Por: Carlos Chagas
BRASÍLIA - Os números agora são oficiais: grandes empresas, em especial mineradoras, montadoras e siderúrgicas, colocaram 140 mil operários em férias coletivas. Perto de dez mil trabalhadores já foram demitidos, esperando-se para janeiro o início do processo de demissões em massa. Pelas regras do sistema vigente, trata-se de uma das primeiras iniciativas a adotar, quando há crises econômicas. Se o consumo cai, a produção também, e, como conseqüência, dispensa-se parte dos que produzem.
O problema é que quem demite, salvo raras exceções, continua muito bem, obrigado. Empresários e dirigentes empresariais não deixarão de freqüentar restaurantes de luxo, morando em mansões ou apartamentos espetaculares, viajando para o exterior e mantendo os filhos nos melhores colégios. Sem falar nos régios salários, vencimentos e participações, mesmo quando o lucro diminui.
No reverso da medalha, o trabalhador demitido vai passar fome. Sairá em busca de um novo emprego inexistente, verá a família enfrentando necessidades e não acreditará no vergonhoso salário-desemprego, aliás, entre nós, limitado a cinco meses.
Convenhamos, mais do que a falta de sintonia, é flagrante o esbulho, em termos humanitários. E não adianta confiar nas ações do poder público, pois os governos, de novo com raras exceções, só se tornaram governos por concordar e agir de acordo com as concepções daqueles que demitem. Sem esquecer que em vez de atender as necessidades dos desempregados, preferem liberar bilhões para as empresas, a título de manutenção do crédito e do consumo.
Dá para seguir nessa abominável teoria? Tem dado, apesar de certas explosões registradas ao longo dos séculos. Uns sobrevivem, outros festejam, todos se acomodam. Até quando?
A festa do Bigode
Decidiu a bancada do PMDB no Senado que terá candidato próprio à presidência da casa. José Sarney repetiu não aceitar a candidatura.
Fica difícil imaginar que essas duas paralelas, contrariando a Física, não venham a encontrar-se bem antes do infinito. Mesmo que não quisesse, mas quer, Sarney não teria como saltar de banda. Porque só ele une o PMDB e dispõe de condições para compor Legislativo e Executivo. Mesmo fazendo cara feia, o presidente Lula aceitará a investidura do ex-presidente da República no lugar de Garibaldi Alves. O PT pode estrilar, mas a começar pelas oposições, trata-se de um nome de consenso, já que Tião Viana, do PT, divide mais do que une.
Até o final do ano continuará esse jogo de cabra-cega, mas em janeiro tudo se arrumará, sob a aquiescência do senador José Sarney. Ou não?
Sem limites
Em certos momentos da vida nacional, a imprensa parece não ter limites. Na ânsia de agradar aos poderosos do dia, a grande parte dos jornais chega a distorcer os fatos. O general Garrastazu Médici, por exemplo, era ditador. Jamais se censurou tanto a mídia como naqueles tempos. Pois como gostava de futebol e havia acertado o placar da final entre Brasil e México, era saudado como “o presidente, gente como a gente”.
Por que essa referência? Porque o presidente Lula é popularíssimo, caiu no gosto de todo mundo, de banqueiros a sindicalistas e a beneficiados com o Bolsa-Família, mas na terça-feira, em Brasília, chegou uma hora e meia atrasado na solenidade de abertura de um congresso internacional de engenheiros. Ao entrar no salão, recebeu sonora vaia, aliás, muito justa, já que atrasou todos os trabalhos.
Alguém leu, ouviu ou assistiu qualquer referência ao episódio?
E o vice, quem será?
O líder do governo no Senado, Romero Jucá, vem costurando faz muito o apoio do PMDB à candidatura de Dilma Rousseff, do PT, à Presidência da República. Esta semana, em reunião da bancada de seu partido, anunciou haver recebido do presidente Lula a promessa de que o candidato à vice-presidência deve ser indicado pelo PMDB. Se essas previsões se realizarem, quer dizer, se a chefe da Casa Civil emplacar, se não houver terceiro mandato e se o PMDB não lançar candidato próprio, a pergunta surge de imediato: quem será o candidato à vice?
Muita gente aposta no governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral, fiel servidor do presidente Lula. Há, no entanto, quem aposte no governador do Paraná, Roberto Requião, o que daria uma certa independência à decisão do partido. Convém aguardar.
Fonte; Tribuna da Imprensa
sábado, dezembro 06, 2008
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