domingo, novembro 13, 2022

Críticas são infundadas, porque Lula está certíssimo em seu discurso keynesiano

Publicado em 13 de novembro de 2022 por Tribuna da Internet

Lula diz que pessoas 'são levadas a sofrer' para que governo garanta estabilidade fiscal no país | Política | G1

Lula diz que a prioridade deve ser apoiar as pessoas carentes

José Carlos Werneck

Num país de tantos desempregados e com milhões de brasileiros vivendo em situação de extrema pobreza e com uma distribuição de renda perversa, Lula nunca esteve tão certo em priorizar os mais pobres em um discurso excelente e que, no entanto, causou tanta celeuma.

Seria interessante que seus raivosos e indignados críticos, relessem, se algum dia já leram, o que pregava o matemático e economista John Maynard Keynes, para quem somente o Estado pode conseguir reverter crises econômicas, como a Grande Depressão de 1929, que atingiu o mundo inteiro, a partir dos Estados Unidos e outros importantes países, como Alemanha, Austrália, França, Itália, Holanda, Bélgica e Reino Unido, especialmente o Canadá.

TEORIA E PRÁTICA – Brilhante economista e muitíssimo influente na elaboração de planos para que os governos pudessem, com grande êxito, superar crises econômicas, seus conceitos serviram de base sólida para elaboração de políticas adotadas em vários países do Ocidente antes da Segunda Grande Guerra.

A Economia Keynesiana, como ficaram conhecidas suas ideias, é uma das mais importantes obras para enfrentar longos períodos de recessão. Sua teoria foi utilizada na prática por governos que enfrentaram gravíssimos problemas econômicos.

A mais significativa, a “Teoria Geral do Emprego, do Juro e da Moeda”, serve como luva às mãos para os problemas atualmente enfrentados por milhões de brasileiros.

INVESTIR NO SOCIAL – Os conceitos ali expostos serviram de base para que muitos governantes, realmente preocupados com

o bem estar de seus governados, entendessem a grande importância de ter equilíbrio nos momentos de crises financeiras, notadamente quanto à questão do desemprego.

Keynes defendia que os efeitos devastadores que o desemprego causa no consumo privado só podem ser remediados quando se incrementam os gastos públicos em períodos de recessão. Abandonando a perversa ideia de arrochos monetários em questionamento, Keynes posiciona-se ao lado de outros nomes importantes da história da economia.

ROOSEVELT E OBAMA – Suas ideias desenvolvimentistas foram postas em prática e com enorme sucesso, por governantes norte-americanos como Franklin Delano Roosevelt, na década de 30, e Barack Obama, recentemente.

Além disso, seu entendimento sobre soluções para solucionar crises financeiras contribuiu significativamente para reestruturação econômica de muitas nações desenvolvidas.

Os conhecimentos de Keynes sobre Economia são considerados dos mais relevantes do Século XX e seus livros e artigos sobre a saúde financeira de um país e seu sistema monetário provocaram grande impacto positivo desde que foram lançados.

CRÍTICAS ERRADAS – Assim, é estranhíssimo e intrigante que os críticos ao presidente eleito Lula da Silva desprezem por completo as teorias de Keynes, que, embora comprovadas na práticas, sejam abominadas na Universidade de Chicago, que é o maior polo defensor do monetarismo, justamente onde Paulo Guedes fez doutorado.

Em tempo: Keynes não era comunista, muito pelo contrário! Apenas entendia que o bem- estar era direito de todos e não somente de uma minoria privilegiada e totalmente alheia ao sofrimento de seus semelhantes.

Não existe País feliz com povo pobre!

O Vereador Neguinho de Lié prometeu e apresentou as provas com fotos de ônibus e farta documentação.

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Nota da redação deste Blog - Tudo leva a crer que ainda não estamos sabendo o andamento do processo na Justiça Federal provavelmente por se tratar de SIGILO DE JUSTIÇA.
Digo isso levando por analogia um caso semelhante a Jeremoabo acontecido no Município de Senhor do Bonfim - Bahia.

