quarta-feira, junho 18, 2025

Netanyahu diz que o objetivo é evitar holocausto nuclear, mas quem acredita?


Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, durante coletiva de imprensa em Jerusalém

Netanyahu diz que Irã quer lançar bomba atômica em Israel

Wálter Maierovitch
do UOL

O premiê israelense Benjamin Netanyahu, conhecido no seu país pelo apelido de Bibi, busca legitimidade internacional para a operação Leão Nascente. As suas palavras, numa interpretação à luz do direito internacional, da geopolítica relativa ao Oriente Médio e da geoestratégica militar, podem ser entendidas com facilidade.

Bibi centrou, juridicamente e por não prever o direito internacional o chamado ataque preventivo (defesa preventiva), no “estado de necessidade”. Ou seja, no mesmo “estado de necessidade” invocado pelos EUA depois da tragédia terrorista do 11 de setembro.

NOVO HOLOCAUSTO – O premiê israelense falou em necessidade, para evitar o “holocausto nuclear”. A lembrar: há 80 anos os judeus foram vítimas do holocausto nazista. Agora, conforme Bibi, o Irã, com o programa atômico para fim não pacífico, tentaria varrer Israel do mapa.

Frisou Bibi, numa repetição do falado quando da ação do Mossad em Teerã e que resultou no assassinato do líder político do Hamas, não terem os judeus nada contra os iranianos, mas contra o sanguinário, opressivo e expansionista regime dos aiatolás.

Só faltou Bibi recordar ter sido o então xá da Pérsia, na ONU, favorável à criação do Estado de Israel.

ACORDO NUCLEAR – Pelo que se nota, bastou o Irã começar a colocar areia para não celebrar o acordo nuclear, com o governo Donald Trump, para Israel reagir.

A propósito, neste espaço foi informado, com base no que circulava entre os 007 da Inteligência europeia, o fim do prazo, na véspera do ataque de Israel ao Irã, dos 61 dias dado por Trump: prazo para a retomada das conversações sobre o acordo nuclear.

Também não foi olvidada a situação política interna de Netanyahu.

O premiê precisa de guerras para se manter no poder e evitar processo por corrupção, além do inquérito pela sua responsabilidade pelo 7 de outubro, quando o Hamas invadiu Israel pra fazer reféns.=.

LEÃO NASCENTE – O premiê Bibi Netanyahu não dá ponto sem nó. Como está amarrado numa coalizão com dois partidos religiosos, de matriz ortodoxa, Bibi foi buscar na Torá, mais especificamente no Livro dos Números, o nome da operação de guerra contra o Irã.

Usou o simbolismo dos leões (leoas e leões), capítulos 23-44): “O povo se levanta como a leoa que puxa os leões. E não irão parar até a presa ser devorada e bebido todo o sangue” (tradução livre do inglês).

O texto bíblico trata da convocação, pelo rei dos Moabiti, do bruxo e adivinho Ballaan. A meta era a eliminação dos judeus que haviam vagado 40 anos pelo deserto.

META DE BIBI – A ação militar de Israel conta com atuações complementares realizadas pelo Mossad, a agência de espionagem externa. No primeiro dia do ataque, foram assassinados o comandante da Guarda Revolucionária (Pasdaran) e o subchefe do Estado maior das Forças Armadas.

Netanyahu avisou que Ali Khamenei, o líder da teocracia iraniana, está na mira: em seguida o bairro onde mora Khamenei foi bombardeado.

Até o momento, 14 cientistas nucleares prestadores de serviços ao governo dos aiatolás morreram nos ataques. Algo a mostrar que a preocupação não é apenas arrasar os locais estratégios, mas eliminar as mentes responsáveis pelas implantações e objetivo final: bomba atômica.

META DO BINÔMIO – Bibi, na sua propaganda de guerra, usa um binômio: evitar o holocausto nazista e libertar o povo iraniano da tirania dos aiatolás.

Preocupados com o desenvolvimento da guerra entre Israel e o Irã, os estados árabes (o Irã é persa) assistem com preocupação essa guerra e isso porque não confiam em Netanyahu e nem nos aiatolás.

Quanto à bomba atômica, há décadas Israel tem seu estoque, porém não se imagina que venha a usá-las sem motivo justo.

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