT-PMDB e ao governo do presidente Lula. A reação foi imediata dentro do Congresso Nacional. Muitas falas, muitas entrevistas, iniciativas de parlamentares para fazer uma frente anticorrupção, o assunto dominou o noticiário e a movimentação do Congresso, embora o senador peemedebista não tivesse dito nada de novo.
Tanto que, há cinco anos funciona, sistematicamente, uma Frente Parlamentar de Combate à Corrupção, na Câmara dos Deputados, idealizada em 2003 e formulada em 2004, com a participação de mais de 100 parlamentares. O objetivo foi e continua sendo o de aprimorar os instrumentos de enfrentamento aos malefícios da corrupção para combatê-la de forma mais efetiva. Como deputados federais, o nosso papel primordial é esse. Qualquer iniciativa que canalize o trabalho numa disputa político-eleitoral, para beneficiar algum candidato nas eleições gerais de 2010, estará frustrada.
Com esse entendimento, de uma ação suprapartidária, a Frente Parlamentar está articulada com as instituições que já têm atribuição constitucional para combater a corrupção. A Controladoria Geral da União (CGU), o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público Federal estiveram sempre presentes nos trabalhos. Com o apoio da ONG Contas Abertas, a Frente conseguiu reunir todos os projetos em tramitação na Câmara que, de alguma maneira, tratam do tema. Seja na criminalização, seja na mudança ou fortalecimento das estruturas de combate. A relação foi divulgada no dia 9 de dezembro do ano passado.
Desde então, a luta tem sido para que a Mesa Diretora da Câmara crie uma comissão especial para sistematizar os 68 projetos relacionados, a exemplo do que já foi feito com outros temas, como o Código Penal e a segurança pública. Dez projetos já estão em condições de serem votados pelo plenário. Para isso, precisam entrar em pauta com a concordância dos lideres partidários.
Finalmente, nossa esperança retorna. O novo presidente da Câmara, deputado Michel Temer, comprometeu-se a criar a comissão. Mais ainda: também está disposto a divulgar a campanha que a própria Secretaria de Comunicação da Casa desenvolveu a pedido da Frente Parlamentar, que tem o slogan Corrupção deixa marcas.
É dessa forma que o Legislativo Federal pode provar à sociedade que quer realmente enfrentar e combater a corrupção, ainda que denúncias e casos envolvam parlamentares. Esse tema não deve incomodar tanto os partidos, a ponto de deixar inerte o Congresso diante dele. A inércia, definitivamente, não é a marca que a corrupção deve deixar sobre nós, deputados e senadores do Brasil.
DEPUTADO FEDERAL PELO PT-RJ
Fonte: Jornal do Brasil (RJ)
Combater a corrupção deveria ser preocupação e ação permanentes do Legislativo Federal. E pauta frequente da imprensa nacional. Mas não é assim que acontece. Vez por outra surge notícia de um caso de suposta corrupção ou de corrupção comprovada divulgado por um jornal, uma revista ou uma TV. Corre-se a repercutir dentro do Congresso Nacional. Deputados e senadores vão à tribuna, reúnem-se em espaços internos e externos da Câmara e do Senado, surgem movimentos. Como se tudo fosse uma grande novidade. Infelizmente, não é.
A corrupção, no Brasil e em qualquer parte do mundo, é desvio de conduta de pessoas. O que difere é a forma como a sociedade reage e como o Estado se comporta diante de desmandos envolvendo o dinheiro público. Há países nos quais os denunciados se matam antes mesmo de um julgamento formal. E há paises onde os processos criminais se arrastam por tantos anos, que a sociedade acumula descrédito e desesperança. O autor ou suposto autor dos desvios transita tranquilamente, ancorado na impunidade. Assim é no Brasil.
Recentemente, um senador da República disse em entrevista a uma revista semanal que o seu partido, o PMDB, está "impregnado" pela corrupção. Tomou-se o viés da critica à aliança PT-PMDB e ao governo do presidente Lula. A reação foi imediata dentro do Congresso Nacional. Muitas falas, muitas entrevistas, iniciativas de parlamentares para fazer uma frente anticorrupção, o assunto dominou o noticiário e a movimentação do Congresso, embora o senador peemedebista não tivesse dito nada de novo.
Tanto que, há cinco anos funciona, sistematicamente, uma Frente Parlamentar de Combate à Corrupção, na Câmara dos Deputados, idealizada em 2003 e formulada em 2004, com a participação de mais de 100 parlamentares. O objetivo foi e continua sendo o de aprimorar os instrumentos de enfrentamento aos malefícios da corrupção para combatê-la de forma mais efetiva. Como deputados federais, o nosso papel primordial é esse. Qualquer iniciativa que canalize o trabalho numa disputa político-eleitoral, para beneficiar algum candidato nas eleições gerais de 2010, estará frustrada.
Com esse entendimento, de uma ação suprapartidária, a Frente Parlamentar está articulada com as instituições que já têm atribuição constitucional para combater a corrupção. A Controladoria Geral da União (CGU), o Tribunal de Contas da União (TCU) e o Ministério Público Federal estiveram sempre presentes nos trabalhos. Com o apoio da ONG Contas Abertas, a Frente conseguiu reunir todos os projetos em tramitação na Câmara que, de alguma maneira, tratam do tema. Seja na criminalização, seja na mudança ou fortalecimento das estruturas de combate. A relação foi divulgada no dia 9 de dezembro do ano passado.
Desde então, a luta tem sido para que a Mesa Diretora da Câmara crie uma comissão especial para sistematizar os 68 projetos relacionados, a exemplo do que já foi feito com outros temas, como o Código Penal e a segurança pública. Dez projetos já estão em condições de serem votados pelo plenário. Para isso, precisam entrar em pauta com a concordância dos lideres partidários.
Finalmente, nossa esperança retorna. O novo presidente da Câmara, deputado Michel Temer, comprometeu-se a criar a comissão. Mais ainda: também está disposto a divulgar a campanha que a própria Secretaria de Comunicação da Casa desenvolveu a pedido da Frente Parlamentar, que tem o slogan Corrupção deixa marcas.
É dessa forma que o Legislativo Federal pode provar à sociedade que quer realmente enfrentar e combater a corrupção, ainda que denúncias e casos envolvam parlamentares. Esse tema não deve incomodar tanto os partidos, a ponto de deixar inerte o Congresso diante dele. A inércia, definitivamente, não é a marca que a corrupção deve deixar sobre nós, deputados e senadores do Brasil.
DEPUTADO FEDERAL PELO PT-RJ
Fonte: Jornal do Brasil (RJ)
Nunca digam que isso é natural
Erika Lettry
Falta de transparência, gastos em excesso, nepotismo, projetos de lei de relevância discutível. A lista de escândalos políticos é denunciada pela mídia, apesar da verdadeira tática de guerra para esconder as atividades ilícitas e o pouco caso com o dinheiro público. As denúncias são, em outras palavras, a ponta do iceberg no universo de corrupção.
Vamos aos exemplos recentes. A Câmara dos Deputados, acuada diante das por suspeitas de irregularidades cometidas pelo deputado Edmar Moreira, definiu mudanças em relação às verbas indenizatórias - oito anos após terem sido criadas. Mesmo assim, muitos deputados federais ainda não estão seguindo a determinação (eles mesmos são responsáveis por revelar esses gastos). Em Goiás, a presidência da Assembleia garante que vai divulgar seus gastos para a população. Mas pouco de efetivo vimos até agora.
Afinal, como se explica a resistência em revelar dados simples, como valores de viagens de deputados ao exterior e a relação dos comissionados da Casa? Por que eles não são repassados quando solicitados pela imprensa e nem mesmo detalhados em suas publicações? Atento a isso, o Ministério Público de Goiás abriu procedimento para averiguar a situação. Se a ideia é dar transparência, por que esperar medidas como essa?
