quarta-feira, março 24, 2021

Cármen muda o voto, e Segunda Turma decide que Moro foi parcial ao condenar Lula no tríplex

Publicado em 23 de março de 2021 por Tribuna da Internet

Nunes Marques devolve processo, e STF retoma hoje suspeição de Moro - Notícias - BOL

Nunes Marques deu uma bela aula de educação a Gilmar

Carolina Brígido e André de Souza
O Globo

Por três votos a dois, a Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF) declarou que o ex-juiz da Lava-Jato Sergio Moro foi parcial na condução do processo do tríplex do Guarujá (SP), que resultou na condenação do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em outra decisão, o ministro Edson Fachin, relator dos processos da operação no STF, já havia anulado as decisões tomadas por Moro nos processos envolvendo Lula. Mas o julgamento de hoje é importante, porque pode implicar em outras anulações da Lava-Jato no longo prazo.

SUSPEIÇÃO LIMITADA – Em seu voto, porém, a ministra Cármen Lúcia, que mudou de lado, tentou afastar essa possibilidade. Em 2018, ela havia votado para rejeitar o pedido de Lula. Nesta terça-feira, concordou com a defesa do ex-presidente.

— Estamos julgando um habeas corpus de um paciente que comprovou estar numa situação específica. Não acho que o procedimento se estenda a quem quer que seja, que a imparcialidade se estenda a quem quer que seja, ou atinja outros procedimentos. Porque aqui estou tomando em consideração algo que foi comprovado pelo impetrante relativo a este paciente [Lula], nesta condição. Essa peculiar e exclusiva situação do paciente neste habeas corpus faz com que eu me atenha a este julgamento, a esta singular condição demonstrada relativamente ao comportamento do juiz processante em relação a este paciente — disse Cármen.

Em dezembro de 2018, Fachin e Cármen Lúcia haviam votado para declarar Moro imparcial, rejeitando o pedido da defesa de Lula. Há duas semanas, os ministros Gilmar Mendes e Ricardo Lewandowski votaram de forma contrária, para anular o processo do tríplex por entender que o ex-juiz foi parcial.

MUDOU DE LADO – Nesta terça-feira, Nunes Marques votou com Fachin, mas Cármen Lúcia mudou de lado, sacramentando a vitória de Lula e a derrota de Moro. Ela destacou que estava aberta a mudar o voto, uma vez que o julgamento não tinha terminado ainda.

A ministra avaliou que houve prejuízo ao direito de defesa. Entre outros pontos, ela destacou condução coercitiva de Lula sem prévio interrogatório, interceptação telefônica “ao arrepio da lei” antes de adotar outras medidas, e divulgação seletiva de áudio da gravação.

— Neste caso o que se discute basicamente é algo que pra mim é basilar, que está na pauta desde o primeiro momento, foi mudando o contorno, o cenário e a compreensão do que se tinha — disse Cármen.

COMBATE À CORRUPÇÃO – A ministra também ressaltou que o combate à corrupção tem que continuar: “Não estou emitindo juízo no voto sobre o combate a corrupção, que não pode de jeito nenhum parar”.

“Todo mundo tem o direito de acreditar-se julgado por uma contingência do Estado, e não por um voluntarismo de um determinado juiz ou tribunal” — acrescentou.

Antes de Cármen Lúcia, o ministro Kassio Nunes Marques votou para declarar que Moro foi imparcial na condução do processo de Lula, que apontou questões processuais para rejeitar o pedido da defesa. Os advogados de Lula apresentaram um habeas corpus e usaram como argumentos diversas condutas de Moro durante o processo.

RECURSO INADEQUADO — “O habeas corpus não é remédio adequado para que avalie a suspeição de um juiz, neste sentido já decidiu este tribunal em inúmeros precedentes. A causa da suspeição deve ser exterior ao processo. As noções de diálogos relacionados à tramitação da própria causa judicial ou de causas similares não devem, em princípio, gerar suspeição” — disse Nunes Marques.

Ele também desconsiderou as mensagens trocadas entre Moro e procuradores da Lava-Jato, obtidas por hackers e depois divulgadas na imprensa, que mostram o ex-juiz orientando a acusação.

