Publicado em 17 de janeiro de 2022 por Tribuna da Internet

Charge do Nando Motta (Arquivo Google)
Roberto Nascimento
Saiu uma interessante pesquisa no Estadão atestando que só 4,69% dos brasileiros confiam nas pessoas, um no outro, o restante não confia. O levantamento foi feito pelo BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), e os analistas chegaram à conclusão de que esse comportamento pode prejudicar avanços sociais e reformas políticas, mas não se interessaram em informar e debater as razões práticas para essa falta de confiança que hoje caracteriza os brasileiros.
Na verdade, tal desconfiança tem fundamentos, que vêm de cima para baixo, a partir das classes governantes e dominantes, que demonstram abertamente não acreditar na viabilidade do próprio país onde vivem e enriquecem
DINHEIRO NO EXTERIOR – Sabe-se que uma das práticas mais usuais das elites é depositar no exterior suas riquezas. Com as raras e honrosas exceções de empreendedores que ainda insistem em apostar no Brasil, isso vale tanto para a grande maioria dos empresários e investidores quanto para a totalidade dos beneficiários da corrupção e da impunidade reinantes.
A coisa chega a tal ponto que os recursos públicos do Fundo Partidário são usados para comprar aeronaves e iates, anuncia também o Estadão, sem que não aconteça rigorosamente nada. Os partidos são apenas obrigados a devolver o dinheiro usando outros recursos do mesmo Fundo Partidário, sem que seus dirigentes sejam sequer processados.
Assim, não causa a menor reação o fato de o ministro Paulo Guedes e o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, tenham investido suas fortunas em paraísos fiscais, no caso, as Ilhas Virgens Britânicas, faturando milhões com a subida do dólar, sem o menor esforço.
COMO CONFIAR? – Depois da revelação do “Pandorra Papers”, os brasileiros não têm como confiar no que Guedes e Campos Neto dizem. Em qualquer país minimamente civilizado, esse fato concreto se tornaria um tremendo escândalo, o presidente teria afastado os dois, inclusive o presidente do Banco Central, que tem autonomia e mandato, mas pode ser demitido em caso de falta de ética.
Surge, assim, uma pequena crítica: Como confiar em reformas, se elas só pioram ainda mais, a vida dos brasileiros, se essas iniciativas são feitas para agradar as classes produtoras e ceifar direitos dos trabalhadores?
Será que alguém ainda acredita nesse Congresso, conduzido por Arthur Lira e Rodrigo Pacheco? Nesse governo, tocado por Jair Bolsonaro e Paulo Guedes? E nesse Supremo, liderado por Gilmar Mendes e Dias Toffoli?