" Prefeito de Bonfim é denunciado pelo MPF por suspeira de desvio de verbas
MPF aponta fraudes no custeio de transporte escolar e de outros itens para o município comandado por Joner Chagas.
                                                   (...)
A denúncia foi oferecida pelo Ministério Público Federal (MPF) em maio. O juiz federal Saulo Bahia, relator convocado do caso no Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1)levantou o sigilo dos autos em 8 de junho."
https://folhabv.com.br/noticia/POLITICA/Roraima/Prefeito-de-Bonfim-e-denunciado-pelo-MPF-por-suspeita-de-desvio-de-verbas-/87954
Considerando que as provas apresentadas pelo vereador Neguinho de Lié estão acima escancaradas, e levando-se em conta que não estamos tendo acesso ao andamento do processo por SUPOSTO SIGILO DE JUSTIÇA, vamos entender o significado de CORRUPÇÃO:
O problema da corrupção afeta diretamente o desenvolvimento e bem-estar da sociedade.
Tipos de Corrupção
Para demonstrar a situação que vivemos no Brasil, pretendo explicar, de forma bastante reduzida, os tipos de corrupção que aqui acontecem. Portanto, os tipos de corrupção mais comuns estão entre estes:
- Extorsão - Constranger outra pessoa, usando violência ou ameaçando, com o objetivo de obter para si ou para outrem benefícios econômicos, ou permitir que isto seja feito.
- Peculato - Abuso de confiança cometido por um funcionário público. Por exemplo, um juiz fazer uso pessoal de um carro apreendido.
Estelionato - Tipo de fraude. Obter para si ou para outros, vantagens ilícitas em prejuízo de alheio induzindo alguém em erro. Por exemplo, loterias falsas.
Concussão - Exigir vantagem para deixar de exercer função pública, como, por exemplo, um fiscal cobrar dinheiro para fingir que não vê os vendedores ambulantes ilegais
- Improbidade administrativa - Significa administração de má qualidade, desonesta, de má conduta que acabe por lesar o patrimônio público.
- Desvio de dinheiro público - Apropriação de receitas do Estado para, por exemplo, gastar em campanha
- Corrupção passiva - Aceitar dinheiro a troco de favores ilícitos
Corrupção ativa - Oferecer dinheiro visando à obtenção de favores ilícitos
Tráfico de influências - Tipo de corrupção em que a moeda de troca não é dinheiro, mas troca de favores. É um dos crimes mais difíceis de provar.

A corrupção no Brasil afeta diretamente o bem-estar dos cidadãos brasileiros quando diminui os investimentos públicos na saúde, na educação, em infraestrutura, segurança, habitação, entre outros direitos essenciais à vida, e fere criminalmente a Constituição quando amplia a exclusão e a desigualdade social. Na prática a corrupção ocorre por meio de desvio de recursos do orçamento público da União, dos Estados e dos Municípios, destinados à saúde, educação, Previdência e programas sociais e de infraestrutura que, entretanto, são desviados para financiar campanhas eleitorais, corromper funcionários públicos ou mesmo para contas bancárias pessoais no exterior.
Os escândalos e a existência de nepotismo e corrupção no Brasil não têm origem determinada; talvez tenham sido herdados de nossos colonizadores portugueses, que na época da colonização tinham uma corte corrupta e cheia de golpes. Segundo Raymundo Faoro a corrupção é um "vício" herdado do mundo ibérico resultado de uma relação patrimonialista entre Estado e Sociedade. Os casos de corrupção e nepotismo no Brasil não eram desconhecidos pela população. Porém, em 1992, quando o presidente Fernando Collor de Melo foi impedido de continuar governando, foi a primeira vez que a imprensa apresentou detalhes e provas documentais e a real extensão dos desvios de recursos públicos e denunciou desmandos nos poderes executivo e legislativo, fato ocorrido por interesses particulares da imprensa.
Um dos principais problemas que dificultam o combate à corrupção é a cultura de impunidade ainda vigente no país. A justiça é morosa e aqueles que podem pagar bons advogados dificilmente passam muito tempo na cadeia ou mesmo são punidos. Além disso, o fato de os políticos gozarem de direitos como o foro privilegiado, sendo julgados de maneira diferente da do cidadão comum, também contribui para a impunidade.
Fonte:
Centro de Ensino e Pesquisa Aplicada à Educação - CEPAE/UFG Ensino Médio - Monografia -
Gabriel Afonso Jardim
https://files.cercomp.ufg.br/weby/up/80/o/TCEM2013-TemasAtuais-GabrielAfonsoJardim.pdf



O que fica de aprendizado sobre nosso sistema de governo?