Outro ponto discutível é o Diário Oficial da Assembleia, que cumpre mal sua tarefa de informar sobre os atos e decisões da Casa. Não é fácil conseguir um exemplar. Na semana passada, ao procurá-lo, fui informada de que ele não é mais distribuído nos gabinetes como ocorria na última gestão. Soube que são impressos mil exemplares a cada edição, que simplesmente não são distribuídos. E mais: para ter acesso a edições mais antigas, é preciso solicitar. Imagine um cidadão comum que tenta acompanhar o trabalho do Legislativo. Não consegue.
Além disso, o Diário Oficial peca pela falta de clareza. As viagens dos deputados ao exterior, que devem ser comunicadas à mesa diretora, não são especificadas. Não é possível saber se elas são particulares ou bancadas pela Casa. Para este quadro colabora ainda o Tribunal de Contas do Estado (TCE) de Goiás, que afirma não receber dados detalhados dos gastos dos deputados.
E alguns parlamentares ainda reclamam da imprensa por questionar as verbas indenizatórias e as viagens internacionais, benefícios há muitos anos institucionalizados.
Em resposta a esse tipo de crítica, fica o pensamento do teatrólogo Bertolt Brecht: "(...) não digam nunca: isso é natural! Para que nada possa ser imutável!"
Erika Lettry é jornalista
Fonte: O Popular (GO)
Falta de transparência, gastos em excesso, nepotismo, projetos de lei de relevância discutível. A lista de escândalos políticos é denunciada pela mídia, apesar da verdadeira tática de guerra para esconder as atividades ilícitas e o pouco caso com o dinheiro público. As denúncias são, em outras palavras, a ponta do iceberg no universo de corrupção.
Vamos aos exemplos recentes. A Câmara dos Deputados, acuada diante das por suspeitas de irregularidades cometidas pelo deputado Edmar Moreira, definiu mudanças em relação às verbas indenizatórias - oito anos após terem sido criadas. Mesmo assim, muitos deputados federais ainda não estão seguindo a determinação (eles mesmos são responsáveis por revelar esses gastos). Em Goiás, a presidência da Assembleia garante que vai divulgar seus gastos para a população. Mas pouco de efetivo vimos até agora.
Afinal, como se explica a resistência em revelar dados simples, como valores de viagens de deputados ao exterior e a relação dos comissionados da Casa? Por que eles não são repassados quando solicitados pela imprensa e nem mesmo detalhados em suas publicações? Atento a isso, o Ministério Público de Goiás abriu procedimento para averiguar a situação. Se a ideia é dar transparência, por que esperar medidas como essa?
Outro ponto discutível é o Diário Oficial da Assembleia, que cumpre mal sua tarefa de informar sobre os atos e decisões da Casa. Não é fácil conseguir um exemplar. Na semana passada, ao procurá-lo, fui informada de que ele não é mais distribuído nos gabinetes como ocorria na última gestão. Soube que são impressos mil exemplares a cada edição, que simplesmente não são distribuídos. E mais: para ter acesso a edições mais antigas, é preciso solicitar. Imagine um cidadão comum que tenta acompanhar o trabalho do Legislativo. Não consegue.
Além disso, o Diário Oficial peca pela falta de clareza. As viagens dos deputados ao exterior, que devem ser comunicadas à mesa diretora, não são especificadas. Não é possível saber se elas são particulares ou bancadas pela Casa. Para este quadro colabora ainda o Tribunal de Contas do Estado (TCE) de Goiás, que afirma não receber dados detalhados dos gastos dos deputados.
E alguns parlamentares ainda reclamam da imprensa por questionar as verbas indenizatórias e as viagens internacionais, benefícios há muitos anos institucionalizados.
Em resposta a esse tipo de crítica, fica o pensamento do teatrólogo Bertolt Brecht: "(...) não digam nunca: isso é natural! Para que nada possa ser imutável!"
Erika Lettry é jornalista
Fonte: O Popular (GO)
É de tal número 2
Antônio de Faria Lopes
Em 2007, O TEMPO publicou artigo meu com o mesmo título. O assunto continua atual. Até porque é cotidiano. O juiz Michel Curi chamou de "ilicitações" as concorrências entre empreiteiras por obras públicas, agora todas abrigadas sob o PAC, que tem até mãe. Volto ao assunto a propósito da operação Castelo de Areia, que apura as doações da Camargo Corrêa a partidos políticos. Antes foram a Gautama (que deslustrou o nome de Buda) e a Mendes Júnior, que pagava a pensão alimentícia de Renan Calheiros. Há mais de 20 anos, Jânio de Freitas publicou anúncio cifrado que antecipava o resultado da licitação da Ferrovia Norte-Sul, no governo Sarney. Estudos apontam as empreiteiras e os bancos como os principais financiadores das campanhas eleitorais. É fácil saber por que, assim como é razoável afirmar que são eles também os maiores fornecedores de "dinheiro não contabilizado", o caixa 2 de Delúbio, difícil de comprovar. É que nossa Justiça exigirá prova material da sua existência antes de julgar o mérito da ação. Pedirá recibo, com firma reconhecida, declarando, por exemplo, "que recebi, da Construtora A. Gutierrez X reais a título de pagamento de comissão para fraudar a licitação para limpeza da lagoa da Pampulha, cujo valor foi superfaturado"; assinado, alguém da PBH.
A existência desse recibo é tão impossível quanto a Camargo Corrêa financiar somente a oposição. Não seria uma grande burrice dar dinheiro a quem não tem as chaves do cofre nem as obras do PAC ou outras mais antigas como a criminosa transposição do São Francisco? A Associação dos Peritos da Polícia Federal já tinha posto o dedo na ferida, em estudo já antigo, declarando que, "se não houver superfaturamento, não tem como haver propina, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, crimes eleitorais e compras de votos porque essa é a forma de fazer o caixa". A reação das autoridades é sempre a mesma quando algum rico é preso. O presidente do STF, num piscar de olhos, despacha habeas corpus e fica irritado com a ação da PF. Foi assim com Daniel Dantas e agora com os empreiteiros. E os pobres, constitucionalmente iguais? Ora, os pobres.
Rui Barbosa já denunciava atitudes assim em 1877: "um governo lição viva de todas as corrupções; a Câmara dos Deputados aviltada, graças às suas próprias obras, até às vaias das galerias; a magistratura, atirada fora a toga da justiça, a ostentar deslavadamente o escândalo das mais delirantes e indecentes paixões; o Executivo dissipando, transigindo, contraindo encargos públicos, sem autorização orçamentária..." O argumento de que o caixa 2 faz parte da nossa cultura política e é antigo já foi defendido por Lula no início do mensalão, em entrevista concedida em Paris, lembram-se? Não usou palavras do ilustre baiano, que sempre condenou tais comportamentos. Preciso justificar o título repetido. Muita gente está se convencendo de que a palavra EDITAL deve ser grafada como É DE TAL. É que todos sabem que o resultado já está pré-definido. E a comissão também.
Advogado
Fonte: O Tempo (MG)
Em 2007, O TEMPO publicou artigo meu com o mesmo título. O assunto continua atual. Até porque é cotidiano. O juiz Michel Curi chamou de "ilicitações" as concorrências entre empreiteiras por obras públicas, agora todas abrigadas sob o PAC, que tem até mãe. Volto ao assunto a propósito da operação Castelo de Areia, que apura as doações da Camargo Corrêa a partidos políticos. Antes foram a Gautama (que deslustrou o nome de Buda) e a Mendes Júnior, que pagava a pensão alimentícia de Renan Calheiros. Há mais de 20 anos, Jânio de Freitas publicou anúncio cifrado que antecipava o resultado da licitação da Ferrovia Norte-Sul, no governo Sarney. Estudos apontam as empreiteiras e os bancos como os principais financiadores das campanhas eleitorais. É fácil saber por que, assim como é razoável afirmar que são eles também os maiores fornecedores de "dinheiro não contabilizado", o caixa 2 de Delúbio, difícil de comprovar. É que nossa Justiça exigirá prova material da sua existência antes de julgar o mérito da ação. Pedirá recibo, com firma reconhecida, declarando, por exemplo, "que recebi, da Construtora A. Gutierrez X reais a título de pagamento de comissão para fraudar a licitação para limpeza da lagoa da Pampulha, cujo valor foi superfaturado"; assinado, alguém da PBH.
