MOÇÃO Nº 17.022/2014
MOÇÃO DE CONGRATULAÇÃO PELA PASSAGEM DOS 89 (OITENTA E NOVE) ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DO MUNICÍPIO DE JEREMOABO, comemorada no dia 06 de julho, do ano corrente.
A Deputada infrafirmada vem, com o respeito de costume, à presença de Vossa Excelência, com arrimo no artigo 141, §1º, do Regimento Interno da ALBA, apresentar a presente MOÇÃO DE CONGRATULAÇÃO PELA PASSAGEM DOS 89 (OITENTA E NOVE) ANOS DE EMANCIPAÇÃO POLÍTICA DO MUNICÍPIO DE JEREMOABO, comemorada no dia 06 de julho, do ano corrente.
Jeremoabo, cidade localizada a 370Km (trezentos e setenta quilômetros) de Salvador, tem motivos de sobra para comemorar neste 06 de julho. São 89 (oitenta e nove) anos de emancipação administrativa, distribuídos ao longo de uma história rica e próspera.
Jeremoabo possui 40.587 (quarenta mil quinhentos e oitenta e sete) habitantes, distribuídos numa área de, aproximadamente, 4.761Km² (quatro mil setecentos e sessenta e um quilômetros quadrados). O município hoje homenageado integra a região do semi-árido baiano e faz limite, dentre outros, com os municípios de Sítio do Quinto, Coronel João Sá, Euclides da Cunha, Santa Brígida, Canudos e Antas.
Assim como a maioria das cidades brasileiras, o território onde hoje está localizado o município de Jeremoabo, teve os índios das tribos Tupinambás dos grupos Mongouros e Caricás como primeiros habitantes.
Dos primeiros habitantes da região herdou-se a origem do nome que intitula a cidade, Jeremoabo é palavra de origem Tupi que significa “plantação de jerimum”.
As terras onde hoje se encontra o município de Jeremoabo integraram a sesmaria do português Garcia d'Ávila que, presenteado pelo rei João III, tornou-se o maior latifundiário da história do Brasil.
No século XVI, durante conflito com os missionários que se opunham a escravidão indígena, Garcia d'Ávila incendiou o povoado original, reconstruindo-o logo em seguida com a intervenção do papa e do governo colonial.
Anos mais tarde, em 1688, foi expedida a patente de Sebastião Dias, primeiro capitão-mor da aldeia Muongorus de Jeremoabo. No ano de 1698, uma década depois, a então aldeia foi elevada à condição de julgado.
No ano de 1778, o Governo Geral do Brasil criou a Freguesia de São João Batista de Jeremoabo, cuja paróquia passou a ser ministrada pelo Padre Januário de Souza Ferreira. À época, a freguesia contava com cerca de 252 (duzentos e cinquenta e dois) habitantes, residentes em 32 (trinta e duas) casas construídas.
A condição de Vila foi adquirida no ano de 1831, através de Decreto datado de 25 de outubro. Sua emancipação à condição de cidade, entretanto, somente foi adquirida no ano de 1925, na data que hoje se comemora.
O município de Jeremoabo possui, em seu território, a reserva ecológica do Raso da Catarina, beneficiado pelo Programa Roteiros Caminhos do Sertão, o qual objetiva promover o turismo na região do interior da Bahia castigada pela seca.
Em Jeremoabo, a vegetação vai do Sertão à Caatinga, a Fazenda Serra Branca é convidativa à visitação. Em pleno Raso da Catarina, ninhais das Araras Azuis de Lear, rara espécie que, no período da reprodução concentra-se no local, podem ser observados. O roteiro oferece, ainda, trilhas na Serra do Portão, onde se pode observar a 3ª maior colônia de Urubu Rei da América Latina.
Na Fazenda Natureza, quem visita Jeremoabo, terá a oportunidade de conhecer o Muro dos Escravos, estrutura rochosa, semelhante a uma toca, que serviu de abrigo ao bando de Lampião e Maria Bonita à época do cangaço.