Por Marcus Pestana (foto)

Pela primeira vez, assistimos à derrota de um presidente no poder em sua tentativa de reeleição. Encontra-se em curso o processo de transição. Até aqui tudo parece caminhar bem. Lula, com sua experiência e habilidade política, sinaliza estar fazendo a leitura correta das eleições. Afinal, a margem de diferença de 1,8% foi a mais apertada de todos os segundos turnos ocorridos desde 1989 e a composição do Congresso determinou nova correlação de forças, com o fortalecimento das posições à direita, o enfraquecimento do centro político e uma bancada de esquerda insuficiente para sustentar o novo governo.

O ser humano é o único na face da Terra capaz de processar racionalmente os fatos, analisar criticamente resultados, avaliar a trajetória percorrida, como base para o aprendizado coletivo e a construção de soluções futuras.

Como contribuição à reflexão, procurarei, neste e nos próximos artigos, expor as conclusões a que cheguei em relação aos nossos sistemas de governo, eleitoral e partidário, independente da viabilidade política das alternativas que julgo as melhores.

Comecemos pelo sistema de governo. Não tenho dúvidas, vis a vis a experiência de outros países, quanto à superioridade do parlamentarismo ou do semipresidencialismo sobre o sistema presidencialista. Sei que esta alternativa já foi refugada em dois plebiscitos em 1963 e 1993. A nossa tradição é mais ligada a personagens carismáticos do que a partidos e programas, fato reafirmado em 2022.

Apesar de características históricas bastante diferentes, vale a comparação com a experiência recente de outros países. Portugal resolveu em três meses a crise de governo em torno da não aprovação do orçamento de 2022, dissolvendo o parlamento, convocando novas eleições e dando maioria estável ao primeiro ministro socialista, Antônio Costa. A Alemanha construiu, a partir dos resultados das eleições parlamentares, a coalizão semáforo, reunindo socialdemocratas, liberais e verdes, com ampla maioria, em torno de um documento programático denso e detalhado.

Na França, aonde as eleições parlamentares são feitas dois meses após a presidencial, Macron não fez maioria absoluta, e dependerá de um acordo com os Republicanos, de centro-direita, para governar. No Reino Unido, o primeiro-ministro Boris Johnson perdeu as condições de governabilidade, foi substituído por Liz Truss, em decisão do Partido Conservador, que durou apenas 45 dias no poder e foi substituída por Rishi Sunak.

No presidencialismo brasileiro, cada uma dessas crises, levaria à um doloroso e longo processo de impeachment ou à permanência de um governo inoperante e desgastado.

As eleições parlamentares brasileiras são bastante dissociadas das presidenciais, fruto de um sistema eleitoral incompreensível para o eleitor. A 15 dias das eleições, 75% dos brasileiros não tinha escolhido seu deputado. Aqui, as coisas são invertidas. Agora eleito, Lula começa a cuidar da formação da maioria parlamentar necessária para governar, buscando atrair partidos que não se alinharam na eleição como MDB, PSD, União Brasil, PP, numa tentativa de reedição do “presidencialismo de coalizão”. A desconexão entre eleição presidencial e maioria parlamentar nas eleições brasileiras merece ser repensada em nome da maior qualidade do ambiente de governabilidade e governança.

O Tempo

Tribunal militar nega rever condenação de coronel fuzilado em 1825 por traição




A poucos minutos de caminhada da praia de Iracema, um dos principais pontos turísticos de Fortaleza, a avenida Pessôa Anta mantém viva a memória do coronel João de Andrade Pessôa.

