
Bitencourt não replicou as acusações a Mauro Cid
Roberto Nascimento
Não entendi a tática de defesa do advogado Cezar Bitencourt, manifestamente na retranca, permitindo graves acusações a seu cliente, o tenente-coronel Mauro Cid, ajudante de ordens presidencial na gestão de Jair Bolsonaro.
O experiente advogado César Vilardi, considerado um dos melhores criminalistas do país, defende Bolsonaro e fez um cipoal de perguntas ao réu colaborador Mauro Cid e também combinou perguntas direcionadas a seu cliente Bolsonaro.
ESTRATÉGIA CORRETA – O advogado José Luís de Oliveira Lima, que defende Braga Netto, usou a mesma estratégia e colocou Mauro Cid nas cordas com perguntas incômodas. Além disso, também combinou perguntas do tipo vôlei, para levantar a bola e deixar seu cliente Braga Netto cortar.
Perguntado pelo relator Alexandre de Moraes se queria fazer perguntas a seu cliente Cid, o advogado Cezar Bitencourt simplesmente declinou. Portanto, deixou de aproveitar a oportunidade de desconstruir a tática de ataque dos advogados de Bolsonaro e de Braga Neto.
Sabemos que os advogados não duelam entre si, a preocupação é com a defesa dos respectivos clientes. Entretanto, na oitiva dos seus clientes, se nas perguntas outros advogados ou o procurador forem contundentes, o advogado deve contra-atacar na defesa de seu cliente. Cezar Bitencourt, porém, preferiu o silêncio.
LEVANDO PANCADA – Resultado é que o tenente-coronel Mauro Cid está apanhando de todo lado. A mídia não fala em outra coisa, insinuando que o réu colaborador está mentindo e nas redes sociais bolsonaristas o assunto é top 10.
O relator Moraes, atendendo ao amplo direito de defesa, aceitou marcar acareação entre o general Walter Braga Netto e o tenente-coronel Mauro Cid, assim como entre Anderson Torres, ex-ministro da Justiça, e o ex-comandante do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes. As acareações foram marcadas para o dia 24 de junho, e ocorrerão no próprio STF.
Há muitas contradições nos depoimentos de Mauro Cid que podem provocar outras acareações. Alexandre Ramagem, por exemplo, foi denunciado como um dos principais organizadores do golpe, mas desde abril de 2022 ele não morava mais em Brasília, estava no Rio em campanha para a Câmara.
ESTÁ VIRALIZANDO – Essas lacunas na delação de Mauro Cid estão viralizando. Há o caso do general Estevam Theophilo, que estaria apoiando o golpe, porque atendeu a um convite de Bolsonaro para uma reunião no Palácio da Alvorada.
Ele tem quatro estrelas, era integrante do Alto Comando, que já tinha vetado o golpe. Quem pode imaginar o general indo a Palácio para desrespeitar o Alto Comando e colocar suas tropas à disposição, até porque ele não comandava diretamente nenhuma delas.
O assunto escalou, a ponto de Silas Malafaia entrar no jogo para financiar mais um ato com carro de som. Ao lado de Jair Bolsonaro, Tarcísio de Freitas, Sóstenes Cavalcante e Romeu Zema, o piedoso pastor vai pedir, em alto e bom som, a nulidade da delação premiada e a votação da anistia para Bolsonaro, embora esteja inelegível, com duas condenações no TSE.