quarta-feira, junho 14, 2023

Filosofia busca a importantíssima cultura que a ciência despreza — a espiritualidade

Publicado em 13 de junho de 2023 por Tribuna da Internet

Mesmo diante do desastre possível e... Karl Jaspers - PensadorLuiz Felipe Pondé
Folha

Por que alguém deixaria de ser médico para ser filósofo? O fato é que fiz isso, de certa forma, na minha vida — do quinto ano de Medicina à faculdade de Filosofia, com algumas idas e vindas pela formação em psicanálise e pelo teatro. A trajetória do psiquiatra alemão Karl Jaspers (1883-1969) também é um exemplo claro desse processo.

Formado em Medicina na universidade de Bremen, com doutorado em Heidelberg, acabou por se afastar da carreira para se tornar professor de Filosofia da mesma universidade. Em 1937, com o nazismo, teve que fugir e se tornou professor na universidade da Basiléia, na Suíça.

DUAS GRANDES OBRAS – O que se passa entre o Karl Jaspers, autor do clássico “Psicopatologia Geral” de 1913 — que todos estudamos na faculdade de Medicina nos anos 1980 — e o Karl Jaspers da sua obra magna “Filosofia”, de 1931?

Segundo o que diz o próprio autor no seu posfácio à edição de 1955 da sua “Filosofia”, “à medida em que tomamos consciência, metodologicamente, dos limites da ciência, fazemos, uma vez mais, a velha experiência: o conhecimento científico é incapaz de dar uma condução à vida, ele não consegue dar a si mesmo seu próprio sentido, sua razão de ser. Do ponto de vista da filosofia, ele aparece como dispersão”.

No segundo ano da faculdade de medicina, discutindo um caso de um paciente terminal numa aula de imunologia, perguntei ao professor como este paciente se via diante do fato que ele ia em direção ao nada. O professor respondeu de bate pronto: “O senhor está na aula errada, essa pergunta é para uma aula de filosofia”. Ele tinha razão, mas levei alguns anos para descobrir isso.

ÉRAMOS MAIS LIVRES – Hoje, diante de uma resposta dessa, provavelmente minha mãe, minha psicóloga ou o advogado da minha mãe iriam atrás do professor para arruiná-lo. Mas, os anos 1980 eram infinitamente mais livres do que os anos atuais.

Hoje, vivemos em tempos sombrios sob palmas dos idiotas. Minha pergunta ia na direção do que disse Karl Jaspers na citação acima. A “dispersão”, à qual ele faz referência, descreve a incapacidade metodológica da ciência, no seu dia a dia prático, de compreender a sua conduta no mundo — para além dos progressos tecnológicos.

A prática científica segue cega em meio aos determinantes da sociedade, da cultura, da espiritualidade, dos jogos políticos que a atravessam, enfim, de tudo aquilo que vai além da consciência puramente técnica da ciência.

UMA FORMA DE CEGUEIRA – A “dispersão” da qual fala Jaspers significa essa forma de cegueira que só pode ser reconhecida por disciplinas como a Filosofia, que, como “não servem para nada”, como dizia o filósofo espanhol José Ortega y Gasset (1883-1955), é absolutamente livre para dizer tudo aquilo que as outras disciplinas não ousariam imaginar, nem, muito menos, enunciar publicamente.

Mas a passagem da Medicina à Filosofia em Jaspers vai além da constatação da cegueira da ciência acerca da sua submissão ao esfarelamento no mundo real — ou seja, não é apenas uma querela metodológica.

Jaspers suspeita que falte à ciência a capacidade de acessar a ânsia humana pelo transcendente, ou seja, por algo que escape à dispersão da qual ele fala, e coloque a consciência humana em “seu habitat natural”, a saber, a linguagem espiritual.

ESPIRITUALIDADE – A Filosofia fala a linguagem da religião e da sua busca pelo absoluto, sem perder o uso da razão. Esta peculiaridade, para Jaspers, faz da Filosofia a disciplina por excelência da espiritualidade.

Em 1964, o autor publica seu “Os Mestres da Humanidade: Sócrates, Buda, Confúcio, Jesus”, obra madura em que Jaspers analisa esses quatro grandes sábios, mostrando que os quatro, ainda que de formas diferentes, praticam a espiritualidade em diferentes cenários culturais.