O militar foi um dos líderes do movimento revolucionário Confederação do Equador. A principal bandeira era tornar o Brasil uma República. Pessôa Anta, como ficou conhecido, foi acusado de trair o Império ao chefiar forças republicanas no Norte do Ceará e acabou fuzilado na Praça dos Mártires em 30 de abril 1825.

O caso foi revisitado pela Justiça Militar no final do mês passado. A família do coronel movia há anos uma ação para tentar reverter a condenação imposta pela comissão criada por Dom Pedro I para processar todos os envolvidos no movimento. O pedido era para reconhecer que ele foi condenado injustamente à morte e para restabelecer sua patente e suas honrarias.

O Superior Tribunal Militar (STM) foi contra a revisão. Os ministros decidiram que as provas reunidas ao logo de cinco gerações pela família do coronel não foram suficientes para invalidar a condenação. Os familiares apresentaram, por exemplo, documentos que comprovavam condecorações por atos de bravura.

Uma das principais dificuldades na análise do processo é que não há um documento histórico com a sentença. O entendimento do STM foi que as provas apresentadas não são capazes de comprovar que Pessôa Anta não participou de articulações republicanas.

“O réu, por mais que se ampare no cumprimento de ordens, revela participação, ainda que involuntária, mas consciente, na produção de documentos que articularam a Confederação. E a ausência da sentença ou do ato condenatório só piora o cenário, pois impossibilita a revisão dos argumentos que ensejaram a apenação, assim como a juntada de outros documentos que seriam vitais, posto parcialmente reconstituídos após o deferimento do Mandamus protocolizado pelos requerentes e provido por esta Corte Castrense”, defendeu a ministra Maria Elizabeth Guimarães Teixeira Rocha, relatora do processo.

Coronel deve ser lembrado como herói

Embora tenha votado contra a revisão criminal, a ministra defendeu que os militares envolvidos na Confederação do Equador, tratados na época como “rebeldes” e ” inimigos da ordem pública”, devem ser lembrados como “heróis que lutaram pela liberdade e contra o autoritarismo monárquico”.

“Impassíveis às tentativas de negociação, os revoltosos buscaram criar uma Constituição de caráter republicano e liberal, para além de organizar forças contra as tropas imperiais”, recordou.

A ministra também disse que Pessôa Anta é “um exemplo de coragem e amor ao país”, “protagonizou um dos mais relevantes capítulos da história pátria e será lembrado não como criminoso, mas como um bravo revolucionário”.

“A história não retrocede, ela ensina. Ensina a compreender quem somos e o futuro que queremos como nação. Assim, por mais que me sinta tentada como cidadã brasileira a corrigir os equívocos do passado que me causam repulsa como o da espécie dos autos, me vejo impossibilitada de modificá-lo, apontando efetivo erro de uma condenação evidentemente desumana”, concluiu.

Estadão / Dinheiro Rural

Nada de trevas: as inverdades sobre a Idade Média.




Existem inúmeros exemplos de como a Idade Média foi enriquecedora e muito dos objetos e tecnologias que usamos hoje surgiram naquele período. 

Por Rafael de Quadros* 

É muito comum observarmos a evocação de termos como “isso é tão medieval”, “tanta violência hoje, parece a Idade Média”, “na Idade Média pensavam que a Terra era plana”, “se a Idade Média voltar, irei ficar no lado das bruxas” e outras diversas frases prontas. Poderíamos até dizer que isso é resultado de informações falsas taxando a Idade Média, período de 476 a 1453, como a Idade das Trevas. Mas o pequeno problema é que temos professores que levantam a bandeira para “confirmar” essa inverdade.

