"Sapateiro, não vá além do sapato": Uma lição esquecida pelos vereadores de Jeremoabo
A expressão popular “o sapateiro não vá além do sapato”, variante do provérbio latino “sutor, ne ultra crepidam”, é uma advertência atemporal: cada um deve se manter no campo do seu conhecimento e especialidade. Trata-se de um chamado ao bom senso e à responsabilidade — valores que parecem estar em falta na atual legislatura da Câmara de Vereadores de Jeremoabo.
Nos últimos tempos, temos testemunhado uma verdadeira inversão de papéis. Os vereadores, cuja função primordial deveria ser legislar, fiscalizar o Executivo e representar os interesses do povo, têm preferido invadir competências que são do prefeito, muitas vezes por omissão, vaidade ou pura ignorância. Em vez de cobrar melhorias na saúde, educação, infraestrutura e segurança, preferem se meter em assuntos que exigem estudo técnico, embasamento histórico e conhecimento jurídico — tudo o que eles demonstram não ter.
O episódio mais recente e revoltante é a tentativa de mudar, de forma leviana, a data da emancipação política de Jeremoabo, um ato que, se concretizado, não será apenas um erro: será uma ofensa à história, um desrespeito à memória coletiva e à identidade do povo jeremoabense.
Qual foi a comissão de alto nível formada pela Câmara para deliberar sobre o tema? Onde estão os historiadores, professores, pesquisadores, representantes de instituições acadêmicas ou órgãos estaduais competentes que deveriam ser consultados antes de qualquer decisão desse porte? Quais documentos oficiais foram analisados? Onde estão os pareceres técnicos?
Mudar a data da emancipação política de um município é algo que exige seriedade, método e responsabilidade institucional. Não se trata de vontade política nem de capricho de um vereador mal assessorado. A iniciativa, quando necessária, deve partir do Executivo, com base em estudos documentais e históricos sólidos, como já ocorreu em outros municípios que optaram por revisar suas datas fundacionais com respeito e critério, como um prefeito do interior de Sergipe que soube conduzir esse processo com dignidade.
Em Jeremoabo, infelizmente, o que estamos assistindo é uma aberração legislativa, um atropelo da razão, uma afronta à história. Não é à toa que o povo tem se sentido humilhado e desrespeitado. Caso esse disparate seja oficializado, a única saída legítima será aguardar as próximas eleições para que a população, de forma democrática, reprovoque nas urnas essa Câmara que não respeita seu povo, sua terra e sua história.
A história de Jeremoabo não pertence a meia dúzia de vereadores sem preparo. Ela pertence ao povo. E o povo saberá defendê-la.
Nota da redação deste Blog - Ande a coisa funciona e o povo é prestigiado e respeito, funciona assim:
