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Cordeiro, do Cade estranhou haver “coincidência” nos erros
Deu no Estadão
O presidente do Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade), Alexandre Cordeiro, determinou a abertura de um inquérito para investigar os institutos de pesquisa Datafolha, Ipec e Ipesp. Cordeiro argumentou que os institutos erraram de maneira semelhante o resultado final da votação do dia 2 de outubro para presidente da República. E
le alegou que isso pode significar que houve uma “conduta coordenada entre as empresas”, uma prática criminosa. É a primeira vez que o órgão antitruste quer abrir um inquérito para investigar institutos de pesquisas.
MUITAS DISCREPÂNCIAS – Apesar de ter mandado abrir inquérito apenas sobre três institutos, Cordeiro disse ter feito ele mesmo “análises preliminares” que apontam discrepâncias em relação aos resultados de 19 institutos, sendo que 10 deles teriam errado a porcentagem de votos do candidato Luiz Inácio Lula da Silva para além da margem de erro e 18 institutos teriam errado a projeção para a votação de Jair Bolsonaro para além da margem de confiança das pesquisas.
Ainda assim, ele determinou a investigação sobre apenas três deles (Datafolha, Ipespe e Ipec).
“A discrepância das pesquisas e do resultado é tão grande que verificam-se indícios de que os erros não sejam casuísticos e sim intencionais por meio de uma ação orquestradas dos institutos de pesquisa na forma de cartel para manipular em conjunto o mercado e, em última instância, as eleições”, acusou Cordeiro.
NÃO É COINCIDÊNCIA – “Ocorre que, quando há uma grande quantidade de pesquisas que falham simultaneamente e no mesmo sentido, é pouco provável que este tipo de erro seja fruto de mero acaso (como a existência da coleta de um valor extremo amostral)”, argumenta Cordeiro.
“É absolutamente improvável que a amostra da pesquisa em questão tenha sido bem desenhada, sendo o resultado da pesquisa um mero valor extremo e esperado do ponto de vista amostral. Tal improbabilidade de resultado levanta suspeita a respeito da independência das ações dos referidos agentes, pelos motivos já destacados”, completa.
O pedido de Cordeiro foi feito ao superintendente do Cade, Alexandre Barreto, para apurar a “possível colusão” entre os três institutos com o intuito de manipular o mercado e os consumidores. No jargão do Cade, colusão é um tipo de conluio entre as empresas para causar danos a terceiros.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O próprio repórter menospreza o pedido de investigação, dizendo: “O Estadão apurou que a proposta foi tratada com ironia no gabinete de Barreto (superintendente do Cade), que informou a interlocutores que a deixará na gaveta”. Além disso, diz que “Cordeiro foi indicado para o Cade pelo ministro da Casa Civil, Ciro Nogueira”, acrescentando que “Ciro Nogueira, ele se referia a Cordeiro como ‘meu menino’ e disse ainda: ‘Eu botei ele lá’. A irmã do presidente do Cade, Sabá Cordeiro, é chefe de gabinete do ministro Ciro Nogueira”. Caramba, amigos e amigas, mas parece que a política enlouqueceu, e o jornalismo, também. (C.N.)