segunda-feira, junho 27, 2022

Inteligência artificial e democracia direta podem conviver?




A inteligência artificial é vista por alguns como uma ameaça à democracia; para outros, uma grande oportunidade. Pesquisadores e especialistas explicam como os algoritmos e o "big data" (macrodados) são aplicados na Suíça.

Por Katharina Wecker

Plebiscitos e referendos federais ocorrem na Suíça a cada três meses. Os debates antes dos plebiscitos são ferozes. O tom é, muitas vezes, particularmente áspero na internet. Insultos, ódio e até mesmo ameaças de morte não são incomuns. Este é um problema para a democracia, diz Sophie Achermann, diretora da Alliance F, o maior consórcio de organizações feministas da Suíça. "É importante ter discussões duras, mas factuais. Mas o ódio na rede dificulta a diversidade de opiniões", diz Achermann. "As pessoas têm medo de mensagens de ódio e preferem não se expressar".

"Antes da votação da iniciativa 2021 sobre pesticidas e água potável, por exemplo, algumas mulheres políticas receberam tantas mensagens de ódio que não queriam mais aparecer em público", diz. Este não é apenas um fenômeno suíço. Em todo o mundo, os políticos estão sendo cada vez mais atacados e ameaçados on-line, especialmente as mulheres e as minorias.

A Aliança F desenvolveu, portanto, um algoritmo contra o discurso do ódio. O algoritmo é chamado de "Bot DogLink externo" porque, como um cão, detecta mensagens de ódio nas mídias sociais e assinala as postagens. Um grupo de voluntários responde então a cada mensagem individual. A ideia é de que o ódio na rede não passe despercebido e a discussão possa ser continuada objetivamente.

Bot Dog ainda está na fase de testes, mas os testes iniciais mostraram sucesso. Pesquisadores da Escola Politécnica Federal de ZuriqueLink externo (ETH) e da Universidade de Zurique acompanharam o projeto piloto e descobriram que as respostas que apelavam à compaixão por aqueles afetados pelo discurso do ódio foram particularmente bem-sucedidas. Frases como "Sua postagem é muito dolorosa para os judeus" fizeram com que os propagadores de ódio pedissem desculpas ou apagassem a mensagem.

Em julho, Bot Dog estará oficialmente online. Qualquer pessoa que queira pode participar do projeto, diz Achermann; seja classificando os comentários, e assim ajudando com o aprendizado do algoritmo a reconhecer com mais precisão quais comentários contêm ódio, ou respondendo às mensagens de ódio já marcadas.

Algoritmos ajudam

Bot Dog é apenas um exemplo de como a inteligência artificial (IA) pode fortalecer a democracia. Dirk Helbing, que trabalha na ETH como professor de ciências sociais computacionais, vê o imenso potencial da democracia digital. Ele pensa no orçamento participativo, onde os cidadãos determinam conjuntamente como o orçamento de sua cidade ou município deve ser gasto.

Esta abordagem já está sendo testada no bairro de Wipkingen, em Zurique, onde os residentes decidiram através uma plataforma digitalLink externo sobre propostas de criação de jardins urbanos, um parque de skate e um festival culinário de rua. Cada projeto é apoiado com 40 mil francos suíços dos fundos dos contribuintes.  

Outra ideia para a democracia digital é a de que cidades e regiões de todo o mundo poderiam se ligar em rede e participar de uma competição esportiva para as melhores soluções de gestão sustentável, redução de CO2 ou coexistência pacífica; uma espécie de Olimpíada da cidade.

As soluções e dados associados seriam de fonte aberta, ou seja, livremente acessíveis a todos, e poderiam servir como base para modelos de IA. "Acho que estamos caminhando para uma espécie de sociedade participativa digital", diz Helbing. Em outras palavras, uma colaboração entre IA e seres humanos como no caso do Bot Dog, onde um algoritmo e voluntários lutam juntos contra o ódio na rede.

O potencial da IA para a democracia direta é imenso. Mas aplicações puramente baseadas em dados "também têm grande potencial destrutivo para formas de sociedade democráticas, constitucionais e baseadas nos direitos humanos", diz Helbing.

Nem tudo para melhor 

Para o cientista da ETH, os algoritmos determinam cada vez mais quais informações recebemos, quais produtos nos são mostrados, e a que preço. Eles determinam o que vemos do mundo e quais problemas consideramos importantes. Isto também controla nosso pensamento político e nosso comportamento de voto.

Isto ficou evidente na campanha presidencial americana de 2016 de Donald Trump, onde sua equipe usou algoritmos de big data para criar conteúdo personalizado para seu público-alvo. "Nós os bombardeamos com blogs, websites, artigos, vídeos, anúncios, até que eles vissem o mundo do jeito que nós queríamos". Até votarem em nosso candidato", disse Brittany Kaiser no documentário da Netflix 'The Great Hack' sobre seu trabalho para a campanha.

Kaiser trabalhou para a empresa Cambridge Analytica, que extraiu dados privados de 87 milhões de perfis do Facebook antes das eleições presidenciais americanas, desencadeando um dos maiores escândalos envolvendo dados até o momento.

Os eleitores também foram alvo durante a segunda campanha presidencial de Barack Obama em 2012. A equipe de Obama coletou o máximo de dados possíveis e enviou uma mensagem personalizada a cada eleitor.

Não se pode dizer com certeza quão elevada foi a participação de tais métodos de campanha baseados em IA no respectivo sucesso dos candidatos. Mas Hebling e seus colegas Link externoveem um grande perigo nestes métodos. Especialmente a combinação de identificar e influenciar (nudging) com big data nosso comportamento, sentimentos e interesses poderia dar origem a um poder totalitário, diz Helbing. “Nudging”, ou “arquitetura da escolha” é um termo da psicologia e significa encorajar as pessoas a fazer alguma coisa ou a conduzi-las em uma determinada direção.