A existência desse recibo é tão impossível quanto a Camargo Corrêa financiar somente a oposição. Não seria uma grande burrice dar dinheiro a quem não tem as chaves do cofre nem as obras do PAC ou outras mais antigas como a criminosa transposição do São Francisco? A Associação dos Peritos da Polícia Federal já tinha posto o dedo na ferida, em estudo já antigo, declarando que, "se não houver superfaturamento, não tem como haver propina, corrupção ativa, lavagem de dinheiro, crimes eleitorais e compras de votos porque essa é a forma de fazer o caixa". A reação das autoridades é sempre a mesma quando algum rico é preso. O presidente do STF, num piscar de olhos, despacha habeas corpus e fica irritado com a ação da PF. Foi assim com Daniel Dantas e agora com os empreiteiros. E os pobres, constitucionalmente iguais? Ora, os pobres.
Rui Barbosa já denunciava atitudes assim em 1877: "um governo lição viva de todas as corrupções; a Câmara dos Deputados aviltada, graças às suas próprias obras, até às vaias das galerias; a magistratura, atirada fora a toga da justiça, a ostentar deslavadamente o escândalo das mais delirantes e indecentes paixões; o Executivo dissipando, transigindo, contraindo encargos públicos, sem autorização orçamentária..." O argumento de que o caixa 2 faz parte da nossa cultura política e é antigo já foi defendido por Lula no início do mensalão, em entrevista concedida em Paris, lembram-se? Não usou palavras do ilustre baiano, que sempre condenou tais comportamentos. Preciso justificar o título repetido. Muita gente está se convencendo de que a palavra EDITAL deve ser grafada como É DE TAL. É que todos sabem que o resultado já está pré-definido. E a comissão também.
Advogado
Fonte: O Tempo (MG)
STF garante benefício especial a servidor
Paulo Muzzolondo Agora
Os servidores que trabalham em condições insalubres podem conseguir, na Justiça, a concessão da aposentadoria especial nos moldes do benefício que é concedido atualmente pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Análise da aposentadoria deve ser feita caso a caso
A decisão é do plenário do STF (Supremo Tribunal Federal), a última instância da Justiça. Segundo o tribunal, foram julgados 18 processos de servidores com pedido de benefício de acordo com as regras da Previdência Social.
Com isso, é possível se aposentar com 15 anos a 25 anos de trabalho. Quem não trabalhou todo o tempo sobre uma atividade insalubre pode converter o período especial em comum e, assim, diminuir o tempo de trabalho para a aposentadoria.
Em 2008, cerca de 235 mil servidores do Estado e 31 mil da Prefeitura de São Paulo tinham o adicional por insalubridade. Embora essa não seja uma condição para ter a aposentadoria especial, são esses os servidores que têm mais chance de ter o benefício.
Segundo o STF, a aposentadoria especial para servidor está prevista na Constituição, mas depende de regulamentação (que nunca foi feita) para valer. "Por isso, pedidos de aposentadoria feitos por servidores acabam sendo rejeitados pela administração [pública]", informou o STF.
O órgão também determinou que os ministros do STF poderão aplicar a decisão a todos os processos sobre o tema que estiverem em seus gabinetes, sem a necessidade de levar cada caso para o plenário --ou seja, o tribunal está garantindo a aplicação desse entendimento a todas as ações desse tipo.
O TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que atende São Paulo e Mato Grosso do Sul) também já deu ganho de causa a um servidor que pediu o pagamento da aposentadoria especial.
Ao decidir que as regras do INSS devem ser aplicadas também aos servidores, o STF decretou a omissão do presidente da República por não ter proposto uma lei que regulamente o assunto.
A Casa Civil disse que o assunto é discutido nos ministérios da Previdência e do Planejamento. O Planejamento não comentou, e a Previdência negou que trate do tema.
Um projeto do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-CE) trata da aposentadoria especial de servidores, mas aguarda para ser votado no Senado desde o ano passado. As secretarias da Gestão do Estado e da capital não comentaram.
Fonte: Agora
Os servidores que trabalham em condições insalubres podem conseguir, na Justiça, a concessão da aposentadoria especial nos moldes do benefício que é concedido atualmente pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social).
Análise da aposentadoria deve ser feita caso a caso
A decisão é do plenário do STF (Supremo Tribunal Federal), a última instância da Justiça. Segundo o tribunal, foram julgados 18 processos de servidores com pedido de benefício de acordo com as regras da Previdência Social.
Com isso, é possível se aposentar com 15 anos a 25 anos de trabalho. Quem não trabalhou todo o tempo sobre uma atividade insalubre pode converter o período especial em comum e, assim, diminuir o tempo de trabalho para a aposentadoria.
Em 2008, cerca de 235 mil servidores do Estado e 31 mil da Prefeitura de São Paulo tinham o adicional por insalubridade. Embora essa não seja uma condição para ter a aposentadoria especial, são esses os servidores que têm mais chance de ter o benefício.
Segundo o STF, a aposentadoria especial para servidor está prevista na Constituição, mas depende de regulamentação (que nunca foi feita) para valer. "Por isso, pedidos de aposentadoria feitos por servidores acabam sendo rejeitados pela administração [pública]", informou o STF.
O órgão também determinou que os ministros do STF poderão aplicar a decisão a todos os processos sobre o tema que estiverem em seus gabinetes, sem a necessidade de levar cada caso para o plenário --ou seja, o tribunal está garantindo a aplicação desse entendimento a todas as ações desse tipo.
O TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região, que atende São Paulo e Mato Grosso do Sul) também já deu ganho de causa a um servidor que pediu o pagamento da aposentadoria especial.
Ao decidir que as regras do INSS devem ser aplicadas também aos servidores, o STF decretou a omissão do presidente da República por não ter proposto uma lei que regulamente o assunto.
A Casa Civil disse que o assunto é discutido nos ministérios da Previdência e do Planejamento. O Planejamento não comentou, e a Previdência negou que trate do tema.
Um projeto do senador Antonio Carlos Valadares (PSB-CE) trata da aposentadoria especial de servidores, mas aguarda para ser votado no Senado desde o ano passado. As secretarias da Gestão do Estado e da capital não comentaram.
Fonte: Agora
Geddel parte para a guerra e ataca presidente da Petrobras. Pura politicagem.
