sexta-feira, agosto 05, 2022

Corrupção bolsonarista, capítulo 8



O significado de 'legalização das milícias' e o 'valor' das armas

Por Conrado Hübner Mendes* (foto)

Sabe-se há 30 anos que não há proposta de Bolsonaro para o Brasil que não namore a morte. Desde "matar uns 30 mil" até autorizar polícia a chacinar pobre sem satisfação nem luto: seu repertório se bastava nisso. Deus e "kit gay" vieram depois, quando atinou virar presidente e abraçou comerciantes da religião. Encontrou um Deus com sanha arrecadatória.

Demos pouca atenção a outra ideia que se deixava ofuscar pelas propostas de morte: a "legalização das milícias". Se procurar texto do cérebro bolsonarista que explique a iniciativa, encontrará falas parlamentares de Jair e Flávio. E muito jornalismo declaratório que citava discursos, mas não indagava sobre o conceito.

Flávio resumiu: "As classes mais altas pagam segurança particular, e o pobre, como faz para ter segurança?" A Constituição promete direito à segurança pública. O bolsonarismo oferece arma e milícia. Se miliciano cobrar "tarifa", o bolsonarismo legaliza o pagamento isento de imposto. A vida miliciana está aberta a empreendedores. Dispensa concurso.

Depois de anos de governo, confirmamos que legalizar milícias não significa trazê-las para dentro da lei, no sentido formal de "legalizar". Legalizar aqui sugere "deixar rolar" na informalidade onde o Estado de Direito não entra. Entra milícia extorquindo e tacando terror em inadimplentes. Chega polícia disparando "bala perdida", a metáfora macabra da irresponsabilidade estatal.

O contrato miliciano estrutura entidade paramilitar, parapolicial, parajurídica. Paira além da lei.

O que mais liga a corrupção bolsonarista a milícias? Não apenas a família que operou negócios com milicianos desde pelo menos 2007. O business abrangia construções em área de soberania miliciana, gabinetes povoados por Queiroz, esposa e filhas; Adriano da Nóbrega, esposa e mãe. "Rachadinhas" lubrificavam esquema de ascensão patrimonial familiar.

A Presidência abriu outra etapa. Com caneta para afrontar o legislador, o governo editou normas jurídicas em série para esvaziar a lei do Estatuto do Desarmamento. "Fomos ao limite da legalidade", disse Jair, consciente da usurpação.

As normas, por um lado, ampliaram possibilidades de aquisição de armas e munições; por outro, dificultaram rastreamento e identificação. E liberaram geral para auto declarados "caçadores, atiradores esportivos e colecionadores" (CACs). O exército de CACs já supera o número de policiais e de militares no país.

Vendido como pacotaço da liberdade, o programa faz outra coisa com a chancela das Forças Armadas: facilita escoamento de armas para milícias e tráfico, e reduz capacidade estatal de investigar e resolver crimes com arma de fogo.

PCC e Escritório do Crime ganham armas "legais". Empresas de arma, que têm Eduardo Bolsonaro como lobista e garoto-propaganda, ganham dinheiro. Receita da Taurus subiu mais de 200%. Glock, Sig Sauer e Caracal também respiram hoje com mais "liberdade" por aqui.

O que fez o STF? Fachin e Weber deram liminares relevantes, mas limitadas. Toffoli e Fux, presidentes, aceitaram malandragens revogatórias de regras em véspera de julgamento e reedições subsequentes. Caíram no drible da vaca (ou fraude processual). Moraes demorou, mas votou em ação que há 10 meses dormita na gaveta kassiana. E Kassio é CAC.

O que se pode dizer sem erro: entre omissões, demoras e obstruções, STF é responsável por não conter o acelerado processo de armamento. Suspendeu algumas regras, outras centrais seguem vigentes. Exemplo: civis autorizados a comprar 180 mil balas e 60 armas (mas só 30 fuzis...) sem provar necessidade.

Poderíamos discutir quão mais inseguros e menos livres estamos com a proliferação de CACs e fuzis de guerra. Mas esse texto trata de corrupção, não de segurança. Bolsonaro pede grito por liberdade e legítima defesa. Não contou sobre dinheiro do crime organizado, do tráfico e de fabricantes de armas. Disfarça corrupção com filosofia política masturbatória e hipnótica.

A "República das Milícias" (livro de Bruno Paes Manso) não é república, pois coisa pública não há. Espolia e violenta comunidades periféricas na cidade, no campo, na floresta. A corrupção estará armada "legalmente" enquanto durar a cumplicidade do STF.

"Um povo armado não será escravizado"? "A verdade vos libertará"? O que se sabe é que povo idiotizado sequer notou quem lucra com isso. E quem morre. Entorpecido pela política do pânico e circo, não percebe que o contrato miliciano enriquece seus sócios. Dessa sociedade anônima e sangrenta a família presidencial é acionista.