Tecnologia na política  

A inteligência artificial (IA) precisa de uma coisa acima de tudo: dados. E quanto mais ela tem, melhor funciona. Na Suíça, a proteção e a privacidade dos dados são mercadorias preciosas. Será que métodos de campanha eleitoral como os dos EUA seriam possíveis aqui? Os partidos suíços poderiam visar os eleitores com o chamado microtargeting?

Lucas Leemann, cuja pesquisa na Universidade de Zurique inclui como medir a opinião pública usando o aprendizado de máquinas, acredita que não. "Não temos uma situação comparável na Suíça àquela dos EUA", diz. Isso teria a ver, entre outras coisas, com o fato de que dados brutos como as campanhas Trump e Obama não estão disponíveis na Suíça. "Eles tinham um ponto de dados para quase todos os cidadãos dos EUA. É completamente diferente na Suíça", completa.

Leemann trabalhou brevemente para uma empresa de moda nos EUA durante seus estudos, onde não só teve acesso ao banco de dados de clientes, ou seja, nome, endereço e aniversário, mas também pôde ver qual era sua renda anual estimada, quantos filhos têm, que carro dirigem e se alugam ou vivem em sua própria casa. "Nos EUA, você pode simplesmente comprar esses dados e eles também são utilizados politicamente. Na Suíça, que eu saiba, tais dados não são ou ainda não são utilizados para campanhas políticas", afirma.

A palavra-chave é "ainda não"? Esses dados também estarão em breve disponíveis para compra na Suíça? De acordo com Helbing da ETH, a “datificação” do mundo está muito mais avançada do que a maioria das pessoas imagina.

Como exemplo, cita o Centre for Cybersecurity do Fórum Econômico Mundial (WEF) com sede em Genebra, no qual organizações e empresas de todo o mundo estão envolvidas, incluindo Amazon, MasterCard e Huawei Technologies. Uma "quantidade extremamente grande de dados é coletada lá", diz Helbing. Os dados ali reunidos são utilizados, com a bênção das Nações Unidas, para implementar a Agenda para o Desenvolvimento Sustentável de 2030, entre outras coisas.

"Isto pode ser bem-intencionado, mas a questão é como isto será implementado e o que mais é possível fazer com os dados", diz Helbing. "Por haver tantas empresas envolvidas, há aqui um risco de que os interesses comerciais possam superar os da sociedade".

Mais transparência

Para evitar que a IA se torne uma ameaça à democracia, leis e regulamentos devem ser criados agora, advertem os especialistas.

Mas para criar regras que funcionem, você precisa saber exatamente como funcionam os algoritmos. É aqui que reside o problema. Porque plataformas como o Facebook são uma caixa preta, diz Anna Mätzener, diretora da AlgorithmWatch Suíça: "Não sabemos como os algoritmos funcionam em detalhes. Também não sabemos exatamente quais dados estão sendo coletados sobre quem".

A IA que administra o conteúdo das mídias sociais é um segredo bem guardado. Para descobrir como o algoritmo afeta as campanhas eleitorais, AlgorithmWatch lançou um projeto de pesquisa junto com o Süddeutsche ZeitungLink externo. Eles convidaram centenas de voluntários a doar dados sobre seus cronogramas no Instagram antes das eleições federais alemãs de 2021. Os voluntários deveriam subscrever os perfis de todos os partidos. Um plug-in de browser registrou onde e como o conteúdo desses perfis apareceu nos feeds de notícias dos usuários e transmitiu essas informações para a AlgorithmWatch.

A análise mostrou que o conteúdo do partido Alternativa para a Alemanha (AfD, na sigla em alemão) apareceu mais acima no fluxo de notícias do Instagram do que o de outros partidos. A pesquisa não podia responder por que este era o caso. 

Aparentemente, Meta (antiga Facebook), à qual a Instagram pertence, ficou incomodada com esta pesquisa e ameaçou a AlgorithmWatch de "tomar medidas mais formais" se o projeto não fosse descontinuado. A doação de dados foi então cancelada prematuramente.

"Até que este tipo de pesquisa seja possível, não podemos dizer nada informado sobre o impacto que o conteúdo administrado pela IA tem sobre a sociedade e em particular sobre a formação da opinião política e, portanto, muito diretamente sobre a democracia", diz Mätzener.

SWI

Como seria Lula sem Chávez na nova maré vermelha da América Latina




Se Lula for eleito, ele encontrará um contexto regional que lhe permitirá buscar um papel de liderança inconteste. Muito diferente daquele que existiu na primeira onda vermelha, quando teve que dividir essa liderança com Chávez. 

Por Diogo Schelp (foto)

Eu estava lá, em Caracas, em dezembro de 2015, quando a oposição deu uma surra histórica no chavismo nas eleições legislativas, conquistando maioria na Assembleia Nacional pela primeira vez desde a ascensão de Hugo Chávez ao poder, em 1999. Lembro de conversar com eleitores dos barrios, as favelas venezuelanas, que me disseram que se sentiram estimulados a irem votar, esperançosos de conseguirem mudar os rumos do país pelas urnas e apesar das manobras de Nicolás Maduro para empastelar o voto, por causa de algo ocorrido a milhares de quilômetros dali: a vitória de Mauricio Macri na Argentina, encerrando vários anos de kirchnerismo. Sim, é espantoso, mas real. A política argentina inspirou os venezuelanos a mandar um duro recado aos herdeiros do desastroso projeto revolucionário de Chávez.

