
Mourão está cada vez mais desprezado por Jair Bolsonaro
Pedro do Coutto
Reportagem de Jussara Soares e André de Souza, O Globo, dá grande destaque ao fato de o vice-presidente Hamilton Mourão ter sido excluído da reunião ministerial convocada pelo presidente Bolsonaro para debater os mais recentes fatos que envolvem o governo. Hamilton Mourão disse a Jussara Soares não ter sido chamado para o encontro, o que ocorreu pela segunda vez.
O episódio, penso, expõe o aprofundamento da crise que separa Bolsonaro de Mourão. Evidencia que as correntes militares encontram-se divididas e o comportamento de Bolsonaro ressalta o desencontro entre um grupo militar e outro na Esplanada de Brasília. E o livro do general Eduardo Villas Bôas mostra que os militares não desistem de intervir na política.
FACHIN E A CORRUPÇÃO – Numa entrevista a Mateus Teixeira, Folha desta quarta-feira, o ministro Fachin, relator da Lava Jato no STF, disse que a corrupção chegou ao andar de cima, havendo sintomas de revigoramento, o que preocupa, como um fato capaz de levar o país a uma crise política que pode produzir maus resultados para a democracia. O ministro acentuou que na sua impressão a Lava Jato foi atingida, resultado que considera muito ruim.
Em matéria de contradição, citou o deputado Artur Lira, dizendo que o presidente da Câmara não pode assumir a presidência da República, se a situação se colocar, porque a Justiça aceitou a denúncia do Ministério Público que o acusa de corrupção.
Fachin usou esse episódio para destacar um aspecto da cooptação entre o Poder Executivo e a Câmara Federal. Após dizer que a corrupção chegou ao andar de cima, Fachin revelou sua preocupação com as eleições de 2022 em uma fase da história que a atmosfera política aponta para uma crise.
REGIME CORRUPTO – Fachin criticou também a grande presença de militares no governo, como é o caso do ministro Eduardo Pazuello. Acrescentou também que o modelo brasileiro diz respeito e decorre da corrupção envolvendo o regime democrático.
Ainda na entrevista referiu-se que o Brasil deve levar em conta o que aconteceu nos EUA quando, como todos vimos, a vitória de Joe Biden marcou um acontecimento inédito; a invasão programada do Capitólio. Essa invasão foi incentivada pelo ex-presidente Donald Trump na tentativa alucinada de fazer com que o Congresso não confirmasse a vitória do candidato democrata. Mas não deu certo.