Você deve estar se perguntando, mas a Idade Média não era assim? A resposta é não e temos como comprovar isso. A Terra é descrita como uma esfera pelo Venerável Beda (século VII), Roger Bacon (século XIII) e Tomás de Aquino (também século XIII), entre outros. Roger Bacon chegou a adivinhar que o movimento dos corpos celestes influenciava acontecimentos na Terra. E não só isso: em representações de coroações medievais, podemos observar entre os objetos de coroação o Orbe (latim globus cruciger) representando um globo terrestre. O tal "mito" da crença da Idade Média em uma Terra plana foi originado durante o século XIX, e temos dois indivíduos para culpar, agindo quase simultaneamente, mas de forma independente.

O francês Antoine-Jean Letronne procurou menosprezar a Igreja Católica em seu estudo de 1834 Sobre as Ideias Cosmográficas dos Padres da Igreja, procurando retratar o clero como anticientífico e ignorante. Enquanto isso, o ensaísta americano Washington Irving, em um esforço para encorajar o "mito" de Colombo, apresentou aos Estados Unidos o conceito errôneo de que os europeus pensavam que a figura folclórica estava agindo em desafio à opinião popular. O trabalho de Irving se tornou um elemento básico do sistema educacional americano, mesmo depois de ter sido amplamente desmentido e apontado como incorreto.

Outra ideia errada é a de que a Inquisição teria sido criada para caçar bruxas. Bom, primeiramente, a Inquisição foi criada em 1184 como um corpo de investigação para acompanhar casos de heresia, tais como as propagadas por cátaros e valdenses, e durante a maior parte da era medieval, a mensagem padrão disseminada pelos clérigos a respeito da magia era que era um disparate tolo que não funcionava. A “mania” das bruxas europeias foi mais um fenômeno dos séculos XVI e XVII.

Por que as pessoas detratam a Idade Média? Creio que isso pode ser atribuído a uma espécie de “cancelamento do bem” que perdura até os dias atuais. No no século XVIII, os chamados iluministas se consideravam herdeiros do pensamento e da ciência desenvolvidos por gregos e romanos, fazendo renascer a cultura da Antiguidade. O período posterior à Antiguidade passou a ser tratado como sinônimo de atraso, até como forma de ressaltar a suposta superioridade dos antigos.

Antes dos iluministas, os renascentistas já apontavam para uma ideia similar. Para eles, durante a Idade Média, as artes e as ciências, se comparadas à Antiguidade, haviam declinado. A responsabilidade disso seria em boa parte da Igreja Católica, que dominou política, econômica e culturalmente a Europa no período. A dominação religiosa teria impedido o desenvolvimento da razão, criando uma era de atraso e primitivismo. Mais uma inverdade, pois na Idade Média temos o florescimento das universidades e o surgimento da prensa de Gutemberg, que revolucionou o conhecimento; nas Cruzadas tivemos as primeiras estruturas bancárias para depósito de dinheiro para resgatar depois; as vilas irão criar os pequenos burgos que irão financiar as artes. Sem contar que para redigir esse texto eu estou usando óculos, e olhando o relógio, ambos objetos criados nesse período. Existem inúmeros exemplos de como a Idade Média foi enriquecedora e muito dos objetos e tecnologias que usamos hoje surgiram naquele período.

Sobre a suposta violência do período, outra afirmação falsa em relação à Idade Média, bom, basta lembrar que no século XX tivemos a prova do que a humanidade é capaz de fazer em termos de violência. Diferente das guerras que sempre tivemos na história, no século XX temos a tentativa de eliminar todo um grupo da face da Terra, como o genocídio da Namíbia na África, o genocídio Armênio durante a 1ª Guerra no Império Turco Otomano, o Holodomor na Ucrânia, o Shoá (Holocausto) na 2ª Guerra mundial, o genocídio em Ruanda contra Tutsi, Twa e Hutus, sem contar as mortes massivas pela fome agravadas por políticos como o caso de Biafra na Nigéria, Darfur no Sudão e diversas outras violências. Nada na Idade Média matou tanto quanto essa violência fria, determinada e industrial no século XX, ou eu diria, nada por enquanto.

*Rafael de Quadros é historiador com especialização em História Medieval pela Universidade do Porto/Portugal. É fundador do portal historiamedieval.com.br e autor da obra “História Medieval: A Queda do Império Romano à Queda de Constantinopla”.