*Professor de direito constitucional da USP, é doutor em direito e ciência política e membro do Observatório Pesquisa, Ciência e Liberdade - SBPC

Folha de São Paulo

Rússia criará provas falsas para culpar Kiev por morte de prisioneiros de guerra, segundo EUA




A Casa Branca afirmou, nesta quinta-feira (4), que a Rússia se prepara para falsificar provas para acusar a Ucrânia de bombardear uma prisão em uma área controlada por forças russas, um ataque que deixou dezenas de prisioneiros de guerra ucranianos mortos.

Kiev e Moscou trocam acusações pelo ataque contra a prisão de Olenivka, sob controle russo, no leste da Ucrânia.

"Acreditamos que as autoridades russas estão tentando falsificar evidências para atribuir às forças ucranianas o ataque contra a prisão de Olenivka em 29 de julho", afirmou o porta-voz de Segurança da Casa Branca, John Kirby, à AFP.

Kirby acrescentou que "os russos tentarão incriminá-los antes que jornalistas e possíveis investigadores cheguem ao local", aludindo a informações obtidas por agências de inteligência americanas que não foram divulgadas.

Washington sustenta que as autoridades russas "querem fazer acreditar" que as vítimas foram mortas por um míssil Himars, um sistema de artilharia de alta precisão fornecido pelos EUA e que se tornou uma parte vital do esforço de guerra ucraniano, disse Kirby.

Acusações nesse sentido já surgem em alguns veículos da mídia, revelou.

Mais de 50 prisioneiros de guerra ucranianos foram mortos na explosão, incluindo combatentes que se renderam após semanas de cerco à fábrica Azovstal de Mariupol.

Moscou aponta Kiev como responsável pelo atentado, acusação que as autoridades ucranianas negam. Kiev afirma que foram as forças russas que massacraram os prisioneiros.

O presidente ucraniano, Volodimir Zelensky, chamou o atentado de "um crime de guerra deliberado da Rússia".

A televisão estatal russa transmitiu imagens de barracas carbonizadas, camas de metal destruídas e fotos borradas do que pareciam ser corpos humanos.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, anunciou na quarta-feira que uma investigação seria iniciada para determinar a "verdade".

AFP / Estado de Minas

Elites frustradas




O protesto da carta é mais amplo do que a defesa das eleições

Por William Waack (foto)

Jair Bolsonaro não entendeu a natureza política mais abrangente da carta em defesa da democracia. Assim como não entendeu até hoje a natureza da onda disruptiva que o levou – para própria surpresa – ao Palácio do Planalto.

O PT também não havia entendido a natureza dos movimentos de protesto de 2013, e pagou por isso um preço alto em 2016. Em cada uma dessas ocasiões (2013, 2016 e 2018) o solavanco foi causado por movimentos de elites descontentes talvez consigo mesmas.

É o que está acontecendo agora. A sensação é a de que o Brasil está se desfazendo em pedaços, sem que as eleições sinalizem como juntar os cacos. Ao contrário: elas evidenciam o triunfo do regionalismo. Tanto Bolsonaro como Lula se apresentam como “líderes nacionais”, mas é só no nome.

Os dirigentes do PT, que no momento possuem uma visão mais abrangente do processo político (e seu horizonte está há tempos em 2023), entenderam que os milhares de assinaturas no texto não são endosso automático da candidatura Lula. Bolsonaro, preso à sua extraordinária limitação cognitiva, acha que se trata de evento apenas contra ele.

Aparentemente, é. O estopim para a mobilização foi dado pelo próprio Bolsonaro e sua boçalidade autoritária. Somada à falta de estratégia e seus fantasmas individuais, levou-o ao córner do ringue político. De onde seu instinto belicoso o faz supor que sairá apenas golpeando forte, em vários sentidos.

O “basta” que ele ouviu vem de segmentos de tomada de decisão e formação de opinião cujos cinismo, oportunismo, falta de visão de longo prazo e incapacidade de articulação ampla são, ao mesmo tempo, causa e efeito da situação de paralisia do País. Nesse sentido, o Centrão e suas figuras mais visíveis são sintoma e não a “razão” da nossa estagnação.

Mas a atual insatisfação não se refere apenas ao atual governo, ainda que tivesse traído esperanças. Refere-se a um sistema político e de governo que se tornou ainda pior e claramente menos capaz de fornecer as respostas que a sociedade demanda, enquanto tudo parece mover-se para ficar no mesmo lugar.

As elites descontentes defendem interesses antagônicos, têm graus muito díspares de cosmopolitismo e posturas ideológicas às vezes opostas. Sua principal característica em comum (consenso entre sociólogos, antropólogos e historiadores) é a defesa de seus interesses paroquiais, setoriais e regionais, sem ter o País ou o todo como preocupação central.

O que existe é uma imensa frustração, da qual a carta em defesa da democracia é uma tradução. E a falta de um caminho de saída dela. 

O Estado de São Paulo

Uma nova guerra fria ... como o espaço




Três nacionalidades, uma tripulação. E uma pizza para reunir cosmonautas e astronautas na Estação Espacial Internacional (ISS), em maio de 2022. 

A guerra na Ucrânia pôs fim à colaboração espacial entre a Rússia e o Ocidente (incluindo a Suíça). E se essa nova corrida espacial entre blocos rivais for uma oportunidade para a indústria do “mundo livre”?

Desde que seus tanques entraram na Ucrânia e as sanções começaram, a Rússia, grande potência espacial, excluiu-se ou foi excluída de todas as suas colaborações com o Ocidente. Até a Estação Espacial Internacional (ISSLink externo), que mantinha um clima de paz, tendo a bordo três astronautas russos, dois americanos, uma americana e uma italiana, acabou na lista, com a Rússia declarando em fins de julho que deixaria a Estação Espacial Internacional em 2024.

A primeira vítima a entrar na lista foi a missão europeia ExoMarsLink externo, que foi privada do foguete Proton e do aterrissador que o levaria ao seu destino. Após o lançamento do orbitador em 2016, o intuito agora é colocar e movimentar um rover na superfície do planeta. O rover será equipado com uma câmera de alta tecnologia de concepção e fabricação suíça, que buscará traços de vida.

A missão devia ter decolado em 2018, depois em 2020, mas atrasos na entrega e a Covid-19 acabaram prorrogando os prazos e o lançamento foi adiado para 2022. Como as janelas de lançamento para Marte só são favoráveis a cada dois anos, ele deve ocorrer em 2024 ou mesmo em 2026.

Divórcio em várias etapas

'Os ocidentais agora têm que passar sem o foguete Soyuz, conhecido por sua fiabilidade e robustez'

À procura de um foguete substituto

“A ESA está trabalhando para proteger os interesses de seus Estados-membros, incluindo a Suíça, e realiza atualmente um estudo industrial acelerado a fim de definir as opções disponíveis para continuar a missão ExoMars”, garante por e-mail Renato Krpoun, chefe da Divisão de Assuntos Espaciais da Secretaria de Estado de Educação, Pesquisa e Inovação (SEFRI) em Berna. Em outras palavras, a ESA está procurando um novo foguete e um novo módulo de aterrissagem.

Para além do atraso na missão, a situação não preocupa muito o diretor-geral da ESA, Josef Aschbacher. “Encontraremos uma boa colaboração para a ExoMars”, disse ele em 15 de junho, numa conferência de imprensa online com o administrador da NASA, Bill Nelson, que foi à Holanda para participar do Conselho da ESA.

Por enquanto, as duas agências espaciais não irão unir a ExoMars e a Mars Sample ReturnLink externo. Esta missão da NASA tem como objetivo retornar à Terra as amostras colhidas pelo rover americano Perseverance. Como o rover da ExoMars e todos os seus predecessores, ele é equipado com motores elétricos da empresa suíça Maxon. A tecnologia helvética não está apenas no motor das rodas: o fabricante também fornece os motores que acionam os braços robóticos responsáveis por manejar as amostras a serem trazidas de volta.

Três vezes na Lua

A Suíça e a ESA também tiveram uma grande participação no programa russo Luna, nomeado em homenagem ao seu prestigioso antecessor soviético dos anos 60.

Os instrumentos projetados pelos europeus e pelos suíços não irão para a Lua nessas naves espaciais russas. Mas Krpoun destaca que “não se deve esquecer que a Suíça, através de sua adesão à ESA, também faz parte do programa lunar Artemis, da NASA”. Assim, Berna está trabalhando com seus parceiros para identificar as possibilidades de voo para os instrumentos suíços e europeus de ciência espacial.

Uma possibilidade já foi encontrada: é a missão CLPSLink externo da NASA, cujo objetivo é transportar materiais para a Lua. Para otimizar os custos, as operações foram confiadas inteiramente a operadores privados, como o SpaceXLink externo do Elon Musk e o Blue OriginLink externo de Jeff Bezos. A Europa fornecerá o PROSPECT, um pacote de instrumentos de perfuração e análise de substâncias voláteis que deveria ter sido transportado a bordo da Luna-27.

Agora todos querem voltar à Lua por conta própria: os ocidentais com o Artemis, os russos com a Luna e os chineses com o Chang'e.

Claude Nicollier, o único astronauta suíço, insiste na estabilidade do bloco ocidental. “Ainda temos uma colaboração muito forte entre americanos, europeus, canadenses e japoneses. O Telescópio Espacial James WebbLink externo é um exemplo maravilhoso disso. Talvez essa colaboração seja até mesmo reforçada com a partida da Rússia.”