Como bem sabemos, depois disso Maduro deu um golpe na Assembleia legitimamente eleita e consolidou sua ditadura de esquerda na Venezuela. Mas naquele final de 2015 começou a retração da maré vermelha na América Latina, o período de cerca de dez anos durante o qual a esquerda governou de maneira mais ou menos simultânea vários países da região, incluindo Brasil, Venezuela, Argentina, Uruguai, Chile, Bolívia, Peru, Equador e Paraguai.

Há uma nova maré vermelha se formando na América Latina. O kirchnerismo voltou ao poder na Argentina há pouco mais de dois anos graças aos erros cometidos por Macri no manejo da economia. Nos últimos meses, ascenderam ao poder Gabriel Boric, no Chile, e Pedro Castillo, no Peru. E, há uma semana, o ex-guerrilheiro urbano Gustavo Petro foi eleito presidente da Colômbia. Lula, pré-candidato à presidência no Brasil, está exultante. Ele vislumbra uma reedição das parcerias de esquerda que dominaram o segundo mandato da sua primeira passagem pelo Palácio do Planalto.

Não acho apropriado chamar a repetição do fenômeno da prevalência esquerdista na região de "onda rosa", pois não há indícios de que possuam traços menos radicais, estatistas ou autoritários do que na primeira onda. Mas tampouco dá para dizer que vai ser igual, um mero "repeteco".

Para fazer uma boa análise em relações internacionais é preciso deixar as paixões políticas de lado e reconhecer que há muitas variáveis que impactam na configuração do cenário regional.

A afinidade ideológica entre os governos dos países é uma dessas variáveis, sempre citada, mas superestimada, para explicar as escolhas em política externa. Há evidências negligenciadas de que essas relações preferenciais sempre foram pautadas pelo poder da grana, mais precisamente o interesse de grupos privados em expandir suas atividades para países vizinhos, onde podiam atuar em ambientes institucionais flexíveis, isentos de licitações e longe dos olhos dos órgãos de controle brasileiros.

O boom das commodities, agrícolas e petrolíferas, durante a primeira onda vermelha ajudou bastante o projeto de expansionismo diplomático da Venezuela e do Brasil na região. Há quem critique a avaliação de que a ausência dessa conjuntura internacional favorável limitará a capacidade de tocar adiante esses projetos de poder. Esses críticos consideram que não faltarão recursos para isso, pois eles virão, nessa segunda onda, de atividades criminosas, da "economia do ilícito".

Acho que a crítica erra o alvo, porque a principal questão não é se os governos terão recursos para financiar seus projetos de poder, e sim quais objetivos serão perseguidos.

Internamente, o objetivo será aparar as arestas e "melhorar" a estratégia para perpetuar-se no poder, tolhendo a margem de manobra da oposição e evitando os contratempos do passado? Provavelmente.

Externamente, no âmbito da estratégia regional, resta evidente que os novos governos de esquerda vão retomar as relações com a Venezuela e emprestar seu apoio para dar sobrevida ao regime de Maduro. Mas convenhamos, os últimos anos de um contexto em que o ditador venezuelano enfrentou um entorno de governos de direita, hostis a ele e de apoio à oposição liderada por Juán Guaidó, tampouco serviram para trazer a democracia de volta à Venezuela. A perspectiva, se ficasse como estava, era a de permanência de Maduro no poder, com ou sem "nova maré vermelha".

O que mais se pode dizer em relação aos objetivos? Eu diria que o primordial será uma aproximação como a China nunca antes vista. Há diversos fatores para isso, mas me restrinjo a destacar um deles.

Se Lula for eleito, ele encontrará um contexto regional que lhe permitirá buscar um papel de liderança inconteste. Muito diferente daquele que existiu na primeira onda vermelha, quando teve que dividir essa liderança com Chávez.

Tanto Lula quanto Chávez compartilhavam da ideia de que o período de hegemonia solitária dos Estados Unidos havia sido ultrapassado e que era preciso promover uma nova era multipolar, ou seja, em que o poder global se dispersaria em vários polos. Mas as perspectivas de ambos eram diferentes. A política externa de Lula almejava reformar os organismos internacionais para atingir o objetivo de uma nova ordem multipolar, na qual o Brasil teria um papel de destaque como líder de um polo regional ou de nações do hemisfério sul.

Chávez, por sua vez, tinha uma visão revolucionária de seu papel no mundo. Ele não queria reformar, ele queria destruir e colocar outra coisa no lugar. Na prática, isso significa que Chávez cooperava com Lula em muitos aspectos no âmbito internacional, mas também impunha barreiras a diversos pontos da agenda regional do brasileiro. Isso está bem descrito em estudos de José Briceño-Ruiz.

Lula sem Chávez, portanto, teria a chance de buscar a liderança regional sem o contraponto de outro governante com uma visão por vezes conflitante. Mas isso não significa que o resultado seria melhor porque, como já afirmei antes, o contexto internacional mudou. E, ainda mais importante, é o fator imponderável de como vão se configurar os interesses privados e sua interação com agentes públicos na definição e execução de agenda em política externa. Para onde esses interesses vão direcionar o olhar de uma nova gestão petista, caso ela venha a ser confirmada pelas urnas?

Em artigo recente na revista Foreign Policy Analysis, "Myths of Multipolarity: The Sources of Brazil's Foreign Policy Overstretch", Schenoni et al observam que na primeira década deste século a política externa brasileira expandiu-se para além de sua capacidade, embebida que estava pelo mito da multipolaridade — e incentivada por interesses privados. O tal mito, nos últimos anos, foi atropelado pelo fato de que, em vez de uma ordem multipolar, o que está se consolidando nas relações internacionais é uma polarização entre Estados Unidos e China.

