quinta-feira, novembro 17, 2022

Nas sombras, Bolsonaro usa os militares para alimentar o conspiracionismo.




O texto do Ministério da Defesa informa que o "acurado trabalho da equipe de técnicos militares" não apontou, mas "também não excluiu a possibilidade de existência de fraude". É um argumento que não para de pé. 

Por Guilherme Macalossi (foto)

Além de duas breves aparições públicas e de um número limitado de encontros oficiais com membros do governo, Jair Bolsonaro se recolheu desde que viu sepultado o sonho de um segundo mandato. Nos estertores de seu governo, vaga pelos palácios do poder como uma sombra dedicada a alimentar a instabilidade institucional usando sua influência sobre as Forças Armadas para manter sua militância ativa na esperança de que, por um ato discricionário, tropas marchem para invalidar o resultado da eleição.

O relatório do Ministério da Defesa sobre o sistema de votação era aguardado como instrumento derradeiro para justificar uma ação hipotética. Influenciadores se encarregaram de criar o clima entre os militantes, que se juntaram em multidões na frente dos quarteis. As imagens produzidas nos últimos dias foram do constrangedor ao grotesco. Senhoras e senhores claramente desesperados gritando e orando por uma intervenção militar que nos livrasse do comunismo em um verdadeiro muro das lamentações bolsonarista.

Eis que a divulgação do documento assinado pelo General Paulo Sérgio Nogueira pôs abaixo as expectativas. Nenhuma fraude ou irregularidade foi apontada. A consternação dos fanáticos foi suficientemente grande a ponto de o Ministério da Defesa ter de divulgar uma outra nota, daí explicativa, para fazer controle de narrativa e acalmar os ânimos. Como nada foi encontrado, restou divagar usando a insinuação por hipótese para dar margem aos conspiracionistas.

O texto do Ministério da Defesa informa que o "acurado trabalho da equipe de técnicos militares" não apontou, mas "também não excluiu a possibilidade de existência de fraude". É um argumento que não para de pé. Basta mudar o teor da frase para evidenciar o seu primarismo. Exemplo: o acurado trabalho da equipe de técnicos militares não apontou, mas também não excluiu a possibilidade de você ter sido traído. Ou ainda: o acurado trabalho da equipe de técnicos militares não apontou, mas também não excluiu que a Terra seja plana.

Na sexta-feira (11), as Forças Armadas voltaram a se manifestar, dessa vez sobre os grupos pedindo intervenção na frente dos quarteis. Em nota, a instituição se atribuiu um papel moderador que a Constituição não lhe confere, bem como fez uma avaliação jurídica sobre o teor das manifestações que também não é de sua alçada. Essa insistência em se intrometer nos assuntos que são de competência da sociedade civil é resultado da sujeição a que parte de seus integrantes se submetem de maneira a satisfazer os caprichos de um presidente não reeleito que insiste em incendiar o país.

Gazeta do Povo (PR)

Em destaque

Jeremoabo Precisa de Desenvolvimento Real, Não de Mudanças Ilusórias

Jeremoabo Precisa de Desenvolvimento Real, Não de Mudanças Ilusórias Por José Montalvão Jeremoabo vive um momento em que as prioridades prec...

Mais visitadas