Os foguetes do Ocidente

O programa lunar Artemis é outro bom exemplo da colaboração ocidental. Em 2024 ou 2025, o lançador SLSLink externo, o maior foguete já construído, enviará à Lua a cápsula Orion, seu módulo lunar (entregue pela indústria privada) e seu módulo de serviço, que é um grande cilindro sobre o qual a cápsula repousa (a mesma arquitetura da nave espacial Apollo) e que fornece eletricidade, propulsão, ar, água e aquecimento.

O módulo será 'made in Europe' – algo inédito para um voo americano tripulado. Assim, o foguete gigante terá os logotipos da NASA e da ESA. E é nesse módulo que se encontra uma das contribuições mais importantes da Suíça.

A empresa Beyond Gravity (anteriormente RUAG Space) projetou o sistema de orientação dos painéis solares, que possuem quatro metros por sete e fornecem eletricidade para os 33 motores do módulo de serviço. A indústria espacial suíça também desenvolveu a estrutura secundária, o sistema de simulação de painéis solares e os elementos mecânicos do suporte terrestre.

Não é apenas o SLS que está programado para ir para a Lua e Marte. No próximo ano, a Europa testará o Ariane 6Link externo, para voos de média e longa distância. E no dia 13 de julho, o foguete VegaCLink externo, também europeu, fez seu primeiro voo.

Há, portanto, o suficiente para substituir os Soyuz, que não partirão mais do porto espacial de Kourou, na Guiana Francesa. Desde seu primeiro voo em 2011, já haviam sido lançados 27 foguetes da base europeia. O último lançamento, 14 dias antes do início da guerra na Ucrânia, colocou em órbita 34 satélites da constelação OneWeb. Desde então, sua operadora de banda larga britânica recorreu ao SpaceX.

Saída russa da ISS

Restava o carro-chefe, o símbolo da cooperação espacial: a ISS, a herdeira distante dos apertos de mão trocados em 1975, no auge da Guerra Fria, entre astronautas americanos e cosmonautas soviéticos durante a missão Apollo Soyuz (em Moscou, foi chamada de Soyuz-Apollo).

As ameaças de Dmitry Rogozin, ex-diretor da Roscosmos, de retirar seus cosmonautas e seu apoio logístico foi confirmada pelo novo diretor Iouri Borissov em 26 de julho.

A conservação e manutenção da estação é de responsabilidade principalmente da Rússia, que, com sua espaçonave Soyuz, manteve o controle total do acesso à estação desde a retirada do ônibus espacial americano em 2011.

Essa primazia foi encerrada com a chegada de outras naves espaciais de empresas privadas, em particular a Crew Dragon, da SpaceX. E, para manter a estação em órbita, a NASA está testando a possibilidade de utilizar a Cygnus (nave espacial automática da Northrop Grumman) para substituir o Soyuz.

'A Guerra na Ucrânia provocou o fim da colaboração russa na ISS'

A Rússia está agora se concentrando na construção de sua própria estação orbital, cujo primeiro módulo deverá ser lançado em 2025. Os chineses, por sua vez, já têm a deles há um ano e acabam de enviar sua segunda tripulação.

Tudo tem seu lado bom

Esse divórcio com Moscou não diz respeito apenas a estações espaciais e foguetes. Em 15 de junho, o chefe da ESA, Josef Aschbacher, lembrou que “quase todos os projetos serão afetados, porque há muitos componentes e matérias-primas fornecidas pela Rússia, como os tanques de titânio necessários para muitas naves”. Mas a agência já está assinando novos contratos com outros fornecedores na Europa e nos Estados Unidos.

“Isso beneficiará pessoas que poderão repor o que vinha da Rússia”, prevê Raphael Röttgen, chefe da E2MC, uma consultoria de investimento do setor espacial. O ex-banqueiro alemão, morador da Suíça, vê nisso uma oportunidade para, por exemplo, uma agência governamental como a ESA ou para aqueles que fazem foguetes como o Vega ou o Ariane.

“A outra coisa”, continuou ele, “é que, apesar de ser muito triste o que está acontecendo, os orçamentos militares vão aumentar, inclusive na Europa. E é claro que o espaço é uma parte importante do domínio militar e parte desse dinheiro vai voltar para questões espaciais”.

SWI

O mundo no fio da navalha




O mundo passa por momento de elevada tensão, decorrente da inconveniente visita à Taiwan da presidente da Câmara de Deputados americana, Nancy Pelosi, 82.

Por Ney Lopes* (foto)

O fato mostra como o equilíbrio e o bom senso são indispensáveis aos líderes políticos.

Um gesto ou comportamento inconsequente geram crises e conflitos.

China e Taiwan vivem como dois territórios autônomos desde 1949, quando o antigo governo nacionalista chinês se refugiou na ilha, depois da derrota na guerra civil frente aos comunistas.

