Por: Carlos Chagas
BRASÍLIA - Uns por vaidade, outros por medo, a verdade é que as recentes entrevistas feitas na televisão revelam, acima de tudo, o despreparo dos entrevistadores. Poupemo-nos da citação dos profissionais e das redes, mas qualquer telespectador mediano percebe as oportunidades desperdiçadas.
Os apresentadores deveriam postar-se diante das câmeras para tirar o máximo de opiniões e de informações dos entrevistados. Mesmo com indagações contundentes, ainda que educadas, sempre que existir motivo para cobrar contradições o papel dos entrevistadores deveria ser de provocar, jamais de agredir. Muito menos de tentar tornar-se o centro do debate, geralmente beirando o ridículo. Nas entrevistas, a estrela é o entrevistado. Para brilhar ou para arrebentar-se.
Estamos assistindo a aulas de como não entrevistar pessoas, nas telinhas. Interromper perorações do entrevistado é válido, até necessário para quem entrevista, mas precisa acontecer apenas com uma frase, uma palavra, se for possível. Jamais com discursos destinados a transmitir ao público opiniões que não interessam, no caso, dos entrevistadores.
Precisam também, esses personagens inflados pelo ego e pelo sonho de pequenos períodos de glória, atentar para a densidade da informação a ser colhida. No caso de autoridades públicas, importa muito mais saber o que pretendem fazer do que enveredar por seqüelas e querelas anteriores. O eleitor prefere promessas para o futuro, mais do que comparações e realizações do passado.
Nos braços do crime organizado
Pelo jeito, quinze mil presidiários estiveram nas ruas de São Paulo para festejar o Ano Novo, mais ou menos como no Natal. É claro que parte deles percebendo e amargando a conseqüência dos crimes cometidos. Arrependidos e dispostos, pelo rápido convívio com as famílias, a mudar de vida quando definitivamente em liberdade.
O diabo é que outros, meliantes contumazes, aproveitaram o indulto para planejar e até para praticar os mesmos delitos que os levaram às grades. Intranqüilizaram ainda mais os paulistas. Sem contar com aquele percentual que, uma vez fora da cadeia, está aproveitando para não voltar. Desapareceram muitos, entregando-se totalmente ao crime.
Em condições normais de temperatura e pressão, já seriam perigosos esses benefícios, mas, na situação atual, tornam-se inadmissíveis. Porque os indultos não se limitam a uma regalia da lei. Também fazem parte da exigência dos chefes do crime organizado. Se não acontecer, promoverão carnificinas, através de seus asseclas aqui do lado de fora. Deveriam as autoridades acautelar-se, selecionar ao máximo os beneficiados ou, mesmo, suspender a prerrogativa dessa liberdade temporária, por razões óbvias.
Mas tem pior. O indulto foi mantido por exigência do crime organizado. Ironicamente como forma de os bandidos interromperem assassinatos, assaltos, depredações, incêndios, bombas e tudo o mais. Fica de cócoras o poder público, ao ceder às ameaças da animalidade. E alimenta a próxima onda, sabe-se lá em nome de que novas vantagens impostas pelos que, na realidade, hoje governam São Paulo. Amanhã, pode ser o País inteiro...
Por: Tribuna da Imprensa
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