domingo, outubro 16, 2022

Inflação nos EUA, risco internacional - Editorial




Alta de preços eleva risco de novo aumento de juros, afetando o financiamento internacional e o crescimento

Além de assombrar as famílias americanas, a inflação nos Estados Unidos pode resultar em maior aperto financeiro, com efeitos negativos para a economia internacional e perdas especialmente graves para os emergentes, incluindo o Brasil. Os preços ao consumidor subiram 0,4% no mercado americano, em setembro, acumulando alta de 8,2% em 12 meses. Os números foram piores que o estimado pelos especialistas e o mundo financeiro reagiu de imediato. Cotações de papéis caíram nas bolsas, juros subiram e o preço internacional do petróleo recuou.

Novo aumento da taxa básica de juros pelo Federal Reserve (Fed, o banco central americano) foi apontado como altamente provável por analistas de instituições financeiras. Em agosto a inflação acumulada em 12 meses havia chegado a 8,3%. Houve algum recuo, portanto, mas o novo número, pelas previsões, deveria ter ficado em 8,1%. O desajuste nos Estados Unidos ultrapassa o do Brasil, onde os preços ao consumidor subiram 7,17% nos 12 meses até setembro.

Nos dois países houve redução dos preços dos combustíveis, mas o custo da alimentação continua pressionando fortemente os orçamentos familiares. Em 12 meses a comida ficou 11,2% mais cara para os americanos. No Brasil, a alta foi de 11,71% nesse período, mesmo com a redução de 0,51% no último mês.

Juros mais altos nos Estados Unidos tendem a afetar o mercado cambial, provocando valorização do dólar. Isso afeta, no mercado brasileiro, os preços dos produtos importados. Uma das consequências é inflação mais alta. Ao mesmo tempo, juros elevados no mercado americano encarecem os financiamentos e tendem a desestimular o investimento estrangeiro nos mercados emergentes e em desenvolvimento, com efeitos negativos para o crescimento econômico.

Esses fatores elevam o risco de recessão global, mas é preciso insistir no esforço de estabilização dos preços para ancorar as expectativas, comentou a diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Kristalina Georgieva. Seria um erro grave aumentar os gastos públicos para tentar compensar os efeitos do aperto monetário promovido pelos bancos centrais. “Quando a política monetária coloca o pé no freio, a política fiscal não deve pisar no acelerador.” Se os governos o fizerem, acrescentou, “correrão o risco de entrar numa trajetória muito perigosa”. “Se não estabilizarmos os preços”, argumentou, “vamos criar mais incertezas para os investidores.”

No Brasil, os candidatos à Presidência da República deveriam dar atenção a essas advertências. As bondades eleitoreiras concebidas pelo candidato à reeleição já devem pressionar perigosamente as contas públicas em 2023. Qualquer novo afrouxamento da política fiscal, na busca de uma reativação da economia, poderá conflitar com o esforço anti-inflacionário do Banco Central. Isso criará uma razão adicional para a manutenção de juros altos e crédito apertado. Seja quem for o presidente eleito, precisará de muita prudência, no primeiro ano de mandato, para ampliar o espaço necessário a uma política de crescimento.

O Estado de São Paulo

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