sexta-feira, outubro 14, 2022

Não se pode trabalhar no campo da imaginação, do “ouvi dizer”, diz promotora sobre Damares

Publicado em 14 de outubro de 2022 por Tribuna da Internet

Órgão do MPF dá três dias para governo explicar falas de Damares sobre  supostos abusos de crianças | Jovem Pan

Prazo para esclarecer o caso Damares termina neste domingo

Bela Megale
O Globo

A promotora Patrícia Carvalho, do Ministério Público Estadual do Pará, foi uma das signatárias do ofício encaminhado ao Ministério da Mulher, Família e dos Direitos Humanos solicitando provas de relatos de crimes sexuais contra crianças denunciados por Damares Alves. Em entrevista à coluna, a promotora afirma que o Ministério Público trabalha com provas e não “no campo da imaginação, ‘do ouvi dizer’”.

Após relatar que tinha imagens sobre o que dizia, a ex-ministra e senadora eleita afirmou que suas declarações, feitas em culto religioso no sábado passado, são relatos que ouviu “nas ruas”.

O Ministério Público do Estado do Pará enviou um oficio ao Ministério da Mulher no qual solicita a documentação sobre as denúncias. Já houve resposta?
Ainda não. O prazo de cinco dias termina domingo e estamos aguardando. Nos causa estranheza a situação. É claro que temos conhecimento da situação de abusos que ocorrem na região da Ilha do Marajó. Diariamente lidamos com essa situação, mas essas condições que foram colocadas pela ex-ministra de tráfico de crianças ou extração de dentes para a prática sexual nunca tivemos conhecimento, nunca chegou ao MP, nem à Polícia Civil e, muito menos, ao conselho tutelar.

O que o MP do Pará fez após tomar conhecimento da fala de Damares?
O MP entrou em contato com todos os promotores da região, somos 16 promotores e cada um atua em um município. Pedimos para que verificassem se chegou alguma denúncia formal dessas situações relatadas pela ex-ministra. Todos foram unânimes em informar que nunca chegou ao MP e nem à rede de proteção relatos nesse sentido. Por isso, fizemos imediatamente esse pedido ao Ministério da Mulher para que a gente possa adotar as providências cabíveis, pois as falas da ex-ministra abordam questões muito graves.

A ex-ministra Damares disse em entrevista nesta quinta-feira que sua denúncia foi feita com base em relatos que ouviu “nas ruas”…
O MP, assim como a Polícia Civil, trabalha com provas. A gente não pode trabalhar no campo da imaginação, do “ouvi dizer”. Precisamos de provas para deflagar uma ação, fazer uma investigação. Formalmente, ao MP nada disso chegou. Fica difícil de a gente emitir qualquer opinião por ouvir dizer.

Qual a situação sobre abusos na Ilha do Marajó que chegou ao MP?
Atuo no Marajó desde 2017 e percorri grande parte da região. Há muitos relatos de abusos sexuais, principalmente intrafamiliares. Mas o que a ex-ministra falou no culto, a gente não ouve dizer. Aquelas denúncias que a ex-ministra falou, eu e meus colegas nunca ouvimos dizer e não chegou nada formalmente. A gente sabe dos problemas e mazelas no Marajó. Os números de abusos são elevados, a Polícia Civil e o MP têm implementado ações de prevenção, combate e empoderamento do público infanto-juvenil para enfrentar a situação, que é muito grave no Marajó.

O MP pretende acionar Damares na Justiça por calúnia se ela não apresentar provas do que disse?
Não estou dizendo que ela fala a verdade ou mente. O que o MP pediu são as provas que a ex-ministra alegou ter e esses casos documentados para que a gente adote as providências cabíveis. Essa é nossa função. Como ela falou sobre crimes como tráfico internacional de crianças, essa atribuição de acioná-la na Justiça por calúnia seria do Ministério Público Federal, e não estadual.

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