“Se o hackeamento fosse tolerado como meio para obtenção de provas, ainda para defender-se, ninguém mais estaria seguro de sua intimidade, de seus bens e de sua liberdade. Tudo seria permitido. São arquivos obtidos por hackers, mediante a violação dos sigilos ilícitos de dezenas de pessoas. Tenho que são absolutamente inaceitáveis tais provas. Entender-se de forma diversas, que resultados de tais crimes seriam utilizáveis, seria uma forma transversa de legalizar a atividade hacker no Brasil” — disse Nunes Marques.

PROVAS INCONTESTES – “Notícias veiculadas em matérias jornalísticas não são provas incontestes, não estão nos autos, não se tem como verificar sua veracidade apenas com base nelas mesmos. Sobre os fatos não se pronunciou a acusação, o MPF aqui atua apenas como fiscal da lei, e nem o juiz contra o qual se arguiu a suspeição, mesmo porque não há neste espaço admiti-lo”, destacou Nunes Marques.

O novo ministro ressalvou ainda que não há como aproveitar os diálogos hackeados nem atestar que não foram alterados. “Está registrada nos anais desta Corte a célebre a acertada frase dita pelo ministro Gilmar Mendes: não se combate crime cometendo crime. Não podemos errar, como se supõe que errou o ex-juiz Sergio Moro, como se supõe que erraram os membros do MPF. seria uma grande ironia e o prenúncio de um looping infinito de ilegalidades aceitarmos provas ilícitas resultantes de um crime, para comprovar um suposto crime praticado para apurar outro crime. Dois erros não fazem um acerto”, disse, emparedando Gilmar Mendes.

“NEM NO PIAUÍ” – Em seguida, o ministro Gilmar Mendes, que já havia votado, pediu a palavra para demonstrar revolta com o voto do ministro Kassio Nunes Marques, que foi contra declarar a parcialidade de Moro: “Isso tem a ver com garantismo? Nem aqui nem no Piauí, ministro Kassio” — disse Gilmar.

O ministro rebateu alguns argumentos de Nunes Marques, sustentando, por exemplo, que um habeas corpus serve sim como instrumento de revisão criminal. Sobre a possível alteração do teor das mensagens de Moro obtidas por um hacker, Gilmar disse:

— Não houve ninguém até agora capaz de dizer que houve um dado falso nessas revelações. O meu voto, me faça justiça, está calcado nos elementos dos autos! Agora realmente me choca tudo aquilo que se revela, e a defesa que se faz: “Ah, pode ter havido inserções, manipulações?”. Eu já disse aqui ou o hacker é um ficcionista ou nós estamos diante de um grande escândalo, e não importa o resultado deste julgamento, a desmoralização da Justiça já ocorreu, o tribunal de Curitiba é conhecido mundialmente como um tribunal de exceção. Não precisa de rescisória, a desmoralização já ocorreu, porque ninguém é capaz de dizer.

GILMAR PERDE A LINHA – De forma exaltada, Gilmar Mendes iundagou: “Algum dos senhores compraria hoje um carro do Moro? Algum dos senhores seria capaz de comprar um carro do Dallagnol? Sao pessoas probas?” — questionou.

No auge da crítica a Nunes Marques, Mendes disse: “Não se trata de ficar brincando de não conhecer habeas corpus. É muito fácil não conhecer um habeas corpus. Atrás, muitas vezes, da técnica de não conhecimento de habeas corpus, se esconde um covarde. E Rui (Barbosa) falava: o bom ladrão salvou-se, mas não há salvação para o juiz covarde”.

Depois de cerca de uma hora e quarenta minutos do voto de Gilmar Mendes, que já tinha votado há duas semanas, Kassio Nunes Marques pediu a palavra para se defender de acusações feitas pelo colega.

“PROFESSSOR DE DEUS” — “Eu não falo muito, porque não gosto muito da minha própria voz. Não vou fazer réplicas, tréplicas, expus minhas ideias com solar clareza. Meu contributo é com o silêncio. Esse silêncio é em homenagem e respeito aos votos divergentes, àqueles que pensam de forma diferente. E, se eu dissesse que tivesse algo a ensinar aos senhores, me iriam chamar de professor de Deus” — alfinetou Nunes Marques.

O novo ministro também protestou contra a fala de Mendes sobre o Piauí, estado natal de Nunes Marques:

— Quando vossa excelência diz que o garantismo não é nem aqui, nem no Piauí, pode ser interpretado como uma forma de menosprezar um estado pequeno. Queria fazer esse registro e apresentar escusa se eventualmente no meu voto ofendi a forma de pensar dos senhores, apenas retratei a minha forma de pensar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– O ministro Gilmar Mendes foi o que é – grosseiro, parcial e sem educação. E o ministro Nunes Marques surpreendeu ao demonstrar gentileza, imparcialidade e educação. Ao final, fez questão de pedir a palavra para dar uma lição de civilidade a Gilmar Mendes, como um tapa piauiense naquela cara larga e beiçuda. E vida que segue, como dizia nosso amigo João Saldanha, uma pessoa de brio, que o Brasil precisa sempre lembrar. (C.N.)

Marco Aurélio nega pedido de Bolsonaro para derrubar toque de recolher em estados

 


Ministro disse que governo federal não está isento de agir na pandemia

Rayssa Motta e Rafael Moraes Moura
Estadão

O ministro Marco Aurélio Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), rejeitou nesta terça-feira, 23, a ação apresentada pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) para derrubar decretos dos governos do Distrito Federal, da Bahia e do Rio Grande do Sul que impuseram “toque de recolher” à população, endurecendo as restrições à circulação de pessoas diante do agravamento da pandemia. A ação de inconstitucionalidade foi distribuída ao decano por prevenção e, ao Estadão, ele adiantou que tomaria uma decisão individual com celeridade.

O processo foi movido pelo próprio Bolsonaro e não pela Advocacia Geral da União (AGU), a quem cabe representar judicialmente os interesses do Planalto perante o STF. Marco Aurélio considerou que caberia à AGU formalizar o pedido e rejeitou o recebimento da ação. “O Chefe do Executivo personifica a União, atribuindo-se ao advogado-geral a representação judicial, a prática de atos em Juízo. Considerado o erro grosseiro, não cabe o saneamento processual”, escreveu.

ATUAÇÃO NA PANDEMIA – Na decisão de quatro páginas, o ministro ainda destacou que o governo federal não está isento de agir na pandemia. “Ante os ares democráticos vivenciados, impróprio, a todos os títulos, é a visão totalitária. Ao Presidente da República cabe a liderança maior, a coordenação de esforços visando o bem-estar dos brasileiros”, frisou o decano. O trecho é um duro recado ao chefe do Executivo, que tem procurado se isentar das responsabilidades na condução da crise.

Na avaliação de Bolsonaro, os decretos afrontam as garantias estabelecidas na Declaração dos Direitos de Liberdade Econômica e ‘subtraíram parcela importante do direito fundamental das pessoas à locomoção, mesmo sem que houvessem sido exauridas outras alternativas menos gravosas de controle sanitário’.

O presidente também queria que o STF estabelecesse que medidas de fechamento de serviços não essenciais exigem a aprovação de leis locais, por parte do Poder Legislativo, não podendo ser determinadas unilateralmente por decretos de governadores.

“TOQUE DE RECOLHER” – “Tendo em vista o caráter geral e incondicionado dessas restrições à locomoção nos espaços públicos, elas podem ser enquadradas no conceito de “toque de recolher”, geralmente associado à proibição de que pessoas permaneçam na rua em um determinado horário. Trata-se de medida que não conhece respaldo legal no âmbito do ordenamento jurídico brasileiro”, diz trecho da ação assinada pelo presidente.

Desde o início da pandemia, o Supremo tem sido acionado para arbitrar a briga travada pelos entes federativos em torno das estratégias para conter o surto do novo coronavírus. Em abril do ano passado, os ministros decidiram que governantes locais têm autonomia para adotar medidas de quarentena e isolamento social.

RESTRIÇÕES – Antes disso, em março, o próprio Marco Aurélio concluiu, em um processo movido pelo PDT, que Estados e municípios poderiam decidir sobre restrições de locomoção – caso que atraiu a ação de Bolsonaro para sua relatoria.

Integrantes do governo admitiam reservadamente que o ‘timing’ da ofensiva no Supremo não é favorável aos pedidos do presidente, em virtude do estágio atual da pandemia. A ação foi protocolada no mesmo dia em que foi anunciada a morte cerebral do senador Major Olímpio (PSL-SP) após complicações pela covid.

Em transmissão ao vivo na quinta-feira passada, Bolsonaro chamou governadores e prefeitos que decretam medidas restritivas de “projetos de ditadores” que teriam, pelos atos, poder de “usurpar” a Constituição.


Suspeição de Moro: Defesa de Lula diz que decisão do STF ‘fortalece o sistema de Justiça’

Publicado em 23 de março de 2021 por Tribuna da Internet

Zanin diz que Lula sofreu com ‘ilegalidades praticadas pela Lava-Jato’

Deu no O Globo

A defesa do ex-presidente Lula afirmou que a decisão desta terça-feira, dia 23, da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal (STF), que considerou o ex-juiz Sergo Moro parcial, fortalece o “sistema de Justiça e a importância do devido processo legal”.

“A decisão proferida hoje fortalece o Sistema de Justiça e a importância do devido processo legal. Esperamos que o julgamento realizado hoje pela Suprema Corte sirva de guia para que todo e qualquer cidadão tenha direito a um julgamento justo, imparcial e independente, tal como é assegurado pela Constituição da República e pelos Tratados Internacionais que o Brasil subscreveu e se obrigou a cumprir”, diz a nota assinada pelos advogados Cristiano Zanin e Valeska Martins.

“DECISÃO HISTÓRICA” – Os advogados também chamam a decisão de “histórica e revigorante para o Estado de Direito e para o devido processo legal” e lembram que o habeas corpus foi apresentado em novembro de 2018. Alegam ainda que a parcialidade do ex-juiz e incompetência da Justiça Federal de Curitiba para julgar Lula foi sustentada desde a primeira manifestação no processo em 2016.

“Sempre apontamos e provamos que Moro jamais atuou como juiz, mas sim como um adversário pessoal e político do ex-presidente Lula, tal como foi reconhecido majoritariamente pelos eminentes Ministros da Segunda Turma do Supremo Tribunal Federal”, dizem.

MONITORAMENTO – Os defensores afirmam terem “sofrido toda sorte de ilegalidades praticadas pela Lava-Jato, algumas delas indicadas na própria decisão que reconheceu a suspeição do ex-juiz, como o monitoramento ilegal dos nossos ramais para que os membros da operação pudessem acompanhar em tempo real a estratégia de defesa”.

“Da mesma forma, o ex-presidente Lula  foi alvejado por inúmeras ilegalidades praticadas pelo ex-juiz Sergio Moro, em clara prática de lawfare, ou seja, por meio do uso estratégico das leis para fins ilegítimos. Os danos causados a Lula são irreparáveis, envolveram uma prisão ilegal de 580 dias, e tiveram repercussão relevante inclusive no processo democrático do país.”

Conselho de Ética aprova o avanço de mais um processo contra o deputado Daniel Silveira

Publicado em 23 de março de 2021 por Tribuna da Internet

Partidos acusam deputado de ameaçar opositores de Bolsonaro

Camila Turtelli
Estadão

O Conselho de Ética aprovou nesta segunda-feira, dia 22, a admissibilidade de um segundo processo contra o deputado Daniel Silveira (PSL-RJ). A acusação foi apresentada pela Rede, PSOL e PSB, sob o argumento de que o deputado ameaçou, em outro vídeo divulgado em maio do ano passado, manifestantes contrários ao governo Bolsonaro. Foram 11 votos a favor e dois contrários, dos deputados Fábio Schiochet (PSL-SC) e Hugo Leal (PSD-RJ).

Esse processo contra Silveira se soma a outro, já em tramitação no colegiado, aberto no início do mês. A primeira investigação também tem como objeto o mesmo motivo pelo qual ele foi preso em fevereiro: um vídeo no qual fez apologia ao Ato Institucional n.° 5, o mais violento da ditadura, e pediu a destituição de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Os dois processos podem levar à perda do mandato de Silveira.

TORNOZELEIRA – Após o deputado ficar 26 dias preso no Batalhão Especial Prisional, em Niterói, no Rio de Janeiro, o ministro do STF, Alexandre de Moraes concedeu a ele o direito de cumprir prisão domiciliar, usando tornozeleira eletrônica, no último dia 14. Durante o depoimento por videoconferência, Silveira disse que estava naquele momento conectado a uma tomada, carregando o dispositivo, e reclamou de sua situação.

“Eu estou aqui preso a uma tomada, carregando uma tornozeleira eletrônica que eu não deveria estar usando. Eu não deveria ter sido preso”, afirmou. Silveira se defendeu das acusações do processo em análise e disse que sua manifestação foi tirada de contexto. Observou, porém, que não teria como provar o que dizia porque está impedido pelo STF de acessar suas contas nas redes sociais. “Há um oportunismo político exagerado demais”, afirmou o deputado.

No vídeo da acusação admitida nesta segunda-feira, intitulado “Recado para os Antifas”, Silveira disse haver policiais armados nas manifestações. “Até que vocês vão pegar um polícia zangado no meio da multidão, vão tomar um no meio da caixa do peito, e vão chamar a gente de truculento”, protestou ele no vídeo.

AMEAÇA  – “Eu ‘tô’ torcendo para isso. Quem sabe não seja eu o sortudo. Vocês me peguem na rua em um dia muito ruim e eu descarregue minha arma em cima de um filho da puta comunista que tentar me agredir. Vou ter que me defender, não vai ter jeito. E não adianta falar que foi homicídio; foi legítima defesa. Tenham certeza: eu vou me defender”.

Em seu depoimento de defesa, Silveira disse ter permissão médica para não usar máscara. “Eu tenho uma permissão, uma licença médica, de acordo com uma lei por essa Casa aprovada, para que eu não use a máscara”, declarou. O deputado fez referência à lei 14.019/20, sancionada pelo presidente Jair Bolsonaro em julho do ano passado, que prevê a obrigatoriedade do uso de proteção facial.

EXCEÇÃO –  Um dispositivo dessa lei abre exceção para pessoas com transtorno do espectro autista, com deficiências intelectual, sensorial ou quaisquer outros diagnósticos que as impeçam de fazer o uso, sendo obrigatória a apresentação de licença médica.

Ainda nesta segunda-feira, o Conselho de Ética da Câmara votou pelo arquivamento do processo contra a deputada Alê Silva (PSL-MG) por quebra de decoro. O processo foi aberto depois que ela postou nas redes sociais mensagens consideradas ofensivas durante a disputa pela liderança de seu partido, o PSL, no fim de 2019. Foram 13 votos pelo arquivamento e um contra.


O povo por testemunha: corrupção dispara no País, especialmente nas empresas estatais


Charge do Duke (domtotal.com)

Pedro do Coutto

Pesquisa do Datafolha publicada na edição desta segunda-feira, dia 22, na Folha de São Paulo, e comentada à noite por William Bonner e Renata Vasconscellos no JN, revelou que 64% da população brasileira acreditam que a corrupção vai prosseguir disparando na administração publica, digo eu, principalmente nas empresas estatais.  

O título deste artigo está inspirado no famoso filme de René Clément, “O Sol por Testemunha”. No Brasil, tanto o sol quanto o povo são testemunhas de fato dos descalabros que a imprensa vem noticiando em torno das famosas comissões percentuais por contratos de obras públicas e fornecimento de materiais para máquina pública.  

BELO MONTE – Acredito que, salvo mínimas situações, a percentagem transformou-se num item de despesa e receita. Preços disparam velozmente, como foi o caso da construção da Usina Hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, focalizado pela TV Globo no Fantástico de domingo.  

A enorme obra teve seu custo previsto de R$ 21 bilhões e terminou custando R$ 42 bilhões. As investidas contra as finanças públicas nunca ficam caracterizadas nas concorrências originais. Procurar entre os editais de convocação não vai conduzir a nada. O ponto fundamental encontra-se nas páginas dos famosos termos aditivos.

FURNAS – O caso da Petrobras foi típico. O caso de Furnas, lembrado ontem por Marcelo Rocha na Folha de São Paulo, constitui outro exemplo. Mas no caso de Furnas, o deputado Aécio Neves foi inocentado pelo ministro Gilmar Mendes por falta de provas.  

Falta de provas não quer dizer que fatos não tenham existido. Esta é a diferença que multiplicada por centenas de episódios semelhantes faz com que programas como os da Saúde e da Educação não obtenham o nível adequado para as suas expansões, notadamente do Ministério da Saúde no auge da Covid-19.  

PANDEMIA – De passagem, em matéria de saúde, o ministério deveria estar atuando urgente e profundamente para enfrentar e conter o número de infectados, dos quais uma parcela mortal, encontrou-se praticamente por dez dias sem ministro algum.  Até os presidentes do Senado e da Câmara, Rodrigo Pacheco e Arthur Lira, eleitos por Bolsonaro, diante da omissão do governo passaram a exigir providências voltadas para conter o desastre, em grande parte decorrente da falta de comando administrativo.

Não sei como o médico Marcelo Queiroga não fez qualquer pronunciamento reclamando da falta de decisão e apoio do Palácio do Planalto. Tenho a impressão de que vai durar pouco no cargo. O presidente da República, em face da indecisão, está tratando Marcelo Queiroga com desconsideração absoluta.  

De segunda para terça-feira foram contaminadas 55 mil pessoas, conforme publicou o Estado de São Paulo. Houve 1.570 mortos e a vacinação segue lenta, contida na escala de 6% da população do país.

ATAQUES – Há poucos dias, escrevi um artigo dizendo que o Governo Jair Bolsonaro estava balançando. Pela repercussão da crise geral que está se evidenciando, partes do arcabouço do poder começaram a apresentar fissuras. Os ataques são maciços, inclusive afetando a base do presidente no Congresso. Tem-se a impressão de que está surgindo uma onda cada vez mais generalizada. Os erros do presidente da República se acumulam especialmente na própria consciência do país.

As insatisfações são gerais. A desordem nos serviços também. Agora surgiu mais um capítulo para o descontentamento coletivo. Adriana Fernandes e Daniel Weterman, o Estado de São Paulo, com base no relatório apresentado pelo senador Márcio Bittar, o Orçamento para 2021, na casa de R$ 3,6 trilhões, destina recursos à aquisição de tanques blindados e materiais de conflito numa esfera muito mais alta do que a dos recursos para o Ministério da Saúde. Para o Ministério da Defesa, R$ 8,3 bilhões.  Para o Ministério da Saúde R$ 1,9 bilhão.

REAJUSTES – Adriana Fernandes e Daniel Weterman, e também o senador Márcio Bittar, destacam que para os militares das três forças estão previstos reajustes salariais neste ano. Para o funcionalismo civil reajuste zero. Claro que tal contraste vai se refletir na popularidade do presidente da República, sobretudo no que se refere à disputa da reeleição no próximo ano.

Em seu artigo no O Globo de ontem, Míriam Leitão aponta como grave erro a omissão do ministro Paulo Guedes no início da pandemia no que refere à destinação de recursos para conter o coronavírus e salvar vidas humanas.  Míriam Leitão diz que o ministro Paulo Guedes passou a revelar grande preocupação com a pandemia de umas semanas para cá, embora ela tenha se desencadeado há mais de 12 meses. Isso de um lado.

RESPONSABILIDADE – Por outro lado, digo eu, o ministro Paulo Guedes é o autor do projeto de Orçamento para 2021 que ainda não foi votado pelo Congresso. Portanto, é também responsável pela previsão de reajuste salarial para os integrantes das Forças Armadas e a omissão de qualquer reposição inflacionária para o funcionalismo civil.

E também tem posição favorável ao congelamento salarial de todos os trabalhadores e trabalhadoras. Eis aí uma resposta difícil a ser dada por Paulo Guedes, cujo fracasso a cada dia torna-se mais nítido para a mesma opinião pública que condena a omissão do Planalto na Saúde.  

LIBERDADE DE EXPRESSÃO –  Finalmente, reportagem de Carolina Brígido, O Globo, dá grande destaque à provável decisão do Supremo Tribunal Federal que deve derrubar, segundo ministros falaram reservadamente, trechos da Lei de Segurança Nacional que atinge a liberdade de expressão e através dos quais o Ministério da Justiça tenta enquadrar pessoas que se responsabilizaram por críticas ao presidente da República, em particular, e ao governo de modo geral.

Carolina Brígido revela que o STF ainda não marcou o dia da decisão a respeito dos recursos. Provavelmente, para mim, para ganhar tempo e dissuadir Jair Bolsonaro de aceitar que o seu ministro da Justiça, André Mendonça, dê sequência a enquadramentos absurdos. Injúria é uma coisa, difamação outra, calúnia uma terceira quando se acusa alguém de um crime. Nenhuma das três figuras judiciais pode representar ameaça à Segurança Nacional.

Inseguros estão milhões de brasileiros e brasileiras, perplexos com a falta de rumo do Poder Executivo, que aliás contraditoriamente não está executando qualquer projeto de governo. Não há uma obra de grande porte em andamento no país.

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