Publicado em 16 de outubro de 2022 por Tribuna da Internet
Charge do Ricardo Welbert (facebook.com)
Pedro do Coutto
A pesquisa do Datafolha divulgada na noite de sexta-feira pela GloboNews é objeto de reportagens neste sábado de Luã Marinatto, no O Globo, e de Igor Gielow, na Folha de S. Paulo, revelando um panorama de estabilidade em relação aos votos depositados nas urnas do dia 2 de outubro. As urnas apontaram 48,43% para Lula e 43,2% para Bolsonaro. O quadro, portanto, ficou estável.
É verdade que acontecimentos como o ocorrido na Basílica de Nossa Senhora de Aparecida não puderam ainda ser captados e refletidos nas pesquisas em virtude do curto espaço de tempo. Na noite de hoje, o debate começa às 20h e será transmitido também pelo canal Uol e pela TV Cultura.
SEGMENTOS DE RENDA – A pesquisa do Datafolha, de acordo com a reportagem do O Globo, apresenta as intenções de voto por segmentos de renda familiar. Até dois salários mínimos, Lula alcança vantagem de 62% contra 38% para Bolsonaro. Mas acima de cinco salários e dez salários mínimos, Bolsonaro atinge 56% e Lula 44%.
Faltou o Datafolha apresentar resultados da faixa que vai de dois salários mínimos a cinco salários mínimos. Esse segmento é importante para avaliação das tendências eleitorais. A pesquisa do Datafolha se baseia também em regiões, e na região Sudeste há uma vantagem para Bolsonaro. Enquanto no Nordeste, Lula tem ampla vantagem sobre o seu adversário.
O presidente Jair Bolsonaro voltou a criticar o ministro Alexandre de Moraes, desta vez pelo seu despacho anulando o processo movido contra os institutos de pesquisa. Mas o fato é que o erro dos institutos de pesquisa, sobretudo em São Paulo, beneficiou o próprio Bolsonaro, que saiu vencedor em um quadro em que era apontado com menor percentual de votos.
ASSÉDIO – Reportagem de Thaisa Oliveira, Folha de S. Paulo de ontem, focaliza as denúncias de assédio eleitoral por empresas que tentam reter o título eleitoral dos empregados para forçar a abstenção no segundo turno. José de Lima Ramos Pereira, procurador-geral da Justiça do Trabalho, em entrevista à FSP, condena o assédio e diz que tais empresas agem como se o direcionamento do voto fosse um elemento de relação trabalhista.
Reter o título dos empregados é uma violência enorme e uma chantagem por ameaçar através da perda de emprego. Mas basta que o eleitor apresente a identidade para poder votar. De qualquer forma, o episódio funciona para mostrar o caráter inconcebivel e ilegal por parte desses empresários.
POBREZA – Excelente reportagem de Fernanda trisotto, O Globo, revela com base nos índices do IBGE que ao longo dos últimos 10 anos houve um empobrecimento no país comprovado pelo fato de as classes D e E, de menor renda, terem crescido de 48,7% da população para 55,4%, num quadro em que o número de habitantes aumentou praticamente 10%, uma vez que o aumento populacional é de 1% ao ano.
A reportagem focaliza a renda familiar média de cada categoria, acentuando que a classe A, cuja renda familiar mensal é superior a R$ 23 mil, representa apenas 3,1% da população. O levantamento é muito importante na revelação e classificação dos segmentos de renda, mas não inclui e nem poderia incluir os que têm renda abaixo de um salário mínimo e aqueles que não têm renda nenhuma, sobrevivendo à base de tarefas eventuais realizadas.
Há ainda uma parte elevada da população que se encontra desempregada e, portanto, não pode figurar entre as faixas de rendimento. E há também os que ainda não conseguiram o primeiro emprego. A reportagem mostra a face verdadeira da questão social no Brasil, acrescida pelo fato de a metade da população não ser atendida por rede de tratamento de esgoto. E também tem que se adicionar o processo crescimento de favelização de centros urbanos, a exemplo do Rio e São Paulo.