Esta obra será a grande inspiração para a historiadora britânica Karen Armstrong escrever sua “A Grande Transformação” de 2006 —na minha opinião, seu melhor livro. Para Jaspers, uma filosofia espiritual busca olhar a totalidade das experiências humanas a partir da pergunta essencial pelo sentido de estarmos vivos e, logo, mortos, por isso, sua obra integra a grande tradição das filosofias da existência.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Mais um grande artigo de Pondé, que é sempre polêmico. Mas desta vez é preciso concordar da primeira à última linha. (C.N.)

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Veja como o Centrão sobreviveu e ganhou força após as manifestações de junho de 2013

Publicado em 13 de junho de 2023 por Tribuna da Internet

Centrão reafirma apoio a Temer no Congresso para aprovar medidas econômicas  | ASMETRO-SI

Charge do Nani (nanihumor.com)

 

Bruno Boghossian
Folha

Meses antes do terremoto político de junho de 2013, havia gente na rua gritando “fora, Renan”. O senador era símbolo da política fisiológica. Manifestantes de direita viam Calheiros como ícone da corrupção e amigo do governo de esquerda, enquanto a esquerda acreditava que ele puxava o governo Dilma Rousseff para a direita.

Renan Calheiros e seu PMDB faziam parte do centrão da época. Protagonizavam os arranjos de Brasília que seriam alvo do sentimento antipolítica que se tornou dominante nos megaprotestos de junho e se fortaleceu nos anos seguintes.

A MESMA POLÍTICA – O papel de Calheiros e o tamanho do PMDB mudaram, mas o centrão continuou fazendo sua política às claras. Apesar de acomodações internas, o grupo não apenas sobreviveu a 2013 como se tornou, nas palavras de Celso Rocha de Barros, “o grande vencedor desses dez anos de contestação sistêmica”.

O centrão resistiu à onda da antipolítica dobrando a aposta na velha política. Depois que a fúria das ruas drenou a popularidade presidencial, cardeais do Congresso aproveitaram para reforçar seu poder de barganha, ampliar o acesso aos cofres do governo e despejar dinheiro em suas bases eleitorais para facilitar a preservação de seus cargos.

Os agentes do centrão também foram poupados porque seriam úteis para a turma da antipolítica.

ADOTADO NOS PROTESTOS – Sem base social, o grupo foi adotado pela direita que prevaleceu nos protestos. Eduardo Cunha ganhou força, liderou o impeachment de Dilma, foi tratado como herói e só acabou descartado após a queda da petista.

O ocaso do ex-presidente da Câmara oferece uma explicação extra para a resistência do centrão. O grupo foi favorecido por um sistema eleitoral personalista, que fez com que as jornadas causassem danos a figuras específicas. Presidente, governadores e prefeitos tiveram prejuízo imediato. No Legislativo, a conta demorou a chegar e abateu velhos líderes com imagens já desgastadas.

O centrão de 2013 manteve e aperfeiçoou seus métodos. Seus sucessores dão as cartas até hoje.


Principal projeto do governo Lula e do PT é simplesmente se perpetuar no poder

Publicado em 13 de junho de 2023 por Tribuna da Internet

A CHARGE DE DOZE POR CENTO REJEITANDO O PT – Blog do Robson Pires

Charge do Nani (nanihumor.com)

Carlos Vicente

É uma distorção achar que quem recebe Bolsa Família, ganha um salário mínimo ou um pouco mais, já está incluído na sociedade, o que não lhe dá dignidade, muito menos pode fazer compras em shoppings ou viajar de avião, comprar carro, conseguir a casa própria, conforme o PT tanto apregoa.

Dito pelo Lula: “Nunca os banqueiros ganharam tanto dinheiro como no meu governo”. Em contrapartida, numa pesquisa do IBGE feita antes das eleições, pela primeira vez em 10 anos aumentou o número de miseráveis em mais 371 mil pessoas, mas esses dados só vieram a público depois das eleições, claro.

QUEM SE DEU BEM – A verdade está aí, quem se deu bem no governo do PT foram as empreiteiras, as multinacionais, os banqueiros, a classe política com altos salários e mordomias.

Para atender à base aliada, o governo do presidente Lula  até aumentou o número de ministérios, ampliando o empreguismo da companheirada com altos salários.