Uma nova "onda vermelha" na América Latina, sejam quais forem as ambições de liderança por parte de Lula, seria inevitavelmente pautada pelo esvaziamento do mito da multipolaridade. Um cenário possível é o de que veremos, na política externa dos novos governos da região, uma permeabilidade nunca antes vista aos interesses da China — acentuada justamente pela fragilidade econômica em que seus países se encontram e delimitada por interesses privados nacionais com ambições externas.

Se quisermos entender quais caminhos serão escolhidos pelos governos da nova onda vermelha da América Latina e, especialmente, do Brasil, será preciso tentar antever quais vasos comunicantes se estabelecerão entre grandes grupos empresariais e os novos donos do poder.

Gazeta do Povo (PR)

A "onda rosa" e a ilusão de uma esquerda light latino-americana




O comunismo que a direita latino-americana vê como grande ameaça existe no campo das ideias, mas sua concretização – se podemos chamar assim – se dá por meio da convergência com o crime que tem avançado sobre a política em velocidade e capacidades jamais vistas. 

Por Leonardo Coutinho (foto)

Há uma tendência na busca de explicação para o movimento político na América Latina que ganhou força com a eleição do esquerdista Gustavo Petro, no último fim de semana, na Colômbia. Muitos corações cheios de candura justificam a vitória de Petro como a confirmação de uma reação em cadeia, iniciada em 2018 com a eleição de Andrés Manuel López Obrador, no México, e que passou pelas conquistas de Alberto Fernández, na Argentina; Luis Arce, na Bolívia; Pedro Castillo, no Peru; Gabriel Boric, no Chile; e que deverá atingir o seu ápice com a eleição de Lula no Brasil. Consequentemente, o enterro da direita e a vitória contra o fascismo que ameaçou a região.

Muitos analistas recorreram à figura da “onda rosa” como forma de expressar que o retorno da esquerda ao poder na região não representa e não representará um repeteco das aspirações revolucionárias lideradas pelo finado Hugo Chávez e endossada pelos seus parceiros bolivarianos – entre os quais estavam Lula e Dilma Rousseff.

A teoria da “onda rosa” ou esquerda light se baseia no princípio de que a nova safra de esquerdistas que chega ao poder não tem em seu favor um boom de commodities – como a fortuna petroleira que permitiu a Chávez financiar o caos dentro e fora da América Latina. Esses novos líderes também não teriam mais as condições para refundação de seus países ou a sanha revolucionária socialista, que sempre resultou na destruição da democracia e na fundação de economias quebradas e regimes ditatoriais.

Será?

Considerar a quebradeira da economia formal como um limitador dos governos bolivarianos é um pecado que resvala na inocência. A economia do ilícito é uma força crescente na região e, em alguns casos, dominante. Não existe exemplo mais bem acabado que o da Venezuela de Nicolás Maduro. Com uma produção de petróleo que hoje é inferior àquela medida nos anos 30 do século passado, o país mergulhou na maior crise econômica e humanitária do Ocidente. O tráfico de drogas, contrabando de ouro, corrupção e a lavagem de dinheiro preencheram os espaços deixados pelo colapso das atividades legais e se tornaram uma poderosa fonte de receita e de poder.

A Bolívia dos cocaleiros de Evo Morales é outro exemplo. O poder do tráfico e o poder político se misturam de tal maneira que é uma tarefa complexa separar o que é uma coisa ou outra. Quando se olha para as atividades empresariais, há uma tenebrosa zona cinzenta, onde personagens conhecidos do mundo da política e do tráfico de drogas coabitam com o setor produtivo nacional.

Podem faltar recursos para fazer o que deveria ser feito (sob a ótica de governos regulares), mas não falta dinheiro para que estes governos façam o que eles precisam fazer para continuar no poder.

A economia do ilícito também mostra a sua força no Peru. Para muitos, o Castillo presidente parece ter se convertido em uma versão light do Castillo candidato. Mas, em silêncio, o Peru vai mergulhando em um modelo de tráfico de drogas muito mais intenso. Assim como no México de AMLO, o Peru tem expandido os cultivos de papoula para produção de heroína.

E a pressão para legalizar a produção de drogas, sob o pretexto de que colocará fim ao tráfico, basicamente serve para trazer para dentro do caixa oficial o dinheiro que circula por fora.

No caso colombiano, o próprio candidato derrotado Rodolfo Hernández chegou a prometer droga grátis como resposta ao tráfico. Como medida de contenção, o Estado ia torrar o dinheiro dos contribuintes para bancar o vício de alguns e encher os bolsos dos fornecedores. Uma ideia de jerico sem tamanho.

Petro não fará muito diferente. Especula-se que fará pouco na política de repressão ao tráfico e deverá se esforçar para a descriminalização. Com AMLO com o mesmo tipo de pensamento no México, a combinação pode ser explosiva.

Nos próximos dias, a comissão destinada à “justiça reparatória” publicará seu relatório final. Um dos rascunhos pede uma nova Constituição para a Colômbia. O texto será a faca e o queijo na mão para Petro dizer que está apenas seguindo os conselhos de uma comissão que busca consolidar a paz no país.

Vai sair de bacana, mas vai fazer o mesmo que já foi feito no passado pelos tais bolivarianos extintos. Reinventar o país por meio de uma nova carta magna, fazendo parecer que apenas está atendendo às necessidades do povo.

