Daniela LimaFolha/Painel
O ministro Paulo Guedes (Economia) conversou com o presidente Jair Bolsonaro sobre a convocação de manifestações em defesa do governo e contra o Congresso e o Supremo em meio à tramitação da reforma da Previdência. Segundo relatos feitos aos deputados, disse claramente que esse tipo de ato pode atrapalhar o projeto.
Bolsonaro teria afirmado que a mobilização “é espontânea” e que ele, pessoalmente, não tem a ver com ela. Apesar disso, a mudança de tom do presidente sobre os atos foi creditada a Guedes.
OUTRO CAMINHO – Queimadas todas as pontes institucionais com a cúpula do Congresso, dirigentes de partidos foram avisados de que a Casa Civil vai tentar impulsionar as negociações com as bancadas por meio do líder do governo no Senado, Fernando Bezerra (MDB-PE). A proposta foi recebida com ceticismo. Acordos firmados pelo Planalto com os presidentes das duas Casas não foram honrados e a sensação, hoje, é a de que o “governo não tem palavra” e vai sempre ceder à ala que desdenha da política.
A nova tentativa da Casa Civil de aproximar o governo do Parlamento integra esforço para evitar que os altos e baixos da relação do presidente Jair Bolsonaro com o Congresso firam de morte a reforma da Previdência.
MAIA E HUGO – O rompimento público de Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara, com o líder do governo na Casa, Major Vitor Hugo, apenas formaliza afastamento que já existia nos bastidores.
Aliados de Hugo dizem que Joice Hasselmann (PSL-SP) e Onyx Lorenzoni (Casa Civil) já haviam pedido a cabeça dele a Bolsonaro, que nunca entregou. O gesto de Maia lança nova fonte de pressão nesse sentido.
Hugo incorpora o bolsonarismo mais puro, pouco afeito à negociação política e com queda à crítica generalizada do Congresso. Por isso mesmo, apostam seus aliados, o presidente o mantém no cargo. Os dois pensariam da mesma maneira.