Emendas parlamentares: uma questão de dever, não de favor
O radialista Júnior de Santinha acertou em cheio ao aplaudir a ação do deputado que, cumprindo promessas de campanha, destinou emendas parlamentares para o município. O que parece ser um ato de generosidade ou um grande feito, na verdade, deveria ser algo corriqueiro e esperado de qualquer representante eleito. É a famosa "lei do retorno" em sua forma mais literal.
Durante a campanha eleitoral, muitos candidatos se desdobram em promessas de benefícios para as cidades que representam. Ao serem eleitos, essas promessas se traduzem, em grande parte, na destinação de emendas parlamentares. Essas emendas não são um presente do parlamentar, mas sim uma fatia do orçamento público, composta pelos impostos pagos por cada cidadão. Ou seja, é o dinheiro do contribuinte retornando para o município em forma de melhorias e investimentos em áreas como saúde, educação, infraestrutura e segurança.
É lamentável que, em um cenário onde a gratidão e o compromisso com o eleitor deveriam ser a norma, a atitude de um deputado que cumpre sua palavra se torne algo digno de aplausos e destaque. A verdade é que muitos outros parlamentares falham em honrar essa obrigação, desviando-se do propósito original das emendas e deixando de beneficiar as comunidades que os elegeram.
O que deveria ser um dever inquestionável do parlamentar, a destinação de recursos para o desenvolvimento de seu município, transforma-se em um ato excepcional. Isso reflete uma falha sistêmica na política, onde a responsabilidade se confunde com o favor. O aplauso a essa ação, embora compreensível pela escassez de exemplos semelhantes, serve como um lembrete amargo de que estamos longe de um cenário ideal, onde o cumprimento do dever é a regra, e não a exceção.