A Folha de S. Paulo volta a atacar o PT. Agora, na pessoa do presidente da Petrobras, José Sérgio Gabrielli (PT). Utilizando o rancor de seu liderado, Michel Hagge (PMDB), liderança política de Itapetinga (BA), derrotado nas últimas eleições municipais, Geddel Vieira Lima (PMDB) passou a fornecer pautas e textos para as reportagens da Folha de S. Paulo. As pautas começaram a sair na coluna Painel, assinadas pela pragmática jornalista Renata Lo Prete. Depois viraram matérias com manchetes sensacionalistas. Tudo arranjado.Como não poderia deixar de ser, o presidente da Petrobras negou firmemente as acusações totalmente infundadas. Não há uso político-eleitoreiro nos patrocínios que a Petrobras presta às prefeituras baianas, que precisam de ajuda para organizar as festas juninas, essenciais para dinamizar as economias municipais nesta época do ano. Mas, Geddel Vieira Lima não se importa com isso, não hesita em prejudicar as prefeituras, disseminando pela imprensa anti-petista desconfianças e acusações. O jogo é duro.CORTINA DE FUMAÇAA coisa é tão ridícula que acusam Rosemberg Pinto, ex-gerente regional de Comunicação, atual assessor da presidência da Petrobras, de articular campanha de José Sérgio Gabrielli para o Senado. É uma cortina de fumaça. Geddel Vieira Lima sabe que não é nada disso. Mas, precisa de um discurso para continuar a embaralhar as cartas da política baiana. E também não hesita em atingir a presidência da Petrobras. A relação com a ONG Aanor é contratual e o montante transferido se refere a "patrocínio a um projeto apresentado pela associação e aprovado pela companhia", informa empresa estatal. A organização do São João, festa tradicional no Nordeste, como todo mundo sabe, é de responsabilidade das prefeituras.A única contrapartida do patrocínio é sempre a exposição da logomarca da Petrobras nas festas, "com grande concentração de público". A contratação da ONG facilitou a fiscalização das ações realizadas. "Foi celebrado um contrato com a instituição, ao invés de 26 [com as prefeituras]. A instituição acompanhou todas as etapas de realização do evento em cada cidade."JORNALISMO A SERVIÇOEvidentemente, não há nenhuma ilegalidade. Mas, a Folha de São Paulo, como sempre, leva seus leitores ao engano, sugerindo abertamente que os patrocínios seriam ilegais porque favoreceriam o PT. Como se prefeituras administradas pelo PT não pudessem receber patrocínios.Prefeitos corruptos mentem ao afirmar que Rosemberg Pinto anda fazendo propostas. Desde julho de 2008 ele não mais atua na área de patrocínios da estatal. O PT da bahia já divulgou nota pública sobre essa palhaçada política armada por Geddel Vieira Lima, o capo do PMDB baiano. O objetivo de Geddel Vieira Lima é confundir o cenário político, agradar ao seu comandado que não engole a derrota eleitoral em Itapetinga, e atingir o presidente da Petrobras por interesses inconfessáveis. Com José Sérgio Gabrielli na Petrobras não há espaço para certos negócios.A ONG conveniada com a Petrobras é realmente dirigida por Aldenira da Conceição de Sena, militante do PT, e não há nenhum indício de irregularidade, a não ser as acusações absurdas da Folha de S. Paulo. É uma instituição reconhecida como de utilidade pública, não pelo Governo Wagner, que não tem essa atribuição, mas pela Assembléia Legislativa da Bahia. O PROBLEMA É ELEITORALSe a Petrobras não bancar os patrocínios das festas juninas este ano, será um fracasso geral, principalmente com a redução da arrecadação gerada pela crise financeira mundial. No ano passado, a Petrobras destinou R$ 1,4 milhão para as festas em 26 municípios. Tudo legal, tudo transparente.A Associação de Apoio e Assessoria a Organizações Sociais do Nordeste (Aanor) atuou como intermediária no repasse do dinheiro às prefeituras. Petrobras e Aanor foram parceiras na gestão dos patrocínios das festas juninas. Para isso a Petrobras celebrou um contrato com a entidade. Não há nada de errado. Não há contradições.A explicação para esta celeuma toda é simples. Rosemberg Pinto é candidato a deputado estadual pelo PT. Vai rachar o eleitorado de Itapetinga, reduto de Michel Hagge, cabo eleitoral de Geddel Vieira Lima. A matéria da Folha é comprada. Sabe lá Deus por quanto.
Fonte: Bahia de Fato
Fonte: Bahia de Fato
Jô Soares, suas velhinhas e o ódio de classe contra Lula
O jornalista Mino Carta, outro dia, em sua revista CartaCapital (15/04/2009), lembrou que “Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente da República mais popular da história do Brasil, segundo a mídia brasileira é o mais ignorante e desastrado. Constata-se que a informação se curva diante da opinião. Fica claro, isso sim, que o jornalismo verde-amarelo sofre os efeitos de um implacável ódio de classe”.Eu me lembrei do dito de Mino Carta porque me deu uma insônia danada nesta quarta-feira (16) e procurei na TV um refúgio. Quase todos os canais transmitiam aqueles programas evangélicos que beiram à histeria. Fui obrigado a assistir o programa “Meninas do Jô” da Rede Globo. Não mudou nada. O ódio de classe do Jô, e das velhinhas do Jô (Lúcia Hipólito tem quatro netos) volta-se contra o presidente Lula em forma de “humor”. Jô forçou a barra para culpar o...Lula pelo soerguimento de um muro em torno de uma favela do Rio que avança pela área de preservação ambiental.Depois Jô Soares defendeu a atual Lei Rouanet e meteu o pau na proposta do Ministério da Cultura de democratizar os recursos. O gordo repetiu o chavão de um suposto “dirigismo cultural” embutido no projeto de lei. Com interesses “culturais” financiados pela Lei Rouanet e porta-voz da Rede Globo, não é difícil entender a posição do Jô.Como pregador do caos, o humorista culpou a “crise econômica” como causa da violência explícita de quatro servidores públicos, flagrados pelas câmaras, contra o povo que tentava embarcar nos vagões do trem de Madureira, Rio de Janeiro, em plena greve dos ferroviários. Até a reacionária “cientista política” Lúcia Hipólito não caiu nessa, informando que os servidores violentos já tinham sido demitidos. Mas ficou a impressão de que Jô Soares está antevendo o caos social diante do “agravamento” dos impactos da crise financeira no Brasil. E aí repetem-se aquelas piadinhas da “marolinha” dita por Lula. Como se não fosse necessário a qualquer presidente da República tranqüilizar a população.Jô e suas velhinhas encarnam o espírito da mídia brasileira, que pensa saber tudo. Recebendo polpudos salários, ele e elas criticam o Congresso Nacional dominado por parlamentares picaretas. Mas criticam de tal modo que não há saída senão a volta da ditadura. Lílian Wite Fibe está nessa de antever o caos social provocado pelo desemprego. Coube à jornalista (?) Flávia Oliveira repor um mínimo de razão, lembrando que pobreza não significa necessariamente banditismo. E lá vem Jô com a história do muro que está sendo erguido na favela “por um aliado do presidente Lula”. Para ele, o Rio é o caos, reflexo do Brasil.Jô e as velhinhas criticam o muro destinado, certo ou errado, a preservar o verde da invasão urbana. Questionam, mas são incapazes de fazer uma proposta séria. Ah! Bom. O certo é distribuir a renda, educação, etc, mas, enquanto a distribuição da renda e a educação não chegam, o que fazer para salvar o que resta da mata? Aí eles passam adiante para a próxima piada. Afinal, o programa é humorístico. Lúcia Hipólito ainda remenda, afirmando que o problema é que o poder público perdeu parte do território. “Há muitos lugares que o povo paga pedágio aos bandidos, em São Paulo e Salvador, também”. Chutou feio. Desafio Lúcia Hipólito a identificar alguma área em Salvador em que a população paga pedágio a bandidos.Lílian Wite Fibe assim mesmo concluiu pela falência do poder público. Aí Jô Soares chamou Cristiana Lobo que estava na Itália, diante do Coliseu iluminado. Ela lembrou ao Jô e suas velhinhas que as favelas do Rio existem há pelo menos 30 anos, ou mais, e Lula não pode ser culpado porque tem um aliado que governa o Rio. Ela também acha que não é possível barrar o crescimento da favela com muros. Aí o Jô volta a fazer piadinha com Lula: “o complexo do Alemão é porque ele tem olhos azuis, é louro e tem pele branca?”. É apenas um repetição do discurso idiotizante da mídia. Todos eles sabem que Lula estava se referindo à Inglaterra e aos Estados Unidos, nações de louros e olhos azuis, como responsáveis pela crise mundial.Jô Soares não esquece Lula. Eu já relaxei. Aquele humor reacionário e anti-Lula não pega mais. Como quase toda a mídia brasileira, suas opiniões estão descoladas da realidade. Eu dei muita risada das bobagens de Jô, mas, como a maioria do povo brasileiro, sou mais Lula e suas frases de efeito. É fácil provar que a população não leva a sério a mídia. Jô Soares propôs que populares entrem na Justiça contra os parlamentares, deputados e senadores, que fazem a festa com o uso e o abuso dos celulares. Ele disse que isso é pior que os grampos, a escuta ilegal. Você acha que alguém vai entrar na Justiça por sugestão do gordo?Lá da Itália, Cristiana Lobo concluiu que o governo brasileiro não fez o dever de casa, não procedeu como a formiga no inverno, não se preparou. A opinião vai contra a análise de qualquer reles economista. Procurando caos social, Lílian Wite Five citou que o povo brasileiro está frito. É que as emissoras de rádio e TV só falam em mortos nas estradas. “As pessoas no Brasil não têm nem direito a usar as estradas sem morrerem”. Há algum bom senso no que ela fala? A culpa é do Lula, do Lula. Prá mim chega. Fui.
