
Charge do Zé Dassilva (nsctotal.com.br)
Pedro do Coutto
No jornal da manhã de ontem, a TV Globo mostrou manifestações ocorridas no dia 15 de novembro em frente aos quartéis do Exército em vários estados. Como o fenômeno vem se repetindo, era de se esperar um posicionamento do ministro da Defesa, general Paulo Sérgio Nogueira, desestimulando ou proibindo reuniões dessa ordem, já que são antidemocráticas e contra as instituições do país.
A simultaneidade e a unidade da reivindicação que se confronta com a legislação brasileira exigem uma posição do governo mais clara. Mas o governo Bolsonaro permanece em silêncio e isso se reflete como um incentivo a tais manifestações.
SUBVERSÃO – É verdade que tal incentivo subversivo não muda a posição das Forças Armadas. O respeito às instituições democráticas deve ser mantido pelas forças militares do país. Não é possível manter-se em silêncio diante de uma afronta aos princípios democráticos. Como ficaria o Congresso diante de uma tentativa de golpe dessa ordem?
Enquanto isso, reportagem de Jussara Soares, O Globo de ontem, destaca que o presidente Bolsonaro está planejando, tão logo transmita o governo, fazer viagens pelo país com objetivo de fortalecer o PL para as eleições municipais em 2024, formando um movimento nacional de oposição ao governo Lula e de organização da legenda para as próximas eleições.
O projeto colide com as manifestações golpistas que estão correndo, pois se fosse desferido um golpe contra a democracia, as eleições municipais estariam fora de cogitação, bem como os mandatos dos atuais deputados federais, estaduais e dos senadores eleitos. O que se espera acima de tudo é uma ação que dê um basta a tais concentrações que se distribuem pelo país.
CONVERGÊNCIA – Numa entrevista em Nova York a Igor Gielow, Folha de S. Paulo, o economista Pérsio Arida afirmou que as responsabilidades fiscal e social precisam caminhar juntas no país, pois no fundo representam uma convergência tanto para o processo de desenvolvimento social, quanto para a recuperação de perdas sociais que se acumularam no tempo.
Se você avançar numa dessas frentes e não avançar na outra – disse Pérsio Arida – mais cedo ou mais tarde o governo não conseguirá fazer nenhum avanço concreto. As declarações dos economistas são uma resposta às críticas feitas ao pronunciamento recente do presidente eleito, Lula da Silva, sobre o teto de gastos e as exigências de avanço social no Brasil. A inclusão social, prosseguiu Pérsio Arida, depende também da educação. No curto prazo, entretanto, temos que atender a essa massa marginalizada que está até passando fome.
PEC DO ORÇAMENTO – Num encontro através da internet na tarde de terça-feira com o presidente eleito, Lula da Silva, o senador Rodrigo Pacheco, presidente do Congresso, sugeriu que a PEC que permite despesas com um novo Bolsa Família além do teto, só tenha duração de quatro anos e não indefinidamente.
A previsão é um desembolso de R$ 175 bilhões por ano. Mas para 2023 o total é menor porque o orçamento deixado por Jair Bolsonaro já prevê uma despesa, não de R$ 600, mas de R$ 400, para cada uma das vinte e um milhões de famílias inscritas.
A despesa projetada pela equipe de Lula adiciona a concessãode mais R$ 150 para filhos menores de seis anos de idade. Sem dúvida é razoável a ponderação de Pacheco, até porque os futuros orçamentos serão elaborados pela equipe de Lula que assumirá em 1º de janeiro, e terá a flexibilidade necessária para adequações futuras.