O Chile caiu nessa arapuca, ainda na administração de Sebastián Piñera, como esforço para amansar os radicais que foram para as ruas promover uma série de quebradeiras no ano de 2019.

O tal pragmatismo que os novos líderes de esquerda empreenderão nada mais é que a esperteza de fazer melhor (na perspectiva deles) o que eles precisam fazer para se manter no poder, sem repetir os erros e atropelos.

O comunismo que a direita latino-americana vê como grande ameaça existe no campo das ideias, mas sua concretização – se podemos chamar assim – se dá por meio da convergência com o crime que tem avançado sobre a política em velocidade e capacidades jamais vistas.

O crime nacional transnacional está na origem da corrosão da segurança pública no hemisfério. E ele também está diretamente envolvido com a implosão da democracia. Apenas para citar o exemplo brasileiro, os membros do PCC se referem à organização como partido. Eles dizem isso porque sabem do que são capazes e o que se tornaram. As autoridades brasileiras também sabem muito bem, e há bastante tempo, como o crime se infiltrou nos pilares institucionais e exerce sua influência de leste a oeste do espectro político nacional.

Gazeta do Povo (PR)

Rússia bombardeia Kiev horas antes de cúpula do G7




Último ataque russo contra capital da Ucrânia havia ocorrido no início de junho. Bombardeio contra edifício residencial deixou um morto. Durante cúpula do G7, Joe Biden descreve novo ataque como "barbárie".

A Rússia bombardeou um bairro residencial de Kiev neste domingo (26/06), horas antes do início da cúpula do G7 na Alemanha, que tem como principal tema justamente os efeitos da guerra de agressão do Kremlin contra a Ucrânia. Pelo menos uma pessoa morreu no ataque.

Quatro explosões foram registradas por volta das 06h30 (00h30 em Brasília) em Kiev. Algumas atingiram um complexo residencial no distrito central de Shevchenkivskiy, causando um grande incêndio. O edifício de nove andares ficou gravemente danificado.

Pelo menos quatro pessoas foram hospitalizadas, incluindo uma menina de sete anos, disse o prefeito da capital ucraniana, Vitaly Klitschko.

Kiev não registrava ataques russos desde o início de junho.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, descreveu os novos bombardeios russos contra Kiev como uma "barbárie" durante a cúpula do G7.

"É mais uma barbárie dele", respondeu Biden a jornalistas durante a cúpula, que ocorre em em Schloss Elmau, no estado alemão da Baviera.

Trata-se de "intimidar os ucranianos (...) dada a proximidade da cúpula da Otan", disse o prefeito Klitschko após as explosões, em referência à reunião de cúpula da aliança militar ocidental, marcada para a próxima terça-feira.

Na cúpula do G7, os líderes das sete principais nações industrializadas do mundo - Alemanha, Canadá, França, Itália, Japão, Reino Unido e Estados Unidos - discutem como ajudar a Ucrânia e mitigar os efeitos da guerra na economia mundial.

O Reino Unido, que anunciou ajuda adicional que pode chegar a US$ 525 milhões, alertou no sábado contra qualquer "fadiga" no apoio a Kiev, o que poderia favorecer o regime de Vladimir Putin.

O Reino Unido, juntamente com os Estados Unidos, Canadá e Japão, também anunciou que proibirá a importação de ouro russo como parte das novas sanções impostas a Moscou

Já o governo ucraniano, após os novos ataques deste domingo, apelou aos países do G7 para enviarem mais armas e aplicarem mais sanções contra a Rússia;

"A cúpula do G7 deve responder com mais sanções contra a Rússia e mais armas pesadas para a Ucrânia", insistiu o chefe da diplomacia ucraniana, Dmytro Kouleba, no Twitter, pedindo a "derrota do doentio imperialismo russo".

"Uma criança ucraniana de 7 anos dormia pacificamente em Kiev até que um míssil de cruzeiro russo explodiu o seu edifício", disse o ministro ucraniano.

"É extremamente importante que, durante as cúpulas desta semana, o G7 e a Otan demonstrem que o seu compromisso em defender a Ucrânia nunca será mais fraco do que o desejo de [Vladimir] Putin de a assumir", insistiu Kouleba num artigo de opinião escrito em conjunto com a homóloga britânica, Liz Truss.

O ministro pediu ainda "um aumento e aceleração do fornecimento de armas pesadas, sanções mais duras contra todos aqueles que contribuem para a guerra de Putin e um embargo total das importações de energia russa".

Deutsche Welle

ONU recebeu centenas de denúncias de tortura e maus-tratos na Ucrânia




No dia em que os líderes dos sete países mais desenvolvidos (G7) se reúnem para discutir, entre outros temas, o apoio à Ucrânia e as consequências da guerra, as forças russas atacaram Kiev pela primeira vez desde dia 5 de junho. No leste do país, Lysychansk torna-se no principal foco de combate.

ONU recebeu centenas de denúncias de tortura e maus-tratos na Ucrânia

A divisão de Direitos Humanos da ONU na Ucrânia afirmou este domingo que desde o início da invasão russa, em fevereiro, "recebeu centenas de alegações de tortura e maus-tratos, incluindo violência sexual relacionada com o conflito".

"As pessoas foram mantidas amarradas e vendadas durante vários dias, espancadas, sujeitas a execuções simuladas, colocadas numa caixa de metal fechada, forçadas a cantar ou a gritar slogans glorificantes, providas de comida ou água, e mantidas em salas superlotadas e sem saneamento", disse a Missão de Monitorização dos Direitos Humanos da ONU na Ucrânia, citada pelo "The Guardian"

Marcelo elogia papel "incansável" de Guterres e desvaloriza saída de embaixadora ​​​​​​​

O Presidente da República elogiou hoje o papel "incansável" do secretário-geral das Nações Unidas na mediação da crise alimentar causada pela guerra na Ucrânia, e desvalorizou a saída da embaixadora deste país em Portugal.