Independente de posição ideológica em relação a China, a ONU reconheceu claramente pela Resolução 2758 da Assembleia Geral das Nações Unidas de 197, que há apenas uma China no mundo.

Taiwan é uma parte inalienável do território da China, e o Governo da República Popular da China é o único governo legal que representa toda a China.

Recentemente, durante longa conversa telefônica, o Presidente da China, Xi Jinping, avisou a Biden para não “brincar com o fogo” em relação a Taiwan.

Ponderado, o presidente americano Joe Biden tentou evitar a visita da deputada Nancy Pelosi, porém não teve sucesso.

Ela ultrapassou os limites e como instrumento de galvanizar simpatia política para reeleger-se deputada em 8 de novembro próximo, desafiou a tudo e a todos.

Esta não é a primeira vez que Nancy Pelosi provoca a China.

Quando era jovem congressista, ela denunciou o que chamou de massacre de 1989 na Praça da Paz Celestial) contra manifestantes pró-democracia, e acusou o serviço de segurança chinês de realizar “execuções secretas.

Considera que os os direitos humanos do povo chinês não são um assunto interno.

Pelosi já criticou os dirigentes chineses e reuniu-se com dissidentes políticos e religiosos, bem como com o Dalai Lama.

No início da década de 90, visitou o país e na praça da repressão de 1989 depositou flores num monumento aos mártires, exibindo uma faixa que dizia “Para aqueles que morreram pela democracia na China”.

Atualmente, uma das consequências mais graves da visita de Pelosi será a a possiblidade de a China retaliar apoiando a Rússia em sua investida contra a Ucrânia.

Os chineses não condenaram a invasão russa da Ucrânia, mas não lhes venderam armas.

A China preferiu cautela.

Enquanto isso, Taiwan, com quem o país norte-americano não mantém relações oficiais, é abastecida de armamentos pelos EEUU, que declara ser o maior aliado militar da ilha, em caso de conflito com o gigante asiático.

Como protesto à presença da parlamentar norte-americana, aviões militares chineses entraram na Zona de Identificação da Defesa Aérea de Taiwan e fazem exercícios, até com mísseis.

A verdade é que há uma inquietação global.

Por mais sólidas que sejam as convicções democráticas da Presidente da Câmara de Deputados americana, não se justifica colocar o mundo num fio de navalha, cujo maior prejudicado poderá ser o seu próprio país.

*Ney Lopes – jornalista, advogado, ex-deputado federal; ex-presidente do Parlamento Latino-Americano, procurador federal 

Diário do Poder

Casa Branca diz que China escolheu reação exagerada à visita de Pelosi




John Kirby, porta-voz da Casa Branca

A China "escolheu uma reação exagerada" à visita de Nancy Pelosi a Taiwan, com o disparo de 11 mísseis balísticos em torno da ilha na quinta-feira, uma atividade militar "provocadora", declarou um porta-voz da Casa Branca.

Os EUA decidiram adiar um teste de míssil balístico intercontinental (ICBM) previsto para os próximos dias "para evitar uma nova escalada das tensões", acrescentou John Kirby, durante um encontro com jornalistas.

"No momento em que a China faz exercícios militares desestabilizadores em torno de Taiwan, os EUA comportam-se, ao contrário, como uma potência nuclear responsável, reduzindo o risco de mal-entendidos", salientou.

O porta-voz recordou que o presidente Joe Biden tinha falado com o seu homólogo chinês, Xi Jinping, na semana passada, deixando entender que novos contactos com as autoridades chinesas poderiam ocorrer em breve.

"As linhas de comunicação continuam abertas com Pequim e penso que podem constatar isso nos próximos dias", disse. "É muito importante", acentuou.

A China "disparou 11 mísseis balísticos em direção de Taiwan, e caíram a nordeste, a leste e sudeste da ilha", detalhou Kirby, porta-voz de Biden para as questões estratégicas. "Condenamos estes atos, que são irresponsáveis", acrescentou.

Pequim utilizou a visita da presidente da Câmara dos Representantes, Nancy Pelosi, a Taiwan, na terça e quarta-feira, como "pretexto para aumentar as suas operações militares provocadoras no e em torno do Estreito de Taiwan".

Kirby enfatizou ainda que os EUA "não serão dissuadidos de operar no mar e no céu do Pacífico Oeste em respeito pelo Direito Internacional, como fazem desde há décadas, em defesa de Taiwan e um Indo-Pacífico livre e aberto".

Foi com este objetivo que o secretário da Defesa, Lloyd Austin, decidiu manter na região "um pouco mais do que previsto" o porta-aviões USS Ronald Reagan e o seu grupo, que cruza atualmente o Mar das Filipinas, para "acompanhar a situação", avançou Kirby.

Entretanto, o teste do IBCM adiado mantém-se e vai ser feito mais tarde.