Gazeta do Povo (PR)

O que levou os neandertais à extinção: violência ou sexo?



O sexo com o Homo sapiens pode ter causado a extinção dos neandertais

Novo estudo mostra indícios de que o sexo com o Homo sapiens pode ter desempenhado um papel fundamental na extinção dos neandertais

O cruzamento com o Homo sapiens pode ter desempenhado um papel fundamental na extinção dos neandertais, segundo um estudo publicado recentemente na revista científica Paleo Anthropology.

Esse cruzamento pode ter reduzido o número de neandertais se reproduzindo entre si, o que poderia ter tido a consequência de levar a espécie à extinção.

"Durante muito tempo, a principal teoria era que havia muita competição por recursos entre o Homo sapiens e os neandertais", diz à BBC Lucile Crete, co-autora do estudo com o professor Chris Stringer, pesquisador-chefe do Museu de História Natural de Londres.

No entanto, afirma a pesquisadora, o novo estudo analisou indícios de que não foi violência entre espécies que causou a extinção, e sim uma mistura de populações que enfraqueceu o conjunto genético dos neandertais.

"Nós propomos que esse comportamento poderia ter levado à extinção dos neandertais se eles estivessem se reproduzindo regularmente com o Homo sapiens, o que poderia ter erodido sua população até que eles desaparecessem", disse o professor Stringer após a publicação do estudo.

O DNA neandertal pode ser encontrado em todos os humanos vivos hoje, incluindo pessoas de ascendência africana, cujos ancestrais não entraram em contato direto com esse grupo.

Neandertais e Homo sapiens evoluíram em diferentes áreas ao redor do mundo depois das espécies terem surgido de um ancestral comum cerca de 600 mil anos atrás.

Enquanto o Homo sapiens evoluiu na África, o Homo neanderthalensis surgiu na Europa e na Ásia.

"Descobertas recentes mostram que o Homo sapiens estava na Europa há 50 mil ou 60 mil anos, o que significa que eles estavam na Europa ao mesmo tempo que os neandertais por muito mais tempo do que pensávamos antes", explica Crete.

'Os cientistas acreditam que não foi fácil para os neandertais e o Homo sapiens se comunicarem'

Reprodução

Os genomas neandertais foram rastreados no genoma do Homo sapiens, mas não vice-versa, sugere o estudo.

"Parece haver uma troca de genes, mas apenas em um sentido", afirma Crete

O conhecimento de que as duas espécies cruzaram não é novo. Em média, uma pessoa que nasceu fora da África tem cerca de 2% do seu genoma derivado de neandertais.

Mas Crete e Stringer se aprofundaram no assunto, analisando o que se sabe sobre os 32 genomas neandertais que foram descobertos e sequenciados até hoje. Os dois cientistas sugerem que o sucesso do cruzamento dependia do par exato que estava se reproduzindo.

"Mas não sabemos como explicar isso. Pode ser por causa dos dados disponíveis que temos, ou da forma como a hibridização (o processo de mistura de duas espécies) funcionou", diz Crete. "Para algumas espécies de pássaros e mamíferos, a hibridização às vezes não funciona nos dois sentidos: pode ser difícil para uma espécie produzir uma descendência fértil".

Ela espera que mais fósseis neandertais possam ser encontrados e analisados ​​no futuro.

"Quanto mais pudermos sequenciar e analisar, mais seremos capazes de testar essas teorias", diz ela.

'Ainda não está claro quão diferentes eram os neandertais masculinos e femininos'

Estupros

Outra teoria que Crete e Stringer apresentaram em seu estudo é que é provável que nem todos os cruzamentos tenham sido consensuais.

"Talvez o Homo sapiens estivesse saindo para encontrar fêmeas neandertais, ou o contrário, e a força fosse usada para engravidar representantes férteis do outro grupo", diz Crete.

Ela explica que esse tipo de comportamento também pode ser observado em alguns chimpanzés. "Se os machos não tiverem fêmeas reprodutivas suficientes em seu grupo, eles podem ir para o outro grupo e roubá-las para continuar expandindo."

