BRASÍLIA – Alguns irreverentes costumam comparar o Congresso a um hipódromo, tornando-se irrelevante explicar por quê. Na contramão do humor, vamos começar discordando. Nos hipódromos, a sensação maior acontece na reta final, nos instantes em que será definido o vencedor. Já no Congresso é o contrário. Nesta última semana de trabalhos parlamentares, nem se ouve o tropel dos craques em disputa. Desfilam todos a passo de tartaruga, apenas cumprindo o ritual do encerramento da frustrada competição.
Terá sido um bom ano legislativo? Parece que não, apesar de, no Senado, o presidente Garibaldi Alves haver tomado coragem e passado da retórica à ação, ao devolver ao Executivo uma das dezenas de medidas provisórias sem urgência nem relevância. Na Câmara, se há que elogiar, será pela aprovação de projeto de autoria de seu presidente, Arlindo Chinaglia, estabelecendo a estabilidade no emprego, por um ano, para o marido ou companheiro da gestante.
Quanto às reformas política e tributária, nota zero à medida que ficaram para o ano que vem. Há males que vem para bem, porque se não votaram as reformas referidas, deputados e senadores também perderam as condições para aprovar a reforma trabalhista, excrescência pretendida pelas elites para acabar de uma vez por todas com os direitos sociais um dia estabelecidos por Getúlio Vargas e destroçados por Fernando Henrique Cardoso. A proposta, agora, é de substituir a legislação que restou pela livre negociação entre patrões e empregados, coisa que há muito vimos denunciando como o diálogo entre a guilhotina e o pescoço.Enfim, se o ano foi de quase paralisia parlamentar, há quem suponha poder ser diferente em 2009. A um ano das eleições, Suas Excelências buscarão aparecer, no mínimo para pleitear a reeleição.
Dons de gravidade
Está bem mais densa do que parece a corrente que, no PMDB, procura aproximar-se de José Serra. Tido como previamente vitorioso na sucessão de 2010, o governador paulista exercita seus dons de gravidade, atraindo forças que giram na periferia do governo Lula, primeiro passo para seduzir corpos mais próximos do sol que se põe. Geddel Vieira Lima, apesar de ministro, saiu na frente, motivado por questões da política baiana.
Garibaldi Alves, de surpresa feito candidato a permanecer na presidência do Senado, não esconde tendências pró-tucanas. Jarbas Vasconcelos, em Pernambuco, transforma-se em pólo refratário ao PT, ao tempo em que no Rio Grande do Sul José Fogaça e Pedro Simon preparam-se para empacotar Eliseu Padilha, mesmo sem se definirem pelo PSDB. E assim por diante.
A fraca performance de Dilma Rousseff nas pesquisas parece acirrar os ânimos no PMDB, reforçado com a vitória nas urnas de outubro. O partido não está mais necessariamente atrelado ao palácio do Planalto, apesar de permanecer nas suas proximidades. Continuando os números como tem sido apresentados pelos institutos de aferição da vontade popular, mais crescerá a tentação de o maior partido nacional repetir a estratégia de muitos anos: ficar com o vencedor. Deixar-se atrair pela estrela de maior luz e energia.
Sem explicação
Da série “coisas que ninguém explica”, mais duas pérolas: o preço da energia vai aumentar e a alegação das autoridades do setor tem nome. Chama-se Itaipu. Ora, uma das maiores hidrelétricas do mundo foi implantada pelo Brasil. Custaram os olhos da cara, investimentos divididos com o Paraguai, aquele país que entrou apenas com a água e hoje reivindica preços mais altos para a energia mandada para lá e revendida para nós por falta de uso. A explicação é de que os preços dessa energia são calculados em dólar e o dólar subiu. Ora bolas, Itaipu é brasileira, produz com mão-de-obra e capital brasileiro e nem por isso sua energia ficou mais barata quando o dólar despencava...
Outro absurdo refere-se aos combustíveis. Quando o barril de petróleo estava cotado a 147 dólares, a gasolina e o óleo diesel custavam os olhos da cara, com preços bem mais altos do que nos Estados Unidos e na Venezuela. Agora que o barril fica em 45 dólares, em vez de baixar, o preço vai subir. A quem pensa enganar?
É bom parar
O presidente Lula foi alertado, dias atrás, para a importância de interromper seus apelos no sentido de que o povo deve comprar mais. Primeiro porque apesar das imagens das ruas 25 de março, em São Paulo, e Alfândega, no Rio, entre outras, o povão custa a comprar. Não é bobo, procura os melhores preços, mas fica no trivial imprescindível. Nada de ceder à maciça propaganda de veículos novos e usados que nos bombardeia diariamente pelas telinhas e pelos jornais.
Os pátios continuam lotados e só os ingênuos ou os endinheirados admitem adquirir um carro para pagar em sessenta meses. O desemprego já chegou e mais chegará ano que vem bastando notar as férias coletivas impostas pelas grandes indústrias a seus operários. A todos atormenta a indagação sobre se terão seus empregos garantidos, quando retornarem.
Pode até haver boa intenção por parte do presidente, ainda que na teoria sua campanha sirva muito mais a empresas imprevidentes do que ao consumidor. De qualquer forma, é bom observar como diminuíram as exortações do Lula em favor das compras. Depois, será ele o responsável por prestações não pagas, ainda que a equipe econômica se preste a liberar bilhões para sustentar o crédito que os bancos não conseguiram manter.
Fonte: Tribuna da Imprensa
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