Na Petrobras, o presidente ganha R$ 127 mil por mês! Esses salários dos presidentes, diretores e conselheiros das estatais representam uma afronta à população.

DIZIA BRIZOLA – O PT não é um partido comunista. Tenho dito por diversas vezes: o PT é um partido elitista, é a direita corrupta, faz o discurso em favor dos pobres, mas favorece mesmo é o enriquecimento dos poderosos.

Nos 14 anos de governo, qual o projeto de nação esboçado pelo PT, principalmente no que tange à educação, saúde e segurança?

O grande projeto desse governo é se perpetuar no poder, mesmo que tenha que fazer o diabo, são capazes de tudo, nem que a vaca tussa, mentem descaradamente, tentam transferir seus erros para o governo anterior. Como dizia o Brizola: o PT cacareja para a esquerda, mas põe os ovos para a direita.


Supremo só deve votar marco temporal de tribos indígenas após recesso de julho

Publicado em 13 de junho de 2023 por Tribuna da Internet

Povos originários fecham rodovias contra marco temporal no Congresso

Povos originários querem derrubar logo o marco temporal

Renato Souza e  Luana Patriolino
Correio Braziliense

O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), pediu vista — mais tempo para analisar o caso — e interrompeu o julgamento do marco temporal das terras indígenas. A decisão dele ocorreu logo após o voto do ministro Alexandre de Moraes, que se manifestou contra a definição de uma baliza para decidir quais áreas seriam oficializadas como de propriedade de comunidades tradicionais. A apreciação deve ser retomada após o recesso do Poder Judiciário, em agosto.

Ao votar, Moraes afirmou que a promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988, não deve servir como regra para demarcação de terras indígenas — que envolvem contextos sociais, culturais e históricos — e não se pode deixar de lado a violência cometida contra os povos que sempre ocuparam o Brasil.

MASSACRE DOS POVOS –  “Esse choque, esse massacre, essa submissão imposta pelas nações colonizadoras aos povos originários. Foi muito mais que um choque de culturas. Houve, sim, um massacre cruel dos povos originários”, frisou.

Na definição da tese, ou seja, de regras que, na avaliação dele, devem ser aplicadas ao caso, Moraes afirmou que, se já houver uma situação consolidada, como a existência de cidades ou comunidades não indígenas ocupando terras de propriedade dos povos tradicionais, é possível que a União defina outra região.

“A proteção constitucional aos direitos dos povos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam independe da existência de um marco temporal em 5 de outubro de 1988 ou da configuração do renitente esbulho, como conflito físico ou controvérsia judicial persistente à data da promulgação da Constituição”, declarou o magistrado.

PLACAR DE 2 x 1 – Com isso, o julgamento ficou 2 x 1 contra a tese do marco, com votos de Moraes e de Edson Fachin. Nunes Marques se posicionou a favor.

Mendonça, por sua vez, destacou que o tema é complexo e que Moraes apresentou novos fatos. “É necessário mais tempo para analisar, para uma reflexão, não só minha, mas de todo o colegiado”, argumentou.

Com o pedido de vista, o ministro tem 90 dias para devolver o processo e permitir a continuidade do julgamento. No entanto, nesse período, não conta o recesso do Judiciário, que dura todo o mês de julho. Por conta disso, a presidente da Corte, ministra Rosa Weber, pode não ter tempo hábil para votar. A magistrada, que visitou comunidades indígenas em Roraima, em abril, vai se aposentar em outubro, ao completar 75 anos.

MENDONÇA RESPONDE – No plenário, Rosa Weber pediu que o processo seja devolvido a tempo. “Só espero que eu tenha condições de votar, porque eu tenho uma limitação temporal”, frisou. Mendonça respondeu que, mesmo que ele não tenha devolvido o processo, ela deve pautar para julgamento antes de deixar o cargo. A ministra então alertou que o regimento interno prevê o retorno automático à pauta, caso os autos não sejam devolvidos no prazo de três meses.

Na prática, se o Supremo validar o marco temporal, só poderão ser demarcadas terras ocupadas pelos indígenas em 1988. A questão é controversa, pois envolve o direito à moradia de comunidades que historicamente sofreram com violências, expulsões de áreas ocupadas, genocídios e deterioração cultural.

