
Charge do Duke (O Tempo)
Rubens Valente
Portal UOL
Em 2018, dois policiais rodoviários federais curtiram ou escreveram três publicações em redes sociais com mensagens do #EleNão, hashtag criada nas redes sociais contra o então candidato à Presidência Jair Bolsonaro, e duas críticas ao ex-juiz federal Sergio Moro.
Sete meses depois, os policiais foram alvo de uma denúncia de “um servidor que solicitou anonimato”, o que levou a PRF (Polícia Rodoviária Federal) a abrir um “procedimento de instrução preliminar”.
ATMOSFERA DE MEDO – O caso não teve maiores consequências para os policiais, mas ajuda a explicar por que servidores federais em Brasília dizem viver cada vez mais em uma atmosfera de medo, insegurança e paranoia desde a posse de Bolsonaro, com relatos de perseguição ideológica, através de denúncias anônimas.
A coluna localizou um dos policiais que foi alvo do procedimento. Na PRF há oito anos, Fernando Oliveira era o chefe do núcleo de comunicação social da PRF em Curitiba (PR) quando foi alvo da denúncia anônima. Ele disse que o denunciante “fez uma interpretação enviesada da lei 8.112. A lei estabelece que o servidor deve ser leal à instituição onde trabalha, e não a políticos ou ao governo de plantão. No mais, o artigo 5° da Constituição garante a liberdade de expressão e proíbe qualquer tipo de censura”.
MENSAGENS NAS REDES – O denunciante anexou cinco mensagens de Oliveira. Numa delas, em setembro de 2018, ele escreveu: “Com a palavra, elas. #EleNão #EleNunca #MulheresContraBolsonaro”. Em outras duas, ele não mencionou Bolsonaro, apenas curtiu uma mensagem sobre “resistência” e postou uma imagem do show do roqueiro Roger Waters com a palavra “resistir” em inglês.
Outras duas mensagens continham críticas ao ministro Sergio Moro, que ainda não havia tomado posse no cargo. Ao compartilhar um trabalho da chargista Laerte Coutinho, Oliveira escreveu “O PowerPoint do futuro ministro”.
Em novembro, o superintendente regional da PRF no Paraná, Ismael de Oliveira, acolheu o resultado da apuração e determinou o arquivamento do procedimento, pois “não foram encontrados elementos comprobatórios que configurem cometimento de irregularidade funcional”.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A decisão pelo arquivamento mostra que o gabinete do ódio não conseguiu se alastrar pelo governo e está restrito ao Planalto. Ou seja, não há caça às bruxas e a democracia ainda prevalece. Mas o clima de medo é muito forte nas repartições. (C.N.)