segunda-feira, junho 09, 2025

Jeremoabo e os Vereadores Desmemoriados: A Revolução do Absurdo na Câmara Municipal

 

                              Foto Divulgação

Jeremoabo e os Vereadores Desmemoriados: A Revolução do Absurdo na Câmara Municipal

Senhoras e senhores, preparem seus jalecos e manuais de psiquiatria: Jeremoabo entrou oficialmente no manicômio político. A partir da reunião do dia 10 de junho, os ilustres vereadores da Câmara Municipal resolverão encarnar os papéis de legisladores da realidade, prontos para fazer o impossível: anular artigos da Constituição Federal, rasgar páginas da Carta Magna da Bahia, revogar leis do tempo do Império e contradizer, com a coragem de quem nunca leu um livro, os estudos dos maiores historiadores deste país.

O motivo de tamanha bravura? Mudar a data da emancipação política de Jeremoabo para 25 de outubro, uma data escolhida não se sabe se por superstição, sonho, delírio coletivo ou se por influência de algum espírito zombeteiro que baixou no plenário.

Ignoram — com a habilidade que só a ignorância treinada permite — a Lei nº 1.775 de 6 de junho, promulgada há 100 anos, que eleva Jeremoabo à categoria de cidade graças ao projeto do senador Antônio Pêssoa, filho da terra. A mesma lei celebrada pelo jornal O Paladino em 1925, quando registrou:

“Pela lei nº 1.775 de 6 do corrente, foi elevada a cidade o projeto apresentado pelo Sr. Senador Antonio Pêssoa, natural daquela localidade. O povoamento de Geremoabo remonta, provavelmente, a meados do século XVII [...], parabéns à população de Geremoabo onde O Paladino conta numerosas simpatias."

Mas nada disso importa para a nossa nobre Câmara, que agora, entre um cafezinho e uma sessão solene, parece determinada a reescrever a História com a mesma destreza com que aprovam nomes de ruas em homenagem a primos e cunhados e amigos.

Talvez seja o caso de convocar o grande Dr. Simão Bacamarte, o célebre alienista de Machado de Assis, para instalar uma filial da Casa Verde em Jeremoabo. Afinal, quando uma Câmara se propõe a contrariar documentos históricos, registros oficiais, publicações centenárias e ainda se dá o luxo de legislar contra o tempo e a verdade... é sinal de que a alienação chegou ao plenário e sentou na cadeira da presidência.

Jeremoabo não precisa de uma nova data. Precisa de memória. De respeito à sua história. E, acima de tudo, de vereadores que saibam que leis não se revogam por capricho, que a História não se apaga com uma canetada e que a realidade não se altera por decreto legislativo — por mais que o ego o deseje.

Parabéns, população de Jeremoabo, que há um século conquistou com orgulho sua emancipação. E coragem, muita coragem, para resistir a esse novo surto institucional.

Enquanto isso, alguém traga o Dr. Bacamarte. Com urgência.

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