domingo, fevereiro 01, 2026

Governadores articulam renúncias, miram Senado e escolhem vices para sucessão

 

Governadores articulam renúncias, miram Senado e escolhem vices para sucessão

Por João Pedro Pitombo / Folhapress

01/02/2026 às 15:35

Foto: Jefferson Rudy / Agência Senado

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Os governadores começaram 2026 em meio a articulações políticas para as eleições de outubro, com movimentos que incluem migrações partidárias, renúncias para concorrer a outros cargos e até mesmo estratégias de mistério sobre o futuro político.

Dos atuais 27 governadores, 20 estão com destino político selado: 9 concorrem à reeleição, 9 vão disputar o Senado e 2 não serão candidatos. Outros 4 tentam se viabilizar como candidatos à Presidência e 3 ainda não decidiram se vão disputar as eleições.

Os governadores que vão concorrer a outros cargos precisam renunciar até o dia 4 de abril, cumprindo a legislação eleitoral. As renúncias devem mexer com o tabuleiro de ao menos 13 estados, com a ascensão dos vices em 11 deles.

Em ao menos dez unidades da federação, os vice-governadores são os candidatos à sucessão. O movimento, na maioria dos casos, busca manter a ascendência dos atuais governadores sobre seus respectivos grupos políticos.

Em Minas Gerais, o governador Romeu Zema (Novo) vai passar o bastão para o vice Matheus Simões (PSD). Seu principal desafio é se tornar mais conhecido --para isso tem apostado nas redes sociais e na visibilidade do padrinho político Zema, que se lançou como pré-candidato a presidente.

O cenário é semelhante no Pará, onde a vice-governadora Hana Grassan (MDB) disputa a sucessão de Helder Barbalho (MDB), que vai disputar o Senado. Será a primeira vez que ela vai concorrer a um cargo majoritário como cabeça de chapa.

No Rio Grande do Sul, o vice-governador Gabriel Souza (MDB) terá o apoio de Eduardo Leite (PSD) em uma disputa que começa polarizada entre nomes do PT e o PL. Outros vices vão concorrer no Distrito Federal, Goiás, Mato Grosso, Paraíba, Espírito Santo, Acre e Roraima.

As renúncias vão ampliar o predomínio da centro-direita nos estados. O PP, que tem dois governadores, chegará a quatro com a ascensão dos vices Lucas Ribeiro, na Paraíba, e Celina Leão, no Distrito Federal. O Republicanos dará um salto semelhante, e terá quatro governadores, incluindo Otaviano Pivetta, em Mato Grosso, e Edilson Damião, em Roraima.

O MDB dará um salto de dois para cinco governadores com a ascensão dos vices no Pará, Espírito Santo e Rio Grande do Sul. Já o PSD poderá ficar com cinco governadores após a renúncia dos presidenciáveis Ronaldo Caiado (Goiás), Ratinho Jr. (Paraná), e Eduardo Leite (Rio Grande do Sul).

O presidente Lula (PT) manterá aliados no comando de dez estados, mas a esquerda vai perder espaço com as renúncias de Fátima Bezerra (PT-RN), Renato Casagrande (PSB-ES) e João Azevêdo (PSB-PB).
Os pessebistas serão substituídos por vices da centro-direita, enquanto a petista enfrenta um cenário nebuloso após o rompimento com o vice-governador Walter Alves (MDB), que será candidato a deputado estadual e também vai se desincompatibilizar.

Caberá à Assembleia Legislativa escolher um novo governador para um mandato-tampão. Para a eleição de outubro, o PT escolheu o nome de Cadu Xavier, secretário estadual da Fazenda.

No Rio de Janeiro, o quadro é parecido. O governador Cláudio Castro (PL) vai renunciar para concorrer ao Senado, mas está sem vice: Thiago Pampolha deixou o cargo no ano passado para assumir uma cadeira no Tribunal de Contas do Estado. O estado também precisará eleger um governador-tampão.

No Maranhão e em Alagoas, os governadores permanecem no cargo até o fim do mandato. O alagoano Paulo Dantas (MDB) articula a volta do seu antecessor, o ministro dos Transportes, Renan Filho (MDB).
No caso maranhense, o governador Carlos Brandão (sem partido) abdicou de concorrer ao Senado após desavenças com o vice Felipe Camarão (PT). Ele segue no cargo para articular a candidatura do sobrinho, o secretário estadual Orleans Brandão.