Jornal de Notícias (PT)

Começou mal: dólar sobe e Cristina dá uma de Putin ao receber Massa.




O novo ministro da Economia da Argentina faz o que tem que fazer – cortar gastos –, mas as expectativas não são nada otimistas.

Por Vilma Gryzinski

“Deixem Sergio trabalhar”. Esta foi a mensagem mais positiva enviada pelo clã Kirchner ao novo ministro da Economia.

Foi dita por Máximo Kirchner, o eterno primeiro filho, e representa uma concessão feita de má vontade, com o país já lançado no abismo, a um ministro que entra, inevitavelmente, fraco, apesar de toda a encenação que exigiu para parecer forte.

Parte dessa encenação foi o encontro formal com Cristina Kirchner, esta, sim, superpoderosa. A manifestação implícita de apoio foi minada pela foto que falou mais do que mil palavras. Como uma versão feminina e patagônica de Vladimir Putin, a vice-presidente e presidente do Senado recebeu o novo ministro numa mesa enorme, representante simbólica da distância que os separa.

Cortar gastos, reduzir subsídios e cumprir os compromissos internacionais é tudo que Cristina não quer, embora tenha aceitado o acordo que governadores e outros figurões peronistas impuseram ao presidente Alberto Fernandez – alguém se lembra dele? – ao colocarem Massa para salvar o país (ou pelo menos “chegar até a Copa do Mundo”, segundo o comentário cruel de um político anônimo).

Massa é do ramo: um político profissional habilidoso, com trânsito no mercado, diálogo com a oposição e perfeitamente consciente das bombas que estão em seu caminho. Montou uma equipe considerada boa, apesar da dificuldade em conseguir nomes do topo da lista, com muita gente já sentindo o calor da fogueira mesmo antes da pancadaria começar.

O aumento do dólar – 297 pesos, subida de mais de 40% este ano – e do risco país no dia de sua posse são apenas indicadores momentâneos, mas não deixam de ter um valor simbólica. Hoje, podem melhorar. Mas por mais que o mercado queira acreditar em Massa, a realidade é maior do que tudo.

Um exemplo, entre tantos outros: com o país, na prática, sem divisas estrangeiras, os produtores rurais só podem importar fertilizantes com base nos dólares gastos em 2020 e 2021, segundo regulamentos do Banco Central (sobre o qual Massa não tem controle, um detalhe vital). O cálculo é simplesmente infernal.

O Clarín tentou explicar: “Considerando as quantidades médias de 2020 e 2021, a preços médios do primeiro semestre de 2022, segundo a Bolsa de Cereais de Buenos Aires, o topo seria alcançado em agosto, sobrando 57% das necessidades sem cumprir até o fim do ano”.

Que os deuses da terra protejam os produtores envolvidos nesse tipo de cálculo.

Como se não bastasse o estado de emergência em todas as frentes econômicas, Massa tem que enfrentar um momento político conturbado por Cristina e seu filho, ambos acusados num processo que, segundo os promotores, mostra a pilhagem de recursos públicos combinada com o empreiteiro Lázaro Baez, através do qual “instalaram uma matriz extraordinária de corrupção”.

Os Kirchner já estão mobilizando os movimentos sociais que controlam para apresentar Cristina como uma vítima de perseguição judicial – se soa parecido com algo que conhecemos bem, realmente é.

Massa falou as coisas certas na entrevista depois da posse. Foi enérgico, convincente, eloquente, “Não sou super nada, nem mágico, nem salvador. Vim para trabalhar para tentar que a Argentina vá bem”. Enunciou os quatro eixos que pretende seguir: ordem fiscal, superávit comercial, fortalecimento das reservas e desenvolvimento com inclusão, com “investimento, produção, exportações e mercado interno”.

É tudo praticamente ilusório, mas parecia um presidente.

E é aí onde mora o maior perigo para ele.

Revista Veja

O desastre das boas intenções - Editorial




Agindo pelos motivos certos, mas de maneira errada, Pelosi ampliou riscos à segurança de Taiwan e do mundo

Desde que a República da China perdeu a guerra civil para as forças do Partido Comunista Chinês e abandonou a China continental para se refugiar na ilha de Taiwan, em 1949, ela se tornou uma democracia vibrante e desenvolvida. Ante a crescente ameaça de reunificação forçada pelo regime totalitário da República Popular da China, ninguém deveria ser insensível ao gesto de solidariedade da presidente da Câmara dos deputados americana, Nancy Pelosi, que visitou Taipei nesta semana. Mas, já dizia o sábio bíblico, para tudo há um tempo e um lugar. Os escolhidos por Pelosi não poderiam ser mais temerários.

Desde a guerra fria, nunca os riscos de uma hecatombe nuclear estiveram tão altos, nunca a Rússia esteve tão distante do Ocidente e tão próxima da China e nunca a China foi tão hostil aos seus vizinhos e ao Ocidente.