Muito pouco se sabe sobre o sexo entre as espécies. Os cientistas acreditam que não foi fácil para os neandertais e o Homo sapiens se comunicarem, pois eram bem diferentes.

"Eles provavelmente não seriam capazes de produzir o mesmo tipo de som, não tinham o mesmo tipo de fala articulada, seus cérebros eram estruturados de maneira diferente", explica Crete.

Sua aparência física também era diferente. "Os neandertais eram bastante robustos, fortemente construídos, com braços e pernas mais curtos e uma característica saliência na testa acima dos olhos", explica Crete.

Ainda não está claro quão diferentes eram os neandertais dos sexos masculino e feminino.

"Os esqueletos geralmente são fragmentados e quebrados, e não temos muitas pélvis para comparar e ver a diferença entre os dois", diz Crete.

Mas, apesar de muitas incógnitas, a pesquisadora está animada com possíveis descobertas futuras.

"Novos métodos tornaram possíveis algumas descobertas que não poderíamos imaginar antes", diz ela. "É como um quebra-cabeça gigantesco. Ela fica cada vez maior com novas descobertas, à medida que mudamos a maneira como pensamos."

BBC Brasil / G1

O macarthismo do bem




Muitos tentam silenciar a atriz, invalidando suas crenças, boicotando sua carreira, forçando-a a sair de cena. Para qualquer pessoa minimamente conectada com o século XXI, é difícil não discordar da Cássia Kis.

Por Eduardo Affonso (foto)

Onde ela vê um movimento de destruição da família, eu vejo o de construção de novos modelos, mais inclusivos. Quando ela diz que que “homem com homem não dá filho, mulher com mulher também não dá filho”, penso nos casais heterossexuais em que o marido é (como eu) infértil, ou a mulher (como a própria Cássia) já entrou na menopausa. Casais assim tampouco produzem filhos — e isso não os invalida como células familiares, não os torna afetivamente estéreis.

Cássia é profundamente católica; eu, visceralmente ateu. Ela fez um aborto quando jovem, hoje é militante pró-vida; eu era contrário ao aborto, me tornei pró-escolha. Havemos de ter outras divergências, porém — e tudo o que vem antes de uma conjunção adversativa passa automaticamente a segundo plano — nada disso me impede de respeitá-la como cidadã e como artista. Divergir dela e contestar seus argumentos só fortalece a ideia de que o diálogo seja a forma mais eficaz de vencer preconceitos e de conviver com diferenças.

Cássia é uma mulher talentosa, corajosa, que defende com clareza aquilo em que acredita. Muitos, entretanto, têm preferido tentar silenciá-la — invalidando suas crenças, boicotando sua carreira, forçando-a a sair de cena (há pressão para que o personagem que interpreta numa novela seja eliminado da trama, e ela venha a ser demitida).

Os colegas que compactuam com isso terão apreço à arte, à diversidade, à liberdade de expressão? Será que não percebem quanto se assemelham aos que, de verde e amarelo, clamam pela ditadura do pensamento único?

Houve um tempo em que, para conseguir papéis no cinema, na televisão, era preciso esconder a orientação sexual “desviante”. Terá chegado a hora de ter que disfarçar a opção política? Os testes de elenco exigirão, além de talento e physique du rôle, atestado de antecedentes ideológicos?

Quem pede a cabeça de Cássia Kis se crê virtuoso, defensor de uma causa justa — exatamente como os que, do alto de sua superioridade moral, se dedicaram, século após século, ao sublime ofício da caça às bruxas.

Esses militantes talvez não se deem conta de estar reeditando as práticas de discriminação do nazifascismo, dos expurgos comunistas, das patrulhas ideológicas dos anos 70, do macartismo. Este último tentou destruir a carreira de uma infinidade de artistas e intelectuais. Gente como Dashiell Hammett, Richard Attenborough, Luis Buñuel, Charlie Chaplin, Leonard Bernstein, Dalton Trumbo, Lillian Hellman, Dorothy Parker, Orson Welles — e até Lucille Ball.