De outro lado, setores produtivos, como o agronegócio, afirmam que deve haver segurança jurídica e defendem o marco temporal. Essa baliza, ressaltam, poderia permitir maior área para plantações, lavouras, para garantir o crescimento econômico e o abastecimento das cidades.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– A tese de Moraes é muito boa e precisa ser respeitada. As tribos que sofreram redução brutal de suas terras antes de 1988 deveriam ser alocadas em outras áreas, para evitar a desocupação de cidades inteiras. Um exemplo gritante é a tribo guarani kaiwoá, no Mato Grosso do Sul, que detém recordes em alcoolismo e suicídios neste mundo cão indígena. (C.N.)

Capital dos EUA entra em decadência porque servidores federais agora “trabalham” em casa

Publicado em 13 de junho de 2023 por Tribuna da Internet

Guía Turística de Centro de la ciudad de Washington D.C.: Qué visitar en  Centro de la ciudad de Washington D.C., Washington, 2023 | Expedia.com

As ruas do centro da capital passaram a ter baixa frequência

Daniel Avis
Yahoo News

O papel de Washington como capital dos Estados Unidos a torna dependente de funcionários do governo para seu sucesso econômico – e muitos estão optando por ficar em casa, talvez para sempre, deixando vastos escritórios federais vazios e a cidade lutando.

De hotéis e restaurantes que hospedam lobistas federais a centros culturais de classe mundial, as fortunas da cidade há muito estão ligadas aos funcionários do governo que operam a máquina do estado.

CONSEQUENCIAS RUINS – Agora, mais de três anos depois que a pandemia de Covid-19 forçou o governo dos Estados Unidos a contar com o teletrabalho, o trabalho remoto de longo prazo está tendo consequências dolorosas para a economia local.

Os trabalhadores de Washington estão chegando ao escritório em número inferior à metade do que eram antes da pandemia, de acordo com Kastle, que administra crachás de entrada para 40 mil empresas em todo o país.

“O mercado de escritórios de DC está morrendo”, disse à AFP Chris LeBarton, diretor de análise de mercado da empresa de dados imobiliários CoStar, em entrevista nos escritórios da empresa no centro da cidade. “Se você não conseguir trazer o governo federal de volta a Washington, DC, mesmo três dias por semana, boa sorte”, disse ele. “Porque o resto disso, em grande parte, é ramificação disso”, acrescentou, acenando para a cidade ao seu redor.

IMPACTO SEVERO – Embora muitos funcionários federais gostem de trabalhar em casa, o impacto no setor imobiliário comercial da cidade – também atingido por uma combinação tóxica de altas taxas de juros e empréstimos bancários mais restritos – foi severo.

O governo federal ocupa quase um quarto dos imóveis comerciais no centro da cidade, historicamente o “motor econômico” da cidade, disse à AFP por e-mail o Gabinete do Vice-Prefeito de Planejamento e Desenvolvimento Econômico (DMPED).

“O trabalho remoto sustentado após a pandemia do COVID-19 se traduziu em menor utilização de escritórios e taxas de vacância comercial no centro da cidade em níveis recordes”, de quase 18%, disse o DMPED em comunicado. Isso é quase o dobro do número de vagas de 2018.

RECEITA DESPENCA – Prevê-se que a cidade perca quase meio bilhão de dólares em receita nos próximos três anos devido a “quedas na receita do imposto predial de grandes edifícios de escritórios, impulsionados pelo trabalho remoto e híbrido duradouro”.

A recém-reeleita prefeita democrata da cidade, Muriel Bowser, instou a Casa Branca a tomar “ações decisivas” para trazer os funcionários federais de volta às suas mesas ou permitir que outras empresas façam uso do espaço de escritórios que o governo usa atualmente.

Em abril, o Gabinete de Gestão e Orçamento da Casa Branca pediu às agências federais que aumentassem substancialmente o trabalho pessoal em escritórios federais, enquanto “ainda usem políticas operacionais flexíveis como uma ferramenta importante no recrutamento e retenção de talentos”.

DIZEM OS SERVIDORES – Muitos funcionários federais argumentam que o teletrabalho lhes dá a oportunidade de apoiar os bairros onde moram. “Não é como se eu não estivesse almoçando ou gastando dinheiro em minha própria comunidade, só não estou fazendo isso no centro de DC”, disse Angela, 45 anos, que vai ao escritório para seu trabalho governamental na cidade apenas uma vez ou duas vezes por mês.