Desde a década de 70, a paz entre Taiwan e China foi sustentada pelo mútuo entendimento – a política “Uma China” – de que Pequim buscaria a reunificação pacificamente enquanto Washington manteria sua “ambiguidade estratégica”: por um lado, não reconhecer Taiwan como um país de jure, por outro, armá-lo para que pudesse defender sua independência de facto.

O gesto de Pelosi – o último de uma série de acusações aos abusos da China, desde o massacre da Paz Celestial às atrocidades no Tibete e em Xinjiang até o assalto a Hong Kong – foi denunciado por Pequim como uma violação da política “Uma China”, mas é ele mesmo uma reação às intenções cada vez mais explícitas do ditador Xi Jinping de uma ocupação militar. No momento e local errados, contudo, a coragem não passa de temeridade e as aspirações mais nobres se pervertem em uma provocação estúpida. A visita deveria mostrar força, mas só passou a sensação de incoerência do governo americano e deixou Taiwan ainda mais vulnerável.

Primeiro, houve descoordenação entre Legislativo e Executivo. Questionado sobre a visita, o presidente Joe Biden disse que “não foi uma boa ideia neste momento”. Mas ele mesmo declarou várias vezes que não só apoiaria a “independência” de Taiwan, como empregaria forças para defendê-la, só para ser retificado depois por seus assessores. Como notou a revista The Economist, esses quiproquós transformaram a “ambiguidade estratégica” em “confusão estratégica”.

Pelosi retornará a sua casa confortável em São Francisco deixando um punhado de palavras inspiradoras em Taipei que nem de longe compensam os pretextos entregues a Pequim para escalar suas intimidações.

Uma invasão seria catastrófica para os 24 milhões de taiwaneses e para a ordem mundial. Taiwan é o principal produtor dos semicondutores que sustentam o mundo digital. O Ocidente, particularmente os EUA, pode e deve defender os valores democráticos e seus interesses. Mas isso não se fará com gestos de santimônia, e sim com concertações diplomáticas, que dissuadam a China de estrangular economicamente Taiwan, e com armas e treinamento, que dissuadam um assalto militar, garantindo ao povo de Taiwan condições para defender suas liberdades e negociar seu destino com a China.

O Estado de São Paulo

China dispara mísseis em águas de Taiwan




É o maior exercício militar da história

Por Yimou Lee e Sarah Wu 

Taipé - A China disparou vários mísseis ao redor de Taiwan nesta quinta-feira (4), lançando exercícios militares sem precedentes um dia após uma visita da presidente da Câmara dos Deputados dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, à ilha autogovernada que Pequim considera parte de seu território soberano.

Os exercícios, os maiores já realizados pela China no Estreito de Taiwan, começaram conforme programado ao meio-dia e incluíram disparos reais nas águas ao norte, sul e leste de Taiwan, elevando as tensões na região ao nível mais alto em um quarto de século.

O Comando do Teatro Oriental da China disse - por volta das 15h30 (horário local) - que completou vários disparos de mísseis convencionais em águas ao largo da costa leste de Taiwan, como parte de exercícios planejados em seis zonas diferentes que Pequim disse que ocorrerão até o meio-dia de domingo.

Regras violadas

O Ministério da Defesa de Taiwan afirmou que 11 mísseis balísticos Dongfeng chineses foram disparados em águas ao redor da ilha. A última vez que a China disparou mísseis em águas ao redor de Taiwan foi em 1996.

Autoridades de Taiwan condenaram os exercícios, dizendo que eles violam as regras da Organização das Nações Unidas (ONU), invadem seu espaço territorial e são um desafio direto à livre navegação.

As tensões estavam aumentando antes da visita não anunciada de Pelosi, que esteve na ilha mesmo com alertas enfáticos da China contrários à viagem.

Antes do início oficial dos exercícios de hoje, navios da Marinha chinesa e aeronaves militares cruzaram brevemente a linha mediana do Estreito de Taiwan várias vezes pela manhã, disse à agência Reuters uma fonte taiwanesa.

Ao meio-dia, navios de guerra de ambos os lados permaneciam na área e nas proximidades, e Taiwan enviou jatos e sistemas de mísseis para rastrear várias aeronaves chinesas que cruzavam a linha.

"Eles voaram para dentro e depois para fora, de novo e de novo. Eles continuam a nos perturbar", disse a fonte taiwanesa.

A China, que reivindica Taiwan como parte de seu território e se reserva o direito de tomar a ilha à força, afirmou que suas diferenças com a ilha autogovernada são um assunto interno.

"Nossa punição aos obstinados pela independência de Taiwan, força externa é razoável, legal", disse o escritório chinês de assuntos de Taiwan, com sede em Pequim.

