Foto Divulgação - Assistencialismo
O Vazio da Situação: A Busca por Assuntos Supérfluos na Câmara de Jeremoabo
A paisagem política em Jeremoabo parece ter mudado drasticamente. Com a chegada de uma nova gestão, liderada pelo prefeito Tista de Deda, os vereadores hoje da situação se veem diante de um cenário desprovido de sua principal "matéria-prima": o caos. Acostumados a explorar as deficiências e a omissão de administrações anteriores, agora precisam recorrer a assuntos supérfluos, como a proposta de mudança da data de emancipação política do município, para justificar sua atuação.
Acabou o tempo das "vacas gordas" para o discurso fácil. Não há mais um "Deri do Paloma" para ser o alvo constante dos ataques na tribuna da Câmara. O Hospital de Jeremoabo, antes símbolo do abandono, agora conta com medicamentos e médicos de plantão. A população, que antes dependia do assistencialismo para ter acesso a partos em Antas, consultas médicas ou exames simples, vê-se agora com serviços minimamente estruturados. Os ônibus caindo aos pedaços, que serviam de palco para discursos inflamados e improdutivos, foram substituídos, retirando dos vereadores uma fonte inesgotável de "triunfos" retóricos.
Diante dessa nova realidade, a pauta da Câmara de Vereadores parece migrar para o anedótico. A mudança de datas, a concessão de títulos de cidadania e a nomeação de ruas se tornam o modus operandi para "arranjar serviço" e preencher o vazio deixado pela ausência de problemas crônicos a serem explorados. Nesse São João, a falta de inundações – que antes servia de pano de fundo para a falança vazia e a inação – revela o quão desprovidos de conteúdo estão os discursos.
A contradição é gritante e a hipocrisia, saliente. Esses mesmos vereadores que buscam assuntos secundários para se manterem em evidência, não hesitam em se gabar de atos que configuram improbidade administrativa. O assistencialismo, em sua essência, é uma prática que deturpa a função pública e, quando praticado por agentes políticos, configura uma afronta à lei. São, portanto, réus confessos de uma conduta que corrói a ética e o bom uso do dinheiro público.
É estarrecedor que, diante de tais confissões explícitas na própria tribuna da Câmara, o Ministério Público permaneça alheio a esses desmandos. A inação dos órgãos fiscalizadores diante de indícios tão claros de improbidade administrativa fomenta a sensação de impunidade e reforça a crença de que a lei não é para todos.
