Publicado em 15 de outubro de 2022 por Tribuna da Internet

Ilustração reproduzida do Arquivo Goggle
Carlos Newton
Desde que se iniciaram as pesquisas eleitorais no Brasil, em 1942, com a criação do Ibope (Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística), pioneiro no Brasil, jamais se viu tanta contestação ao trabalho dessas empresas. Da mesma forma, o mercado nunca tinha sido ocupado tão indiscriminadamente. Basta dizer que, no final de setembro, a eleição de 2022 já tinha registrado 2.130 pesquisas de intenção de voto.
Foi impressionante o número de empresas disputando esse mercado, que é muito rentável, caso contrário não haveria tanta concorrência, conforme nos ensina a Lei da Oferta e Procura, que é semelhante à Lei do Cão – apesar de não estarem escritas em nenhum código, ninguém pode duvidar da eficácia delas.
ERROS COLOSSAIS – Com institutos de pesquisa à venda por 30 dinheiros, jamais houve tamanha discrepância, com previsões à la carte, para todos os gostos. O resultado já era esperado, pois foram cometidos erros colossais, não somente nas eleições para a Presidência, mas também nas disputa dos governos estaduais e das vagas no Senado.
A reação foi fortíssima. Quem perdeu a eleição imediatamente culpou os institutos de pesquisa. No Congresso, não se falava em outra coisa. Com rapidez foram conseguidas 29 assinaturas para criar no Senado a CPI das Pesquisas, mas o presidente Rodrigo Pacheco (PSD-MG) preferiu deixar para o ano que vem.
Na Câmara, o presidente Arthur Lira (PP-AL) tentou colocar em votação um projeto para criminalizar os erros das pesquisas, condenando os estatísticos a dez longos anos de prisão, vejam como esse povo é exagerado.
E A EXPLICAÇÃO? – Bem, ficou claro que nestas eleições a situação das pesquisas fugiu completamente ao controle, é preciso tomar providências, mas ninguém será punido, porque se trata de atividade não regulamentada.
O projeto existente na Câmara é primário, necessita de aperfeiçoamento, especialmente para a fixação de regras elementares. Por exemplo, no início da campanha, não se deve fazer pesquisa induzida, mostrando ao eleitor nomes de prováveis candidatos.
Ou seja, deve-se fazer apenas a pesquisa espontânea, que indaga diretamente: “Em quem você pretende votar?”. E depois seguir com perguntas sobre partidos e outros possíveis candidatos. E a pesquisa induzida, com exibição da lista de concorrentes, somente passaria a ser feita quando as candidaturas estivessem aprovadas em convenção.
###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Na eleição deste ano, há um fator específico que prejudica as pesquisas. É o eleitor da chamada maioria silenciosa, que rejeita Lula da Silva ou Jair Bolsonaro, mas agora precisa admitir que votará em um deles no segundo turno. Trata-se de um número enorme de eleitores que as pesquisas têm dificuldade de identificar, pois não é nulo, em branco nem indeciso – é simplesmente o voto envergonhado. (C.N.)