Fonte: Bahia de Fato
Fonte: Bahia de Fato
Câmara mantém brechas para uso de cota de passagens aérea por parentes no exterior
Folhapress
O ato da Mesa Diretora da Câmara anunciado hoje para alterar as normas para o transporte aéreo dos parlamentares deixa uma brecha para os deputados continuarem viajando para onde escolherem. A medida ainda legaliza as viagens de parentes dos deputados com dinheiro público.
A nova regra diz que o benefício pode ser utilizado pelo próprio parlamentar, a mulher ou marido, seus dependentes legais e assessores em situações relacionadas à atividade parlamentar. A Mesa Diretora se omitiu na definição dos trechos que podem ser usados. Portanto, o deputado pode levar a família inteira para qualquer destino, inclusive ao exterior, desde que justifique como necessário ao exercício do mandato.
Questionado se as viagens estariam liberadas, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), disse que novas restrições podem ser discutidas. "Esse é um outro momento", afirmou.
O primeiro-secretário da Casa, deputado Rafael Guerra (PSDB-MG), reforçou o discurso. Guerra disse que as medidas apresentadas hoje foram uma resposta "rápida" às denúncias de mau uso da cota de passagens por parlamentares.
As medidas de restrição do uso da cota de passagem foram anunciadas depois da denúncia de irregularidades no uso do benefício. O deputado Fábio Faria (PMN-RN), por exemplo, uso sua cota para pagar viagens para a ex-namorada Adriane Galisteu e outros artistas. Ele devolveu R$ 21.343 para a Câmara para ressarcir as passagens.
Deputados que assumiram ministérios do governo Lula continuaram usando a verba mesmo depois de licenciados da Câmara. Esse é o caso dos ministros José Múcio (Relações Institucionais), Reinhold Stephanes (Agricultura) e Geddel Vieira (Integração). As assessorias dos ministros negaram irregularidades no uso da cota. Informaram que eles possuíam créditos pessoais e intransferíveis referentes à cota não usada quando parlamentares.
Outro lado
O primeiro secretário negou que a regulamentação abra possibilidade para irregularidades. Segundo Guerra, no texto está implícita a proibição. "A norma deixa claro que as passagens só podem ser utilizadas para o exercício do mandato e o deslocamento dos familiares diretos. Portanto, está implícito que qualquer farra com o bilhete está proibida", disse.
Guerra defendeu a decisão da Mesa afirmando que a limitação de trechos poderia prejudicar a atividade parlamentar. O primeiro-secretário argumentou que a liberação dos parentes é necessária porque em muitas ocasiões os parlamentares viajam durante o fim de semana.
As últimas denúncias do uso irregular da cota dão conta de que cinco dos 11 integrantes da Mesa Diretora utilizaram a cota da Câmara para bancar 49 viagens internacionais nos últimos dois anos. As passagens saíram da cota dos deputados Inocêncio Oliveira (PR-PE), segundo secretário, Odair Cunha (PT-MG), terceiro secretário, Nelson Marquezelli (PTB-SP), quarto secretário, Leandro Sampaio (PPS-RJ), terceiro suplente de secretário, e Manoel Junior (PSB-PB), quarto suplente de secretário. Esses deputados usaram dinheiro da Câmara para pagar além de suas próprias viagens, passagens para mulheres, filhos e irmãos
Entre as medidas adotadas pelo comando da Câmara está a redução de 20% no valor da cota da passagem, que varia de R$ 4,7 mil a R$ 18,7 mil --dependendo do Estado de origem do parlamentar e se ele ocupa cargo na Mesa. Parlamentares do Distrito Federal, que não precisam voltar para seu Estado de origem no fim de semana, também recebem.
Fonte: Tribuna da Bahia
O ato da Mesa Diretora da Câmara anunciado hoje para alterar as normas para o transporte aéreo dos parlamentares deixa uma brecha para os deputados continuarem viajando para onde escolherem. A medida ainda legaliza as viagens de parentes dos deputados com dinheiro público.
A nova regra diz que o benefício pode ser utilizado pelo próprio parlamentar, a mulher ou marido, seus dependentes legais e assessores em situações relacionadas à atividade parlamentar. A Mesa Diretora se omitiu na definição dos trechos que podem ser usados. Portanto, o deputado pode levar a família inteira para qualquer destino, inclusive ao exterior, desde que justifique como necessário ao exercício do mandato.
Questionado se as viagens estariam liberadas, o presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), disse que novas restrições podem ser discutidas. "Esse é um outro momento", afirmou.
O primeiro-secretário da Casa, deputado Rafael Guerra (PSDB-MG), reforçou o discurso. Guerra disse que as medidas apresentadas hoje foram uma resposta "rápida" às denúncias de mau uso da cota de passagens por parlamentares.
As medidas de restrição do uso da cota de passagem foram anunciadas depois da denúncia de irregularidades no uso do benefício. O deputado Fábio Faria (PMN-RN), por exemplo, uso sua cota para pagar viagens para a ex-namorada Adriane Galisteu e outros artistas. Ele devolveu R$ 21.343 para a Câmara para ressarcir as passagens.
Deputados que assumiram ministérios do governo Lula continuaram usando a verba mesmo depois de licenciados da Câmara. Esse é o caso dos ministros José Múcio (Relações Institucionais), Reinhold Stephanes (Agricultura) e Geddel Vieira (Integração). As assessorias dos ministros negaram irregularidades no uso da cota. Informaram que eles possuíam créditos pessoais e intransferíveis referentes à cota não usada quando parlamentares.
Outro lado
O primeiro secretário negou que a regulamentação abra possibilidade para irregularidades. Segundo Guerra, no texto está implícita a proibição. "A norma deixa claro que as passagens só podem ser utilizadas para o exercício do mandato e o deslocamento dos familiares diretos. Portanto, está implícito que qualquer farra com o bilhete está proibida", disse.
Guerra defendeu a decisão da Mesa afirmando que a limitação de trechos poderia prejudicar a atividade parlamentar. O primeiro-secretário argumentou que a liberação dos parentes é necessária porque em muitas ocasiões os parlamentares viajam durante o fim de semana.
As últimas denúncias do uso irregular da cota dão conta de que cinco dos 11 integrantes da Mesa Diretora utilizaram a cota da Câmara para bancar 49 viagens internacionais nos últimos dois anos. As passagens saíram da cota dos deputados Inocêncio Oliveira (PR-PE), segundo secretário, Odair Cunha (PT-MG), terceiro secretário, Nelson Marquezelli (PTB-SP), quarto secretário, Leandro Sampaio (PPS-RJ), terceiro suplente de secretário, e Manoel Junior (PSB-PB), quarto suplente de secretário. Esses deputados usaram dinheiro da Câmara para pagar além de suas próprias viagens, passagens para mulheres, filhos e irmãos
Entre as medidas adotadas pelo comando da Câmara está a redução de 20% no valor da cota da passagem, que varia de R$ 4,7 mil a R$ 18,7 mil --dependendo do Estado de origem do parlamentar e se ele ocupa cargo na Mesa. Parlamentares do Distrito Federal, que não precisam voltar para seu Estado de origem no fim de semana, também recebem.
Fonte: Tribuna da Bahia
Dantas ataca Protógenes em depoimento na CPI
Folhapress
O banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, depôs hoje por cerca de seis horas para a CPI das Escutas Clandestinas da Câmara dos Deputados. Em vários momentos do depoimento, Dantas lançou ataques contra o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz.
Protógenes comandou a primeira fase da Operação Satiagraha, que investiga supostos crimes financeiros atribuídos a Dantas.
À CPI, Protógenes disse ser "vítima" de grampos ilegais realizados pelo delegado Protógenes Queiroz durante a Operação Satiagraha. "Eu fui vítima de escuta ilegal [montada] pela estrutura coordenada pelo delegado Protógenes Queiroz. Não sei se a estrutura usada foi a da Polícia Federal ou da Abin [(Agência Brasileira de Inteligência]. O senhor Protógenes quer se colocar de vítima da situação", afirmou.
A reportagem não conseguiu falar com Protógenes. O advogado de Protógenes também não atendeu às ligações da reportagem. A assessoria da PF não vai se manifestar.
O banqueiro disse que foi espionado durante as investigações da PF e questionou a legalidade da Satiagraha. "Eu tenho informações de que sim [fui espionado]. Não posso precisar de quem ou o quê. Mas tenho informações de que sim. E tenho informações de que na Satiagraha os grampos que foram feitos foram ilegais", afirmou. Armação
Dantas também apresentou um laudo para desqualificar a denúncia de tentativa de suborno a um delegado da PF. Por essa suposta tentativa de suborno, Dantas foi condenado pelo juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal, a dez anos de prisão por corrupção ativa e ao pagamento de uma multa de R$ 12 milhões.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Dantas teria usado os emissários Humberto Braz e Hugo Chicaronni para tentar subornar o delegado Victor Hugo Ferreira e dessa forma tirar seu nome das investigações da Satiagraha. O laudo apresentado por Dantas diz que a voz flagrada na tentativa de suborno não é de Braz. Apesar do empresário aparecer nas imagens que flagraram a cena do crime, Dantas disse que a fita foi utilizada para insinuar o suborno --mas teria sido adulterada para que as vozes não coincidissem com as imagens.
"A conversa sobre o dinheiro ocorreu quando o Braz estava no banheiro. A voz não é do Humberto Braz, está aqui na gravação. Ele foi ao banheiro, [o delegado] chama o cinegrafista para filmar o flagrante. Esse é o espírito da operação controlada. Mas não fizeram o flagrante", afirmou.
O laudo foi elaborado pelo perito Ricardo Molina, segundo Dantas, depois de a PF ter se recusado a realizar a investigação.
Dantas disse que foi vítima de uma armação. Afirmou ainda que a PF destruiu provas do suposto flagrante de suborno ao depositar US$ 1 milhão oferecido ao delegado na Caixa Econômica Federal. 'Na prisão do dinheiro, o natural seria identificar de onde o dinheiro saiu, como pediu o Ministério Público. A Polícia Federal destrói a prova. A cédula foi depositada no banco, misturou as cédulas. Não tem como saber de onde vem o dinheiro', disse.
Metralhadora giratória
Na opinião do banqueiro, Protógenes disparou uma "metralhadora giratória" ao fazer acusações inexistentes. "O senhor Protógenes tem lançado ilações em várias direções, algumas delas incoerentes. Essa ideia de que o presidente patrocinou essa operação, não acho que faça sentido. Ali tem uma metralhadora giratório que gira 270 graus", afirmou. Dantas negou ter qualquer relação com Fabio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O banqueiro disse não acreditar que Lula tenha solicitado a realização da Operação Satiagraha para investigar supostas acusações contra seu filho.
'Se o presidente quisesse saber o que estava acontecendo com o filho, ele não precisaria de cerca de cem agentes da Abin [Agência Brasileira de Inteligência] para investigar. Não é razoável que o presidente, do governo do PT, usaria a Abin para investigar. Acho que isso não faz sentido', afirmou em referência à participação de homens da agência na Satiagraha. Segundo a revista 'Veja', o delegado Protógenes Queiroz teria dito a integrantes de sua equipe que havia recebido uma missão presidencial para investigar o filho do presidente. O delegado nega que a Satiagraha tenha sido uma missão presidencial, mas disse acreditar que Lula tinha 'interesses' na operação.
A revista diz que um dos espiões teria ouvido de Protógenes que o presidente Lula tinha interesse na investigação porque seu filho teria sido cooptado por uma organização criminosa --numa referência a Daniel Dantas.
Protógenes disse ontem que o presidente Lula tinha "interesses" na Operação Satiagraha. Lula afirmou hoje que não falaria sobre o assunto e que era o delegado que deveria comentar o assunto.
Juízes
Dantas disse à CPI acreditar que juízes de primeira instância estejam suscetíveis a 'atos de corrupção' no país. Dantas isentou, porém, o juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Federal de São Paulo, de envolvimento em atos de corrupção. "A preocupação de alguns dos nossos advogados era que, em casos de primeira instância, poderia ter havido corrupção de magistrados. Em instâncias superiores, essa hipótese é mais remota. No caso de São Paulo, há gravação referindo-se ao fato de que o juiz Fausto De Sanctis não é suscetível a esse tipo de coisa", disse.
De Sanctis foi responsável por expedir o mandado de prisão de Dantas na Operação Satiagraha, que investiga supostos crimes financeiros atribuídos ao banqueiro. De Sanctis foi o mesmo que condenou o banqueiro a dez anos de prisão por tentativa de suborno de um delegado da Polícia Federal.
Fonte: Tribuna da Bahia
O banqueiro Daniel Dantas, do Opportunity, depôs hoje por cerca de seis horas para a CPI das Escutas Clandestinas da Câmara dos Deputados. Em vários momentos do depoimento, Dantas lançou ataques contra o delegado da Polícia Federal Protógenes Queiroz.
Protógenes comandou a primeira fase da Operação Satiagraha, que investiga supostos crimes financeiros atribuídos a Dantas.
À CPI, Protógenes disse ser "vítima" de grampos ilegais realizados pelo delegado Protógenes Queiroz durante a Operação Satiagraha. "Eu fui vítima de escuta ilegal [montada] pela estrutura coordenada pelo delegado Protógenes Queiroz. Não sei se a estrutura usada foi a da Polícia Federal ou da Abin [(Agência Brasileira de Inteligência]. O senhor Protógenes quer se colocar de vítima da situação", afirmou.
A reportagem não conseguiu falar com Protógenes. O advogado de Protógenes também não atendeu às ligações da reportagem. A assessoria da PF não vai se manifestar.
O banqueiro disse que foi espionado durante as investigações da PF e questionou a legalidade da Satiagraha. "Eu tenho informações de que sim [fui espionado]. Não posso precisar de quem ou o quê. Mas tenho informações de que sim. E tenho informações de que na Satiagraha os grampos que foram feitos foram ilegais", afirmou. Armação
Dantas também apresentou um laudo para desqualificar a denúncia de tentativa de suborno a um delegado da PF. Por essa suposta tentativa de suborno, Dantas foi condenado pelo juiz Fausto Martin De Sanctis, da 6ª Vara Criminal, a dez anos de prisão por corrupção ativa e ao pagamento de uma multa de R$ 12 milhões.
De acordo com a denúncia do Ministério Público, Dantas teria usado os emissários Humberto Braz e Hugo Chicaronni para tentar subornar o delegado Victor Hugo Ferreira e dessa forma tirar seu nome das investigações da Satiagraha. O laudo apresentado por Dantas diz que a voz flagrada na tentativa de suborno não é de Braz. Apesar do empresário aparecer nas imagens que flagraram a cena do crime, Dantas disse que a fita foi utilizada para insinuar o suborno --mas teria sido adulterada para que as vozes não coincidissem com as imagens.
"A conversa sobre o dinheiro ocorreu quando o Braz estava no banheiro. A voz não é do Humberto Braz, está aqui na gravação. Ele foi ao banheiro, [o delegado] chama o cinegrafista para filmar o flagrante. Esse é o espírito da operação controlada. Mas não fizeram o flagrante", afirmou.
O laudo foi elaborado pelo perito Ricardo Molina, segundo Dantas, depois de a PF ter se recusado a realizar a investigação.
Dantas disse que foi vítima de uma armação. Afirmou ainda que a PF destruiu provas do suposto flagrante de suborno ao depositar US$ 1 milhão oferecido ao delegado na Caixa Econômica Federal. 'Na prisão do dinheiro, o natural seria identificar de onde o dinheiro saiu, como pediu o Ministério Público. A Polícia Federal destrói a prova. A cédula foi depositada no banco, misturou as cédulas. Não tem como saber de onde vem o dinheiro', disse.
