domingo, outubro 16, 2022

Estabilidade mostra que Bolsonaro perdeu duas semanas




Resultados jogam ainda mais pressão sobre presidente, que precisará de fatos novos para se aproximar de Lula

Por Thomas Traumann (foto)

O que acontece quando nada acontece? A pesquisa Datafolha desta sexta-feira (14) é quase idêntica à de uma semana atrás, com o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva liderando por 49% das intenções de voto ante 44% do presidente Jair Bolsonaro e o petista sendo rejeitado por 46% enquanto 51% dizem que nunca votariam no capitão. A estabilidade, no entanto, já em si uma notícia. Passadas as duas primeiras semanas do segundo turno, os eleitores estão decididos e será preciso um fato novo para mudar os números.  

O novo Datafolha joga mais pressão sobre o presidente. Saindo 6 milhões de votos atrás no primeiro turno, Bolsonaro perdeu a metade do segundo turno sem conseguir se aproximar de Lula. Sem um fato capaz de mudar o rumo do jogo, a campanha da reeleição caminha para falar apenas aos eleitores já convertidos ou apostar que uma abstenção gigante no dia 30 mude o destino. É pouco.   

Nessas duas semanas, as campanhas de Bolsonaro e Lula desceram aos piores níveis conhecidos, com temas como canibalismo, satanismo e falsificação sobre votações em presídios ganhando as redes sociais e as propagandas de TV. Em um discurso, Bolsonaro chamou Lula de “ladrão pinguço” e foi chamado de “genocida” pelo ex-presidente. A queda no nível da campanha pode ter horrorizado alguns, mas não fez nenhum eleitor mudar de voto. 93% dos entrevistados pelo Datafolha dizem já têm certeza sobre seu candidato. Bolsonaro precisa de três de cada quatro desses votos volúveis para vencer. 

A pesquisa mostra que os principais fatos do segundo turno, a arruaça de bolsonaristas nos festejos de Aparecida na quarta-feira (12) e os apoios de Simone Tebet (MDB) e Fernando Henrique (PSDB) para Lula e o de Romeu Zema (Novo) para Bolsonaro não mudaram o humor do eleitor. Para Bolsonaro, a falta de efeito entre os católicos é uma boa notícia. Mas é como se seu time não tivesse levado gol numa partida na qual já está perdendo.

O Globo

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