Em Taiwan, a vida estava praticamente normal, apesar das preocupações de que Pequim pudesse dar o passo sem precedentes de disparar um míssil sobre a ilha principal, semelhante a um lançamento da Coreia do Norte sobre a ilha de Hokkaido, no norte do Japão, em 2017.

Japão

Cinco mísseis balísticos disparados pela China parecem ter caído na zona econômica exclusiva do Japão (ZEE), disse o ministro da Defesa japonês, Nobuo Kishi, nesta quinta-feira, acrescentando que foi o primeiro incidente desse tipo.

O ministro acrescentou que o Japão apresentou um protesto por vias diplomáticas.

Reuters / Agência Brasil

***

China inicia exercícios com munição real ao redor de Taiwan

Após visita da presidente da Câmara dos EUA à ilha, forças chinesas lançam exercícios militares que incluem disparo de mísseis. Taiwan condena manobras, descritas pela mídia estatal chinesa como "sem precedentes".

A China deu início nesta quinta-feira (04/08) a exercícios militares com munição real em áreas ao redor de Taiwan. As manobras ocorrem um dia após a visita da presidente da Câmara dos Estados Unidos, Nancy Pelosi, à ilha autogovernada, que Pequim considera parte de seu território.

Logo após o início programado para 1h (horário de Brasília), a emissora estatal chinesa CCTV informou que os exercícios haviam começado e terminariam à 1h de domingo. Eles incluirão disparos de munição real nas águas e no espaço aéreo em torno de Taiwan, disse o canal.

Pequim havia anunciado que realizaria exercícios militares de sua Marinha, Força Aérea e outros departamentos em seis áreas ao redor da ilha autogovernada.

Nesta quinta, mísseis teriam sido lançados pela China perto das ilhas Matsu, em Taiwan, que ficam ao largo da costa chinesa, por volta das 14h no horário local (3h da manhã em Brasília). A informação consta num relatório de segurança interno taiwanês ao qual a agência de notícias Reuters teve acesso e foi confirmada pelo Ministério da Defesa de Taiwan.

O ministério taiwanês descreveu o disparo de "múltiplos mísseis balísticos" como "ações irracionais que minam a paz regional".

O tabloide estatal e nacionalista chinês Global Times afirmou, citando analistas militares, que os exercícios ao redor de Taiwan são "sem precedentes" e que mísseis voariam sobre a ilha pela primeira vez.

"Esta é a primeira vez que o PLA lançará artilharia real de longo alcance" através do Estreito de Taiwan, escreveu o jornal, usando a sigla do nome formal das forças militares chinesas, o Exército de Libertação Popular (People's Liberation Army, em inglês).

Taiwan critica "comportamento irresponsável"

Autoridades taiwanesas afirmaram que os exercícios militares violam as normas das Nações Unidas, invadem o espaço territorial de Taiwan e são um desafio direto à livre navegação aérea e marítima.

A China está realizando exercícios nas rotas marítimas e aéreas mais movimentadas, e isso é um "comportamento ilegítimo e irresponsável", disse o Partido Democrático Progressista, que governa Taiwan.

O porta-voz do gabinete taiwanês também condenou as manobras militares e informou que os sites dos ministérios da Defesa e das Relações Exteriores, bem como do gabinete presidencial, foram atacados por hackers.

Taiwan e China

Com 23 milhões de habitantes, Taiwan é uma ilha autogovernada, com um regime democrático e politicamente próximo de países do Ocidente, e uma importante produtora de chips eletrônicos.

Na prática, ambos são territórios separados desde 1949, mas a China considera a ilha parte de seu território e rejeita contatos oficiais entre seus parceiros diplomáticos e o governo em Taipei.

A invasão da Ucrânia pela Rússia elevou os temores de que Pequim pudesse anexar a ilha democrática à força. As tensões em relação a Taiwan nunca estiveram tão altas desde 1990.

O presidente chinês, Xi Jinping, considera a "reunificação" com Taiwan um objetivo fundamental, e não descartou o possível uso da força para alcançar isso. Já Taiwan rejeita as reivindicações de soberania da China e diz que somente seu povo pode decidir o futuro da ilha.

Washington segue uma política de "uma só China" e reconhece diplomaticamente apenas Pequim, e não Taipei, o que significa que Taiwan não tem uma relação diplomática oficial com os Estados Unidos. No entanto, os EUA fornecem apoio político e militar considerável a Taiwan.

A China exige que os países escolham entre manter relações formais com Pequim ou com Taipei. Apenas 14 países do mundo mantêm relações diplomáticas oficiais com Taiwan.

Deutsche Welle

Em destaque

EDITORIAL: O Descaso na Saúde de Aracaju – Entre a Falta de Remédios e a Fila que Caminha para Trás

Por José Dantas Martins A saúde pública em Aracaju atravessa um período crítico que coloca em xeque a dignidade e a segurança dos pacientes ...

Mais visitadas