Quem visita Jeremoabo conhecerá, ainda, um dos rios mais importantes da região nordeste, o rio Vaza Barris. Com uma hidrografia diferenciada, haja vista brotar de uma nascente seca, quando chove forte, as águas descem da serra e brotam das encostas inundadas, formando a Lagoa dos Pinhões. Suas características surpreendentes inspiraram Euclides da Cunha que na obra épica “Os Sertões” afirmou: “O rio Vaza Barris, desde Jeremoabo, mais ou menos o meio de seu curso, até as cabeceiras, constituía uma fantasia de cartógrafos, um rabisco de um rio problemático.”.
A inclusão do município hoje homenageado no Programa Roteiros Caminhos do Sertão tem colaborado à produção de artesanato, música e gastronomia, favorecendo o desenvolvimento do comércio, turismo e, por conseguinte, a economia local.
Não obstante a exuberância do patrimônio natural e histórico do município de Jeremoabo ser grande atrativo à visitação de turistas, a cidade possui uma cultura rica e vasta, presente na Cavalgada dos Cavaleiros, realizada em abril, bem como nas celebrações cívicas que ocorrem ao longo do ano.
No que tange à economia, o município de Jeremoabo destaca-se na apicultura, sendo, segundo dados do IBGE, um dos maiores produtores de mel do nordeste brasileiro. Na agricultura, o município é grande produtor de manga, enquanto que na pecuária mostra-se bastante diverso haja vista abrigar a criação de bovinos, eqüinos, caprinos, suínos, muares e ovinos. Na avicultura, apresenta expressiva criação de galinhas e ovos. Ainda nesse quesito, o comércio e indústria de Jeremoabo possui relevante atuação no desenvolvimento da economia local.
Congratulo-me, também, com todo o povo do referido Município pela passagem do aniversário de emancipação política dessa importante cidade baiana.
Na certeza do pronto atendimento, considerando a relevância e o interesse social da presente Moção de Congratulação para a comunidade no Município de Jeremoabo, a Subscritora solicita a remessa do presente ato legislativo para: o Prefeito, o Vice-prefeito, o Presidente da Câmara de Vereadores, bem como a todos os cidadãos e todas as cidadãs do mencionado Município, especialmente ao companheiros Otávio Nolasco e Maria Dasdores Serafim, firmando-o, ao final, cordialmente,
Sala das Sessões, 7 de julho de 2014
Deputada Maria del Carmen
Nota da Redação deste Blog - - A pergunta que não quer calar: será que os dados oficiais, historiadores renomados, jornais e revistas da época da emancipação política de Jeremoabo, além de registros legislativos e documentos públicos, estão todos errados?
É isso mesmo que querem nos fazer acreditar? Que todos esses registros, fontes confiáveis e estudiosos ao longo de décadas estariam equivocados, e que somente os “doutos” vereadores de Jeremoabo são os detentores da verdade absoluta?
É inacreditável e, ao mesmo tempo, revoltante ver representantes eleitos pelo povo tentando, na marra, reescrever a história de uma cidade com mais de 400 anos de trajetória. Usam da caneta e da maioria artificial na Câmara para impor uma nova data de emancipação política, desrespeitando a memória coletiva, ignorando fontes oficiais e desprezando o trabalho sério de quem estuda e preserva a história.
A mudança de uma data histórica não é um mero capricho de gabinete. Ela envolve identidade, pertencimento e respeito às gerações que construíram o município. Alterar isso de forma autoritária, sem amplo debate com historiadores, educadores, instituições de pesquisa e a própria população, é uma afronta à inteligência e um crime contra a memória de Jeremoabo.
Será que esses vereadores sabem mais que os arquivos públicos? Mais que os pesquisadores da história baiana? Ou será que há por trás disso um jogo político, um interesse mesquinho travestido de “resgate histórico”?
Fica o alerta: a história de uma cidade não se reescreve com vaidade. Ela se preserva com respeito, verdade e responsabilidade.