No Amazonas, Tocantins e Rondônia, os governadores fazem mistério quanto ao futuro político. Nos três casos, os governadores têm rusgas com os seus vices e pretendem manter o domínio da máquina pública para eleger aliados como sucessores.

Wilson Lima (União Brasil), governador do Amazonas, quer disputar Senado, mas enfrenta desgastes em sua gestão. Uma opção cogitada é concorrer a deputado federal.

No caso do Tocantins, o governador Wanderlei Barbosa (Republicanos) foi afastado pela Justiça em setembro de 2025 e ficou três meses fora do cargo, dando lugar ao vice Laurez Moreira (PSD), seu desafeto. Agora, resiste em passar o bastão para o vice.

Dentre os governadores que devem disputar a reeleição estão Tarcísio de Freitas (Republicanos), em São Paulo, que perdeu fôlego como presidenciável com a pré-candidatura do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Na esquerda, os petistas Jerônimo Rodrigues (Bahia) e Elmano de Freitas (Ceará) enfrentam desgastes sob a sombra de seus antecessores, os ministros Rui Costa (Casa Civil) e Camilo Santana (Educação). A tendência, contudo, é que ambos disputem a reeleição.

Em Santa Catarina, o governador Jorginho Mello (PL) enfrentou um revés com o rompimento do MDB, legenda com mais prefeitos no estado. Ainda assim, segue como favorito para a reeleição no estado, que tem forte viés bolsonarista.

Politica Livre

"O Judiciário brasileiro entre a autonomia e a independência" by Pedro Heitor Barros Geraldo

 

O Judiciário brasileiro entre a autonomia e a independência
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Author Photo Pedro Heitor Barros Geraldo
2023, Jota.info
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ABSTRACT
Recentemente, o Supremo Tribunal Federal (STF) reconheceu a inconstitucionalidade do inciso VIII do art. 144 do Código de Processo Civil numa Ação direta de Inconstitucionalidade (ADI) 5.953 proposta pela Associação dos Magistrados Brasileiros (AMB).

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Sem trabalho, sem leitura: relatório detalha custódia de Bolsonaro na Papudinha

 


Caminhada, atendimento médico e 12 dias sem ler livro

Mariana Muniz
O Globo

Um relatório encaminhado pela Polícia Militar do Distrito Federal ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), detalha a rotina do ex-presidente Jair Bolsonaro no 19º Batalhão da Polícia Militar, conhecido como Papudinha. O documento abrange os dias 15 a 27 de janeiro de 2026 e reúne, de forma cronológica, registros sobre atendimentos médicos, visitas, atividades físicas e demais procedimentos realizados pela PM.

De acordo com o relatório, Bolsonaro não participou de atividades de remição de pena por leitura em nenhum dos dias analisados, apesar de ter feito o pedido para participar do programa. Em todos os registros diários, a PMDF assinala que “não houve” leitura com fins de remição, assim como não foram realizadas atividades laborais durante o período de custódia.

ATENDIMENTO MÉDICO – Bolsonaro está preso na Papudinha desde 15 de janeiro, onde cumpre a pena de 27 anos por tentativa de golpe de Estado. O documento aponta que o ex-presidente recebeu atendimentos médicos praticamente diários, realizados tanto por profissionais da Secretaria de Saúde do Distrito Federal quanto por médicos particulares. Segundo a observação final do relatório, as consultas consistiram, em sua maioria, em avaliações clínicas de rotina, com monitoramento de sinais vitais e acompanhamento preventivo do estado geral de saúde do custodiado.

Também foram registradas sessões de fisioterapia em diversos dias, além de atividades físicas supervisionadas, principalmente caminhadas, realizadas em horários determinados. Em alguns dias, Bolsonaro chegou a realizar mais de um período de caminhada; em outros, não houve atividade física registrada, conforme os controles da unidade.

VISITAS – A rotina descrita inclui ainda a presença frequente de advogados, com atendimentos que variaram de poucos minutos a mais de duas horas, além de visitas familiares. O relatório registra encontros com a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro e com o vereador Carlos Bolsonaro, em datas e horários previamente definidos. Houve também registro pontual de assistência religiosa, com a presença de pastor em dois dias distintos. Já atividades como trabalho interno ou participação em programas educacionais não constam no período analisado.

O relatório foi elaborado em cumprimento a determinação de Moraes. No documento, a Polícia Militar afirma que todos os procedimentos seguiram as normas legais, administrativas e operacionais, e destaca que a unidade permanece à disposição da Corte para eventuais esclarecimentos adicionais sobre a custódia do ex-presidente.


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