Metralhadora giratória
Na opinião do banqueiro, Protógenes disparou uma "metralhadora giratória" ao fazer acusações inexistentes. "O senhor Protógenes tem lançado ilações em várias direções, algumas delas incoerentes. Essa ideia de que o presidente patrocinou essa operação, não acho que faça sentido. Ali tem uma metralhadora giratório que gira 270 graus", afirmou. Dantas negou ter qualquer relação com Fabio Luís Lula da Silva, filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O banqueiro disse não acreditar que Lula tenha solicitado a realização da Operação Satiagraha para investigar supostas acusações contra seu filho.
'Se o presidente quisesse saber o que estava acontecendo com o filho, ele não precisaria de cerca de cem agentes da Abin [Agência Brasileira de Inteligência] para investigar. Não é razoável que o presidente, do governo do PT, usaria a Abin para investigar. Acho que isso não faz sentido', afirmou em referência à participação de homens da agência na Satiagraha. Segundo a revista 'Veja', o delegado Protógenes Queiroz teria dito a integrantes de sua equipe que havia recebido uma missão presidencial para investigar o filho do presidente. O delegado nega que a Satiagraha tenha sido uma missão presidencial, mas disse acreditar que Lula tinha 'interesses' na operação.
A revista diz que um dos espiões teria ouvido de Protógenes que o presidente Lula tinha interesse na investigação porque seu filho teria sido cooptado por uma organização criminosa --numa referência a Daniel Dantas.
Protógenes disse ontem que o presidente Lula tinha "interesses" na Operação Satiagraha. Lula afirmou hoje que não falaria sobre o assunto e que era o delegado que deveria comentar o assunto.
Juízes
Dantas disse à CPI acreditar que juízes de primeira instância estejam suscetíveis a 'atos de corrupção' no país. Dantas isentou, porém, o juiz Fausto De Sanctis, da 6ª Vara Federal de São Paulo, de envolvimento em atos de corrupção. "A preocupação de alguns dos nossos advogados era que, em casos de primeira instância, poderia ter havido corrupção de magistrados. Em instâncias superiores, essa hipótese é mais remota. No caso de São Paulo, há gravação referindo-se ao fato de que o juiz Fausto De Sanctis não é suscetível a esse tipo de coisa", disse.
De Sanctis foi responsável por expedir o mandado de prisão de Dantas na Operação Satiagraha, que investiga supostos crimes financeiros atribuídos ao banqueiro. De Sanctis foi o mesmo que condenou o banqueiro a dez anos de prisão por tentativa de suborno de um delegado da Polícia Federal.
Fonte: Tribuna da Bahia
Escândalos põem em risco a credibilidade do Congresso Nacional
Alex Ferraz
Em comentário bastante sucinto e nem por isso menos lúcido, a jornalista Dora Kramer, da Bandnews FM, disse hoje pela manhã, a respeito dos constantes escândalos que vêm abalando o Congresso Nacional, que “quanto mais o Congresso se mexe, mas ele afunda na lama.”
Kramer referia-se ao fato de que, em vez de os congressistas tentarem arrumar a Casa e sanar seus defeitos, ficam se revolvendo em negativas e inúmeras outras tentativas de convencer a opinião pública de que não cometem os erros denunciados, mesmo que para isso seja necessário até tentar cercear a informação a esta opinião pública, caso recente de censura a informações.
A verdade é que desde a promulgação da Constituição de 2008, trazendo a redemocratização do Brasil, pelo menos 20 grandes escândalos (sem relacionar os de 2009) já se registraram no Congresso, o que vem pondo em risco a credibilidade da Casa e, por consequência, abrindo caminho para os radicais (de direita ou esquerda) que vêem no Legislativo um empecilho para suas intenções.
NÚMERO RECORDE
Em apenas cinco meses de trabalhos, a atual legislatura já registrou seis episódios envolvendo deputados e senadores, número recorde de casos se comparados com legislaturas anteriores. São escândalos que envolvem até acusações de assassinato. Os dois casos de maior repercussão no Congresso atual envolvem senadores.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sofre processo no Conselho de Ética da Casa após ter sido acusado de ter as contas pessoais pagas por um lobista. O ex-senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) renunciou na semana passada após denúncias de que teria recebido, de forma irregular, R$ 2,2 milhões de um empresário. Dos outros quatro escândalos que também marcaram a legislatura, três foram descobertos em razão de operações da Polícia Federal. O deputado Juvenil Alves (sem partido-MG), preso por sonegação fiscal na Operação Castelhana, teve a diplomação suspensa pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), mas conseguiu reverter a decisão. O senador Jayme Campos (DEM-MT) é acusado pelo Ministério Público Federal de tráfico de influência em favor de uma quadrilha de grilagem de terras investigada na Operação Lacraia.
A Operação Navalha, que apurou fraudes em licitações e desvio de verba em obras públicas, envolveu três deputados: Olavo Calheiros (PMDB-AL), Maurício Quintella (PR-AL) e Paulo Magalhães (DEM-BA), todos investigados atualmente pela Procuradoria-geral da República.
Em outro caso, o deputado Mario de Oliveira (PSC-MG) é acusado de ter encomendado a morte de um colega da Câmara. A denúncia já está sendo investigada no Conselho de Ética da Câmara.
CRONOGRAMA
Nos grandes escândalos pós-redemocratização, destacam-se:
1993 – Anões do Orçamento. Denúncia de um assessor técnico da Comissão de Orçamento do Congresso resultou em três parlamentares cassados e três renúncias. A acusação era de manobras para favorecimentos ilícitos com a verba orçamental.
1994 – Humberto Lucena (PMDB-PB), presidente do senado, foi acusado de utilizar a Gráfica do senado para imprimir propaganda eleitoral. Foi cassado pelo TSE, mas anistiado em 1995 com ajuda do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Morreu em 1998.
1997 – Foi desvendado o caso da compra de votos para aprovação da emenda constitucional que estabelecia a reeleição para presidente (no caso, FHC), governadores e prefeitos. Dois senadores renunciaram.
1998 – A deputada Ceci Cunha (PSDB-AL) foi assassinada a tiros juntamente o marido e mais dois familiares. Fita de escuta telefônica mostrou que o mandante do crime foi o também deputado Talvane Albuquerque (PTN-AL). O caso foi parar na Justiça comum.
1999 - Hildebrando Pascoal (do antigo PFL) foi acusado de comandar grupo de extermínio e narcotráfico. Falou-se até que ele se deixara fotografar serrando um cadáver com uma motosserra. Foi condenado a 60 anos de prisão, à época, com mais 18 em agravamento da pena.
1999 – O senador Luiz Estevão (PMDB-DF) foi acusado na CPI do Judiciário de receber US$ 10 milhões de uma empreiteira que superfaturou obra do prédio do TRT de São Paulo. Foi cassado.
2000 - Os senadores Antônio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda foram acusados de violação do painel de votação no episódio da cassação de Luiz Estevão. Ambos renunciaram.
2001 – Presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB – PA), foi acusado de desvio de verbas do Fundo de Investimento da Amazônia. Licenciou-se da presidência, retornou ao cargo e renunciou.
2004 – O senador João Capiberibe (PSB-AP) e sua mulher, deputada federal Janete Capiberibe, foram cassados pelo TSE sob a acusação de compra de votos. Teriam pago R$ 26 por voto.
2005 – O deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) denunciou a compra de votos pelo Executivo para congressistas votarem a favor do governo. Houve o grande escândalo do Mensalão. Jefferson foi cassado, junto com mais dois, e quatro renunciaram. De 19 acusados, 12 foram absolvidos.
2005 – O então presidente da Câmara Federal, Severino Cavalcanti (PP-PE), foi acusado de receber R$ 10 mil mensais para manter concessão de dono de restaurante da Casa. Renunciou.
2006 – Escândalo dos Sanguessugas, com 69 deputados e três senadores acusados de superfaturar compra de ambulâncias. Houve processo contra 67 deputados (dois renunciaram) e quatro foram condenados
2006 – Petistas são acusados da compra de um dossiê contra os tucanos. O esquema favoreceria Aloizio Mercadante na campanha eleitoral daquele ano, em São Paulo. Não houve qualquer investigação.