“Acho que as pessoas falaram – muito alto – que gostam de teletrabalho e gostariam de continuar ao máximo possível”, disse Jacqueline Simon, diretora de políticas do American Federal of Government Employees (AFGE), o maior sindicato que representa os trabalhadores do governo federal e local.

“A obrigação dos funcionários federais é cumprir a missão de sua agência e servir ao público americano, não patrocinar restaurantes no centro de DC”, disse ela à AFP.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 Interessantíssima a matéria enviada por José Guilherme Schossland. No Brasil, é a mesma coisa novidade. A Justiça passou a trabalhar por videoconferência e juiz não comparece mais às Varas. Antes da pandemia, os magistrados já tinham abandonado o trabalho às sextas-feiras, e ficou tudo por isso mesmo. E os cartórios funcionam em esquema de plantão, que maravilha viver, diria Vinicius de Moraes. (C.N.)

Ação no TSE que pode tornar Bolsonaro inelegível pode ser concluída neste mês

Publicado em 13 de junho de 2023 por Tribuna da Internet

Bolsonaro STF

Bolsonaro será julgado com o mesmo rigor de Dallagnol?

Eduardo Barretto
Metrópoles

O processo no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que definirá se Jair Bolsonaro fica inelegível tem boas chances de ser concluído ainda neste mês. O julgamento começará a ser analisado pelo plenário no próximo dia 22.

O caso foi liberado pelo relator/corregedor, ministro Benedito Gonçalves, no dia 1º de junho. Quatro dias depois, na segunda-feira passada, o presidente do tribunal, ministro Alexandre de Moraes, pautou o julgamento.

ANÁLISE DO PROCESSO – Três dias foram reservados para a análise do processo: 22, 27 e 29 de junho. A expectativa no TSE é que o julgamento siga o seguinte roteiro: no primeiro dia, Gonçalves lê o relatório, os advogados de duas partes (PDT e PL, sigla de Bolsonaro) falam por 15 minutos cada, e o Ministério Público Eleitoral faz uma manifestação de meia hora.

No segundo dia, em 27 de junho, Gonçalves lê seu voto. No dia 29, os outros ministros votam. Como na semana seguinte o Judiciário entra em recesso, é possível que o tribunal marque uma sessão extra, caso necessário.

Em 2017, no julgamento que rejeitou cassar a chapa Dilma-Temer, o TSE levou quatro sessões para encerrar o caso. Na ocasião, o relator, ministro Herman Benjamin, fez questão de ler todo o seu relatório, que era bem mais extenso do que o da ação contra Bolsonaro.

QUEM JULGARÁ? – Nas últimas semanas, a composição de ministros sofreu alterações. Após a dança das cadeiras, iniciada com a aposentadoria de Ricardo Lewandowski,   o término dos mandatos de Sérgio Banhos e Carlos Horbach, está formado o plenário que vai julgar a inelegibilidade de Bolsonaro.

De acordo com o Código Eleitoral, para julgar uma Ação de Investigação Judicial Eleitoral (Aije) é necessário que o quórum do Tribunal Superior esteja completo. No caso do TSE, que os sete ministros estejam em plenário. Se ocorrer impedimento de algum juiz, será convocado o substituto ou o respectivo suplente. E a deliberação será por maioria de votos, em sessão pública.

Assim, a formação de ministros efetivos do TSE para o julgamento é: Alexandre de Moraes, Cármen Lúcia, Kássio Nunes Marques, Benedito Gonçalves (relator), Raul Araújo Filho, Floriano De Azevedo Marques Neto e André Tavares.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Como diria Gabriel Garcia Márquez, é a crônica de uma tragédia anunciada. Se for seguida a tendência do julgamento de Dallagnol, com uma decisão claramente política e antijurídica, o ex-presidente Bolsonaro vai para o sacrifício sem chances de vitória. Aliás, se todo presidente fosse processado por abuso de poder na campanha, nenhum deles poderia ser elegível, porque o presidente é o poder personificado. Portanto, todo ato dele em benefício próprio poderia ser considerado abuso de poder. (C.N.)

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