A Alvorada do dia 15 deste mês, um dos momentos mais simbólicos dos festejos juninos de Jeremoabo, trouxe à tona uma cena emblemática que resume bem a mudança dos ventos políticos no município: o ex-prefeito Deri do Paloma, antes figura central dos eventos públicos, dançava no meio da multidão, no meio do povão, afastado dos palcos e holofotes que outrora dominava com desenvoltura e orgulho.
Durante sua gestão, Deri era presença certa nos camarotes privilegiados, nos palcos principais ao lado dos artistas, desfrutando das mordomias que o poder conferia. Era bajulado, aplaudido e tratado como celebridade local. Nos festejos juninos, em especial, transformava-se no “rei” da festa — dançava no palco, dividia microfone com cantores e aproveitava os flashes das câmeras. Era o tempo do prestígio, da autoridade e da visibilidade.
Mas o tempo mudou. Com o fim de seu mandato e a perda do comando político, vieram também as perdas simbólicas: o palanque foi trocado pela calçada, o microfone pelo anonimato e o camarote pela rua. Na Alvorada deste ano, Deri se misturava à multidão como qualquer cidadão comum — não por escolha, mas por falta de alternativa. O palco, agora, tem novo dono.
A cena, embora simples, carrega uma poderosa metáfora sobre a efemeridade do poder. O “rei” de outrora não tem mais onde sentar-se. A estrutura que outrora o elevava agora o deixa à margem, e a ausência de convites para subir ao palco mostra que as portas se fecharam para quem já foi o centro da festa.
A política, como bem se sabe, é feita de ciclos. E a sabedoria está em saber sair de cena com dignidade, entender que o tempo passa e que o respeito não se impõe com cargos, mas se conquista com atitudes. Para Deri, resta agora a reflexão — talvez sobre os atos cometidos no poder, os aliados perdidos e as escolhas que levaram à perda do prestígio.
Dançar no meio do povo pode até parecer um gesto de humildade, mas no caso de Deri, foi a única alternativa diante de um novo tempo em que ele não é mais o protagonista. Como diz o ditado popular: “Rei posto, rei morto.” E a festa continua — com novos rostos no palco e uma cidade que vai tocando sua sanfona política em outro tom.