2006 – O deputado federal eleito Juvenil Alves (PT-MG), advogado, é acusado de chefiar esquema internacional de sonegação fiscal. Mesmo assim assumiu o cargo, mas deixou o partido.
2007 – Na Operação Lacraia, a Polícia Federal acusou o senador Jayme Campos (DEM-MT) de tráfico de influência. O processo segue na esfera judicial.
2007 – Operação Navalha da PF. Foram citados os deputados federais Olavo Calheiros (PMDB-AL), Maurício Quintella (PR-AL) e Paulo Magalhães (DEM-BA) por fraudes em licitações favorecendo a construtora Gautama. A Procuradoria Geral da República abriu processo e deu prazo para defesa. Nada mais se sabe.
2007 – A jornalista Mônica Veloso, amante do então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) denuncia que a pensão do filho que teve com ele era paga por um lobista de grande construtora. Renan negou, esperneou, mas acabou renunciando. Hoje, está de volta à Casa.
2007 – Operação Aquarela, da PF, prende várias pessoas e envolve o senador Joaquim Roriz (PMDB-DF), acusado de transação financeira irregular no valor de R$ 2,2 milhões. Ele renunciou.
Fonte: Tribuna da Bahia
Em comentário bastante sucinto e nem por isso menos lúcido, a jornalista Dora Kramer, da Bandnews FM, disse hoje pela manhã, a respeito dos constantes escândalos que vêm abalando o Congresso Nacional, que “quanto mais o Congresso se mexe, mas ele afunda na lama.”
Kramer referia-se ao fato de que, em vez de os congressistas tentarem arrumar a Casa e sanar seus defeitos, ficam se revolvendo em negativas e inúmeras outras tentativas de convencer a opinião pública de que não cometem os erros denunciados, mesmo que para isso seja necessário até tentar cercear a informação a esta opinião pública, caso recente de censura a informações.
A verdade é que desde a promulgação da Constituição de 2008, trazendo a redemocratização do Brasil, pelo menos 20 grandes escândalos (sem relacionar os de 2009) já se registraram no Congresso, o que vem pondo em risco a credibilidade da Casa e, por consequência, abrindo caminho para os radicais (de direita ou esquerda) que vêem no Legislativo um empecilho para suas intenções.
NÚMERO RECORDE
Em apenas cinco meses de trabalhos, a atual legislatura já registrou seis episódios envolvendo deputados e senadores, número recorde de casos se comparados com legislaturas anteriores. São escândalos que envolvem até acusações de assassinato. Os dois casos de maior repercussão no Congresso atual envolvem senadores.
O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), sofre processo no Conselho de Ética da Casa após ter sido acusado de ter as contas pessoais pagas por um lobista. O ex-senador Joaquim Roriz (PMDB-DF) renunciou na semana passada após denúncias de que teria recebido, de forma irregular, R$ 2,2 milhões de um empresário. Dos outros quatro escândalos que também marcaram a legislatura, três foram descobertos em razão de operações da Polícia Federal. O deputado Juvenil Alves (sem partido-MG), preso por sonegação fiscal na Operação Castelhana, teve a diplomação suspensa pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE), mas conseguiu reverter a decisão. O senador Jayme Campos (DEM-MT) é acusado pelo Ministério Público Federal de tráfico de influência em favor de uma quadrilha de grilagem de terras investigada na Operação Lacraia.
A Operação Navalha, que apurou fraudes em licitações e desvio de verba em obras públicas, envolveu três deputados: Olavo Calheiros (PMDB-AL), Maurício Quintella (PR-AL) e Paulo Magalhães (DEM-BA), todos investigados atualmente pela Procuradoria-geral da República.
Em outro caso, o deputado Mario de Oliveira (PSC-MG) é acusado de ter encomendado a morte de um colega da Câmara. A denúncia já está sendo investigada no Conselho de Ética da Câmara.
CRONOGRAMA
Nos grandes escândalos pós-redemocratização, destacam-se:
1993 – Anões do Orçamento. Denúncia de um assessor técnico da Comissão de Orçamento do Congresso resultou em três parlamentares cassados e três renúncias. A acusação era de manobras para favorecimentos ilícitos com a verba orçamental.
1994 – Humberto Lucena (PMDB-PB), presidente do senado, foi acusado de utilizar a Gráfica do senado para imprimir propaganda eleitoral. Foi cassado pelo TSE, mas anistiado em 1995 com ajuda do então presidente Fernando Henrique Cardoso. Morreu em 1998.
1997 – Foi desvendado o caso da compra de votos para aprovação da emenda constitucional que estabelecia a reeleição para presidente (no caso, FHC), governadores e prefeitos. Dois senadores renunciaram.
1998 – A deputada Ceci Cunha (PSDB-AL) foi assassinada a tiros juntamente o marido e mais dois familiares. Fita de escuta telefônica mostrou que o mandante do crime foi o também deputado Talvane Albuquerque (PTN-AL). O caso foi parar na Justiça comum.
1999 - Hildebrando Pascoal (do antigo PFL) foi acusado de comandar grupo de extermínio e narcotráfico. Falou-se até que ele se deixara fotografar serrando um cadáver com uma motosserra. Foi condenado a 60 anos de prisão, à época, com mais 18 em agravamento da pena.
1999 – O senador Luiz Estevão (PMDB-DF) foi acusado na CPI do Judiciário de receber US$ 10 milhões de uma empreiteira que superfaturou obra do prédio do TRT de São Paulo. Foi cassado.
2000 - Os senadores Antônio Carlos Magalhães e José Roberto Arruda foram acusados de violação do painel de votação no episódio da cassação de Luiz Estevão. Ambos renunciaram.
2001 – Presidente do Senado, Jader Barbalho (PMDB – PA), foi acusado de desvio de verbas do Fundo de Investimento da Amazônia. Licenciou-se da presidência, retornou ao cargo e renunciou.
2004 – O senador João Capiberibe (PSB-AP) e sua mulher, deputada federal Janete Capiberibe, foram cassados pelo TSE sob a acusação de compra de votos. Teriam pago R$ 26 por voto.
2005 – O deputado federal Roberto Jefferson (PTB-RJ) denunciou a compra de votos pelo Executivo para congressistas votarem a favor do governo. Houve o grande escândalo do Mensalão. Jefferson foi cassado, junto com mais dois, e quatro renunciaram. De 19 acusados, 12 foram absolvidos.
2005 – O então presidente da Câmara Federal, Severino Cavalcanti (PP-PE), foi acusado de receber R$ 10 mil mensais para manter concessão de dono de restaurante da Casa. Renunciou.
2006 – Escândalo dos Sanguessugas, com 69 deputados e três senadores acusados de superfaturar compra de ambulâncias. Houve processo contra 67 deputados (dois renunciaram) e quatro foram condenados
2006 – Petistas são acusados da compra de um dossiê contra os tucanos. O esquema favoreceria Aloizio Mercadante na campanha eleitoral daquele ano, em São Paulo. Não houve qualquer investigação.
2006 – O deputado federal eleito Juvenil Alves (PT-MG), advogado, é acusado de chefiar esquema internacional de sonegação fiscal. Mesmo assim assumiu o cargo, mas deixou o partido.
2007 – Na Operação Lacraia, a Polícia Federal acusou o senador Jayme Campos (DEM-MT) de tráfico de influência. O processo segue na esfera judicial.
2007 – Operação Navalha da PF. Foram citados os deputados federais Olavo Calheiros (PMDB-AL), Maurício Quintella (PR-AL) e Paulo Magalhães (DEM-BA) por fraudes em licitações favorecendo a construtora Gautama. A Procuradoria Geral da República abriu processo e deu prazo para defesa. Nada mais se sabe.
2007 – A jornalista Mônica Veloso, amante do então presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL) denuncia que a pensão do filho que teve com ele era paga por um lobista de grande construtora. Renan negou, esperneou, mas acabou renunciando. Hoje, está de volta à Casa.
2007 – Operação Aquarela, da PF, prende várias pessoas e envolve o senador Joaquim Roriz (PMDB-DF), acusado de transação financeira irregular no valor de R$ 2,2 milhões. Ele renunciou.
Fonte: Tribuna da Bahia
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