Hora de lembrar Caetano: Eu não espero pelo dia em que todos os homens concordem / Apenas sei de diversas harmonias bonitas possíveis sem juízo final.

Para quem quer que tenha ouvido falar das atrocidades do século XX e dos males que a intolerância nos causou, dói aceitar que ainda se cogite colar estrelas (agora, vermelhas) na porta de estabelecimentos para indicar o inimigo — ou apagar um personagem para calar a voz de uma atriz.

O Globo

Forças Armadas revelam sensatez em nota conjunta - Editorial


Quartel General do Exército no Rio

Exército, Marinha e Aeronáutica demonstram compromisso com democracia e harmonia social

As Forças Armadas revelam sensatez num momento em que o país ainda sofre os efeitos nefastos de uma eleição polarizada, marcada por uma guerra suja sem precedentes em campanhas. Em nota conjunta endereçada “às instituições e ao povo brasileiro”, elas defendem manifestações pacíficas, condenam excessos que restrinjam direitos individuais ou coletivos e reafirmam seu compromisso “irrestrito e inabalável com o povo brasileiro, com a democracia e com a harmonia política e social do Brasil”.

Desde que foi proclamada a vitória do petista Luiz Inácio Lula da Silva nas urnas, o país tem sido sacudido por manifestações antidemocráticas que questionam o resultado do pleito. Primeiro, foram os bloqueios ilegais promovidos por caminhoneiros em rodovias. Depois, surgiram atos golpistas em frente a unidades do Exército.

Na nota, os comandantes da Marinha, almirante de esquadra Almir Garnier Santos, do Exército, general Marco Antônio Freire Gomes, e da Aeronáutica, tenente-brigadeiro do ar Carlos de Almeida Baptista Junior, afirmam que a Constituição garante a livre manifestação de pensamento, a liberdade de reunião pacífica e a liberdade de locomoção. Dizem ainda que “são condenáveis tanto restrições a direitos por parte de agentes públicos, quanto eventuais excessos cometidos em manifestações que possam restringir os direitos individuais e coletivos ou colocar em risco a segurança pública”.

Eles têm razão. Por mais estapafúrdias que sejam as ideias que defendam, manifestações fazem parte do jogo democrático. “A solução a possíveis controvérsias no seio da sociedade deve valer-se dos instrumentos legais do estado democrático de direito”, afirmam. Espera-se que sejam ouvidos pelos manifestantes acampados em frente a quartéis do Exército clamando por um golpe. Se havia alguma ilusão de apoio das Forças Armadas, a nota se encarrega de desfazê-la. Ainda que tenha demorado — os atos antidemocráticos começaram há quase duas semanas —, tal mensagem era fundamental.

Ao longo destes quatro anos de mandato do presidente Jair Bolsonaro, parcelas minoritárias das Forças Armadas flertaram com os arroubos golpistas dele. Mesmo nos momentos em que permaneceram em silêncio, enquanto o presidente as usava para atacar a lisura do sistema eleitoral brasileiro. Por isso, apesar das suspeitas sem fundamento levantadas sobre a segurança das urnas eletrônicas, foi fundamental o relatório do Ministério da Defesa divulgado nesta semana, que não apontou nenhum indício de fraude.

Os militares exerceram um protagonismo descabido no Executivo sob Bolsonaro. Estima-se que mais de 6 mil ocupem cargos civis no atual governo, parte deles ainda na ativa. É improvável que tal situação se repita na futura gestão. Mas é importante, para o amadurecimento das nossas instituições, que o Congresso aprove a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que proíbe militares da ativa de exercer cargos civis na administração pública.

Duas semanas depois da eleição, o país precisa voltar à normalidade. A nota das Forças Armadas é um passo importante para isso, por exorcizar fantasmas que ainda assombravam alguns. Manifestações de insatisfação com a vitória de Lula não desaparecerão. As que ultrapassarem limites da lei precisam ser investigadas e punidas, como vem sendo feito. Para além disso, o país tem mais com que se preocupar.

O Globo

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