No final de um evento de boas-vindas no âmbito da Conferência dos Oceanos da ONU, que arranca na segunda-feira em Lisboa, Marcelo Rebelo de Sousa foi questionado sobre a audiência em que recebeu António Guterres, hoje à tarde, e no final da qual o secretário-geral das Nações Unidas adiantou que "tem havido intensos contactos" para desbloquear a exportação de produtos alimentares da Ucrânia.

"O secretário-geral da ONU tem feito um esforço muito grande para ir mediando, em domínios sensíveis como esse, com persistência, com paciência, e na expectativa de que seja possível acorrer à situação de muita gente que está dependente daquilo que é uma origem de bens alimentares básicos", afirmou o chefe de Estado.

Dizendo não poder entrar em pormenores para não atrapalhar o processo, o Presidente da República salientou que Guterres "tem sido incansável, de um lado e de outro, para encontrar soluções que, mesmo no decorrer da guerra, possam ser um acordo pontual e facilitando a vida de muita gente".

Rússia diz que notícias de ataque a Kiev são "fake news"

Bombardeamento de bairro residencial causa um morto e quatro feridos. Moscovo diz que era alvo militar, uma suposta fábrica de mísseis.

Mais de 4500 edifícios destruídos em Kharkiv desde o início da invasão

Guterres revela "intensos contactos" para desbloquear exportação de alimentos

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, manifestou-se hoje muito preocupado com a situação na Ucrânia e adiantou que "tem havido intensos contactos" para desbloquear a exportação de produtos alimentares daquele país.

Guterres falava aos jornalistas após uma audiência com o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, em Belém.

"Estamos muito preocupados com a situação na Ucrânia e, por outro lado, estamos a fazer um grande esforço no sentido de tentar resolver ou ajudar a resolver o problema da segurança alimentar, que é absolutamente dramático", afirmou António Gutrres.

E "é por isso que tem havido intensos contactos, quer com os ucranianos, quer com os russos, quer com os turcos e, por outro lado, com os Estados Unidos e com a União Europeia, no sentido de facilitar a exportação dos produtos alimentares ucranianos sem perigo e de uma forma segura no mar Negro e ao mesmo tempo as exportações nos cereais e fertilizantes russos, que são indispensáveis", rematou.

O encontro entre António Guterres e Marcelo Rebelo de Sousa durou cerca de 45 minutos.

França pondera reabrir uma central de carvão devido à guerra na Ucrânia

O Governo francês está a ponderar reabrir provisoriamente, no próximo inverno, a central a carvão de Saint-Avold, na fronteira norte com a Alemanha, para enfrentar as dificuldades criadas pela guerra na Ucrânia.

Segundo a agência EFE, a notícia foi avançada pela estação de rádio RTL e entretanto confirmada pelo Governo francês, dando conta de que esta hipótese foi incluída no futuro projeto de lei sobre o poder de compra, com o objetivo de garantir o abastecimento de eletricidade do país no próximo inverno.

Com a reabertura daquela central, que encerrou a atividade em 31 de março, França voltaria a ultrapassar o limite máximo de 700 horas anuais de operação de centrais a carvão no seu território, numa altura em que se estão a esgotar os abastecimentos russos e quase metade das centrais nucleares do país estão ainda paradas devido a reparações.

Londres adverte Paris contra tentação de negociar solução para a guerra
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O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, advertiu hoje o Presidente francês, Emmanuel Macron, contra a tentação de negociar uma solução na Ucrânia com risco de prolongar a "instabilidade mundial", indicou Downing Street.

Numa reunião à margem da cimeira do G7 na Alemanha, os dois líderes "concordaram que este era um momento crítico no desenvolvimento do conflito e que era possível inverter o curso da guerra", disse um porta-voz do Governo britânico, precisando que tinham concordado em "aumentar" o apoio militar a Kiev.

"O primeiro-ministro salientou que qualquer tentativa de resolver o conflito agora só causaria instabilidade duradoura e daria a Putin o direito de manipular países soberanos e mercados internacionais perpetuamente", acrescentou.

Ao contrário de Emmanuel Macron, Boris Johnson recusou qualquer diálogo com o Presidente russo Vladimir Putin, quem descreveu como "ditador", desde o início da invasão da Ucrânia pela Rússia, em finais de fevereiro.

Numa entrevista aos meios de comunicação britânicos, Boris Johnson disse que o Ocidente deve ter "discussões realmente, francas" na cimeira do G7, a qual se seguirá uma cimeira da NATO em Madrid, sobre as implicações da guerra e sanções para a inflação e outras questões, a fim de "proteger a unidade" exibida até agora.

"Vai haver, realisticamente, um certo cansaço entre o povo e as classes políticas", disse, reconhecendo uma "certa ansiedade" em relação a esta questão.

G7 e NATO devem "permanecer juntos" contra agressão russa, diz Biden

O G7, reunido hoje na Baviera (Alemanha), e a NATO devem "permanecer juntos" contra a agressão russa da Ucrânia, disse hoje o presidente norte-americano antes de um encontro com o chanceler alemão, Olaf Scholz.

