O veículo foi contratado com a justificativa de atender as necessidades do gabinete da prefeita

A Prefeitura de Aracaju contratou, com dispensa de licitação, um veículo blindado pelo valor de R$ 312 mil para transporte da prefeita Emília Corrêa. A informação está no Diário Oficial de Aracaju.
Conforme o extrato de dispensa de licitação, publicado no Diário Oficial desta terça-feira, 3, a contratação no valor de R$ 312 mil e tem vigência de 12 meses.
Ainda segundo o documento, a dispensa foi realizada diante da contratação emergencial de uma empresa especializada na locação de veículos tipo SUV blindado, com a justificativa de “atender as necessidades do gabinete da prefeita”.
O Portal Infonet entrou em contato com a Prefeitura de Aracaju, mas não obteve resposta. A equipe de reportagem segue à disposição por meio do e-mail jornalismo@infonet.com.br.
por Carol Mundim e Verlane Estácio
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Nota da redação deste blog - Já pensou se essa moda pega em todas as prefeituras do Brasil?
Na contramão das dificuldades enfrentadas por grande parte da população brasileira e dos inúmeros desafios que assolam os municípios do país — como falta de merenda escolar, unidades de saúde sem médicos e infraestrutura precária — a Prefeitura de Aracaju protagoniza um episódio que beira o surrealismo administrativo: a contratação, por dispensa de licitação, de um veículo blindado no valor de R$ 312 mil para o transporte da prefeita Emília Corrêa.
A informação, que consta no Diário Oficial do Município desta terça-feira, dia 3, caiu como uma bomba e gerou perplexidade. O contrato tem vigência de 12 meses e foi classificado como “emergencial”, com a justificativa de que seria necessário “atender às necessidades do gabinete da prefeita”.
A pergunta que não quer calar é: qual é a emergência? Existe alguma ameaça concreta à vida da chefe do Executivo municipal que justifique o uso de recursos públicos para alugar um carro de luxo blindado? Ou seria mais uma extravagância travestida de necessidade institucional? A falta de transparência e detalhamento sobre os motivos reais da contratação apenas alimenta a indignação da opinião pública.
Agora, imagine se essa “moda” pegar. Se cada prefeito, em cada canto do Brasil, resolver se blindar — literalmente — com o dinheiro do povo, o que nos resta? Não há orçamento que suporte tanto zelo pessoal quando o coletivo está à míngua. A medida, além de questionável do ponto de vista ético, abre um precedente perigoso: o da normalização do uso do poder para garantir conforto e segurança pessoal em detrimento das prioridades da população.
O Brasil precisa, urgentemente, de gestores comprometidos com o bem comum, que saibam distinguir o público do privado e que tenham empatia com os reais problemas das comunidades que representam. O povo está cansado de ver o dinheiro dos seus impostos ser usado para luxo e ostentação de quem deveria estar, antes de tudo, a serviço.
A prefeita de Aracaju pode até estar se sentindo mais segura agora — mas será que a consciência está tranquila? E o povo, esse sim, continua desprotegido.
A sociedade precisa fiscalizar. A imprensa precisa questionar. E os órgãos de controle precisam agir. Porque se essa moda pega, o futuro da gestão pública no Brasil pode estar sob risco — e não estamos falando de segurança física, mas de moralidade e responsabilidade com o erário.