Depois de mísseis russos terem atingido um complexo residencial em Kiev hoje de manhã, os dois líderes mostraram o seu bom entendimento, posando, com um sorriso, para os fotógrafos em frente aos Alpes bávaros, no sul da Alemanha, num encontro à margem da cimeira do G7, grupo de sete grandes potências industrializadas (Alemanha, Estados Unidos, França, Canadá, Itália, Japão e Reino Unido).

Vladimir Putin esperava "que, de uma forma ou de outra, a NATO [aliança do Atlântico Norte] e o G7 se separassem", disse Joe Biden, antes do início das negociações bilaterais. "Mas não o fizemos, nem o faremos", assegurou, referindo-se à Alemanha como "o aliado mais próximo" dos Estados Unidos.

Ataque em Kiev faz um morto

Os mísseis russos que, este domingo, atingiram um prédio residencial de nove andares e um jardim de infância no centro de Kiev mataram uma pessoa e feriram mais cinco, segundo o mais recente balanço da agência Reuters.

O ataque contra o edifício habitacional, localizado na zona de Shevchenkivskiy, provocou um incêncio, que danificou gravemente o prédio, causando uma cratera no telhado. As chamas foram combatidas pelos bombeiros, que retiraram, com vida, uma menina de sete anos do local, onde continuam à procura de pessoas sob os escombros.

Noutro local da capital, só a cerca de 400 metros de distância, um jardim de infância também foi atingido por mísseis.

Kiev pede ao G7 mais armas e mais sanções contra Moscovo

O Governo ucraniano apelou hoje aos países do G7 reunidos na Baviera, Alemanha, para enviarem mais armas e aplicarem mais sanções contra a Rússia, depois de novos ataques russos ao amanhecer num distrito perto do centro de Kiev.

"A cimeira do G7 deve responder com mais sanções contra a Rússia e mais armas pesadas para a Ucrânia", insistiu o chefe da diplomacia ucraniana, Dmytro Kuleba, no Twitter, pedindo a "derrota do imperialismo doente russo" na sequência de um ataque que deixou pelo menos quatro pessoas feridas.

"Uma criança ucraniana de 7 anos dormia pacificamente em Kiev até que um míssil de cruzeiro russo explodiu o seu edifício", disse o ministro dos Negócios Estrangeiros ucraniano.

Ministro da Defesa russo faz primeira inspeção a militares em território ucraniano

O ministro da Defesa russo, Serguei Shoigu, fez a sua primeira visita de inspeção ao contingente militar russo estacionado na Ucrânia. "O ministro da Defesa russo, general do Exército, Serguei Shoigu, inspecionou o agrupamento de tropas que participam na operação militar na Ucrânia", disse a tutela num comunicado divulgado no Telegram.

Na sua primeira visita reportada à área de ações militares desde o início da "operação especial", Shoigu recebeu nos postos de comando "relatórios dos comandantes sobre a situação e ações das Forças Armadas russas nas principais direções operacionais".

Reino Unido, EUA, Canadá e Japão proíbem importações de ouro russo

Reino Unido, Estados Unidos, Canadá e Japão vão proibir as importações de ouro russo, em novas sanções impostas em resposta à invasão da Ucrânia, anunciou Downing Street, no primeiro dia de uma cimeira do G7. "Estas medidas atingirão diretamente os oligarcas russos e irão até ao coração da máquina de guerra de Putin", disse, citado num comunicado, o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, que, durante três dias, vai encontrar-se com os líderes das grandes potências industrializadas na Alemanha.

Menina de sete anos resgatada

Uma menina de sete anos foi resgatada com vida dos escombros de um prédio atingido por mísseis russos, em Kiev. Os ataques de hoje contra a capital ucraniana provocaram pelo menos cinco feridos.

Líderes do G7 começam hoje a debater apoio à Ucrânia

Os líderes dos sete países mais desenvolvidos (G7) reúnem-se numa cimeira, de hoje até terça-feira, nos Alpes Bávaros (Alemanha), para discutir o apoio à Ucrânia, as alterações climáticas e as crises alimentar e energética, agravadas pela agressão militar russa. Os chefes de Estado e de Governo dos Estados Unidos, Canadá, França, Itália, Japão, Reino Unido e Alemanha vão ocupar-se também de como prosseguir nas sanções à Rússia.

Ataques em Kharkiv e Zaporíjia

As forças russas intensificaram hoje os combates nas cidades de Kharkiv, a segunda maior do país, e Zaporíjia, avançaram as autoridades locais, que falam em artilharia pesada.

Mísseis com ogivas nucleares para a Bielorrússia

O presidente russo disse, no sábado, que a Rússia vai enviar mísseis capazes de transportar ogivas nucleares para a Bielorrússia nos próximos meses. “Nos próximos meses, transferiremos para a Bielorrússia os sistemas de mísseis táticos Iskander-M, que podem usar mísseis balísticos ou de cruzeiro, nas suas versões convencionais e nucleares”, disse Putin, ao receber o líder bielorrusso, Alexander Lukashenko.

Lysychansk torna-se centro dos combates

Depois de terem tomado o controlo total de Severodonetsk, reduzindo a cidade do leste da Ucrânia a escombros, as forças russas estão agora a tentar isolar Lysychansk, que se deve tornar no próximo foco de combate. A Ucrânia apelidou a saída das suas tropas de Severodonetsk como "retirada tática" para lutar a partir de um território mais alto, na cidade-irmã.

Kiev atacada por mísseis russos

As forças russas atacaram com mísseis a capital ucraniana, pela primeira vez desde 5 de junho, atingindo pelo menos dois prédios residenciais no distrito de Shevchenkivskyi. De acordo com as autoridades, citadas pelo "The Guardian", cinco pessoas ficaram feridas, estando equipas a trabalhar no local dos ataques para libertar pessoas presas sob os escombros.

Jornal de Notícias (PT)

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G7 arrecadará US$ 600 bilhões para alternativa ao Cinturão e Rota da China




Iniciativa será sustentável, afirmou presidente da comissão europeia

Por Andrea Shalal 

Alemanha - Os líderes do G7 se comprometeram neste domingo (26) a levantar US$ 600 bilhões em fundos públicos e privados ao longo de cinco anos para financiar a infraestrutura necessária em países em desenvolvimento e se contrapor ao projeto mais antigo e que trilhões de dólares em investimentos, o Cinturão e Rota da China (BRI, na sigla em inglês).

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, e outros líderes do G7 relançaram a recém-renomeada "Parceria para Infraestrutura e Investimento Global", durante o encontro realizado este ano em Schlöss Elmau, no sul da Alemanha.

Biden disse que os Estados Unidos mobilizarão US$ 200 bilhões em doações, fundos federais e investimentos privados ao longo de cinco anos para apoiar projetos em países de baixa e média renda que ajudem a combater as mudanças climáticas, bem como melhorar a saúde global, igualdade de gênero e infraestrutura digital.

"Quero ser claro. Isso não é ajuda ou caridade. É um investimento que trará retorno para todos", disse Biden, acrescentando que permitirá aos países "ver os benefícios concretos da parceria com as democracias".

Biden disse que centenas de bilhões de dólares adicionais podem vir de bancos multilaterais de desenvolvimento, instituições financeiras de desenvolvimento, fundos soberanos e outros.

A Europa mobilizará 300 bilhões de euros para a iniciativa no mesmo período para construir uma alternativa sustentável ao esquema da iniciativa do Cinturão e Rota da China, que o presidente chinês, Xi Jinping, lançou em 2013, disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

Os líderes da Itália, Canadá e Japão também falaram sobre seus planos, alguns dos quais já foram anunciados separadamente.

O presidente francês, Emmanuel Macron, e o primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, não estiveram presentes, mas seus países também estão participando.

O esquema de investimentos da China envolve iniciativas de desenvolvimento e investimentos em mais de 100 países com uma gama de projetos, que incluem ferrovias, portos e rodovias, com o objetivo de criar uma versão moderna da antiga rota comercial da Rota da Seda da Ásia para a Europa.

Autoridades da Casa Branca disseram que o plano trouxe poucos benefícios tangíveis para muitos países em desenvolvimento.

Reuters / Agência Brasil

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G7 lança plano para contrabalancear influência chinesa

Em reunião na Alemanha, líderes do G7 anunciam plano de investimentos de US$ 600 bilhões para países em desenvolvimento. Iniciativa deve servir de contraponto à "Rota da Seda" promovida por Pequim.

Reunidos na Alemanha, os líderes do G7 anunciaram neste domingo (26/06) o lançamento de um grande plano de investimentos em infraestrutura para países em desenvolvimento que visa responder ao avanço da influência global da China.

Segundo o governo americano, a iniciativa, batizada como "Colaboração pela Infraestrutura Global e o Investimento", pretende elevar o desenvolvimento em países de baixa e média renda, fortalecer a economia do planeta, assim como as cadeias de distribuição.

O projeto foi anunciado durante a cúpula do G7, que acontece no castelo de Elmau, no sul da Alemanha, e pretende mobilizar centenas de bilhões de dólares, para criar infraestruturas sustentáveis em nações aliadas em desenvolvimento. O G7 reúne a Alemanha, Estados Unidos, Itália, França, Japão, Canadá e Reino Unido.

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, anunciou que seu país destinará US$ 200 milhões (R$ 1,04 bilhão) à iniciativa nos próximos cinco anos, através de fundos do governo federal, em colaboração com o setor privado. Em 2013, a China lançou a Iniciativa do Cinturão e Rota (BRI), conhecida como "nova rota da seda", que já resultou em investimentos diretos em mais de 70 países, vários deles em tradicionais áreas de influência dos EUA e da União Europeia.

"Quero ser claro - isso não é ajuda ou caridade", disse Biden. "É um investimento que trará retorno para todos, incluindo o povo americano e os povos de todas as nossas nações. Ele impulsionará todas as nossas economias."

A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, disse que o G7 está oferecendo "infraestrutura sustentável e de qualidade".

Entre os pilares do plano, estão a luta contra a crise climática e a melhoria da segurança energética com investimentos em infraestruturas com baixas emissões, fábricas de produção de baterias e desenvolvimento de fontes limpas.

No campo tecnológico, a iniciativa contempla o desenvolvimento e a expansão da tecnologia das comunicações e a informação trabalhando com "provedores confiáveis", que forneçam 5G e 6G, conforme apontou a Casa Branca.

Também são contemplados investimentos nos sistemas de saúde, vacinas e equipamento médico, assim como a vigilância e a detecção de "novas doenças", o que inclui "laboratórios seguros" e a prevenção de pandemias futuras.

Antes de o G7 anunciar o plano de investimentos, o chanceler federal da Alemanha, Olaf Scholz, manifestou a "preocupação compartilhada" pelo G7 face à situação económica global, sobretudo por causa do aumento da inflação e do agravamento da crise energética - efeitos diretos da guerra na Ucrânia.

"Partilhamos desta preocupação", disse Scholz após a primeira sessão dos líderes do G7. Ele também sublinhou que tinha "confiança" de que os líderes do grupo saberiam manter "a mensagem necessária de coesão" face à situação criada pela "brutal agressão" lançada pelo regime do presidente russo Vladimir Putin contra a Ucrânia.

Deutsche Welle

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